{"id":23908,"date":"2010-02-05T15:30:11","date_gmt":"2010-02-05T15:30:11","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23908"},"modified":"2010-02-05T15:30:11","modified_gmt":"2010-02-05T15:30:11","slug":"politicas-publicas-visao-de-longo-prazo-e-responsabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23908","title":{"rendered":"Pol\u00edticas P\u00fablicas, vis\u00e3o de longo prazo e responsabilidade"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">As not&iacute;cias a respeito da proposta de decreto instituindo um Plano Nacional de Banda Larga formulado por representantes da Casa Civil e da Secretaria de Planejamento s&atilde;o animadoras, apesar de alguns aspectos nos causar inseguran&ccedil;a, como, por exemplo, a minuta do decreto a ser editado n&atilde;o se referir a servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o de dados e redes de troncos, como est&aacute; previsto na Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es &ndash; LGT e a falta de um debate mais amplo com os agentes interessados, inclusive os consumidores.<\/p>\n<p>De qualquer forma, em respeito ao grande esfor&ccedil;o que vem sendo feito pelos representantes do Governo respons&aacute;veis pela condu&ccedil;&atilde;o do processo, acredito que as diretrizes anunciadas nos permitem criar a expectativa de melhora significativa na qualidade do provimento e redu&ccedil;&atilde;o significativa dos valores praticados hoje no mercado, bem como no quadro de penetra&ccedil;&atilde;o de todos os servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es nos diversos segmentos sociais.<\/p>\n<p>E isto porque a finalidade de diversos mecanismos regulat&oacute;rios que a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es &ndash; ANATEL n&atilde;o editou &ndash; o que j&aacute; deveria ter feito h&aacute; anos para estimular melhoria na qualidade, modicidade tarif&aacute;ria e ampla competi&ccedil;&atilde;o entre os agentes que atuam no mercado n&atilde;o ocorreram, poder&atilde;o ser atendidos pelo novo Plano Nacional.<\/p>\n<p>O que a ANATEL n&atilde;o fez durante os &uacute;ltimos onze anos decorridos desde a privatiza&ccedil;&atilde;o &ndash; julho de 1998? N&atilde;o estabeleceu modelo de custos para poder regular de forma eficiente as tarifas de varejo e de interconex&atilde;o (inclusive do backhaul &ndash; rede de suporte para o servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o de dados); n&atilde;o&nbsp; definiu regras de compartilhamento das redes p&uacute;blicas;&nbsp; n&atilde;o definiu o Plano Geral de Competi&ccedil;&atilde;o; entre outras medidas que proporcionariam competi&ccedil;&atilde;o efetiva, estimulariam mais efici&ecirc;ncia por parte das concession&aacute;rias e demais operadores dos servi&ccedil;os, mais qualidade e mais efic&aacute;cia da pr&oacute;pria ag&ecirc;ncia na tarefa de regular e fiscalizar, pois haveria mais garantias de seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p>Por compromisso com a justi&ccedil;a, devemos reconhecer que tamb&eacute;m o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es deixou de cumprir seu papel de formulador de pol&iacute;ticas, pois nada fez de relevante durante os &uacute;ltimos anos, no sentido de criar um ambiente institucional prop&iacute;cio para as prementes demandas da sociedade e do mercado no que diz respeito &agrave; necessidade de amplia&ccedil;&atilde;o da infraetrutura e de redes de suporte aos servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o de dados e garantias de acesso a pre&ccedil;os m&oacute;dicos, criando condi&ccedil;&otilde;es para a promo&ccedil;&atilde;o da t&atilde;o almejada inclus&atilde;o digital.<\/p>\n<p>Ao contr&aacute;rio de garantir estes objetivos, durante os &uacute;ltimos anos o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es ocupou-se de alterar o Plano de Metas de Universaliza&ccedil;&atilde;o colocando nas m&atilde;os das concession&aacute;rias o presente de poderem implantar o backhaul, estimulando maior concentra&ccedil;&atilde;o do mercado e utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos p&uacute;blicos em benef&iacute;cio do patrim&ocirc;nio privado. E essas circunst&acirc;ncias pioraram com a altera&ccedil;&atilde;o do Plano Geral de Outorgas, que autorizou a fus&atilde;o entre duas concession&aacute;rias, em virtude do que restaram apenas tr&ecirc;s grandes empresas, sendo que a BROI &ndash; resultado da incorpora&ccedil;&atilde;o da Brasil Telecom pela Oi, atuando em 97% do territ&oacute;rio nacional, sem esquecer que essas concession&aacute;rias s&atilde;o tamb&eacute;m controladoras das empresas que prestam a telefonia m&oacute;vel &ndash; Telef&ocirc;nica &ndash; Vivo; Embratel &ndash; Claro; Oi &ndash; Oi e, portanto, tamb&eacute;m fazem o provimento da banda larga m&oacute;vel &#8211; 3G.