{"id":23840,"date":"2010-01-19T19:33:59","date_gmt":"2010-01-19T19:33:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23840"},"modified":"2010-01-19T19:33:59","modified_gmt":"2010-01-19T19:33:59","slug":"a-grande-midia-unida-contra-a-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23840","title":{"rendered":"A grande m\u00eddia unida contra a democracia"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Primeiro foram as cr&iacute;ticas desqualificadoras da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom). Depois, os ataques contra as medidas do Programa Nacional de Direitos Humanos. Agora, os grandes jornais apontam suas armas para o texto-base da Confer&ecirc;ncia Nacional de Cultura. Em comum, propostas que visam algum grau de democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o e ve&iacute;culos que n&atilde;o aceitam os princ&iacute;pios constitucionais e s&atilde;o contra a puni&ccedil;&atilde;o para viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos praticada pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Os &uacute;ltimos dois meses foram agitados para os interessados na defesa da liberdade de express&atilde;o e do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. Leitores desavisados ter&atilde;o certeza de que a liberdade de express&atilde;o nunca esteve t&atilde;o amea&ccedil;ada. Segundo uma campanha do CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamenta&ccedil;&atilde;o Publicit&aacute;ria), est&atilde;o querendo soltar o monstro da censura. Para os mais tarimbados, fica ao menos a d&uacute;vida: que propostas justificam tamanho alvoro&ccedil;o das grandes corpora&ccedil;&otilde;es de comunica&ccedil;&atilde;o? Por que motivo as mat&eacute;rias e argumentos s&atilde;o t&atilde;o parecidos? Se a an&aacute;lise vai a fundo, desvela-se uma cobertura que escamoteia interesses privados e que se transforma em campanha propagand&iacute;stica. Com requintes de m&aacute; f&eacute;.<br \/><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><strong>Farsa em tr&ecirc;s atos<\/strong><br \/><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Em geral, quando se fala de &ldquo;a&ccedil;&otilde;es orquestradas da grande m&iacute;dia&rdquo;, esta &eacute; muito mais uma figura de linguagem do que uma literalidade. Na maioria das vezes, os grandes meios de comunica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o como um quarteto de cordas, que n&atilde;o precisa de maestro &ndash; os m&uacute;sicos se acertam pelos ouvidos e por discretas trocas de olhares. Mas isso n&atilde;o se aplica ao tratamento dado ao tema da comunica&ccedil;&atilde;o no &uacute;ltimo m&ecirc;s. Quem leu os grandes jornais, por exemplo, percebeu que a Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Jornais assumiu o literal papel de maestrina para este tema. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">No caso da Confecom, o grande bloqueio se deu antes de sua realiza&ccedil;&atilde;o, quando as principais entidades representativas do setor empresarial resolveram abandonar o barco. Bandeirantes, RedeTV! e as empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es continuaram no processo at&eacute; o fim. Das 665 propostas aprovadas, 601 obtiveram consenso ou mais de 80% de aprova&ccedil;&atilde;o nos grupos de trabalho e nem precisaram ser votadas. Outras 64 foram aprovadas na plen&aacute;ria final, dentre elas nenhuma entendida por qualquer setor como tema sens&iacute;vel. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Nenhuma das 665 propostas atenta contra a liberdade de express&atilde;o ou contra a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal. Ao contr&aacute;rio, v&aacute;rias delas buscam ampliar o alcance da liberdade de express&atilde;o nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o (hoje restrita a seus donos) e regulamentar artigos da Carta Magna que est&atilde;o h&aacute; 21 anos sem ser aplicados, especialmente pela press&atilde;o contr&aacute;ria de parte do setor empresarial. Dois temas foram destacados pelos grandes ve&iacute;culos ao criticarem as resolu&ccedil;&otilde;es: uma proposta que estabelece um Conselho Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o e outra que estabelece um Conselho Federal dos Jornalistas.