{"id":23921,"date":"2010-02-08T16:36:54","date_gmt":"2010-02-08T16:36:54","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23921"},"modified":"2010-02-08T16:36:54","modified_gmt":"2010-02-08T16:36:54","slug":"brasil-tem-a-2a-maior-tarifa-de-celular-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23921","title":{"rendered":"Brasil tem a 2\u00aa maior tarifa de celular do mundo"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Uma pesquisa recente da consultoria europeia Bernstein Research colocou o minuto de celular no Brasil em segundo lugar entre os mais caros do mundo. O pa&iacute;s s&oacute; perde para a &Aacute;frica do Sul e est&aacute; &agrave; frente da Nig&eacute;ria. O que o levantamento n&atilde;o revelou &eacute; que as tarifas s&atilde;o elevadas porque o governo brasileiro n&atilde;o abre m&atilde;o de impostos e as operadoras n&atilde;o querem baixar o valor extra cobrado por minuto de seus clientes quando estes telefonam para um assinante da concorrente.<\/p>\n<p>Resultado: em m&eacute;dia, o consumidor brasileiro paga R$ 0,45 por minuto, segundo a pesquisa, em chamadas locais para celulares da pr&oacute;pria operadora. Esse valor passa de R$ 1 caso a chamada termine em um n&uacute;mero da operadora m&oacute;vel concorrente.<\/p>\n<p>H&aacute; anos, as teles, por meio de sua associa&ccedil;&atilde;o, a Acel, defendem a redu&ccedil;&atilde;o da carga tribut&aacute;ria que, em m&eacute;dia, &eacute; de 42% do pre&ccedil;o por minuto ao consumidor. O setor diz que &eacute; uma das cargas mais pesadas do mundo.<\/p>\n<p>At&eacute; o momento, o governo -tanto o estadual quanto o federal- n&atilde;o deu nenhuma sinaliza&ccedil;&atilde;o de que ir&aacute; baixar as al&iacute;quotas que incidem sobre o servi&ccedil;o. Dados da Telebrasil, associa&ccedil;&atilde;o que re&uacute;ne representantes do setor de telecomunica&ccedil;&otilde;es (incluindo as teles fixas e m&oacute;veis), revelam que, em alguns Estados, a arrecada&ccedil;&atilde;o com servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es chega a 40% do total.<\/p>\n<p><strong>N&atilde;o &eacute; s&oacute; imposto<\/strong><\/p>\n<p>Mas n&atilde;o &eacute; s&oacute; isso que pesa para o consumidor. A conta tamb&eacute;m sobe porque as operadoras m&oacute;veis n&atilde;o querem perder parte de sua receita de interconex&atilde;o, valor cobrado por minuto nas liga&ccedil;&otilde;es que, para serem completadas, precisam passar pela rede de companhias concorrentes.<\/p>\n<p>Em m&eacute;dia, esse valor oscila entre R$ 0,40 e R$ 0,45 por minuto e &eacute; adicionado ao pre&ccedil;o do minuto definido em contrato pela operadora nos planos pr&eacute; e p&oacute;s-pagos escolhidos pelo cliente. Entre o quarto trimestre de 2008 e o terceiro trimestre de 2009, TIM, Vivo e Oi angariaram R$ 4,9 bilh&otilde;es com a interconex&atilde;o. A Claro n&atilde;o divulga essa informa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Esse valor representa a diferen&ccedil;a entre o que essas operadoras pagaram &agrave;s demais pelo uso de suas redes e o que receberam quando seus clientes foram chamados.<\/p>\n<p>Apesar de elevada, a receita da interconex&atilde;o vem caindo nos &uacute;ltimos anos porque as companhias passaram a fazer promo&ccedil;&otilde;es, oferecendo planos com minutos mais baratos para chamadas locais entre telefones da mesma operadora. Isso para evitar o &quot;tr&aacute;fego sainte&quot; -que gera custos.<\/p>\n<p>&quot;Grande parte desses recursos [de interconex&atilde;o] &eacute; dinheiro na veia das operadoras&quot;, diz Paulo Mattos, diretor de regulamenta&ccedil;&atilde;o da Oi. &quot;Se pegar a receita anual de todas elas [incluindo a pr&oacute;pria Oi], 35% &eacute; dinheiro da interconex&atilde;o.