{"id":23957,"date":"2010-02-18T16:05:22","date_gmt":"2010-02-18T16:05:22","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23957"},"modified":"2010-02-18T16:05:22","modified_gmt":"2010-02-18T16:05:22","slug":"os-silenciados-e-a-comunicacao-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23957","title":{"rendered":"Os silenciados e a comunica\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Mar&iacute;a Cristina Mata esteve em Porto Alegre, no &uacute;ltimo final de semana, participando do <strong>Mutir&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o Am&eacute;rica Latina e Caribe<\/strong>, onde falou sobre o tema Comunica&ccedil;&atilde;o dos silenciados e processos de resist&ecirc;ncia. A IHU On-Line aproveitou sua estada na regi&atilde;o e realizou a entrevista a seguir pessoalmente. A professora argentina relatou quem s&atilde;o os silenciados latino-americanos e analisou suas formas potencializarem suas vozes e, assim, serem finalmente ouvidos, rompendo com os meios massivos de comunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;&Eacute; preciso lembrar que antes de buscar um meio de comunica&ccedil;&atilde;o, esses grupos se juntaram, se reuniram e compartilharam suas necessidades, seus interesses, sua vontade de transforma&ccedil;&atilde;o e logo puderam se pronunciar publicamente&rdquo;, refletiu.<\/p>\n<p>Em 1968, Mar&iacute;a Cristina Mata graduou-se em Literaturas Modernas pela Universidad Nacional de C&oacute;rdoba, onde hoje &eacute; coordenadora do Centro de Estudios Avanzados en Comunicaci&oacute;n.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/p>\n<p>Quem s&atilde;o os silenciados na Am&eacute;rica Latina?<br \/>Mar&iacute;a Cristina Mata<\/strong> &ndash; Entendo sil&ecirc;ncio como a impossibilidade que muitos setores t&ecirc;m de expressar-se publicamente, que est&atilde;o numa situa&ccedil;&atilde;o de exclus&atilde;o e marginalidade social muito forte. H&aacute; os que n&atilde;o t&ecirc;m acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, os que n&atilde;o s&atilde;o reconhecidos como pessoas com capacidade para falar publicamente, e, ainda, aqueles que s&atilde;o privados do direito ao trabalho e a uma qualidade de vida m&iacute;nima. Obviamente, esses setores dificilmente conseguem expressar-se publicamente. E, muitas vezes, s&atilde;o silenciados por confrontarem o sistema hegem&ocirc;nico, pensarem de maneira distinta ou adotarem modos de vida que n&atilde;o s&atilde;o reconhecidos como leg&iacute;timos pelo sistema dominante. Em alguns pa&iacute;ses, quem opta por identidades sexuais distintas, n&atilde;o pode expressar-se publicamente; em outros, h&aacute; comunidades de pensamento que, por suas ideias, s&atilde;o exclu&iacute;das do sistema p&uacute;blico tamb&eacute;m. Ou seja, os tipos de exclus&otilde;es (e, portanto, de silenciamentos) s&atilde;o muito variados. Desta forma, n&atilde;o podemos dizer que s&oacute; os mais pobres s&atilde;o os exclu&iacute;dos.<\/p>\n<p><strong>Que tipo de meios de comunica&ccedil;&atilde;o os silenciados encontraram para resistir?<br \/>Mar&iacute;a Cristina Mata &ndash;<\/strong> Creio que, historicamente, e falei sobre isso durante o debate no Mutir&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o, esses setores foram encontrando modos de express&atilde;o. Os trabalhadores, por exemplo, encontraram, em seus sindicatos, um modo de expressarem-se. As mulheres encontraram isto no movimento feminista. Os camponeses e as pessoas que n&atilde;o t&ecirc;m terra encontraram um modo de express&atilde;o nos movimentos sem-terra e campesino. Eu penso que n&atilde;o podemos pensar s&oacute; quais meios de comunica&ccedil;&atilde;o os silenciados encontraram para se exprimirem. &Eacute; preciso lembrar que antes de buscar um meio de comunica&ccedil;&atilde;o, esses grupos se juntaram, se reuniram e compartilharam suas necessidades, seus interesses, sua vontade de transforma&ccedil;&atilde;o e logo puderam se pronunciar publicamente. Essa palavra, &agrave;s vezes, &eacute; pronunciada somente na a&ccedil;&atilde;o direta, numa manifesta&ccedil;&atilde;o, mas, muitas outras vezes, e para ser mais forte, essa palavra &eacute; dita nos meios ou ainda atrav&eacute;s de picha&ccedil;&otilde;es em muros e at&eacute; em transmiss&otilde;es via sat&eacute;lite. Os meios que se tem utilizado para romper esse sil&ecirc;ncio s&atilde;o variados, &agrave;s vezes, tradicionais, mas, hoje em dia, tamb&eacute;m atrav&eacute;s de tecnologias avan&ccedil;adas que permitem potencializar suas vozes e, portanto, suas lutas.<\/p>\n<p><strong>De que maneira a Internet contribui para essas formas alternativas de comunica&ccedil;&atilde;o?