{"id":23909,"date":"2010-02-05T15:35:35","date_gmt":"2010-02-05T15:35:35","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23909"},"modified":"2010-02-05T15:35:35","modified_gmt":"2010-02-05T15:35:35","slug":"para-governo-estatal-de-banda-larga-tera-papel-regulador-do-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23909","title":{"rendered":"Para governo, estatal de banda larga ter\u00e1 papel regulador do mercado"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Principal respons&aacute;vel pela condu&ccedil;&atilde;o do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), o assessor especial da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, Cezar Alvarez, defendeu um papel mais ativo do Estado na oferta de Internet em alta velocidade, atuando como um &quot;regulador de mercado&quot; no equil&iacute;brio dos pre&ccedil;os dos produtos ofertados pelas empresas privadas. &quot;Esse modelo ser&aacute; um instrumento regulat&oacute;rio no atacado e, eventualmente, no varejo&quot;, afirmou Alvarez durante o semin&aacute;rio Pol&iacute;ticas de (Tele)comunica&ccedil;&otilde;es, realizado pela revista TELETIMe e pelo CECOM\/UnB nesta quinta, 4, em Bras&iacute;lia.<\/p>\n<p>Tr&ecirc;s eixos comp&otilde;em a proposta em gesta&ccedil;&atilde;o no governo, segundo o assessor especial da Presid&ecirc;ncia. O primeiro caminho, mais tradicional, envolve pol&iacute;ticas de financiamento do servi&ccedil;o e de desonera&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria, focando n&atilde;o s&oacute; na presta&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m em uma pol&iacute;tica industrial para o setor. O governo estuda, inclusive, a possibilidade de subs&iacute;dios diretos &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, caso seja necess&aacute;rio, e tamb&eacute;m a volta do subs&iacute;dio cruzado como forma de baratear os servi&ccedil;os de acesso &agrave; Internet. Outro caminho, classificado pelo assessor como &quot;menos comum&quot;, &eacute; o da separa&ccedil;&atilde;o estrutural entre as redes de telecomunica&ccedil;&otilde;es e as prestadoras de servi&ccedil;o, onde o maior exemplo no mundo &eacute; o modelo usado pela British Telecom. Por fim, h&aacute; o eixo que visa a gest&atilde;o das redes de fibra &oacute;tica criadas a partir dos investimentos feitos pelas estatais do setor energ&eacute;tico, como Eletrobr&aacute;s e Petrobras. &quot;Elas t&ecirc;m um bel&iacute;ssimo backbone&quot;, afirmou Alvarez sobre a rede el&eacute;trica que atinge mais de 4 mil munic&iacute;pios. &quot;E &eacute; esse o ponto que temos que discutir: como isso (a rede das el&eacute;tricas) ser&aacute; comercializado.&quot;<\/p>\n<p>Segundo o respons&aacute;vel pelo PNBL, o caminho que o governo seguir&aacute; &eacute; um &quot;misto&quot; dessas tr&ecirc;s alternativas. O alvo da pol&iacute;tica de banda larga &eacute; atingir as classes C e D, que hoje est&atilde;o fora do acesso &agrave; Internet em alta velocidade. O principal motivo desse hiato digital ainda seria o pre&ccedil;o, segundo Alvarez. E, pelas an&aacute;lises feitas pelo governo, h&aacute; uma diferen&ccedil;a percept&iacute;vel de pre&ccedil;o quando h&aacute; baixa concorr&ecirc;ncia na regi&atilde;o. Se h&aacute; dois competidores, o pre&ccedil;o cai para 70% do valor cobrado em uma &aacute;rea onde h&aacute; monop&oacute;lio na oferta de banda larga. Com um terceiro competidor, os valores m&eacute;dios caem para 50%. &quot;&Eacute; preciso que o nosso jovem brasileiro n&atilde;o precise depender do lugar onde nasceu para ter acesso ao desenvolvimento tecnol&oacute;gico&quot;, afirmou Alvarez.