{"id":24154,"date":"2010-03-25T18:57:18","date_gmt":"2010-03-25T18:57:18","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24154"},"modified":"2010-03-25T18:57:18","modified_gmt":"2010-03-25T18:57:18","slug":"regime-publico-vira-tema-central-de-audiencia-na-camara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24154","title":{"rendered":"Regime p\u00fablico vira tema central de audi\u00eancia na C\u00e2mara"},"content":{"rendered":"<p> \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">O debate sobre o Plano Nacional de Banda Larga em audi&ecirc;ncia p&uacute;blica realizada na Comiss&atilde;o de Defesa do Consumidor da C&acirc;mara dos Deputados nesta quarta-feira (24) centrou-se na natureza da presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o de internet em banda larga. Atualmente, o servi&ccedil;o &ndash; denominado oficialmente Servi&ccedil;o de Comunica&ccedil;&atilde;o Multim&iacute;dia (SCM) &ndash; &eacute; prestado em regime privado, o que significa a inexist&ecirc;ncia de cl&aacute;usulas contratuais que prevejam a estabilidade do servi&ccedil;o, a modicidade tarif&aacute;ria e a universaliza&ccedil;&atilde;o como exig&ecirc;ncias feitas &agrave;s operadoras. Durante a audi&ecirc;ncia, a transfer&ecirc;ncia do SCM para o regime p&uacute;blico foi defendida pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) e o Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social.<\/p>\n<p>Na opini&atilde;o de Guilherme Varela, representante do Idec, a distribui&ccedil;&atilde;o da banda larga &eacute; muito desigual e segue a l&oacute;gica tamb&eacute;m desigual da distribui&ccedil;&atilde;o de renda das fam&iacute;lias no Brasil, o que &eacute; incompat&iacute;vel com a sua condi&ccedil;&atilde;o de direito e servi&ccedil;o essencial. O representante do Idec diz que o Estado tem de ter compet&ecirc;ncia de, no m&iacute;nimo, trabalhar para a redu&ccedil;&atilde;o dessas distor&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o queremos s&oacute; a massifica&ccedil;&atilde;o, queremos a universaliza&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o&rdquo;, afirmou Varela, em defesa da institui&ccedil;&atilde;o do regime p&uacute;blico. &ldquo;Queremos tamb&eacute;m que seja a ele [o servi&ccedil;o da banda larga] aplicado o princ&iacute;pio da modicidade tarif&aacute;ria, que garante um pre&ccedil;o acess&iacute;vel ao usu&aacute;rio. O consumidor n&atilde;o pode mais ficar ref&eacute;m de poucas empresas e n&atilde;o ter a quem recorrer porque n&atilde;o h&aacute; fiscaliza&ccedil;&atilde;o, que &eacute; o que acontece atualmente. Precisamos de um novo paradigma para a presta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de Banda Larga no Brasil e para tanto defendemos que ele seja prestado no regime p&uacute;blico.&rdquo;<\/p>\n<p>Jonas Valente, do Intervozes, a advogada Fl&aacute;via Lef&egrave;vre, da ProTeste, e o deputado Ivan Valente tamb&eacute;m fizeram defesas em favor do regime p&uacute;blico. <\/p>\n<p>O representante do Intervozes, lembrou que a m&aacute; distribui&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; banda larga se manifesta em uma concentra&ccedil;&atilde;o da oferta do servi&ccedil;o condicionada &agrave; renda, mas tamb&eacute;m tem rela&ccedil;&atilde;o com &agrave;s localidades &ndash; se urbana ou rural &ndash; e a regi&atilde;o do pa&iacute;s. Estes dados, segundo Jonas, s&atilde;o um retrato da &ldquo;configura&ccedil;&atilde;o de mercado que desde o in&iacute;cio foi dada a este direito&rdquo;. &ldquo;Deve-se entender a internet e mais especificamente a banda larga como o servi&ccedil;o de telecomunica&ccedil;&otilde;es do s&eacute;culo XXI, visto a sua essencialidade&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p>Os convidados &agrave; audi&ecirc;ncia ressaltaram o car&aacute;ter de direito essencial que a internet adquiriu. &ldquo;O acesso &agrave; banda larga contribui para descentralizar a informa&ccedil;&atilde;o dos meios tradicionais e abre ainda espa&ccedil;o para a produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de novos conte&uacute;dos. Garantir que isso se realize faz parte da busca por democracia n&atilde;o s&oacute; nas comunica&ccedil;&otilde;es como nas rela&ccedil;&otilde;es sociais&rdquo;, enfatiza Jonas. Guilherme Varela ressaltou tamb&eacute;m que a banda