{"id":24075,"date":"2010-03-15T15:53:32","date_gmt":"2010-03-15T15:53:32","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24075"},"modified":"2010-03-15T15:53:32","modified_gmt":"2010-03-15T15:53:32","slug":"comunicadores-lancam-rede-em-apoio-a-reforma-agraria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24075","title":{"rendered":"Comunicadores lan\u00e7am rede em apoio \u00e0 reforma agr\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t    <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Diante da constata&ccedil;&atilde;o de que as elites tem na grande m&iacute;dia um dos seus principais instrumentos de ataque aos movimentos sociais, foi lan&ccedil;ada na quinta-feira, em S&atilde;o Paulo, a Rede de Comunicadores em Defesa da Reforma Agr&aacute;ria. A rede pretende ser o in&iacute;cio de uma contra-ofensiva &agrave; criminaliza&ccedil;&atilde;o dos movimentos, em especial das organiza&ccedil;&otilde;es que lutam pelo direito &agrave; terra no Brasil. Sua primeira tarefa deve ser fazer frente &agrave;s movimenta&ccedil;&otilde;es de ruralistas e dos ve&iacute;culos tradicionais em torno da Comiss&atilde;o Parlamentar Mista de Inqu&eacute;rito montada para, mais uma vez, colocar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na berlinda.<\/p>\n<p>O <a href=\"http:\/\/altamiroborges.blogspot.com\/2010\/03\/nasce-rede-de-apoio-reforma-agraria.html\" target=\"_blank\">manifesto de lan&ccedil;amento<\/a>  da rede contou, de in&iacute;cio, com a ades&atilde;o de mais de 40 profissionais. Estes e outros comunicadores que venham a fazer parte da rede estar&atilde;o engajados em a&ccedil;&otilde;es de divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es e reflex&otilde;es que coloquem o debate das quest&otilde;es da reforma agr&aacute;ria pelo vi&eacute;s dos movimentos sociais. Boa parte destas atividades estar&atilde;o concentradas na internet. Neste primeiro momento, devem incluir o monitoramento da cobertura da CPMI, a produ&ccedil;&atilde;o e compila&ccedil;&atilde;o de reportagens que reflitam sobre as viola&ccedil;&otilde;es aos direitos humanos no campo, al&eacute;m de dados e textos que fa&ccedil;am frente &agrave; campanha pr&oacute;-agroneg&oacute;cios e promovam o modelo da agricultura familiar e a soberania alimentar.<\/p>\n<p>A inten&ccedil;&atilde;o dos idealizadores da rede &eacute; que eventos como o que lan&ccedil;ou a rede em S&atilde;o Paulo se repitam pa&iacute;s afora. Na capital paulista, o lan&ccedil;amento reuniu Jo&atilde;o Pedro St&eacute;dile, coordenador do MST, e o jornalista Paulo Henrique Amorim em um debate com tr&ecirc;s dos comunicadores que fazem parte da rede &#8211; Altamiro Borges, do <em>Portal Vermelho<\/em>, Verena Glass, da ONG Rep&oacute;rter Brasil, e Jos&eacute; Augusto Camargo, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p>St&eacute;dile afirmou que est&aacute; em curso uma tentativa de criminalizar qualque movimento que se pretenda pol&iacute;tico ou ideol&oacute;gico. &ldquo;Pobre se organizar para pedir alguma coisa pode. Mas pobre com ideologia, n&atilde;o pode&rdquo;, ironizou para lembrar que qualquer iniciativa como a rede de comunicadores, ainda que tratando do tema da reforma agr&aacute;ria, estar&aacute; tamb&eacute;m atuando no quadro maior da criminaliza&ccedil;&atilde;o dos movimentos sociais. Refletindo especificamente sobre a conjuntura espec&iacute;fica da quest&atilde;o da reforma agr&aacute;ria, o l&iacute;der sem terra apontou que o quadro dos conflitos em torno da terra &eacute; bem mais complexo do que h&aacute; 20 anos. A briga n&atilde;o &eacute; mais contra o &ldquo;latifundi&aacute;rio atrasado&rdquo;, mas contra as grandes corpora&ccedil;&otilde;es internacionais do setor de alimentos aliadas aos fazendeiros capitalistas.