<\/p>\n<p><strong>Sem fazer concorr&ecirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p>Alvarez diz que a inten&ccedil;&atilde;o do governo n&atilde;o &eacute; fazer concorr&ecirc;ncia com as teles, mas apenas usar uma estrutura p&uacute;blica para equilibrar a oferta de servi&ccedil;o, focando especialmente em &aacute;reas onde as empresas n&atilde;o chegam. &quot;O fato &eacute; que existem 934 munic&iacute;pios em que ningu&eacute;m chega. N&oacute;s n&atilde;o teremos e nem queremos obter lucro. Mas eu tamb&eacute;m n&atilde;o posso ser ineficiente, incapaz nem, qui&ccedil;&aacute;, burro. N&oacute;s vamos fazer uma boa banda larga tamb&eacute;m nos centros urbanos, vamos levar &agrave;s favelas dos grandes centros onde ningu&eacute;m chega&quot;, afirmou Alvarez. &quot;Eu n&atilde;o assino embaixo de que n&atilde;o vou (oferecer banda larga) onde o Valente n&atilde;o vai. N&oacute;s temos ativos que vamos jogar na mesa&quot;, provocou o assessor, referindo-se ao presidente da Telef&ocirc;nica, Ant&ocirc;nio Carlos Valente, que tamb&eacute;m compunha a mesa de debates.<\/p>\n<p>O respons&aacute;vel pelo PNBL disse ainda que o plano n&atilde;o visa duplicar redes j&aacute; existentes e refutou as cr&iacute;ticas de que seria um desperd&iacute;cio de dinheiro p&uacute;blico o Estado investir na banda larga. &quot;Temos 31 mil km em infraestrutura e ser&aacute; um desperd&iacute;cio de dinheiro p&uacute;blico se n&atilde;o usarmos&quot;, afirmou o assessor. &quot;Se privatizou as telecomunica&ccedil;&otilde;es, mas o conceito de responsabilidade (sobre a oferta de telecomunica&ccedil;&otilde;es) continua sendo do Estado. N&atilde;o estamos falando de um modelo de responsabilidade das empresas privadas e irresponsabilidade o Estado&quot;, comentou mais &agrave; frente. &quot;Eu tenho o dever p&uacute;blico, como Estado social, de levar o servi&ccedil;o aonde ele n&atilde;o chega.&quot;<\/p>\n<p><strong>Di&aacute;logo<\/strong><\/p>\n<p>Cezar Alvarez aproveitou o debate com as teles para assegurar que o projeto do governo ser&aacute; implementado levando em considera&ccedil;&atilde;o o di&aacute;logo com todos os segmentos. &quot;Um dos objetivos &eacute; impulsionar e estruturar um grande sistema de banda larga sob bases colaborativas&quot;, afirmou. Esse grande sistema inclui v&aacute;rias frentes de atua&ccedil;&atilde;o que v&atilde;o al&eacute;m da cria&ccedil;&atilde;o de uma infraestrutura p&uacute;blica de oferta de banda larga, atingindo tamb&eacute;m a pol&iacute;tica industrial, est&iacute;mulo ao uso de aplicativos, pol&iacute;ticas educacionais, entre outros.<\/p>\n<p>Um fato importante &eacute; que o governo pretende abrir uma mesa permanente de discuss&atilde;o sobre a implementa&ccedil;&atilde;o do plano com os diversos setores interessados no projeto. Essa mesa, no entanto, s&oacute; deve ser composta ap&oacute;s a divulga&ccedil;&atilde;o do decreto presidencial com os par&acirc;metros para a institui&ccedil;&atilde;o do PNBL. &quot;O governo n&atilde;o abrir&aacute; a mesa com zero de pensamento, sem diretrizes, sem estrat&eacute;gias&quot;, afirmou. &quot;O governo chega &agrave; mesa com par&acirc;metros, id&eacute;ias e diretrizes. Ele n&atilde;o chega perguntando: &#39;E ai? Tudo bem?&quot;, disse.<\/p>\n<p><strong>Timing<br \/><\/strong><br \/>Alvarez, nesse caso, respondia a uma provoca&ccedil;&atilde;o do pesquisador e coordenador do Centro de Estudos de Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o, professor Murilo Ramos, da Universidade de Bras&iacute;lia. &quot;Haver&aacute; margem para negocia&ccedil;&atilde;o desse decreto ou ele ser&aacute; publicado e depois &eacute; que as conversas come&ccedil;am?