{"id":24170,"date":"2010-03-26T16:32:35","date_gmt":"2010-03-26T16:32:35","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24170"},"modified":"2010-03-26T16:32:35","modified_gmt":"2010-03-26T16:32:35","slug":"como-fica-o-brasil-se-os-donos-da-tim-e-da-vivo-se-fundirem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24170","title":{"rendered":"Como fica o Brasil se os donos da TIM e da Vivo se fundirem"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">No come&ccedil;o de mar&ccedil;o, funcion&aacute;rios da Telecom It&aacute;lia no Brasil, que controla a operadora de telefonia celular TIM, receberam uma extensa carta assinada pelo presidente mundial da companhia, Franco Bernab&eacute;. Apesar do tom motivacional, as palavras n&atilde;o escondem a tens&atilde;o que atualmente caracteriza a atmosfera da companhia. Com um passado problem&aacute;tico &#8211; a empresa &eacute; suspeita de estar envolvida em uma fraude fiscal estimada em 495 milh&otilde;es de d&oacute;lares -, a Telecom It&aacute;lia agora enfrenta tamb&eacute;m incertezas quanto ao futuro, e &agrave; possibilidade de ser comprada pela gigante espanhola Telef&ocirc;nica.<\/p>\n<p>Desde o in&iacute;cio do ano a imprensa vem divulgando rumores sobre a possibilidade da opera&ccedil;&atilde;o envolvendo as duas companhias. Telecom It&aacute;lia, Telef&ocirc;nica e os governos de Espanha e It&aacute;lia negam a possibilidade de uma aquisi&ccedil;&atilde;o, e classificam as informa&ccedil;&otilde;es como infundadas. Entretanto, uma fonte ligada &agrave; empresa italiana afirma que a TIM Brasil e a Telef&ocirc;nica j&aacute; esbo&ccedil;am estudos para avaliar as poss&iacute;veis formas de integra&ccedil;&atilde;o de suas tecnologias e redes de comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; de hoje o interesse que a Telef&ocirc;nica tem pela companhia italiana. A Telecom It&aacute;lia, j&aacute; h&aacute; alguns anos, vem enfrentando uma situa&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil. Ela tem 34 bilh&otilde;es de euros de d&iacute;vida e vendeu quase todos os seus ativos fora da It&aacute;lia. Hoje ela det&eacute;m apenas o controle da TIM Brasil e uma participa&ccedil;&atilde;o na Telecom Argentina. Essa fr&aacute;gil situa&ccedil;&atilde;o facilitou uma mudan&ccedil;a no grupo de controle. &quot;A Telef&ocirc;nica agora &eacute; uma das controladoras do grupo, com 46,18% do capital. O Cons&oacute;rcio Telco, outro controlador, tem 24,5%&quot;, diz Eduardo Tude, presidente da Teleco, consultoria especializada em Telecomunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>Acordo binacional<\/strong><\/p>\n<p>A opera&ccedil;&atilde;o, entretanto, dependeria de um acordo entre os governos dos pa&iacute;ses-sede das duas companhias. Em fevereiro, o jornal espanhol El Pa&iacute;s noticiou que o governo espanhol seria favor&aacute;vel &agrave; compra da It&aacute;lia Telecom, depois que a companhia energ&eacute;tica italiana Enel comprou a empresa espanhola Endesa. O notici&aacute;rio espanhol sugeria que a compra da It&aacute;lia Telecom seria a contraparte relacionada &agrave; primeira aquisi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Para Eduardo Tude, a quest&atilde;o entre os governos j&aacute; representa uma grande barreira para a concretiza&ccedil;&atilde;o da opera&ccedil;&atilde;o. &quot;O governo italiano n&atilde;o quer abrir m&atilde;o de ter a Telecom sob seu controle&quot;, diz o presidente da Teleco. Entretanto, ele afirma que a Telef&ocirc;nica, por j&aacute; ser do &quot;mesmo time&quot;, deve ter a prefer&ecirc;ncia no caso da venda da operadora italiana, caso surjam propostas de outras companhias.<\/p>\n<p>Na carta enviada pelo presidente da Telecom It&aacute;lia aos funcion&aacute;rios em todos os pa&iacute;ses em que ela tem opera&ccedil;&otilde;es, o presidente Franco Bernab&egrave; enfatizava a necessidade de se manter um esp&iacute;rito de uni&atilde;o e empenho para obter resultados s&oacute;lidos e duradouros, &quot;para resistir ao tempo e a qualquer tipo de susto ou turbul&ecirc;ncia externa&quot;. A preocupa&ccedil;&atilde;o do executivo tem fundamento. Eduardo Tude diz que o desempenho ser&aacute; crucial para a sobreviv&ecirc;ncia da Telecom It&aacute;lia. &quot;Se ela conseguir ir bem, continua como operadora independente. Se a coisa n&atilde;o andar, no futuro, a tend&ecirc;ncia &eacute; que haja consolida&ccedil;&atilde;o das operadoras, e pode haver aquisi&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p><strong>Cen&aacute;rios<\/strong><\/p>\n<p>Muitas s&atilde;o as implica&ccedil;&otilde;es da aquisi&ccedil;&atilde;o para o mercado brasileiro. Dentre elas, a principal &eacute; a regulat&oacute;ria. A Telef&ocirc;nica atualmente det&eacute;m 50% de participa&ccedil;&atilde;o no capital da operadora Vivo (os outros 50% pertencem &agrave; Portugal Telecom). Segundo relat&oacute;rio da corretora Link Investimentos, com a compra da Telecom It&aacute;lia e o consequente controle dos ativos da Vivo, a Telef&ocirc;nica deteria mais de 60% do mercado de telefonia m&oacute;vel em algumas regi&otilde;es do Brasil.