{"id":23954,"date":"2010-02-17T19:08:18","date_gmt":"2010-02-17T19:08:18","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23954"},"modified":"2010-02-17T19:08:18","modified_gmt":"2010-02-17T19:08:18","slug":"noticia-com-base-em-suposicao-e-fuxico-diz-desembargador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23954","title":{"rendered":"Not\u00edcia com base em suposi\u00e7\u00e3o \u00e9 fuxico, diz desembargador"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A informa&ccedil;&atilde;o deve ser leg&iacute;tima, correta, verdadeira e n&atilde;o inverdade ou fal&aacute;cia, e pior, uma mera suposi&ccedil;&atilde;o, porque neste caso deixa de ser not&iacute;cia e transforma-se em fuxico. A afirma&ccedil;&atilde;o &eacute; do desembargador Lindolpho Morais Marinho, relator de um processo que resultou na condena&ccedil;&atilde;o da Record. A emissora n&atilde;o conseguiu provar que uma mulher mencionada em depoimento de uma testemunha na Justi&ccedil;a Federal era a mesma pessoa apontada em not&iacute;cia veiculada. Por isso, est&aacute; obrigada a pagar indeniza&ccedil;&atilde;o de R$ 50 mil para uma auditora da Receita Federal.<\/p>\n<p>O caso foi discutido na 16&ordf; C&acirc;mara C&iacute;vel do Tribunal de Justi&ccedil;a do Rio de Janeiro, que aumentou o valor da indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais em a&ccedil;&atilde;o contra a Record. O relator do caso afirmou que a imprensa &eacute; um &ldquo;poderoso&rdquo; instrumento que, quando &eacute; bem utilizado, ajuda a difundir o conhecimento, mas, caso contr&aacute;rio, pode destruir reputa&ccedil;&otilde;es. Cabe recurso a decis&atilde;o.<\/p>\n<p>Os desembargadores levaram em conta o fato de a Record ter informado o nome e o sobrenome da auditora, al&eacute;m do local onde o marido dela trabalha. Segundo os desembargadores, estes dados n&atilde;o foram apresentados no depoimento da testemunha. &ldquo;N&atilde;o h&aacute; nos autos qualquer documento comprovando que a autora e pessoa citada no depoimento s&atilde;o as mesmas pessoas&rdquo;, disse o relator.<\/p>\n<p><strong>Reflex&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>A cr&iacute;tica do desembargador remete a duas reflex&otilde;es. A primeira, claro, diz respeito &agrave; qualidade do jornalismo. A segunda deve considerar o fato de que a imprensa, em geral, baseia-se nas informa&ccedil;&otilde;es que recebe. No caso mais c&eacute;lebre, o da Escola Base, os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o ouviram os investigadores, o Minist&eacute;rio P&uacute;blico, peritos judiciais e os pais dos alunos da escola &mdash; todos indicando que houvera abuso sexual contra as crian&ccedil;as. Ao fim, todos estavam enganados. Mas s&oacute; os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o e jornalistas foram condenados.<\/p>\n<p>Os pr&oacute;prios ju&iacute;zes t&ecirc;m sido v&iacute;timas da irresponsabilidade acusat&oacute;ria. Para redimensionar a for&ccedil;a de suas &quot;conclus&otilde;es&quot;, os integrantes mais articulados da pol&iacute;cia e do Minist&eacute;rio P&uacute;blico preparam o lan&ccedil;amento de suas revela&ccedil;&otilde;es bomb&aacute;sticas em associa&ccedil;&atilde;o com seus jornalistas de confian&ccedil;a &mdash; que lan&ccedil;am as suspeitas e suposi&ccedil;&otilde;es policiais como verdades definitivas. Ao n&atilde;o encontrar nos autos as certezas veiculadas pela imprensa, a Justi&ccedil;a desqualifica as pe&ccedil;as acusat&oacute;rias e torna-se, ela mesma, acusada de uma impunidade que n&atilde;o houve.<\/p>\n<p><strong>O caso<\/strong><\/p>\n<p>No caso da Record, a reportagem abordou audi&ecirc;ncias na Justi&ccedil;a Federal em processos que envolviam a opera&ccedil;&atilde;o batizada pela Pol&iacute;cia Federal de Firula. A opera&ccedil;&atilde;o investigou a participa&ccedil;&atilde;o de empres&aacute;rios, que foram acusados de crimes de sonega&ccedil;&atilde;o fiscal, evas&atilde;o de divisas e lavagem de dinheiro, em um esquema que utilizava empresas sediadas em para&iacute;sos fiscais e doleiros.<\/p>\n<p>Os desembargadores afirmaram que a Record identificou uma funcion&aacute;ria da Receita apenas com o primeiro nome e n&atilde;o deu a ela o direito de se defender das acusa&ccedil;&otilde;es. De acordo com os autos, a testemunha ouvida pela Justi&ccedil;a Federal apenas disse que, na agenda de um dos investigados, as palavras peixe e lagoa se referiam a uma auditora da Receita, tendo citado apenas o primeiro nome, e ao marido dela.<\/p>\n<p>Para a C&acirc;mara, a exposi&ccedil;&atilde;o da auditora foi grande e teve reflexo na sua vida profissional, j&aacute; que a fun&ccedil;&atilde;o que exerce tem a probidade como &ldquo;locomotiva que impulsiona toda uma carreira&rdquo;.<\/p>\n<p>Os desembargadores apenas negaram o pedido da auditora para que a &iacute;ntegra da decis&atilde;o fosse publicada em ve&iacute;culo de grande circula&ccedil;&atilde;o com o objetivo de obter uma retrata&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Para a C&acirc;mara, devido ao tempo que j&aacute; decorreu entre a divulga&ccedil;&atilde;o da not&iacute;cia e a decis&atilde;o, a publica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o atingiria o objetivo de &ldquo;restabelecer a &ldquo;boa fama e reputa&ccedil;&atilde;o&rdquo; da auditora e poderia, inclusive, &ldquo;desenterrar&rdquo; algo que j&aacute; n&atilde;o &eacute; mais lembrado pela sociedade.<\/p>\n<p>Em primeira inst&acirc;ncia, a ju&iacute;za Fl&aacute;via Viveiros de Castro, da 6&ordf; Vara C&iacute;vel da Barra da Tijuca, condenou a emissora a pagar R$ 20 mil de indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais. A Record recorreu. Alegou que apenas cumpriu seu direito de informar. J&aacute; a auditora recorreu para aumentar a indeniza&ccedil;&atilde;o e para que fosse publicada a decis&atilde;o. Apenas o primeiro pedido foi atendido.<\/p>\n<p>Clique aqui para ler a decis&atilde;o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A informa&ccedil;&atilde;o deve ser leg&iacute;tima, correta, verdadeira e n&atilde;o inverdade ou fal&aacute;cia, e pior, uma mera suposi&ccedil;&atilde;o, porque neste caso deixa de ser not&iacute;cia e transforma-se em fuxico. A afirma&ccedil;&atilde;o &eacute; do desembargador Lindolpho Morais Marinho, relator de um processo que resultou na condena&ccedil;&atilde;o da Record. 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