<\/p>\n<p><strong>Alian&ccedil;a entre elites<\/strong><\/p>\n<p>Nesta nova conjuntura, as corpora&ccedil;&otilde;es contariam com meios mais elaborados para destruir seus advers&aacute;rios, entre eles a grande m&iacute;dia. &ldquo;Hoje, quando os companheirinhos l&aacute; do interior do Par&aacute; ocupam as terras do Daniel Dantas [dono do Banco Oportunity e que comprou 56 fazendas no sul daquele estado recentemente, somando 10 mil hectares], n&atilde;o &eacute; mais pistoleiro contratado que chega l&aacute; primeiro, mas o helic&oacute;ptero da Globo&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>A interven&ccedil;&atilde;o da grande m&iacute;dia se justificaria, segundo St&eacute;dile, n&atilde;o s&oacute; por uma solidariedade entre as elites, mas tamb&eacute;m porque a atua&ccedil;&atilde;o dos movimentos pela reforma agr&aacute;ria atrapalha os neg&oacute;cios de grandes anunciantes. O exemplo citado por ele &eacute; o mercado de suco de laranja: o maior cliente dos produtores brasileiros de laranja, cujo mercado &eacute; dominado por tr&ecirc;s grandes empresas, &eacute; a Coca-Cola. A cita&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi feita por acaso, j&aacute; que justamente a maior destas empresas, a Cutrale, esteve no centro do mais recente embate midi&aacute;tico entre o MST e os ruralistas. As imagens da ocupa&ccedil;&atilde;o de uma planta&ccedil;&atilde;o da Cutrale, feita sobre terras devolutas da Uni&atilde;o no interior de S&atilde;o Paulo, serviram de mote para a instala&ccedil;&atilde;o da CPMI.<\/p>\n<p>Esta CPMI, lembra St&eacute;dile, &eacute; tamb&eacute;m um modo de se produzirem fact&oacute;ides para tentar desmoralizar o MST e os movimentos sociais. &ldquo;Essa &eacute; a terceira CPI num per&iacute;odo de oito anos. Todos os nossos sigilos banc&aacute;rios j&aacute; foram quebrados, todos nossos telefones s&atilde;o grampeados. Eles tiveram oito anos para denunciar nossas supostas contas no exterior, nossas falcatruas. N&atilde;o fizeram porque n&atilde;o encontraram nada e continuam criando CPMIs porque o objetivo deles &eacute; criminalizar os movimentos sociais.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Concentra&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Neste cen&aacute;rio, a concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade da m&iacute;dia torna-se um complicador do problema. Como lembrou Paulo Henrique Amorim, &ldquo;bastam tr&ecirc;s telefonemas para &#39;fechar&#39; a m&iacute;dia brasileira: para os Marinho, para os Frias e para os Mesquita&rdquo;. O jornalista, mantenedor do blog <em>Conversa Afiada <\/em><span style=\"font-style: normal\">e apresentador da Rede Record<\/span>, faz refer&ecirc;ncia &agrave;s fam&iacute;lias que controlam os grupos Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo. A mobiliza&ccedil;&atilde;o destes tr&ecirc;s grupos daria conta de colocar todo o aparato de TVs, r&aacute;dios, jornais e portais na internet destes grupos a favor das pautas conservadoras, al&eacute;m de pautar os outros grandes grupos de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Amorim sugeriu que a rede trabalhe fortemente atrav&eacute;s de campanhas pela intenet. Citou como exemplo o Blog da Petrobras, montado pela estatal para divulgar informa&ccedil;&otilde;es na &eacute;poca da realiza&ccedil;&atilde;o da CPI que investigava a empresa. A sugest&atilde;o de Amorim &eacute; que nada que saia da CPMI fique sem resposta.<\/p>\n<p>Verena Glass, que trabalha em projetos que denunciam a liga&ccedil;&atilde;o entre o agroneg&oacute;cio e o trabalho escravo no Brasil, lembrou que h&aacute; uma naturaliza&ccedil;&atilde;o das viola&ccedil;&otilde;es aos direitos humanos no campo. A interven&ccedil;&atilde;o de comunicadores engajados neste debate sobre a reforma agr&aacute;ria e a criminaliza&ccedil;&atilde;o dos movimentos sociais deve se dar exatamente no sentido de fazer com que n&atilde;o seja natural o trabalho escravo, o assassinato de lideran&ccedil;as sociais e outros crimes.<\/p>\n<p>Nas pr&oacute;ximas semanas, a rede deve come&ccedil;ar a funcionar o blog da Rede de Comunicadores em Apoio &agrave; Reforma Agr&aacute;ria, onde ficar&aacute; concentrado o registro das a&ccedil;&otilde;es da contra-ofensiva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante da constata&ccedil;&atilde;o de que as elites tem na grande m&iacute;dia um dos seus principais instrumentos de ataque aos movimentos sociais, foi lan&ccedil;ada na quinta-feira, em S&atilde;o Paulo, a Rede de Comunicadores em Defesa da Reforma Agr&aacute;ria. 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