{"id":24040,"date":"2010-03-08T15:26:23","date_gmt":"2010-03-08T15:26:23","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24040"},"modified":"2010-03-08T15:26:23","modified_gmt":"2010-03-08T15:26:23","slug":"pnbl-e-bem-vindo-mas-poderia-nao-ser-necessario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24040","title":{"rendered":"&#8220;PNBL \u00e9 bem vindo, mas poderia n\u00e3o ser necess\u00e1rio&#8221;"},"content":{"rendered":"<p> \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><strong>[T&iacute;tulo original: Abramulti defende desagrega&ccedil;&atilde;o de redes em todas as plataformas]<\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o se sabe ao certo quantos provedores de Internet h&aacute; em todo o Brasil. Um levantamento realizado pela Abramulti (Associa&ccedil;&atilde;o de Provedores de Internet e Empresas de Comunica&ccedil;&atilde;o Multim&iacute;dia do Brasil) indica que existe pelo menos um em 4,5 mil munic&iacute;pios brasileiros. Como s&atilde;o enquadrados na categoria de valor adicionado, n&atilde;o precisam ter licen&ccedil;a especial para funcionar. Somente os que prestam tamb&eacute;m servi&ccedil;o de telecomunica&ccedil;&otilde;es &eacute; que necessitam de outorga do Servi&ccedil;o de Comunica&ccedil;&atilde;o Multim&iacute;dia (SCM), concedida pela Anatel. Os dados oficiais, da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, mostram que h&aacute; cerca de 1,7 mil provedores SCM no pa&iacute;s &ndash; n&uacute;mero que inclui grandes operadoras, universidades, grandes provedores, departamentos estaduais de tr&acirc;nsito e de pol&iacute;cia e pequenos provedores. Como h&aacute; pequenos provedores atuando em mais de uma cidade, &eacute; razo&aacute;vel supor que o n&uacute;mero se encontre na casa dos milhares.<\/p>\n<p>O n&uacute;mero de provedores de SCM registrado pela Anatel cresceu 48,22% em 2008 e 35,26% em 2009. Esse aumento deve-se, em parte, a um esfor&ccedil;o conjunto das associa&ccedil;&otilde;es de provedores e da pr&oacute;pria ag&ecirc;ncia para que as empresas deixem de atuar na informalidade, explica Manoel Santana Sobrinho, dirigente da Abramulti. Para ele, a id&eacute;ia de que h&aacute; muitas cidades sem acesso &agrave; internet, no Brasil, n&atilde;o &eacute; real. &quot;Os provedores s&atilde;o pequenos, operam localmente, t&ecirc;m poucos funcion&aacute;rios e d&atilde;o atendimento personalizado onde atuam&quot;, justifica Santana Sobrinho.<\/p>\n<p>Na vis&atilde;o de Santana Sobrinho, a expans&atilde;o dos servi&ccedil;os de banda larga no pa&iacute;s, com melhoria de qualidade e queda nos pre&ccedil;os, ocorreria naturalmente se as regras de concorr&ecirc;ncia previstas na legisla&ccedil;&atilde;o fossem aplicadas &ndash; e permitissem a essas empresas disputar o mercado em condi&ccedil;&otilde;es menos desiguais. &quot;Enfrentamos imensas dificuldades em contratar nosso insumo principal, o link de internet&quot;, que &eacute; fornecido pelas grandes operadoras, com quem esses provedores disputam mercado, explica.<\/p>\n<p><strong>Voc&ecirc; pode enumerar as conquistas importantes, nos &uacute;ltimos anos, das entidades que representam os provedores de acesso &agrave; internet?<br \/><\/strong>Na realidade foram poucas conquistas e de pouco significado. A maior delas foi sermos reconhecidos como uma for&ccedil;a nacional que promove a inclus&atilde;o digital sem qualquer tipo de ajuda, subs&iacute;dio e, muito pelo contr&aacute;rio, enfrentando imensas dificuldades em contratar nosso insumo principal, o link de internet.