{"id":24183,"date":"2010-03-30T15:36:58","date_gmt":"2010-03-30T15:36:58","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24183"},"modified":"2010-03-30T15:36:58","modified_gmt":"2010-03-30T15:36:58","slug":"direito-a-comunicacao-e-midia-alternativa-entram-na-pauta-do-forum-social-urbano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24183","title":{"rendered":"Direito \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o e m\u00eddia alternativa entram na pauta do F\u00f3rum Social Urbano"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><em>[T&iacute;tulo original: FSU debate Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o e import&acirc;ncia da m&iacute;dia alternativa]<\/em><\/p>\n<p>&ldquo;Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; Direito &agrave;s Cidades&quot; foi o tema de um debate ocorrido no &uacute;ltimo dia do F&oacute;rum Social Urbano, 26 de mar&ccedil;o. Estiveram presentes Vito Giannotti, coordenador do NPC; &Aacute;lvaro Neiva, do Coletivo Intervozes; Helena Elza de Figueiredo, do Movimento Helaiz, que luta contra o seq&uuml;estro de crian&ccedil;as; e Gizele Martins, editora do jornal O Cidad&atilde;o, da Mar&eacute;. Ao final do debate foi apresentado o v&iacute;deo &ldquo;Levante Sua Voz&rdquo;, produzido pelo Intervozes, que retrata a concentra&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia no Brasil.<\/p>\n<p>Giannotti, fazendo refer&ecirc;ncia ao tema da mesa, constatou que n&atilde;o &eacute; garantido a todos(as) o direito &agrave; cidade devido &agrave; vis&atilde;o que se tem de cidade-empresa, que n&atilde;o prev&ecirc; a inclus&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o negra e pobre. Ele lembrou que, historicamente, os movimentos sociais e de trabalhadores que se op&otilde;em a tal situa&ccedil;&atilde;o e passam a lutar por seus direitos acabam sendo reprimidos e silenciados. Quem &eacute; v&iacute;tima dessa criminaliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem garantido seu direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o exatamente para que se naturalize tal modelo de gest&atilde;o do espa&ccedil;o urbano. &ldquo;Assim, &eacute; a m&iacute;dia do capital que acaba tendo o dom&iacute;nio da fala. E o que ela faz? Acaba agindo como o verdadeiro partido da burguesia. Atrav&eacute;s de suas novelas, de seus programas e telejornais, ela faz a cabe&ccedil;a de todos(as) e acaba mobilizando tamb&eacute;m. Se voc&ecirc; prestar aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s not&iacute;cias, vai ver que o grande problema do Brasil s&atilde;o os negros, os pobres os favelados&rdquo;, analisou Giannotti. Como ele avalia, essa estrat&eacute;gia &eacute; importante para deixar a classe trabalhadora cada vez mais e oprimida e assustada, sem reconhecer seus direitos. &ldquo;Por isso &eacute; importante combater essa m&iacute;dia burguesa, criando nossos pr&oacute;prios meios de comunica&ccedil;&atilde;o que disputem a vis&atilde;o de mundo&rdquo;, concluiu.&nbsp; <\/p>\n<p>&Aacute;lvaro Neiva, do Intervozes, falou sobre a import&acirc;ncia de toda a sociedade refletir sobre seu direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, o que muitas vezes n&atilde;o se torna claro devido &agrave; brutal concentra&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia que existe no Brasil. Ele ressaltou que h&aacute; muito ainda para ser conquistado: &quot;Apesar de haver alguns avan&ccedil;os na Constitui&ccedil;&atilde;o, que prev&ecirc;, por exemplo, proibi&ccedil;&atilde;o de monop&oacute;lios e oligop&oacute;lios e a complementaridade dos sistemas estatal, p&uacute;blico e privado de radiodifus&atilde;o, tais pontos n&atilde;o foram ainda regulamentados&quot;, esclareceu. Neiva citou outro aspecto importante, que &eacute; a renova&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es, feita praticamente de forma autom&aacute;tica. &ldquo;Temos o exemplo da Venezuela. Quando Hugo Chavez n&atilde;o renovou a concess&atilde;o da RCTV, foi chamado por grande parte da m&iacute;dia de ditador. Mas aquela concess&atilde;o &eacute; p&uacute;blica, e o Governo n&atilde;o s&oacute; pode como deve sempre fiscalizar. Isso tanto l&aacute; quanto aqui&rdquo;. Para finalizar, Neiva disse ser importante disputar o conceito de &ldquo;liberdade de express&atilde;o&rdquo;, pois ele deve ser entendido como um direito de toda a sociedade, e n&atilde;o de pequenos grupos. &ldquo;N&atilde;o d&aacute; para r&aacute;dios comunit&aacute;rias continuarem a ser criminalizadas, terem seus equipamentos apreendidos. A m&iacute;dia comercial, que diz defender a liberdade, ajuda mais ainda a criminalizar. Tamb&eacute;m ela se manifesta contr&aacute;ria a qualquer tentativa de fiscaliza&ccedil;&atilde;o por parte do poder p&uacute;blico. Ou seja: defende apenas a sua pr&oacute;pria liberdade, n&atilde;o de todos&rdquo;. Al&eacute;m da constru&ccedil;&atilde;o de meios alternativos, o militante pela democratiza&ccedil;&atilde;o lembrou a import&acirc;ncia