<\/p>\n<p>Tudo isso em 2008 quando j&aacute; estava gritante h&aacute; anos a urg&ecirc;ncia da inclus&atilde;o do servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o de dados no regime p&uacute;blico e a da imposi&ccedil;&atilde;o de metas de universaliza&ccedil;&atilde;o e continuidade para o servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o de dados (denominado de banda larga e regulamentado pela ANATEL como servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o multim&iacute;dia &ndash; SCM). O Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es ignorou a necessidade de um Plano Nacional de Banda Larga, institu&iacute;do com a veste legal de pol&iacute;tica p&uacute;blica!<\/p>\n<p>Na verdade, j&aacute; em 1998 &ndash; ocasi&atilde;o das privatiza&ccedil;&otilde;es &ndash; as tend&ecirc;ncias dos mercados internacionais j&aacute; apontavam para que se desenhasse um modelo mais flex&iacute;vel para as telecomunica&ccedil;&otilde;es, pass&iacute;vel de se adaptar &agrave; pujante din&acirc;mica do setor e de seu desenvolvimento tecnol&oacute;gico, bem como &agrave; demanda por novos servi&ccedil;os por parte das sociedades. Entretanto, interesses privados e partid&aacute;rios pautaram a defini&ccedil;&atilde;o do marco institucional sobre o qual se deu a desestatiza&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s, cuja legalidade vem sendo questionada pelo aspecto p&uacute;blico e criminal at&eacute; hoje.<\/p>\n<p>Indiscut&iacute;vel o desenvolvimento das telecomunica&ccedil;&otilde;es nos &uacute;ltimos anos. Mas incontroversos tamb&eacute;m os bilion&aacute;rios investimentos p&uacute;blicos realizados nas subsidi&aacute;rias da Telebr&aacute;s durante o processo preparat&oacute;rio para a privatiza&ccedil;&atilde;o, a partir de 1995, bem como os preju&iacute;zos decorrentes da in&eacute;rcia do Poder Executivo e da ANATEL, quando em dezembro de 2005 prorrogaram os contratos de concess&atilde;o por mais vinte anos &ndash; at&eacute; 2025, sem promover uma s&oacute; mudan&ccedil;a que fosse capaz de propiciar oxig&ecirc;nio regulat&oacute;rio suficiente para o f&ocirc;lego do desenvolvimento das telecomunica&ccedil;&otilde;es que a sociedade brasileira demandava desde ent&atilde;o.<\/p>\n<p>Prova disso s&atilde;o os apag&otilde;es frequentes nas redes de comunica&ccedil;&atilde;o de dados, a irris&oacute;ria velocidade da banda larga ofertada no mercado e os pre&ccedil;os escorchantes e desproporcionais &agrave; p&eacute;ssima qualidade dos servi&ccedil;os, inclusive da telefonia fixa, bem como os conflitos, inclusive judiciais, entre concession&aacute;rias, consumidores e o pr&oacute;prio Governo.<\/p>\n<p>Diante desse cen&aacute;rio, tudo indica que os objetivos almejados pela sociedade hoje poder&atilde;o ser alcan&ccedil;ados com a retomada da Telebr&aacute;s atuando como gerenciadora da rede nacional de acesso &agrave; internet. E, imprescind&iacute;vel, com a inclus&atilde;o do servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o de dados (chamado de banda larga) no regime p&uacute;blico, como determina o &sect; 1&deg;, do art. 65, da Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es e recomenda o bom senso.<\/p>\n<p>Bem vindo, ent&atilde;o, o novo Plano Nacional de Banda Larga, cujo foco est&aacute; na garantia de amplia&ccedil;&atilde;o de acesso &agrave;s infraestruturas e redes p&uacute;blicas para novos operadores, com est&iacute;mulo &agrave; competi&ccedil;&atilde;o, melhoria na qualidade do provimento dos servi&ccedil;os de rede, modicidade tarif&aacute;ria e aumento da penetra&ccedil;&atilde;o dos diversos servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>As not&iacute;cias veiculadas informam que a Telebr&aacute;s, al&eacute;m de se incumbir da implanta&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o de infraestruturas e redes, tamb&eacute;m prover&aacute; diretamente servi&ccedil;os para &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos e em localidades cujos mercados n&atilde;o despertem os interesses econ&ocirc;micos dos operadores privados, estimando-se&nbsp; valores entre R$ 15,00 e R$ 35,00 para a oferta do acesso &agrave; internet na velocidade m&iacute;nima de 1 megabit por segundo.<\/p>\n<p>&Eacute; evidente que a promessa dessa nova realidade abalou a gana das concession&aacute;rias que est&atilde;o confort&aacute;veis h&aacute; anos apropriadas indevidamente das redes p&uacute;blicas de tronco pelas quais n&atilde;o pagaram na &eacute;poca das privatiza&ccedil;&otilde;es, auferindo ganhos exorbitantes, obtendo financiamentos bilion&aacute;rios no Banco Nacional de Desenvolvimento Social, mas deixando de fazer os investimentos devidos, e impondo tarifas que impedem o crescimento da penetra&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os b&aacute;sicos e de acesso &agrave; internet, pois vem interferindo de forma reprov&aacute;vel nos processos de fixa&ccedil;&atilde;o de regras e condutas da ANATEL e Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Tanto assim que a Telebrasil &ndash; entidade que as representa &ndash; j&aacute; tratou de mandar carta a Casa Civil, solicitando reuni&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o na defini&ccedil;&atilde;o das novas bases regulat&oacute;rias, depois de perceberem que a atua&ccedil;&atilde;o do Ministro Helio Costa em favor delas no ano passado n&atilde;o surtiu os efeitos que esperavam.