<br \/>No final de 2007, os provedores de internet, apesar de reconhecidos pela S&uacute;mula 304 do STJ como n&atilde;o sendo prestadores de servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o, perderam a condi&ccedil;&atilde;o de optantes pelo Simples Nacional. Conseguimos a readmiss&atilde;o no Congresso e inclu&iacute;mos as pequenas operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es enquadradas como Pequenas e M&eacute;dias Empresas (PMEs) tamb&eacute;m como optantes pelo Simples Nacional a partir de janeiro de 2009.<br \/>Outra mudan&ccedil;a importante foi a altera&ccedil;&atilde;o da Resolu&ccedil;&atilde;o 365 (para equipamentos de radia&ccedil;&atilde;o restrita) pela Resolu&ccedil;&atilde;o 506. Isso permitiu maior tranq&uuml;ilidade para as pequenas SCMs operarem nas freq&uuml;&ecirc;ncias n&atilde;o licenciadas. Mas criou outros problemas que a m&eacute;dio prazo v&atilde;o inviabilizar o uso destas freq&uuml;&ecirc;ncias. Um exemplo &eacute; a permiss&atilde;o, sem autoriza&ccedil;&atilde;o da Anatel, para que qualquer empresa fa&ccedil;a uso delas fora de edifica&ccedil;&otilde;es. Estas empresas e at&eacute; prefeituras n&atilde;o t&ecirc;m muito conhecimento de radiofreq&uuml;&ecirc;ncia e fazem uso indiscriminado de altas pot&ecirc;ncias, causando imensas interfer&ecirc;ncias.<br \/>As PMEs s&atilde;o isentas do pagamento do Fust e Fistel. N&atilde;o por determina&ccedil;&atilde;o da Anatel, mas porque demonstramos a eles que a Lei das Micro e Pequenas Empresas prev&ecirc; o n&atilde;o pagamento de taxas e tributos federais.<\/p>\n<p><strong>Qual a sua opini&atilde;o sobre o Plano Nacional de Banda Larga?<\/strong><br \/>Desde o princ&iacute;pio nossa opini&atilde;o &eacute; de que o plano &eacute; bem-vindo, mas poderia n&atilde;o ser necess&aacute;rio se as leis e normas j&aacute; previstas para estimular a competi&ccedil;&atilde;o no mercado de telecomunica&ccedil;&otilde;es e nunca regulamentadas de forma eficiente fossem cumpridas. Alguns exemplos:<br \/>1. Regulamenta&ccedil;&atilde;o da Interconex&atilde;o de dados entre todas as empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es (o conte&uacute;do em si n&atilde;o pertence a ningu&eacute;m, ele &eacute; criado por todos os usu&aacute;rios da internet), monitorada pelo plano de custos cuja implanta&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; prevista;<br \/>2. Regulamenta&ccedil;&atilde;o da Explora&ccedil;&atilde;o Industrial de Linhas Dedicadas (EILD) de forma a obrigar que as detentoras das redes de longa dist&acirc;ncia atendam as demais empresas com pre&ccedil;os justos (monitoradas pelo plano de custos);<br \/>3. Regulamenta&ccedil;&atilde;o do uso dos pares met&aacute;licos locais (a desagrega&ccedil;&atilde;o de redes, prevista, permitiria a concorr&ecirc;ncia na banda larga e na telefonia) tamb&eacute;m monitorada pelo plano de custos;<br \/>4. Implanta&ccedil;&atilde;o de outras redes concorrentes, especialmente as de TV por cabo, mantendo-se a proibi&ccedil;&atilde;o para que as detentoras das redes locais operem tamb&eacute;m esta rede, criando concorr&ecirc;ncia entre redes. (N&atilde;o h&aacute; leil&otilde;es de TV a cabo desde 2001);<br \/>5. Leil&otilde;es das frequ&ecirc;ncias com maior capacidade de banda por munic&iacute;pios, para permitir a desconcentra&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os m&oacute;veis nas m&atilde;os de apenas tr&ecirc;s empresas;<br \/>Tudo isso est&aacute; previsto na Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es e nos primeiros regulamentos (inclusive regulamentos e contratos do STFC). <\/p>\n<p><strong>Voc&ecirc;s operam para ter lucro, ou seja, realizam atividades empresariais. Acha correto afirmar que fazem inclus&atilde;o digital?