<br \/>Mar&iacute;a Cristina Mata <\/strong>&ndash; A Internet tem uma capacidade grande de difundir ideias e opini&otilde;es que, &agrave;s vezes, n&atilde;o t&ecirc;m espa&ccedil;o nos meios massivos. Porque, como todos sabemos, a Internet n&atilde;o tem um sistema de controle como t&ecirc;m os meios massivos. Ent&atilde;o, ela &eacute; uma rede que permite que se difundam opini&otilde;es e ideias alternativas, que se debatam temas que s&atilde;o vistos com maus olhos pelos meios massivos, nos permite conhecer outros problemas. No entanto, tamb&eacute;m temos que pensar que a Internet &eacute; um meio que chega apenas a uma pequena quantidade de pessoas. S&atilde;o poucas as pessoas que t&ecirc;m acesso e que a utilizam. Ent&atilde;o, ela &eacute; &uacute;til para difundir, para debater, para colocar temas em alguns &acirc;mbitos, mas a Internet tamb&eacute;m tem suas limita&ccedil;&otilde;es no que diz respeito &agrave; luta dos silenciados para se comunicarem, para que possam ser ouvidos.<\/p>\n<p><strong>A senhora, que pesquisa os processos comunicacionais na Am&eacute;rica Latina, como as teorias da comunica&ccedil;&atilde;o abrangem essa utiliza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o como uma forma de resist&ecirc;ncia?<br \/>Mar&iacute;a Cristina Mata<\/strong> &ndash; Eu prefiro falar nos processos de luta. Os processos de resist&ecirc;ncia t&ecirc;m uma conota&ccedil;&atilde;o defensiva e me parece que, na Am&eacute;rica Latina, essa palavra silenciada teve uma conquista, &eacute; uma palavra que outros processos de coloniza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m evidenciaram. Essa palavra tem resistido enquanto houve luta. Ent&atilde;o, pensando assim, como as teorias de comunica&ccedil;&atilde;o contribuiram para esse pensamento? &Agrave;s vezes, n&atilde;o ajudaram muito, houve perspectivas te&oacute;ricas que mostraram que as maiorias privadas pelos meios eram maiorias sem voz ou eram receptores passivos dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa. Essas teorias n&atilde;o ajudaram muito porque levaram a crer que a voz silenciada s&oacute; se podia fazer ouvir atrav&eacute;s dos meios marginais, artesanais, alternativos, que n&atilde;o tinham nada a ver com o sistema massivo.<\/p>\n<p>No entanto, h&aacute; perspectivas te&oacute;ricas que t&ecirc;m reconhecido que os dominados t&ecirc;m atividades, que n&atilde;o s&atilde;o passivos receptores, que todos os ind&iacute;viduos podem enfrentar o discurso hegem&ocirc;nico, e que temos capacidade de receb&ecirc;-lo produzindo um sentido, que, &agrave;s vezes, &eacute; um sentido reprodutor da hegemonia, mas pode ser tamb&eacute;m um sentido que confronta a hegemonia. Essas teorias que n&atilde;o tratam da cultura popular, por exemplo, t&ecirc;m tamb&eacute;m elementos capazes de identificar e de contribuir para as transforma&ccedil;&otilde;es da ordem social. As teorias, creio, ajudaram-nos a pensar em caminhos para romper o sil&ecirc;ncio existente.<\/p>\n<p><strong>De que forma este mutir&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o contribuiu para o debate acerca da comunica&ccedil;&atilde;o para o exclu&iacute;dos e marginalziados na sociedade?<br \/>Mar&iacute;a Cristina Mata<\/strong> &ndash; Acredito que estes eventos ajudam a pensar melhor, porque h&aacute; o interc&acirc;mbio de ideias com outros comunidadores, com nossos colegas, com outras pessoas que est&atilde;o na universidade ou com pessoas que est&atilde;o em institui&ccedil;&otilde;es de base. Essas trocas s&atilde;o enriquecedoras. Parece-me que uma das v&aacute;rias quest&otilde;es que se debateu nesse Mutir&atilde;o &eacute; a seguinte reflex&atilde;o: &eacute; impossivel falar hoje em cidadania em termos pol&iacute;ticos e jur&iacute;dicos sem pensar que h&aacute; uma cidadania comunicativa pela qual devemos lutar. Essa &eacute; uma ideia que ficou marcada durante o Mutir&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se pode pensar na comunica&ccedil;&atilde;o sem a pol&iacute;tica e nem na pol&iacute;tica sem a comunica&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Coordenadora do Estudios Avanzados en Comunicaci&oacute;n fala sobre a resist&ecirc;ncia na Am&eacute;rica Latina <\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1225],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23957"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23957"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23957\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23957"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23957"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23957"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}