<\/p>\n<p>Na ponta do l&aacute;pis, o cen&aacute;rio parece improv&aacute;vel, uma vez que a competi&ccedil;&atilde;o ficaria praticamente inexistente. A Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) estabeleceu obriga&ccedil;&otilde;es para manter as opera&ccedil;&otilde;es separadas e garantir a competi&ccedil;&atilde;o. &quot;A Telef&ocirc;nica enfrenta um dilema. Existe um processo de consolida&ccedil;&atilde;o de opera&ccedil;&otilde;es fixas e m&oacute;veis, mas a Telef&ocirc;nica n&atilde;o consegue fazer a integra&ccedil;&atilde;o com a Vivo por causa dos 50% da participa&ccedil;&atilde;o da Portugal Telecom. Se n&atilde;o, ela j&aacute; teria integrado&quot;, diz Tude.<\/p>\n<p>Se a aquisi&ccedil;&atilde;o se confirmar, Vivo e TIM Brasil ter&atilde;o o mesmo controlador, situa&ccedil;&atilde;o que as leis brasileiras n&atilde;o permitem. Logo, a Telef&ocirc;nica teria que se desfazer de uma das opera&ccedil;&otilde;es de telefonia m&oacute;vel. &quot;O melhor dos mundos, nesse caso, seria manter a Vivo. Ela tem melhores fundamentos, &eacute; l&iacute;der em participa&ccedil;&atilde;o de mercado, tem maior rentabilidade e melhores indicadores de qualidade&quot;, diz Maria Tereza Azevedo, analista de telecomunica&ccedil;&otilde;es da Link Investimentos.<\/p>\n<p>O problema &eacute; que, para que isso aconte&ccedil;a, a Portugal Telecom teria que ceder &agrave; insist&ecirc;ncia da Telef&ocirc;nica e vender sua participa&ccedil;&atilde;o na Vivo para o grupo espanhol. A rela&ccedil;&atilde;o entre as duas empresas sugere que o cen&aacute;rio &eacute; pouco prov&aacute;vel. A Telef&ocirc;nica j&aacute; deixou clara, por in&uacute;meras vezes, sua inten&ccedil;&atilde;o de comprar os 50% da Portugal Telecom na Vivo, o que tem sido enfaticamente rejeitado pelos executivos lusos.<\/p>\n<p><strong>Investida portuguesa<\/strong><\/p>\n<p>Na &uacute;ltima segunda-feira (22\/03), o jornal portugu&ecirc;s <em>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias<\/em> publicou mat&eacute;ria sugerindo justamente o movimento contr&aacute;rio. Segundo a reportagem, a Portugal Telecom j&aacute; teria um plano para comprar a participa&ccedil;&atilde;o da Telef&ocirc;nica na Vivo. A condi&ccedil;&atilde;o para a opera&ccedil;&atilde;o seria a concretiza&ccedil;&atilde;o da compra da Telecom It&aacute;lia pela empresa espanhola. &quot;A Portugal Telecom tem condi&ccedil;&otilde;es de realizar a aquisi&ccedil;&atilde;o, e &eacute; grande interessada, j&aacute; que n&atilde;o quer deixar suas opera&ccedil;&otilde;es na Am&eacute;rica Latina&quot;, afirma Maria Tereza.<\/p>\n<p>A venda da participa&ccedil;&atilde;o na Vivo eliminaria a quest&atilde;o regulat&oacute;ria caso o neg&oacute;cio entre as operadoras italiana e espanhola vingue. &quot;Faz mais sentido, considerando esse cen&aacute;rio, que a Telef&ocirc;nica fique com a TIM e venda sua participa&ccedil;&atilde;o na Vivo para a Portugal Telecom. H&aacute; uma grande possibilidade de ganhos de sinergia e escala. A aproxima&ccedil;&atilde;o ser&aacute; boa para ambas&quot;, opina a analista da Link.<\/p>\n<p>Muitas s&atilde;o as especula&ccedil;&otilde;es em torno do neg&oacute;cio. A imprensa europeia vem agitando as discuss&otilde;es, a despeito das negativas por parte de Telef&ocirc;nica e Telecom It&aacute;lia sobre a exist&ecirc;ncia de qualquer negocia&ccedil;&atilde;o. Chegou-se a falar em uma defini&ccedil;&atilde;o ainda no m&ecirc;s de mar&ccedil;o, mas para os analistas, parece improv&aacute;vel que o mercado seja surpreendido. Entretanto, especialistas apontam a consolida&ccedil;&atilde;o do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es na Europa como uma tend&ecirc;ncia. Portanto, seria esperado &#8211; ainda que n&atilde;o iminente &#8211; o acordo entre Espanha e It&aacute;lia criando o embri&atilde;o do que no futuro deve se tornar a poderosa Tele Europa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No come&ccedil;o de mar&ccedil;o, funcion&aacute;rios da Telecom It&aacute;lia no Brasil, que controla a operadora de telefonia celular TIM, receberam uma extensa carta assinada pelo presidente mundial da companhia, Franco Bernab&eacute;. 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