{"id":23863,"date":"2010-01-26T19:21:47","date_gmt":"2010-01-26T19:21:47","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23863"},"modified":"2010-01-26T19:21:47","modified_gmt":"2010-01-26T19:21:47","slug":"banda-larga-direito-para-quem-pode-pagar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23863","title":{"rendered":"Banda larga: direito para quem pode pagar"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Ao privatizar os servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es no Brasil, o governo de Fernando Henrique Cardoso definiu que o servi&ccedil;o de telefonia fixa deveria ser explorado em regime p&uacute;blico. Isso significa que a telefonia m&oacute;vel e o acesso &agrave; internet banda larga por tecnologia fixa ou m&oacute;vel (3G) poderiam ser explorados em regime privado.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p class=\"padrao\">E qual a diferen&ccedil;a entre a explora&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os em regime p&uacute;blico ou privado se quem ir&aacute; oferecer ambos s&atilde;o empresas privadas e em quase todos os casos multinacionais? Ao definir que a telefonia fixa deveria ser explorada em regime p&uacute;blico, as empresas &#8211; sejam elas privadas, p&uacute;blicas ou estatais, nacionais ou multinacionais &ndash; ficam obrigadas a cumprir determinadas normas que visam algumas garantias do interesse p&uacute;blico, ou seja, interesses da sociedade brasileira e n&atilde;o apenas dos acionistas das empresas.<\/p>\n<p class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">&Eacute; sempre bom lembrar que essas normas n&atilde;o significam nenhum ataque &agrave; liberdade de express&atilde;o, pois os meios de comunica&ccedil;&atilde;o &#8211; em especial os radiodifusores e a imprensa escrita &#8211; t&ecirc;m o h&aacute;bito de classificar qualquer medida normativa ou de fiscaliza&ccedil;&atilde;o que busquem garantir os interesses p&uacute;blicos como medidas que atacam a liberdade de express&atilde;o &#8211; entendendo esta como liberdade de mercado. No caso da telefonia fixa, as obriga&ccedil;&otilde;es &ldquo;impostas&rdquo; pelo Estado s&atilde;o medidas como a garantia da universaliza&ccedil;&atilde;o, garantindo acesso a todas as pessoas independentemente de localiza&ccedil;&atilde;o e condi&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-econ&ocirc;mica; a continuidade, para que n&atilde;o haja nenhuma paralisa&ccedil;&atilde;o injustificada e o controle de tarifas e metas de qualidade. Al&eacute;m de garantir que haja &quot;bens revers&iacute;veis&quot;, isto &eacute;, que os bens essenciais &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os sejam devolvidos &agrave; Uni&atilde;o quando extinta a concess&atilde;o do servi&ccedil;o em todo territ&oacute;rio brasileiro.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Com isso, a sociedade brasileira atrav&eacute;s do seu Estado est&aacute; dizendo aos poderosos grupos econ&ocirc;micos o seguinte: Voc&ecirc;s at&eacute; podem lucrar com o meu direito de me comunicar, mas pelo menos garantam que toda a popula&ccedil;&atilde;o brasileira vai conseguir falar no telefone fixo e que todos v&atilde;o pagar mais ou menos a mesma coisa por isso.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Como podemos constatar, n&atilde;o se trata da atua&ccedil;&atilde;o descontrolada do monstro da censura ou mesmo da influ&ecirc;ncia de Vladimir Lenin &#8211; talvez o homem mais importante do s&eacute;culo XX &#8211; sobre o governo do PSDB que promoveu mais esse ataque &agrave; liberdade dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o j&aacute; t&atilde;o perseguidos na Rep&uacute;blica Socialista do Brasil.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Pois bem, talvez por ser considerada um servi&ccedil;o fundamental, como a sa&uacute;de e a educa&ccedil;&atilde;o, a telefonia fixa tenha sido o &uacute;nico servi&ccedil;o de telecomunica&ccedil;&otilde;es preservado em regime p&uacute;blico ao se privatizar o sistema. Em &eacute;poca de converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica &#8211; onde falar ao telefone, assistir televis&atilde;o, ouvir o r&aacute;dio, escrever no computador e navegar na internet ir&atilde;o habitar o mesmo aparelho eletr&ocirc;nico -, como ficar&aacute; esse direito fundamental se balizado pelos interesse privados e n&atilde;o pelos p&uacute;blicos?