de se entrar na disputa por um novo marco regulat&oacute;rio e por novas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Comunica&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria para combater exclus&atilde;o na m&iacute;dia<\/strong><\/p>\n<p>Helena Elza de Figueiredo deu um depoimento emocionado, relatando como existem diferen&ccedil;as no tratamento dado pela m&iacute;dia e pelo porder p&uacute;blico em rela&ccedil;&atilde;o a ricos e pobres. Moradora do Morro Tuiuti, em S&atilde;o Cristov&atilde;o, ela contou que sua filha foi sequestrada e morta em 2006. Ap&oacute;s o tr&aacute;gico epis&oacute;dio, Helena e outra m&atilde;e resolveram criar o Movimento Helaiz &ndash; m&atilde;es em a&ccedil;&atilde;o contra o rapto, sequestro e desaparecimento de crian&ccedil;as. &ldquo;N&oacute;s, pobres e favelados, somos desprezados, e o tratamento &eacute; bem diferenciado. Como a pol&iacute;cia age quando ocorre sequestro do filho do rico? Ela age r&aacute;pido, e logo d&aacute; in&iacute;cio &agrave;s investiga&ccedil;&otilde;es. J&aacute; a gente eles mandam para casa. E a m&iacute;dia, o que faz? Ao nosso caso quase nunca d&aacute; aten&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Helena avalia que o que facilita o desaparecimento de crian&ccedil;as nas comunidades &eacute; a falta de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que garantam um espa&ccedil;o seguro em tempo integral para os filhos. &ldquo;O nosso movimento n&atilde;o tem divulga&ccedil;&atilde;o nenhuma. O sequestro do pobre n&atilde;o importa, ningu&eacute;m quer saber&rdquo;. A jornalista Paula M&aacute;iran, que vem acompanhando e prestando assessoria ao Movimento, lembrou o sequestro da menina inglesa Madeleine, em 2007, que estava com seus pais em Portugal. O caso foi capa e destaque em v&aacute;rios jornais e revistas. &ldquo;Naquela &eacute;poca a Helena me ligou chorando, perguntando por que a vida daquela menina tinha mais valor do que a da filha dela&rdquo;, relatou Paula, mostrando como &eacute; importante criarem-se alternativas de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>E uma dessas alternativas &eacute; o jornal comunit&aacute;rio&nbsp; <em>O Cidad&atilde;o<\/em>, da Mar&eacute;, que j&aacute; existe h&aacute; 10 anos. Como contou a estudante de comunica&ccedil;&atilde;o Gizele Martins, que trabalha nele h&aacute; sete anos, s&atilde;o rodados 21 mil exemplares, distribu&iacute;dos nas 16 favelas que formam o Complexo da Mar&eacute;. Na avalia&ccedil;&atilde;o de Gizele, apesar das dificuldades por causa da equipe reduzida e do trabalho volunt&aacute;rio, o ve&iacute;culo vem cumprindo uma importante fun&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Esse jornal veio para fortalecer a identidade dos moradores da Mar&eacute;, porque a m&iacute;dia burguesa n&atilde;o nos representa como personagens, n&atilde;o mostra o que a gente &eacute;. Pelo contr&aacute;rio: produz clich&ecirc;s como o de que todo favelado &eacute; vagabundo, criminoso, envolvido com o tr&aacute;fico&rdquo;, desabafou Gizele. Ela lembrou uma pesquisa recente que mostra que apenas 2 ou 3% dos moradores est&atilde;o ligados ao tr&aacute;fico. &ldquo;Portanto todo o resto &eacute; trabalhador e estudante, ou pelo menos tenta ser. Muitas vezes acaba n&atilde;o conseguindo trabalhar ou pela falta de emprego ou pelo preconceito na hora da contrata&ccedil;&atilde;o; e n&atilde;o consegue estudar porque o ensino p&uacute;blico est&aacute; cada vez mais sucateado&rdquo;.<\/p>\n<p>A estudante de comunica&ccedil;&atilde;o lembrou a import&acirc;ncia que teve a apura&ccedil;&atilde;o de perto feita pela equipe d&rsquo;<em>O Cidad&atilde;o<\/em> da morte do menino Mateus, de apenas oito anos, assassinado pela pol&iacute;cia quando saia de casa para ir &agrave; padaria comprar um p&atilde;o. A m&iacute;dia burguesa come&ccedil;ou a divulgar a vers&atilde;o dos policiais, de que o menino tinha &ldquo;liga&ccedil;&atilde;o com o tr&aacute;fico&rdquo; e de que havia ocorrido &ldquo;troca de tiros&rdquo;. Essas s&atilde;o algumas justificativas normalmente usadas em casos de viol&ecirc;ncia policial nas favelas, e reproduzidas largamente sem que sejam ouvidos os moradores desses locais. A presen&ccedil;a do jornal comunit&aacute;rio conseguiu alterar essa vers&atilde;o. &ldquo;Nesse momento eu vi a import&acirc;ncia das nossas m&iacute;dias, tanto na apura&ccedil;&atilde;o quanto dos pr&oacute;prios fot&oacute;grafos da Mar&eacute;, os grandes respons&aacute;veis por fazer a per&iacute;cia naquele dia&rdquo;, concluiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[T&iacute;tulo original: FSU debate Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o e import&acirc;ncia da m&iacute;dia alternativa] &ldquo;Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; Direito &agrave;s Cidades&quot; foi o tema de um debate ocorrido no &uacute;ltimo dia do F&oacute;rum Social Urbano, 26 de mar&ccedil;o. 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