{"id":23894,"date":"2010-02-02T18:19:29","date_gmt":"2010-02-02T18:19:29","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23894"},"modified":"2010-02-02T18:19:29","modified_gmt":"2010-02-02T18:19:29","slug":"tvs-burlam-lei-e-lucram-como-nunca-com-merchandising","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23894","title":{"rendered":"TVs burlam lei e lucram como nunca com merchandising"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><em>[T&iacute;tulo original: Tudo &agrave; venda]<\/em><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Entre um e outro momento dram&aacute;tico, enquanto a mocinha se recupera de um grave acidente, sobra espa&ccedil;o para dar dicas de maquiagem, indicar cores de batom ou descrever os muitos atributos de um r&aacute;dio de carro com controle remoto.<\/p>\n<p>Al&eacute;m dos dramas de Alinne Moraes, est&atilde;o na novela das oito, &quot;Viver a Vida&quot;, cosm&eacute;ticos da Natura, telefones Nextel e todos os 11 modelos de carros da Kia, com direito a passeios pela concession&aacute;ria entre uma cena de choro e outra de briga.<\/p>\n<p>&quot;Est&aacute; indo bem demais&quot;, comemora o autor da trama, Manoel Carlos. &quot;O merchandising em &quot;Viver a Vida&quot; &eacute; um recorde.&quot;<\/p>\n<p>Desde a estreia, h&aacute; 120 cap&iacute;tulos, a hist&oacute;ria j&aacute; teve pelo menos 41 a&ccedil;&otilde;es publicit&aacute;rias, entre cenas que descrevem produtos, as que os mostram de relance e outras em que personagens aparecem dirigindo, acionando teclas e se maquiando.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos cinco anos, esse tipo de a&ccedil;&atilde;o em novelas vem turbinando o faturamento da Globo, da Record e do SBT.<\/p>\n<p>S&oacute; na Record, o n&uacute;mero de profissionais trabalhando com essa t&aacute;tica quintuplicou, e o setor j&aacute; responde por mais de 16% do faturamento anual da rede. &quot;&Eacute; o produto mais caro que temos na grade&quot;, diz Marcus Vinicius Chisco, diretor de merchandising. &quot;Antes eram dois clientes, no m&aacute;ximo cinco a&ccedil;&otilde;es na temporada, agora temos uma a cada dez cap&iacute;tulos.&quot;<\/p>\n<p>Na Avon, gigante de cosm&eacute;ticos, as a&ccedil;&otilde;es triplicaram em cinco anos: foram das dez inser&ccedil;&otilde;es que fizeram na novela das sete &quot;A Lua Me Disse&quot;, em 2005, &agrave;s 30 de &quot;Neg&oacute;cio da China&quot; e &quot;Caras &amp; Bocas&quot;, na Globo, e &quot;Bela, a Feia&quot;, na Record.<\/p>\n<p>&quot;Quando tem um lan&ccedil;amento, a gente sempre opta por fazer isso&quot;, diz M&ocirc;nica Nakamura, diretora de marketing. &quot;&Eacute; uma forma de acessar as mulheres de maneira mais suave, fazer parte do dia a dia delas.&quot;<\/p>\n<p>Mas essa suavidade tem um pre&ccedil;o. Enquanto um an&uacute;ncio de 30 segundos num intervalo da novela das oito, na Globo, custa em m&eacute;dia R$ 380 mil, a publicidade dentro do programa chega a sair por R$ 1 milh&atilde;o. Um conjunto de a&ccedil;&otilde;es, negociado entre o cliente e a emissora, pode passar de R$ 3 milh&otilde;es.<\/p>\n<p>E v&aacute;rios desses pacotes podem ser vendidos ao longo da trama, que costuma se estender por 200 cap&iacute;tulos. Considerando um custo de produ&ccedil;&atilde;o de R$ 200 mil por epis&oacute;dio, 40 a&ccedil;&otilde;es desse tipo s&atilde;o suficientes para bancar toda uma novela.