&quot;, provocou Murilo Ramos, para quem outro risco do projeto &eacute; ele estar sendo colocado em um ano eleitoral, o que limita as possibilidades de debate, sobretudo com o Congresso. &quot;O governo acerta em colocar a discuss&atilde;o sobre a banda larga, mas talvez o timing n&atilde;o seja o ideal&quot;. Para Cezar Alvarez, de fato o ideal teria sido colocar essa discuss&atilde;o h&aacute; tr&ecirc;s anos, mas como s&oacute; agora isso foi poss&iacute;vel, assim ter&aacute; que ser feito.<\/p>\n<p><strong>Telebr&aacute;s<\/strong><\/p>\n<p>Apesar das informa&ccedil;&otilde;es que circularam nesta semana de que o presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva j&aacute; teria confirmado a escolha da Telebr&aacute;s como gestora das redes do PNBL, Alvarez optou pela discri&ccedil;&atilde;o sobre esse assunto. O assessor disse apenas que o projeto n&atilde;o vai recriar uma &quot;Telebr&aacute;s com 27 subsidi&aacute;rias de opera&ccedil;&atilde;o&quot;, descartando somente a retomada da exist&ecirc;ncia da estatal tal qual funcionava at&eacute; 1997, quando o setor foi privatizado.<\/p>\n<p>Ele explicou que o governo trabalhou em um levantamento das op&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o da rede p&uacute;blica e, em princ&iacute;pio, pareceu mais conveniente usar uma empresa que j&aacute; exista ao inv&eacute;s de criar uma nova. &quot;Algu&eacute;m tem que gerir isso tudo. Quem vai gerir? Viu-se o que j&aacute; existia, morto ou n&atilde;o, gostando ou n&atilde;o. O que acontece &eacute; que h&aacute; uma certa m&aacute;-vontade e at&eacute; m&aacute;-f&eacute; nessa discuss&atilde;o. Porque n&atilde;o se vai constituir um novo papel para a Telebr&aacute;s&quot;, argumentou. Segundo Alvarez, a decis&atilde;o sobre a empresa gestora tamb&eacute;m ainda precisa ser tomada pelo presidente Lula.<br \/><strong><br \/>Instabilidade<\/strong><\/p>\n<p>Os debates foram realizados no 9&ordm; Semin&aacute;rio de Pol&iacute;ticas de (Tele)Comunica&ccedil;&otilde;es, realizado pela TELETIME e pelo Centro de Estudos de Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o da UnB. Em diversos momentos, participantes se manifestaram da plat&eacute;ia em rela&ccedil;&atilde;o ao risco de instabilidade regulat&oacute;ria que estaria sendo criado com a nova formula&ccedil;&atilde;o. O secret&aacute;rio de telecomunica&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, Roberto Pinto Martins, buscou responder a essa apreens&atilde;o latente entre os participantes da seguinte forma: &quot;Para a solu&ccedil;&atilde;o dessa quest&atilde;o (da banda larga), n&atilde;o acredito que veremos um filme do passado em que o governo transformar&aacute; a estabilidade regulat&oacute;ria em uma montanha russa&quot;.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Principal respons&aacute;vel pela condu&ccedil;&atilde;o do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), o assessor especial da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, Cezar Alvarez, defendeu um papel mais ativo do Estado na oferta de Internet em alta velocidade, atuando como um &quot;regulador de mercado&quot; no equil&iacute;brio dos pre&ccedil;os dos produtos ofertados pelas empresas privadas. &quot;Esse modelo ser&aacute; um instrumento &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23909\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Para governo, estatal de banda larga ter\u00e1 papel regulador do mercado<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1150],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23909"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23909"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23909\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23909"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23909"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23909"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}