<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Se compararmos o gr&aacute;fico que nos conta como anda a penetra&ccedil;&atilde;o da banda larga fixa no territ&oacute;rio brasileiro com o gr&aacute;fico que nos conta como anda o potencial de consumo do povo que habita esta mesma regi&atilde;o, vamos chegar a simples e direta conclus&atilde;o de que poder&atilde;o exercer o direito de se comunicar aqueles que tiverem poder aquisitivo para consumir. O servi&ccedil;o de banda larga, por ser oferecido em regime privado, n&atilde;o precisa ser universalizado e nem sequer seguir uma cobran&ccedil;a de taxas ison&ocirc;micas. O Norte e Nordeste brasileiro al&eacute;m de pagar mais por velocidades menores ainda tem de agradecer aos c&eacute;us se o servi&ccedil;o existir na regi&atilde;o em que vive.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Ora, se estamos falando em universalizar a banda larga no Brasil, o m&iacute;nimo razo&aacute;vel para que isso aconte&ccedil;a seria colocar tamb&eacute;m esse servi&ccedil;o em regime p&uacute;blico. E como fazer isso?<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><br \/>O artigo 18 da Lei Geral de Telecomunica&ccedil;&otilde;es brasileira &ndash; Lei 9.472 de julho de 1997- diz que: &ldquo;Cabe ao Poder Executivo, observadas as disposi&ccedil;&otilde;es desta Lei, por meio de decreto:<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><strong>I<\/strong> &#8211; instituir ou eliminar a presta&ccedil;&atilde;o de modalidade de servi&ccedil;o no regime p&uacute;blico, concomitantemente ou n&atilde;o com sua presta&ccedil;&atilde;o no regime privado;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><strong>II<\/strong> &#8211; aprovar o plano geral de outorgas de servi&ccedil;o prestado no regime p&uacute;blico;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><strong>III<\/strong> &#8211; aprovar o plano geral de metas para a progressiva universaliza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o prestado no regime p&uacute;blico;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><strong>IV<\/strong> &#8211; autorizar a participa&ccedil;&atilde;o de empresa brasileira em organiza&ccedil;&otilde;es ou cons&oacute;rcios intergovernamentais destinados ao provimento de meios ou &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><strong>Par&aacute;grafo &uacute;nico<\/strong>. O Poder Executivo, levando em conta os interesses do Pa&iacute;s no contexto de suas rela&ccedil;&otilde;es com os demais pa&iacute;ses, poder&aacute; estabelecer limites &agrave; participa&ccedil;&atilde;o estrangeira no capital de prestadora de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Isso significa exatamente que o atual presidente da Rep&uacute;blica &ndash; ou quem venha a suced&ecirc;-lo &ndash; pode por um simples decreto colocar o servi&ccedil;o de banda larga em regime p&uacute;blico, e desta forma dizer &agrave;s empresas de telecomunica&ccedil;&atilde;o o mesmo que foi dito pelo presidente Fernando Henrique para o caso da telefonia fixa.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">A consulta &agrave; sociedade brasileira, por meio da primeira Confer&ecirc;ncia de Comunica&ccedil;&atilde;o,  composta por 40% de empres&aacute;rios de comunica&ccedil;&atilde;o, por 40% da sociedade civil n&atilde;o-empresarial e por 20% do poder p&uacute;blico aprovou um resolu&ccedil;&atilde;o que entende que o acesso &agrave; internet banda larga &eacute; um direito fundamental e deve ser garantido pelo Estado, que deve instituir uma pol&iacute;tica de tarifas que torne vi&aacute;vel o acesso residencial a toda popula&ccedil;&atilde;o, garantindo a gratuidade do servi&ccedil;o sempre que necess&aacute;rio. Por esse motivo essa mesma confer&ecirc;ncia aprovou por unanimidade que a banda larga deve passar a ser oferecida e explorada em regime p&uacute;blico.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Lula, agora s&oacute; falta o seu decreto.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">* <em>Pedro Ekman &eacute; arquiteto e militante do Coletivo Intervozes&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o aprova que a banda larga deve ser prestada em regime p&uacute;blico; decreto presidencial pode criar o servi&ccedil;o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[363],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23863"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23863"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23863\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23863"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23863"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23863"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}