{"id":24019,"date":"2010-03-03T17:36:22","date_gmt":"2010-03-03T17:36:22","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=24019"},"modified":"2010-03-03T17:36:22","modified_gmt":"2010-03-03T17:36:22","slug":"a-voz-dos-donos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=24019","title":{"rendered":"A voz dos donos"},"content":{"rendered":"<p> \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A fina flor do empresariado da m&iacute;dia, algumas cabe&ccedil;as coroadas do jornalismo p&aacute;trio e convidados latino-americanos reuniram-se na segunda-feira (1\/3), em S&atilde;o Paulo, no f&oacute;rum &quot;Democracia e liberdade de express&atilde;o&quot;, organizado pelo Instituto Millenium. A entidade, fundada em 2006, como informa a Folha de S.Paulo (2\/3), tem entre seus mantenedores os empres&aacute;rios Roberto Civita, do Grupo Abril, e Jo&atilde;o Roberto Marinho, das Organiza&ccedil;&otilde;es Globo.<\/p>\n<p>Afora os testemunhos dos jornalistas Adri&aacute;n Ventura, do jornal argentino La Naci&oacute;n, do venezuelano Marcel Granier, dono do canal RCTV, e do equatoriano Carlos Vera sobre a situa&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia em seus pa&iacute;ses, no evento o centro das aten&ccedil;&otilde;es &ndash; e alvo das cr&iacute;ticas &ndash; foi o chamado &quot;controle social da m&iacute;dia&quot;, express&atilde;o que provoca acessos de urtic&aacute;ria nos propriet&aacute;rios de empresas de comunica&ccedil;&atilde;o. O tema voltou &agrave; baila no Brasil a partir da realiza&ccedil;&atilde;o da 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o e da divulga&ccedil;&atilde;o da terceira vers&atilde;o do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3). <\/p>\n<p>Esses mesmos empres&aacute;rios &ndash; e os seus ve&iacute;culos &ndash; h&aacute; tempos movimentam-se por interm&eacute;dio de suas entidades de classe (ANJ, Abert e ANER) no sentido de interditar o debate sobre o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o e o papel da m&iacute;dia enquanto servi&ccedil;o p&uacute;blico, cuja opera&ccedil;&atilde;o deve estar sujeita a um marco regulat&oacute;rio democraticamente constru&iacute;do e socialmente justo. Essa discuss&atilde;o passa ao largo da pauta priorit&aacute;ria dos ve&iacute;culos. Ocorre que, se quest&otilde;es como essas n&atilde;o est&atilde;o nos ve&iacute;culos jornal&iacute;sticos, ent&atilde;o elas n&atilde;o estar&atilde;o na agenda p&uacute;blica, ent&atilde;o&#8230; elas n&atilde;o existem. <\/p>\n<p>Da parte do governo, o ministro H&eacute;lio Costa, das Comunica&ccedil;&otilde;es, presente ao encontro, apressou-se em garantir que o Executivo n&atilde;o aventa a hip&oacute;tese de estimular o debate sobre o dito controle social. &quot;Em nenhum momento isso foi discutido dentro do governo federal. Consideramos essa quest&atilde;o absolutamente intoc&aacute;vel&quot;, afirmou, de acordo com o Estado de S.Paulo (2\/3).<\/p>\n<p>Da parte do partido do governo, o deputado Antonio Palocci (PT-SP), um dos coordenadores da campanha presidencial da ministra Dilma Rousseff, sublinhou, segundo O Globo (2\/3), que &quot;vez ou outra aparece no governo e em outros setores a ideia de interfer&ecirc;ncia estatal na qualidade da comunica&ccedil;&atilde;o, como aconteceu no Plano Nacional de Direitos Humanos. N&atilde;o quero condenar o PNDH, mas n&atilde;o concordo com a forma como foi colocada a quest&atilde;o da m&iacute;dia &ndash; disse Palocci, antes de frisar que o Estado n&atilde;o pode dizer a maneira adequada de os jornais funcionarem&quot;.<\/p>\n<p><strong>Sem vontade<\/strong><\/p>\n<p>E tome confus&atilde;o, porque o embaralhamento da discuss&atilde;o interessa sobremaneira &agrave;queles que querem evitar o debate sobre o papel da m&iacute;dia numa sociedade que se quer democr&aacute;tica. Um exemplo? Na bateria de cr&iacute;ticas que se faz ao PNDH 3, em momento algum se esclarece que ali se prop&otilde;e que o tal &quot;controle social&quot; deve ser exercido, sim, sobre os canais p&uacute;blicos de radiodifus&atilde;o que operam sob regime de concess&atilde;o. N&atilde;o se trata, portanto, de &quot;controlar&quot; a pauta e a opera&ccedil;&atilde;o dos meios privados, como os jornais. N&atilde;o se trata de censura, como a grande m&iacute;dia gosta de repetir a torto e a direito. Trata-se de fazer cumprir a Constitui&ccedil;&atilde;o, observar de perto o comportamento da m&iacute;dia, qualquer m&iacute;dia, e disseminar as avalia&ccedil;&otilde;es obtidas desse acompanhamento. Algo, ali&aacute;s, que este Observat&oacute;rio faz h&aacute; 14 anos.<\/p>\n<p>Conv&eacute;m n&atilde;o esquecer que est&atilde;o l&aacute;, no cap&iacute;tulo 5 da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1998 &ndash; &quot;Da Comunica&ccedil;&atilde;o Social&quot; &ndash;, a proibi&ccedil;&atilde;o de monop&oacute;lios ou oligop&oacute;lios dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, os princ&iacute;pios educativos a ser observados na programa&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dio e TV, o est&iacute;mulo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o independente e a promo&ccedil;&atilde;o da cultura regional, a regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o e o respeito aos valores &eacute;ticos e sociais da pessoa e da fam&iacute;lia. <\/p>\n<p>Por que a sociedade n&atilde;o tem o direito de controlar a observ&acirc;ncia desses princ&iacute;pios? Por que essas normas ainda n&atilde;o foram regulamentadas quase 22 anos depois da promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o? Por que n&atilde;o discutir abertamente a propriedade cruzada dos meios e as concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o a parlamentares?<\/p>\n<p>Enquanto n&atilde;o se clarear esse debate, e a grande m&iacute;dia demonstra n&atilde;o ter vontade alguma disso, fica valendo apenas a voz dos donos. E isto n&atilde;o &eacute; o bastante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os mesmos empres&aacute;rios que se reuniram em SP para falar em liberdade de express&atilde;o h&aacute; tempos movimentam-se no sentido de interditar o debate sobre o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24019"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24019"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24019\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24019"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24019"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24019"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}