<br \/><\/strong>Tudo que &eacute; artificial de alguma forma ser&aacute; burlado, pois ningu&eacute;m se exp&otilde;e ao risco empresarial &agrave; toa. Caso contr&aacute;rio, aplicaria seu dinheiro em a&ccedil;&otilde;es especulativas ou outras atividades com menor risco. No entanto, empresas menores que atuam localmente tendem a ter um comportamento menos capitalista, pelo fato de lidarem diariamente com os seus clientes no dia-a-dia. O que realmente regula o mercado &eacute; oferecer condi&ccedil;&otilde;es para a competi&ccedil;&atilde;o, este sim o fator preponderante para diminui&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os e melhoria dos servi&ccedil;os e do atendimento.<\/p>\n<p><strong>Por que voc&ecirc;s criaram a Unotel, que funciona como cooperativa que oferece capacidade de transmiss&atilde;o a provedores internet de todo o pa&iacute;s?<br \/><\/strong>As poucas concession&aacute;rias locais querem dominar o mercado. Se elas tiverem a posse de todos os tipos de rede esta domina&ccedil;&atilde;o estar&aacute; completa e ser&atilde;o instaurados monop&oacute;lios regionais ou os duop&oacute;lios costurados entre elas. Atualmente, elas det&ecirc;m as redes do STFC, de celulares, de DTH (TV por assinatura via sat&eacute;lite) e de TV a por assinatura (Cabo e MMDS) em algumas localidades, al&eacute;m de serem detentoras de quase 100% das freq&uuml;&ecirc;ncias de r&aacute;dio dispon&iacute;veis.<br \/>Se houver novos leil&otilde;es de TV a cabo e as operadoras passarem realmente a deter as redes a cabo em todas as localidades, ser&aacute; apenas uma quest&atilde;o de tempo para que esmaguem quaisquer outras concorrentes, mesmo de grande porte, pois as outras ainda depender&atilde;o delas nas interconex&otilde;es de telefonia, de celulares e de dados.<br \/>A rede da Unotel &eacute; apenas uma rede de longa dist&acirc;ncia, as redes de &uacute;ltima milha est&atilde;o caminhando para serem todas delas. E pequenas empresas como as nossas ainda n&atilde;o tem sequer uma freq&uuml;&ecirc;ncia licenciada para operar.<\/p>\n<p><strong>H&aacute; quem diga que &eacute; um exagero a afirma&ccedil;&atilde;o de que h&aacute; pequenos provedores em 4,5 mil munic&iacute;pios do pa&iacute;s. Al&eacute;m do levantamento de voc&ecirc;s, h&aacute; outro indicador de que esse n&uacute;mero &eacute; plaus&iacute;vel?<br \/><\/strong>Costumo dizer apenas o seguinte: coloque os nomes de todas as cidades brasileiras em um jarro e retire 100 nomes de cidades. Se em pelo menos 80 dessas 100 cidades eu n&atilde;o puder lhe apontar quem &eacute; o provedor local, lhe pago um almo&ccedil;o. Brincadeiras &agrave; parte, n&atilde;o existe este indicador oficial e nem o interesse da Anatel de obt&ecirc;-lo. Mas temos hoje 1,7 mil autoriza&ccedil;&otilde;es SCM das quais mais de 1,5 mil s&atilde;o MPEs que trabalham, como nossas empresas. Se cada uma delas operar em pelo menos tr&ecirc;s cidades n&atilde;o coincidentes j&aacute; teremos as 4,5 mil cidades. Temos ainda mais de 1,8 mil provedores de banda larga n&atilde;o legalizados conhecidos, sendo que a maioria deles opera em cidades t&atilde;o pequenas que obter a licen&ccedil;a SCM se torna imposs&iacute;vel.<\/p>\n<p><strong>Voc&ecirc; afirma que &ldquo;a expans&atilde;o dos servi&ccedil;os de banda larga, com melhoria de qualidade e queda nos pre&ccedil;os ocorreria naturalmente e sem distor&ccedil;&otilde;es se as regras de concorr&ecirc;ncia previstas na legisla&ccedil;&atilde;o fossem aplicadas&quot;. O que quer dizer com isso?