{"id":24055,"date":"2010-03-09T16:34:37","date_gmt":"2010-03-09T16:34:37","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24055"},"modified":"2010-03-09T16:34:37","modified_gmt":"2010-03-09T16:34:37","slug":"devassa-na-auto-regulacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24055","title":{"rendered":"Devassa na auto-regula\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A discuss&atilde;o sobre a censura ao comercial da cerveja Devassa protagonizado pela gr&atilde;-fina Paris Hilton ficou mais tempo em cartaz do que o pr&oacute;prio clipe. <\/p>\n<p>&Eacute; bom que seja assim, porque a suspens&atilde;o da propaganda foi uma empulha&ccedil;&atilde;o. Embora oficialmente sancionada pela Secretaria Especial de Pol&iacute;ticas para as Mulheres (SEPM), do governo federal, quem orquestrou, badalou e lucrou com a proibi&ccedil;&atilde;o foi o Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamenta&ccedil;&atilde;o Publicit&aacute;ria), entidade privada, sustentada pela m&iacute;dia, sobretudo m&iacute;dia eletr&ocirc;nica.<\/p>\n<p>No caderno &quot;Mais!&quot; da <em>Folha de S.Paulo <\/em>(domingo, 7\/3), o fil&oacute;sofo Renato Janine Ribeiro radiografou o epis&oacute;dio com precis&atilde;o. A SEPM n&atilde;o poderia recusar o apoio a uma medida contra a explora&ccedil;&atilde;o da mulher como objeto sexual. Se o fizesse estaria na contram&atilde;o dos argumentos que justificaram a sua cria&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><strong>Interesses precisos<\/strong><\/p>\n<p>A pe&ccedil;a publicit&aacute;ria n&atilde;o &eacute; mais devassa, nem mais agressiva, nem mais pornogr&aacute;fica do que dezenas de outras que jamais provocaram qualquer rea&ccedil;&atilde;o dos zelosos defensores da moral.<\/p>\n<p>O comercial de Paris Hilton foi o pretexto para valorizar o conceito de auto-regula&ccedil;&atilde;o no momento em que come&ccedil;ou a esquentar a discuss&atilde;o sobre &quot;controle p&uacute;blico&quot; da comunica&ccedil;&atilde;o. Conv&eacute;m lembrar da onda tardiamente montada para combater o 3&ordm; Programa Nacional dos Direitos Humanos que, como os dois anteriores lan&ccedil;ados nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, ousou classificar a baixaria televisiva como atentado aos direitos humanos.<\/p>\n<p>N&atilde;o cabe ao Conar discutir a qualidade da programa&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es p&uacute;blicas de radiodifus&atilde;o, seu neg&oacute;cio &eacute; cuidar do conte&uacute;do da propaganda. Mas o Conar tem sido cada vez mais lembrado como modelo bem sucedido de controle de qualidade. <\/p>\n<p>&Eacute; bom que se registre que o Conar tem sido leniente em mat&eacute;ria de propaganda enganosa. Raramente estrila, geralmente condescende com o mercado. A entidade tem funcionado mais como lobby em defesa dos grandes segmentos anunciantes do que como um mediador entre interesses divergentes. <\/p>\n<p><strong>Rigor in&oacute;cuo<\/strong><\/p>\n<p>As investidas do Conar contra a decis&atilde;o da Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria (Anvisa) de proibir a venda de rem&eacute;dios nas g&ocirc;ndolas das farm&aacute;cias sob a alega&ccedil;&atilde;o de que o consumidor n&atilde;o pode ser &quot;tutelado&quot; pelo farmac&ecirc;utico &eacute; pueril e impertinente: nada tem a ver com publicidade e, por outro lado, ignora os perigos da automedica&ccedil;&atilde;o e, sobretudo, das superdosagens.<\/p>\n<p>Registre-se ainda que a auto-regula&ccedil;&atilde;o &eacute;, em si, um conceito avan&ccedil;ado. Uma sociedade capaz de criar poderes e contrapoderes &eacute; organicamente democr&aacute;tica. Mas as medidas adotadas pelas corpora&ccedil;&otilde;es auto-reguladas devem ter real significado para os demais segmentos da sociedade. <\/p>\n<p>O rigor contra o comercial da Devassa &eacute; in&oacute;cuo, tem algo farisaico. E deixa evidente a manobra de &quot;vender&quot; a auto-regula&ccedil;&atilde;o como panac&eacute;ia para impasses que nos EUA geralmente s&atilde;o resolvidos por agencias reguladoras propriamente ditas, como a Federal Communications Commission (FCC).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O comercial de Paris Hilton foi o pretexto para valorizar o conceito de auto-regula&ccedil;&atilde;o no momento em que come&ccedil;ou a esquentar a discuss&atilde;o sobre &quot;controle p&uacute;blico&quot; da comunica&ccedil;&atilde;o<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24055"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24055"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24055\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24055"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24055"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24055"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}