<\/p>\n<p>N&atilde;o podemos ignorar o poderio econ&ocirc;mico dessas empresas e a import&acirc;ncia que tem para garantia da continuidade dos servi&ccedil;os. Todavia, n&atilde;o podemos ficar ref&eacute;ns dos interesses privados de concession&aacute;rias pouco comprometidas com o interesse p&uacute;blico e com os consumidores. Temos raz&otilde;es suficientes para buscar mecanismos de prote&ccedil;&atilde;o, uma vez que estamos h&aacute; anos o pa&iacute;s est&aacute; submetido aos pre&ccedil;os abusivos praticados no mercado e pelo p&eacute;ssimo e desrespeitoso atendimento que as concession&aacute;rias vem dispensando aos brasileiros, como comprovam os hist&oacute;ricos rankings de maus fornecedores divulgados pelas Promotorias de Defesa do Consumidor.<\/p>\n<p>Vamos esperar que o Governo, que agora est&aacute; cumprindo seu papel de elaborador e executor de planos nacionais para o desenvolvimento econ&ocirc;mico e social, nos termos do inc. IX do art. 21 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, n&atilde;o ceda &agrave;s press&otilde;es das concession&aacute;rias e aos interesses eleitorais e se mantenha firme no prop&oacute;sito que vem sendo externado por aqueles respons&aacute;veis pela condu&ccedil;&atilde;o da importante proposta de um Plano Nacional de Banda Larga, assegurando dois pilares fundamentais para o sucesso do projeto: a reativa&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s para atuar como gerenciadora da rede p&uacute;blica e a defini&ccedil;&atilde;o de regras para o provimento da banda larga de modo que o servi&ccedil;o possa ser prestado tanto no regime p&uacute;blico quanto no regime privado, como autoriza a lei geral e j&aacute; ocorre com a telefonia fixa contratada por meio de contratos de concess&atilde;o e de autoriza&ccedil;&atilde;o, respectivamente.<\/p>\n<p>A inclus&atilde;o do servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o de dados no regime p&uacute;blico &eacute; de import&acirc;ncia fundamental, pois s&oacute; nessas condi&ccedil;&otilde;es ser&aacute; poss&iacute;vel a imposi&ccedil;&atilde;o de metas de universaliza&ccedil;&atilde;o e continuidade e, principalmente, a garantia de que os investimentos p&uacute;blicos provenientes do Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es &ndash; FUST&nbsp; e outros do BNDES ser&atilde;o revertidos para a Uni&atilde;o ao final dos contratos; ou seja, que, encerrados os contratos, as redes&nbsp; implantadas no bojo do novo Plano Nacional passar&atilde;o a integrar o patrim&ocirc;nio do poder concedente.<\/p>\n<p>Ou seja, caso n&atilde;o se inclua o servi&ccedil;o no regime p&uacute;blico, haver&aacute; a apropria&ccedil;&atilde;o de vultosos recursos p&uacute;blicos em benef&iacute;cio de empresas privadas, sem nenhuma garantia que a rede de dados mantenha sua explora&ccedil;&atilde;o em benef&iacute;cio do interesse p&uacute;blico.<\/p>\n<p>Ali&aacute;s, o Brasil j&aacute; foi tungado na ocasi&atilde;o da privatiza&ccedil;&atilde;o e depois dela com a in&eacute;rcia da ANATEL em formular os contratos da rede de troncos como determina a LGT, em raz&atilde;o do que este valioso patrim&ocirc;nio p&uacute;blico foi ilegalmente apropriado pela Embratel, Telef&ocirc;nica e Oi. N&atilde;o podemos repetir o mesmo erro.<\/p>\n<p>S&oacute; assim poderemos olhar o futuro com alguma esperan&ccedil;a de que a inclus&atilde;o digital ocorrer&aacute; para todos os brasileiros, pois as redes estrat&eacute;gicas para o desenvolvimento econ&ocirc;mico e social integrar&atilde;o o patrim&ocirc;nio p&uacute;blico e estar&atilde;o administradas com foco no desenvolvimento social e econ&ocirc;mico no longo prazo. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">N&atilde;o podemos repetir com a banda larga os erros cometidos com a telefonia fixa ap&oacute;s a privatiza&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[56],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23908"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23908"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23908\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23908"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23908"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23908"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}