<\/p>\n<p>Segundo publicit&aacute;rios ouvidos pela <em>Folha<\/em>, o an&uacute;ncio disfar&ccedil;ado vale a pena. Lica Bueno, diretora de m&iacute;dia da ag&ecirc;ncia F\/ Nazca, aponta tr&ecirc;s vantagens da estrat&eacute;gia para o anunciante: maior impacto, j&aacute; que a novela d&aacute; mais audi&ecirc;ncia que o intervalo, a possibilidade de demonstrar o uso do produto e o endosso de celebridades.<\/p>\n<p>Em geral, anunciantes n&atilde;o querem seu creme hidratante associado a um mafioso ou traficante. Preferem mocinhas e mocinhos, nunca vil&otilde;es. No caso de uma vil&atilde;, s&oacute; uma &quot;glamourosa&quot;, como frisa a diretora de marketing da Avon.<\/p>\n<p>Um redator publicit&aacute;rio, que n&atilde;o quis ser identificado, conta que se a vil&atilde; for apenas f&uacute;til, n&atilde;o h&aacute; problemas. Grave &eacute; quando falhas de car&aacute;ter a levam a a&ccedil;&otilde;es mais violentas, como explodir alguns shoppings.<\/p>\n<p><strong>Drible na regra<\/strong><\/p>\n<p>Esses informes publicit&aacute;rios, velados em forma de di&aacute;logos em grande parte insossos, s&atilde;o uma forma de as redes driblarem o limite m&aacute;ximo de 25% do tempo de programa&ccedil;&atilde;o que podem destinar &agrave; publicidade, j&aacute; que o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o conta merchandising como intervalo comercial.<\/p>\n<p>A diferen&ccedil;a entre publicidade convencional e a inserida na trama tamb&eacute;m demanda a aten&ccedil;&atilde;o dos anunciantes. Ao contr&aacute;rio do spot de 30 segundos, em que controlam de tudo, do roteiro, cen&aacute;rio e escolha de atores &agrave; maquiagem e &agrave; ilumina&ccedil;&atilde;o, o set da novela &eacute; um terreno n&atilde;o t&atilde;o certo. &quot;Merchandising &eacute; mais desgastante&quot;, diz a publicit&aacute;ria Lica Bueno. &quot;N&atilde;o tem padr&atilde;o, o roteiro &eacute; feito na emissora, e o resultado requer um ajuste de expectativas.&quot;<\/p>\n<p>Uma cena em que Jorge, personagem de Mateus Solano em &quot;Viver a Vida&quot;, descreve em detalhes o r&aacute;dio de seu carro da Kia n&atilde;o agradou nem ao presidente da marca. &quot;Foi um pouco &quot;over&#39;&quot;, diz Jos&eacute; Luiz Gandini. &quot;Isso n&atilde;o &eacute; bom, pode gerar a rejei&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico.&quot; A empresa faz a&ccedil;&otilde;es comerciais em todas as novelas das oito desde &quot;A Favorita&quot; (2008), e inclusive j&aacute; fechou contrato para a pr&oacute;xima, &quot;Passione&quot;, que deve estrear em abril deste ano.<\/p>\n<p>Em tese, anunciantes n&atilde;o podem interferir nas grava&ccedil;&otilde;es, nem exigir mudan&ccedil;as no roteiro. &quot;Em programas de audit&oacute;rio, o anunciante pode ir, mas em novela, depende do quanto est&aacute; pagando&quot;, diz um redator de merchandising. &quot;Se o cara der um caminh&atilde;o de dinheiro, tudo pode ser negociado.&quot;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[T&iacute;tulo original: Tudo &agrave; venda] Entre um e outro momento dram&aacute;tico, enquanto a mocinha se recupera de um grave acidente, sobra espa&ccedil;o para dar dicas de maquiagem, indicar cores de batom ou descrever os muitos atributos de um r&aacute;dio de carro com controle remoto. 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