larga deve ser entendida pelo Estado n&atilde;o s&oacute; como um direito em si, mas tamb&eacute;m como uma forma de a popula&ccedil;&atilde;o ter acesso a muitos outros direitos, como o da informa&ccedil;&atilde;o e da cultura, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>Universaliza&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Eduardo Parajo, representante da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Provedores de Acesso, Servi&ccedil;os e Informa&ccedil;&otilde;es da Rede Internet (Abranet), diz duvidar que a presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o em regime p&uacute;blico pudesse ser a solu&ccedil;&atilde;o para todos os problemas apresentados. Para Parajo, manter em regime p&uacute;blico o Servi&ccedil;o de Telefonia Fixa Comutada (STFC) n&atilde;o garantiu que esta fosse universalizada. Ainda na opini&atilde;o do representante dos pequenos provedores, a solu&ccedil;&atilde;o seria aumentar a possibilidade de novos prestadores disputarem determinadas fatias do mercado. Isso, para Parajo, ainda garantiria a neutralidade de rede e a diminui&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os pelo princ&iacute;pio da concorr&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Contra a avalia&ccedil;&atilde;o de Parajo, Fl&aacute;via Lef&egrave;vre contestou que o problema da n&atilde;o universaliza&ccedil;&atilde;o da telefonia fixa esteja na natureza da presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o, mas sim na forma como o sistema foi privatizado. &ldquo;A gente n&atilde;o pode correr o risco de tornar parcial as coisas aqui. N&atilde;o foi o regime p&uacute;blico que n&atilde;o deu certo, mas o modelo que foi adotado. O que existe no STFC &eacute; uma ociosidade enorme na quantidade de linhas dispon&iacute;veis porque eles ainda cobram uma assinatura b&aacute;sica impratic&aacute;vel e n&atilde;o h&aacute; fiscaliza&ccedil;&atilde;o sobre isso&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p>Lef&egrave;vre aponta ainda uma s&eacute;rie de problemas advindos da privatiza&ccedil;&atilde;o do sistema de telecomunica&ccedil;&otilde;es que teria beneficiado &ldquo;assustadoramente&rdquo; as empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Na opini&atilde;o da advogada, estas operadoras prestam ilegalmente o servi&ccedil;o de transmiss&atilde;o de dados. <\/p>\n<p>De acordo com a ProTeste, o valor pelo qual foram vendidos os ativos da antiga estatal que prestava os servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es caiu em praticamente metade do valor inicialmente proposto quando a pr&oacute;pria C&acirc;mara dos Deputados aprovou que as vencedoras dos leil&otilde;es s&oacute; poderiam prestar os servi&ccedil;os de telefonia. Tempos depois, conta Lef&egrave;vre, a Anatel editou uma regulamenta&ccedil;&atilde;o que criou o SCM, que nunca foi previsto na Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, e as empresas &ldquo;pagaram R$ 9 mil reais para lucrar bilh&otilde;es com internet&rdquo;.<\/p>\n<p>O deputado Ivan Valente refor&ccedil;ou que &ldquo;uma das coisas mais criminosas&rdquo; que ele viu no Brasil foi a privatiza&ccedil;&atilde;o do sistema Telebr&aacute;s. &ldquo;Eu acompanhei todo o processo de investimento na rede durante o per&iacute;odo de 1993 a 1998 para que, no final desse per&iacute;odo, fosse feita a desvaloriza&ccedil;&atilde;o e o servi&ccedil;o ser privatizado como foi&rdquo;, relatou. Ainda na opini&atilde;o do deputado, com rela&ccedil;&atilde;o ao PNBL o Estado tem, ao reativar a Telebr&aacute;s e utilizar a rede de fibras &oacute;ticas que foi constru&iacute;da com o dinheiro p&uacute;blico, condi&ccedil;&otilde;es de garantir n&atilde;o s&oacute; a estrutura, como tamb&eacute;m a chamada &uacute;ltima milha, ou seja, fazer chegar o servi&ccedil;o diretamente &agrave;s casas dos usu&aacute;rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entidades convidadas pela Comiss&atilde;o de Defesa do Consumidor fizeram defesa veemente da mudan&ccedil;a na natureza do servi&ccedil;o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[545],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24154"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24154"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24154\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}