<br \/><\/strong>Veja bem: um plano de custos dos servi&ccedil;os das concession&aacute;rias &ndash; previsto &ndash; permitiria saber os custos reais de venda de todos os servi&ccedil;os previstos para serem vendidos &agrave;s demais operadoras, inclusive seria comprovado que o custo das redes de acesso de telefonia para uso da freq&uuml;&ecirc;ncia alta para banda larga (com a contrata&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o do telefone) &eacute; zero. Zero porque o custo de manuten&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o da rede de telefonia &eacute; o motivo de se cobrar assinatura de telefone no Brasil, pois esta assinatura prev&ecirc;, entre outras despesas, exatamente a manuten&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o da rede de telefonia.<br \/>De posse do plano de custos dos servi&ccedil;os poderia ser regulamentada em bases reais a EILD (Explora&ccedil;&atilde;o Industrial de Linhas dedicadas), a desagrega&ccedil;&atilde;o de redes, a interconex&atilde;o de dados e telefonia (inclusive a celular). Na EILD, as linhas poderiam ser contratadas para o transporte telecom de longas, m&eacute;dias e curtas dist&acirc;ncias, melhorando a interliga&ccedil;&atilde;o de todas as empresas das redes locais at&eacute; os pontos de troca de tr&aacute;fego mais pr&oacute;ximos. As concession&aacute;rias (aqui se encaixa tamb&eacute;m a Embratel, al&eacute;m de Telef&ocirc;nica e Oi) n&atilde;o deixariam de ganhar dinheiro com isto, apenas teriam que se esfor&ccedil;ar mais na concorr&ecirc;ncia nos mercados locais.<br \/>A desagrega&ccedil;&atilde;o de redes, tanto a revenda de servi&ccedil;os (para as empresas ainda menores) quanto o line sharing (para empresas que empregam equipamentos pr&oacute;prios usando a freq&uuml;&ecirc;ncia alta para prestar banda larga), quanto o full unbundling &ndash; tudo isto deveria se aplicar a todos os tipos de redes: celular, TV a cabo, MMDS, telefonia fixa, WiMax, quarta gera&ccedil;&atilde;o do celular (LTE) etc. Todos ganhariam com isso, principalmente os usu&aacute;rios, e n&atilde;o se poderia questionar o equil&iacute;brio econ&ocirc;mico financeiro das concession&aacute;rias, porque quando compraram suas concess&otilde;es essas regras j&aacute; eram previstas. A interconex&atilde;o de dados at&eacute; hoje n&atilde;o existe. Ou se compra a banda das concession&aacute;rias e se &ldquo;doa&rdquo; o pr&oacute;prio tr&aacute;fego a elas ou n&atilde;o entra no mercado.<br \/>N&atilde;o devemos esquecer que tanto as redes que as concession&aacute;rias herdaram quanto as novas que constru&iacute;ram pertencem &agrave; Uni&atilde;o e que seu uso foi condicionado na concess&atilde;o e nos contratos de modo a se evitar a duplica&ccedil;&atilde;o de redes, porque isso aumenta os custos para os usu&aacute;rios. Implantar a desagrega&ccedil;&atilde;o de redes e o compartilhamento de infraestrutura estava previsto e seria uma obriga&ccedil;&atilde;o legal, tanto da Anatel quanto das concession&aacute;rias.<br \/>A Anatel deveria fiscalizar tamb&eacute;m se as concession&aacute;rias est&atilde;o ampliando suas redes em nome de outras operadoras do seu grupo que n&atilde;o t&ecirc;m obriga&ccedil;&otilde;es de reversibilidade, ficando propriet&aacute;rias destas redes ao final da concess&atilde;o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente da Abramulti diz que aplica&ccedil;&atilde;o de regras m&iacute;nimas de concorr&ecirc;ncia garantiria expans&atilde;o da banda larga<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1241],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24040"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24040"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24040\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24040"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24040"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24040"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}