{"id":24171,"date":"2010-03-26T17:54:25","date_gmt":"2010-03-26T17:54:25","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24171"},"modified":"2010-03-26T17:54:25","modified_gmt":"2010-03-26T17:54:25","slug":"especialistas-discutem-estrategias-do-mercado-para-ganhar-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24171","title":{"rendered":"Especialistas discutem estrat\u00e9gias do mercado para &#8220;ganhar&#8221; crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Especialistas em desenvolvimento infantil, sociologia do consumo e consumo consciente avisam: o mercado trava, atrav&eacute;s da publicidade e do marketing, uma batalha contra as crian&ccedil;as para transform&aacute;-las em &aacute;vidos consumidores. E, at&eacute; o momento, os pequenos e pequenas v&ecirc;m perdendo esta batalha, o que significa dizer que absorvem conceitos e pr&aacute;ticas consumistas a despeito de se tornarem cidad&atilde;os e se reconhecerem como pessoas detentoras de direitos. Os alertas foram feitos durante o 3&ordm; F&oacute;rum Internacional Crian&ccedil;a e Consumo, realizado pelo Instituto Alana.<\/p>\n<p>Susan Linn, psic&oacute;loga da Harvard Medical School, o mercado &eacute; respons&aacute;vel pela sexualiza&ccedil;&atilde;o precoce de garotas e est&aacute; relacionado ao uso precoce de drogas. H&aacute; ainda que se pensar nos malef&iacute;cios causados diretamente pelo consumo excessivo de determinados produtos, fato mais vis&iacute;vel no caso da ind&uacute;stria aliment&iacute;cia, que faz produtos nada nutritivos e convencem as crian&ccedil;as a compr&aacute;-los. Todos estes efeitos, segundo Susan, s&atilde;o decorrente da mensagem base da publicidade: a aquisi&ccedil;&atilde;o de valores materiais traz felicidade. <\/p>\n<p>&ldquo;O consumo&nbsp;n&atilde;o supre necessidades cotidianas de sentido de vida, nem sustenta a necessidade humana de afeto&rdquo;, lembrou Helio Mattar, diretor presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente. Apesar desta ser uma quest&atilde;o presente entre as preocupa&ccedil;&otilde;es de pais e m&atilde;es, nem sempre estes podem fazer algo no sentido de evitar que as crian&ccedil;as fa&ccedil;am a liga&ccedil;&atilde;o entre carinho e consumo. &ldquo;Os pais n&atilde;o tem possibilidade de criar emancipa&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria vida, para sustentar para as crian&ccedil;as uma cultura alternativa &agrave; sociedade de consumo&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>A psic&oacute;loga Susan denuncia o discurso do pr&oacute;prio mercado sobre o papel dos pais como uma estrat&eacute;gia para seguir fazendo o que bem entender. Segundo ela, o mercado fala &ldquo;os pais devem dizer n&atilde;o&rdquo;, culpando um ente privado por&nbsp; um problema de esfera p&uacute;blica.<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; importante lembrar que uma gera&ccedil;&atilde;o atr&aacute;s, ou mesmo 10 anos atr&aacute;s, n&atilde;o era o mesmo marketing de hoje. Nos EUA, em 1993, companhias gastavam 1 bilh&atilde;o de d&oacute;lares por ano, e atualmente, gastam 17 bilh&otilde;es para pensar estrat&eacute;gias de marketing para alcan&ccedil;ar as crian&ccedil;as&rdquo;, comentou Susan. Ou seja, o tamanho do arsenal de guerra vem aumentando.<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; injusto com os pais terem de lidar com tudo. Acho que n&atilde;o podemos ser ing&ecirc;nuos, os pais precisam de ajuda de toda a sociedade: pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, comunidade empresarial e o pr&oacute;prio governo&quot;. Para Susan, uma maneira&nbsp;de ajudar os pais &eacute; proibir comerciais direcionados ao p&uacute;blico infantil.<\/p>\n<p><strong>Estrat&eacute;gia anti brincar<\/strong><\/p>\n<p>Entre as estrat&eacute;gias usadas pelo mercado para cooptar as crian&ccedil;as, uma das que mais assustam os analistas &eacute; a de substituir o brincar pelo consumo. &ldquo;O mercado tem feito tudo que pode para impedir que as crian&ccedil;as brinquem e uma das maneiras &eacute; a comercializa&ccedil;&atilde;o de suas vidas&rdquo;, afirmou Susan, fazendo men&ccedil;&atilde;o ao fato de que todas esferas da vida da crian&ccedil;a &ndash; do escovar os dentes ao dormir, passando pela escola e os momentos de lazer &ndash; est&atilde;o tomados ou pela publicidade, ou pelo marketing , por exemplo, nos produtos licenciados de her&oacute;is ou personagens do cinema e da TV.