{"id":24111,"date":"2010-03-18T17:24:51","date_gmt":"2010-03-18T17:24:51","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24111"},"modified":"2010-03-18T17:24:51","modified_gmt":"2010-03-18T17:24:51","slug":"cade-a-marcha-de-mulheres-na-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24111","title":{"rendered":"Cad\u00ea a marcha de mulheres na m\u00eddia?"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Estamos no final da primeira semana da terceira A&ccedil;&atilde;o Internacional da Marcha Mundial das Mulheres que, no Brasil, organizou 3 mil lutadoras, numa ousada caminhada por dez cidades, de Campinas &agrave; S&atilde;o Paulo, quando chega no dia 18. Buscando no portal Google a not&iacute;cia, important&iacute;ssima se a imprensa fosse mesmo democr&aacute;tica, encontramos 119 mil p&aacute;ginas! Na busca do portal UOL, da <em>Folha de S&atilde;o Paulo<\/em>, encontramos menos, 44.900.<\/p>\n<p>Entretanto, quando vamos &agrave; pesquisa, confirmamos o que j&aacute; sab&iacute;amos. A maioria das not&iacute;cias est&atilde;o em sites de organiza&ccedil;&otilde;es e movimentos sociais, como centrais sindicais (CUT e CTB) e sindicatos afiliados a elas, conselhos, como os de Psicologia e Assistentes Sociais, nas listas e redes de mulheres e da luta pela comunica&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, em diversos estados do Brasil.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m encontraremos coment&aacute;rios, sempre apoiadores, em in&uacute;meros blogs independentes, nos sites do PT, Psol, PC do B, e na imprensa contra-hegem&ocirc;nica, seja a sindical, como a <em>Rede Brasil Atual<\/em>, da CUT, ou o <em>Portal da CTB<\/em>, <em>Ag&ecirc;ncia Carta Maior<\/em>, <em>Revistas Caros Amigos<\/em>, <em>F&oacute;rum<\/em>, <em>Jornal Brasil de Fato<\/em>, e por a&iacute; vai.<\/p>\n<p>Sites de Prefeituras destacaram a a&ccedil;&atilde;o feminista &#8211; Louveira, Sumar&eacute;, V&aacute;rzea Paulista&nbsp;-, com destaque para a &uacute;ltima cidade, onde foi realizada o lan&ccedil;amento da Marcha na regi&atilde;o, e h&aacute; boa mat&eacute;ria no portal municipal. Na m&iacute;dia comercial, por enquanto s&oacute; houve mat&eacute;rias razo&aacute;veis em ve&iacute;culos pequenos, da regi&atilde;o por onde a Marcha passou. Assim, jornais de Campinas, Jundia&iacute;, Vinhedo, Itupeva, de Louveira, deram a not&iacute;cia. Pudera, quem est&aacute; vendo o movimento n&atilde;o consegue deixar de perceber a import&acirc;ncia do que est&atilde;o falando essas marchantes, por uma vida melhor para todos.<\/p>\n<p><strong>Invis&iacute;vel ou deturpada<\/strong><\/p>\n<p>Terceiro dia da Marcha, 10 de mar&ccedil;o, a grande m&iacute;dia combinou de dar a not&iacute;cia. A maioria utilizou texto curto da <em>Ag&ecirc;ncia Estado<\/em>, quase sempre em sites, dos grandes apenas o <em>Estad&atilde;o <\/em>deu mat&eacute;ria escrita. A mesma mat&eacute;ria nos portais IG, Abril, Di&aacute;rio da Manh&atilde;, de Goi&aacute;s, Hoje em Dia, de MG. Manchete que deve ter rodado o Brasil: &ldquo;Marcha re&uacute;ne 1.200 mulheres na Rodovia Anhang&uuml;era&rdquo;.<\/p>\n<p>Pior foi a Globo, pr&aacute; variar. No mesmo dia, nota na <em>Ag&ecirc;ncia O Globo<\/em>, reproduzida na EPTV.com, afiliada local &#8211; ou vice-versa &#8211; tinha chamada mais batida ainda: &ldquo;Marcha de Mulheres deixa tr&acirc;nsito lento na Rodovia Anhanguera em SP&rdquo;. A mat&eacute;ria, ainda menor que a do Estad&atilde;o, falava na participa&ccedil;&atilde;o de centenas de mulheres. A Bandnews FM, quase na mesma hora em que a Marcha passou na frente de sua sede, no caminho de Valinhos a Vinhedo, fazia coment&aacute;rios depreciativos do movimento: n&atilde;o t&iacute;nhamos lideran&ccedil;a, nem objetivo, como t&iacute;nhamos tempo de estar ali, etc&#8230; A CBN, que tamb&eacute;m esteve cobrindo o terceiro dia, destacou as marchantes que passaram mal.<\/p>\n<p>O portal UOL, da <em>Folha de S&atilde;o Paulo<\/em>, colocou por alguns minutos um &aacute;lbum de fotografias, ainda de Campinas. Mais importante, sobre a plataforma da Marcha, a qualidade das mulheres que l&aacute; est&aacute;, ouvi-las, o que seria de se esperar da boa imprensa, nada disso acontece. Seria um bom exemplo de solidariedade, do viver coletivamente, um exerc&iacute;cio de democracia, diversidade, respeito. Quem tem medo do novo mundo poss&iacute;vel?