&quot;<\/p>\n<p>Mattos afirma que esses valores praticados no Brasil s&atilde;o 150% superiores aos da Europa e dos EUA. &quot;Isso infla o pre&ccedil;o e deixa a chamada t&atilde;o cara que o cliente de celular, principalmente o pr&eacute;-pago, recebe uma chamada e vai usar o telefone fixo para retorn&aacute;-la. &Eacute; uma pol&iacute;tica que faz com que o tr&aacute;fego de voz do pa&iacute;s seja baixo.&quot;<\/p>\n<p>Para as operadoras fixas, esse comportamento do consumidor virou &quot;pesadelo&quot;. Isso porque, toda vez que um cliente usa um telefone fixo para chamar um celular, a operadora fixa tamb&eacute;m paga interconex&atilde;o de cerca de R$ 0,40 o minuto. O problema &eacute; que, no caminho inverso, a m&oacute;vel paga somente cerca de R$ 0,025 por minuto.<\/p>\n<p>&quot;As fixas est&atilde;o subsidiando o desenvolvimento das m&oacute;veis&quot;, diz Mattos. A Oi &eacute; bastante afetada por esse desequil&iacute;brio, porque sua atua&ccedil;&atilde;o na telefonia fixa engloba regi&otilde;es do pa&iacute;s de baixo poder aquisitivo em que o celular pr&eacute;-pago tornou-se op&ccedil;&atilde;o de acesso.<\/p>\n<p>A GVT chegou a ir &agrave; Justi&ccedil;a contra as operadoras m&oacute;veis, considerando abusivos os pre&ccedil;os cobrados pela interconex&atilde;o. A disputa foi parar at&eacute; na SDE (Secretaria de Direito Econ&ocirc;mico), &oacute;rg&atilde;o do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a que investiga casos que podem ferir a concorr&ecirc;ncia comercial.<\/p>\n<p><strong>Press&atilde;o na Anatel<\/strong><\/p>\n<p>Na semana passada, a Oi recorreu &agrave; Anatel (Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es) contra as concorrentes. No final de 2009, as operadoras foram obrigadas a reduzir o valor da interconex&atilde;o por imposi&ccedil;&atilde;o contratual definida quando arremataram as licen&ccedil;as de 3G (telefonia de terceira gera&ccedil;&atilde;o), em 2007.<\/p>\n<p>Aproveitando o momento, a Oi tentou negociar a interconex&atilde;o com suas concorrentes a pre&ccedil;o de custo e n&atilde;o sobretaxado como, segundo ela, vem sendo praticado pelo mercado.<\/p>\n<p>Sem sucesso, ela recorreu &agrave; Anatel para arbitrar esse valor. Pelas regras do setor, quando esse tipo de situa&ccedil;&atilde;o acontece, a ag&ecirc;ncia &eacute; obrigada a definir o pre&ccedil;o pelo custo de uso da rede. Cobrar a interconex&atilde;o considerando-se somente o custo das operadoras &eacute; algo que j&aacute; deveria ter sido imposto pela ag&ecirc;ncia desde janeiro de 2006.<\/p>\n<p>&quot;Mas at&eacute; agora esse modelo n&atilde;o est&aacute; vigente&quot;, diz Luiz Henrique da Silva, economista da TelComp, associa&ccedil;&atilde;o que representa operadoras pr&oacute; competi&ccedil;&atilde;o. &quot;N&atilde;o sei dizer com base em que a Anatel define hoje esses pre&ccedil;os, mas ela deveria cumprir o regulamento e implementar rapidamente o modelo de custo. S&oacute; assim o valor da interconex&atilde;o vai baixar.&quot;<\/p>\n<p>A disputa da Oi contra as concorrentes n&atilde;o acabou e deve se estender por pelo menos 18 meses, prazo que a Anatel levar&aacute; at&eacute; concluir e implementar seu modelo de custo. Enquanto isso, o consumidor paga a conta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa recente da consultoria europeia Bernstein Research colocou o minuto de celular no Brasil em segundo lugar entre os mais caros do mundo. O pa&iacute;s s&oacute; perde para a &Aacute;frica do Sul e est&aacute; &agrave; frente da Nig&eacute;ria. 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