<\/p>\n<p>A substitui&ccedil;&atilde;o das brincadeiras entre as pr&oacute;prias crian&ccedil;as &eacute; muito negativa, pois &eacute; nas brincadeiras que elas aprendem a respeitar ao outro, conviver, sendo protagonista, al&eacute;m de trabalhar a imagina&ccedil;&atilde;o. &quot;A&nbsp;brincadeira &eacute; crucial para o desenvolvimento humano. Brincar junto ajuda a crian&ccedil;a a explorar sentimentos, desenvolve capacidade de lidar com o mundo de forma criativa. Agir ao inv&eacute;s de reagir&quot;, disse Helio Mattar, citando a psic&oacute;loga. <\/p>\n<p>Para Benjamin Barber, soci&oacute;logo, autor do livro &ldquo;Consumido &#8211; Como o mercado corrompe Crian&ccedil;as, Infantiliza Adultos e Engole Cidad&atilde;os&rdquo; e professor em&eacute;rito da Rutger University, o mercado quer impedir as crian&ccedil;as de brincarem porque, quando o fazem, elas n&atilde;o necessitam de brinquedos, basta a imagina&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Isso significa que o mercado, intencionalmente, corrompe as crian&ccedil;as. H&aacute; um nome pra isso, crime. E para lidar com isso &eacute; preciso ou por culpados nas cadeias, ou proibir a lavagem cerebral&quot;, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Ditadura pela seguran&ccedil;a<\/p>\n<p><\/strong>Brincadeiras s&atilde;o importantes, mas uma das desculpas para que sejam restringidas pelos pais &eacute; a alegada viol&ecirc;ncia que assola as ruas das cidades. Susan Linn alerta que esta viol&ecirc;ncia &eacute;, muitas vezes, resultado da propaganda de uma cultura do medo. &ldquo;E a cultura do medo faz muitas pessoas ricas.&rdquo;<\/p>\n<p>Susan comentou, ainda, que este medo &eacute; muitas vezes infundado. H&aacute; muitos locais que n&atilde;o s&atilde;o perigosos e as estat&iacute;sticas mostram, por exemplo, que o n&uacute;mero de rapto de crian&ccedil;as caiu nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. A psic&oacute;loga lembrou que a cultura do medo tamb&eacute;m se espalha para a internet com, por exemplo, os softwares de seguran&ccedil;as utilizados em internet, para que as crian&ccedil;as n&atilde;o possam acessar determinadas p&aacute;ginas. &ldquo;[Fazer] marketing com conselhos de seguran&ccedil;a para crian&ccedil;as que nunca saem da supervis&atilde;o de um adulto &eacute; idiota. Esses programas escolhem onde as crian&ccedil;as navegam, enchem de publicidade esses locais e as tornam vulner&aacute;veis de outra maneira&rdquo;, denunciou.<\/p>\n<p>A essa estrat&eacute;gia, Benjamin chamou de &ldquo;get around of gatekeepers&quot; &ndash; em tradu&ccedil;&atilde;o livre, &ldquo;fique longe dos vigias&rdquo;, no caso, os pais ou outros adultos supervisores. Ele explicou que as crian&ccedil;as est&atilde;o sempre acompanhadas destes &ldquo;gatekeepers&rdquo;. Assim, a estrat&eacute;gia do mercado &eacute; tentar separ&aacute;-los das crian&ccedil;as, para acabar com obst&aacute;culos entre suas mensagens pr&oacute; consumo e os pequenos. Um exemplo &eacute; um recurso que est&aacute; sendo adotado em shoppings para separar as fam&iacute;lias: criam-se &aacute;reas especificas para as crian&ccedil;as que, assim, s&atilde;o privadas de andar com os pais e ouvir os conselhos que negam algum produto baseado em algo racional, como explicar a necessidade ou n&atilde;o do produto, seu alto custo etc.<\/p>\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cultura do medo, Benjamin acredita que o que impede as crian&ccedil;as de brincarem nas ruas n&atilde;o &eacute; a viol&ecirc;ncia, mas a arquitetura urbana. Ex morador do &ldquo;suburb&rdquo; &ndash; as &aacute;reas residenciais que ficam distantes dos grandes centros urbanos nos Estados Unidos &ndash; , Benjamin contou que a arquitetura predominante nestes bairros n&atilde;o permite a intera&ccedil;&atilde;o: n&atilde;o h&aacute; cal&ccedil;adas, n&atilde;o h&aacute; local para andar de bicicletas, nem playgrounds. &ldquo;Quando nos mudamos pra Nova Iorque, a&iacute; sim minha filha passou a ter contato com outras crian&ccedil;as, porque l&aacute; elas andavam juntas e brincavam.&rdquo;<\/p>\n<p>Helio citou um fato curioso: pelo medo, as pessoas frequentam cada vez menos as ruas, mas, ao esvazi&aacute;-las, as tornam perigosas para os poucos que a frequentam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas em desenvolvimento infantil, sociologia do consumo e consumo consciente avisam: o mercado trava, atrav&eacute;s da publicidade e do marketing, uma batalha contra as crian&ccedil;as para transform&aacute;-las em &aacute;vidos consumidores. 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