<\/p>\n<p><strong>Mulheres querem o controle social de sua imagem<\/strong><\/p>\n<p>Por isso, um dos temas discutidos pelas mulheres, divididas em grupos na tarde de forma&ccedil;&atilde;o nesse mesmo dia 10, foi a m&iacute;dia e a luta feminista. H&aacute; muito tempo, as feministas perceberam a mercantiliza&ccedil;&atilde;o da imagem da mulher e de seu corpo, e a deturpa&ccedil;&atilde;o do feminino no imagin&aacute;rio coletivo, historicamente e em todas as culturas.<\/p>\n<p>No Brasil, desde a d&eacute;cada de 1970, ativistas feministas discutem principalmente a publicidade, tendo realizado diversas a&ccedil;&otilde;es contra a coisifica&ccedil;&atilde;o da mulher. De uns anos para c&aacute;, elas perceberam a import&acirc;ncia estrat&eacute;gica de lutar pela democratiza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e pelo controle social de sua programa&ccedil;&atilde;o. Assim, h&aacute; tr&ecirc;s anos surgiu a Articula&ccedil;&atilde;o Mulher e M&iacute;dia, em S&atilde;o Paulo, frente que reune v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es, como relatou Bia Barbosa, do Coletivo Intervozes.<\/p>\n<p>&ldquo;Defendemos que a comunica&ccedil;&atilde;o deve ser discutida por todos e todas, n&atilde;o apenas pelos profissionais da &aacute;rea, pois &eacute; direito&rdquo;, falou a jornalista, que tamb&eacute;m est&aacute; nesta Marcha respons&aacute;vel pela assessoria de imprensa. Criticando a concentra&ccedil;&atilde;o dos meios, o fim da lei de imprensa, as distor&ccedil;&otilde;es da imagem da mulher nos programas humor&iacute;sticos, novelas, na publicidade, Bia convocou as mulheres a se apropriarem de meios comunicativos, pelo fim &ldquo;da concentra&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia, da aus&ecirc;ncia de outras vozes, com outras vis&otilde;es&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Comunicadoras populares<\/strong><\/p>\n<p>Iracema, da delega&ccedil;&atilde;o do Rio Grande do Norte, &eacute; uma comunicadora popular da ASA &#8211; Articula&ccedil;&atilde;o do Semi-&Aacute;rido , que vem desenvolvendo programas de r&aacute;dio e v&iacute;deos dirigidos para as mulheres. No programa &ldquo;Riquezas da caatinga&rdquo;, as mulheres trocam experi&ecirc;ncias sobre economia solid&aacute;ria, agroecologia, esporte, mulher e m&iacute;dia e outros assuntos priorit&aacute;rios na luta feminista. Elas vieram preparadas para fazer programas de r&aacute;dio durante a Marcha.<\/p>\n<p>Rosane Bertotti, respons&aacute;vel pela Comunica&ccedil;&atilde;o, na CUT Nacional, resgatou o papel da Confecom e defendeu o papel estrat&eacute;gico do tema. &ldquo;Em todo o movimento que se vai&rdquo;, disse ela, &ldquo;comunica&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o s&atilde;o sempre as duas principais necessidades; claro, comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; pe&ccedil;a chave no processo de discuss&atilde;o de que pa&iacute;s se quer&rdquo;. A l&iacute;der cutista falou ainda sobre a ultrapassada legisla&ccedil;&atilde;o, financiamento, as verbas publicit&aacute;rias estatais que financiam a comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil, sobre a necessidade de nos apropriarmos de tecnologia. &ldquo;No debate das elei&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o podemos deixar de fora a quest&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A grande m&iacute;dia, pr&aacute; variar, tenta invisibilizar a a&ccedil;&atilde;o de duas mil mulheres marchando durante dez dias <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1265],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24111"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24111"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24111\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24111"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24111"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24111"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}