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">No primeiro caso, trata-se de um &oacute;rg&atilde;o para formula&ccedil;&atilde;o, delibera&ccedil;&atilde;o e monitoramento de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, baseado nos princ&iacute;pios da Constitui&ccedil;&atilde;o, justamente com o papel de buscar equil&iacute;brio no setor. Conselhos similares existem em v&aacute;rias democracias avan&ccedil;adas, inclusive nos Estados Unidos, onde ele &eacute; entendido como garantidor da liberdade de express&atilde;o. No segundo caso, trata-se de um conselho profissional da categoria, como j&aacute; t&ecirc;m os m&eacute;dicos e advogados, cujo projeto inclui, como uma das infra&ccedil;&otilde;es disciplinares de um jornalista, &ldquo;obstruir, direta ou indiretamente, a livre divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o ou aplicar censura&rdquo;. Como se v&ecirc;, o oposto do que a maioria das not&iacute;cias veiculadas tentaram dizer ao leitor.<\/p>\n<p><strong>Segundo ato<\/strong><\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">A farsa seguiu com a acusa&ccedil;&atilde;o de que o terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos representaria uma pe&ccedil;a autorit&aacute;ria. Um conjunto de medidas de defesa de direitos humanos, da mem&oacute;ria e da verdade foi tachado como se fosse o oposto do que &eacute;. Deve ser por isso que os setores militares conservadores se rebelaram para defender os &quot;princ&iacute;pios democr&aacute;ticos&quot; que sempre os guiaram contra o &quot;autoritarismo&quot; daqueles que lutaram contra a ditadura. Algu&eacute;m consegue acreditar?<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Nas propostas relacionadas &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, duas pseudo-amea&ccedil;as &agrave; liberdade de express&atilde;o. No primeiro caso, a defesa da regulamenta&ccedil;&atilde;o de um artigo da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal com a indica&ccedil;&atilde;o de que ele aponte puni&ccedil;&otilde;es para viola&ccedil;&otilde;es a direitos humanos. De novo n&atilde;o h&aacute; a&iacute; nenhuma restri&ccedil;&atilde;o, apenas a determina&ccedil;&atilde;o de responsabilidades posteriores a publica&ccedil;&atilde;o, como estabelece a Conven&ccedil;&atilde;o Americana de Direitos Humanos (Pacto de San Jos&eacute;), ratificado pelo Brasil. Na aus&ecirc;ncia destas defini&ccedil;&otilde;es, estaremos legitimando o racismo, a homofobia e o uso de concess&otilde;es p&uacute;blicas para defender assassinatos de pessoas, fato infelizmente recorrente. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">A outra proposta atacada foi a de &ldquo;elaborar crit&eacute;rios de acompanhamento editorial a fim de criar um ranking nacional de ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o comprometidos com os princ&iacute;pios de Direitos Humanos, assim como os que cometem viola&ccedil;&otilde;es&rdquo;. Na pr&aacute;tica, essa &eacute; a proposta de institucionaliza&ccedil;&atilde;o da Campanha pela &Eacute;tica na TV (&ldquo;Quem financia a baixaria &eacute; contra a cidadania&rdquo;), que nunca serviu para atacar liberdade de express&atilde;o, mas, ao contr&aacute;rio, ajudou a criar pontes entre os espectadores, usu&aacute;rios do servi&ccedil;o de r&aacute;dio e TV e as emissoras. Estas, embora recebam uma concess&atilde;o para cumprir um servi&ccedil;o p&uacute;blico, nunca admitem se submeter a obriga&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;o p&uacute;blico, nem mesmo &agrave;quelas estabelecidas pela Constitui&ccedil;&atilde;o Federal. Alguns podem at&eacute; questionar a utilidade desse ranking, mas certamente ele n&atilde;o representa ataque &agrave; liberdade de express&atilde;o. O restante da diretriz 22 (que trata sobre comunica&ccedil;&atilde;o) do PNDH-3, trata da garantia ao direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica e ao acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. Mas disso nenhum meio de comunica&ccedil;&atilde;o falou. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><strong>Terceiro ato<\/strong><\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">As recentes cr&iacute;ticas ao texto-base da Confer&ecirc;ncia Nacional de Cultura s&atilde;o o &aacute;pice da farsa (termo talvez mal-apropriado aqui, j&aacute; que ela nada tem de c&ocirc;mica). O Estado de S. Paulo, O Globo e a Folha de S. Paulo atacaram o texto por ele dizer que &ldquo;o monop&oacute;lio dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o representa uma amea&ccedil;a &agrave; democracia e aos direitos humanos, principalmente no Brasil, onde a televis&atilde;o e o r&aacute;dio s&atilde;o os equipamentos de produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de bens simb&oacute;licos mais disseminados, e por isso cumprem fun&ccedil;&atilde;o relevante na vida cultural&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">A contesta&ccedil;&atilde;o foi &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o de que h&aacute; ocorr&ecirc;ncia de monop&oacute;lio nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil. O trecho fica mais claro se citada a frase imediatamente anterior: &ldquo;A produ&ccedil;&atilde;o, difus&atilde;o e acesso &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o requisitos b&aacute;sicos para o exerc&iacute;cio das liberdades civis, pol&iacute;ticas, econ&ocirc;micas, sociais e culturais&rdquo;. &Eacute; um texto, portanto, que defende as liberdades, e aponta a concentra&ccedil;&atilde;o nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o como amea&ccedil;a &agrave; democracia e aos direitos humanos. Com ele concordariam at&eacute; os republicanos dos Estados Unidos, como demonstram recentes vota&ccedil;&otilde;es no Congresso daquele pa&iacute;s. Mas n&atilde;o os jornais brasileiros. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">&Eacute; preciso deixar claro que &ldquo;monop&oacute;lio&rdquo; ali &eacute; usado em sentido amplo e agregador. At&eacute; porque, embora a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal (de novo&#8230;), em seu artigo 220, pro&iacute;ba a exist&ecirc;ncia de monop&oacute;lios e oligop&oacute;lios, nunca houve a regulamenta&ccedil;&atilde;o deste artigo. Portanto o Brasil n&atilde;o tem como estabelecer crit&eacute;rios precisos para determinar se h&aacute; ou n&atilde;o ocorr&ecirc;ncia de monop&oacute;lio neste setor. Qual a refer&ecirc;ncia? A propriedade? O controle? A participa&ccedil;&atilde;o na audi&ecirc;ncia? A participa&ccedil;&atilde;o no mercado publicit&aacute;rio? Todas as democracias avan&ccedil;adas estabelecem medidas n&atilde;o apenas anti-monop&oacute;lios e oligop&oacute;lios, mas anti-concentra&ccedil;&atilde;o, combinando os diferentes crit&eacute;rios citados acima. No Brasil, os &uacute;nicos limites &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o existentes foram estabelecidos em 1967 e s&atilde;o mais t&ecirc;nues do que os aplicados nos Estados Unidos, Fran&ccedil;a e Reino Unido. O pr&oacute;prio Estad&atilde;o j&aacute; tocou, em editoriais recentes, no problema da concentra&ccedil;&atilde;o no r&aacute;dio e na TV; agora nega sua exist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Tamb&eacute;m n&atilde;o passou despercebida pelos jornais a proposta de regulamenta&ccedil;&atilde;o do artigo 221 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, que prev&ecirc; a regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dio e TV e o est&iacute;mulo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o independente. A mat&eacute;ria usa uma declara&ccedil;&atilde;o completamente equivocada do deputado Miro Teixeira para dizer que o artigo n&atilde;o admite regulamenta&ccedil;&atilde;o. Embora haja pareceres que defendem que o artigo pode ser auto-aplic&aacute;vel, o seu inciso III diz justamente que as r&aacute;dios e TVs dever&atilde;o atender ao princ&iacute;pio de &ldquo;regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o cultural, art&iacute;stica e jornal&iacute;stica, conforme percentuais estabelecidos em lei&rdquo;. Isto &eacute;, ele n&atilde;o s&oacute; admite como solicita regulamenta&ccedil;&atilde;o. Bola fora ou m&aacute; f&eacute;?<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Outro ponto atacado pelos jornais &eacute; o trecho em que o texto defende o fortalecimento das r&aacute;dios e TVs p&uacute;blicas e sua maior independ&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o aos governos. Diz o texto preparado pelo Minist&eacute;rio da Cultura: &ldquo;As TVs e r&aacute;dios p&uacute;blicas s&atilde;o estrat&eacute;gicas para que a popula&ccedil;&atilde;o tenha acesso aos bens culturais e ao patrim&ocirc;nio simb&oacute;lico do pa&iacute;s em toda sua diversidade. Para tanto, elas precisam aprofundar a rela&ccedil;&atilde;o com a comunidade, que se traduz no maior controle social sobre sua gest&atilde;o, no estabelecimento de canais permanentes dedicados &agrave; express&atilde;o das demandas dos diversos grupos sociais, na ado&ccedil;&atilde;o de um modelo aberto &agrave; participa&ccedil;&atilde;o de produtores independentes e na cria&ccedil;&atilde;o de um sistema de financiamento que articule o compromisso de Munic&iacute;pios, Estados e Uni&atilde;o&rdquo;. Assim, o texto defende o controle social sobre as m&iacute;dias p&uacute;blicas justamente para que estes ve&iacute;culos n&atilde;o sejam apropriados pelos governos. O foco &eacute; justamente a defesa da liberdade de express&atilde;o para todos e todas. Onde h&aacute; ataque &agrave; m&iacute;dia? Onde h&aacute; amea&ccedil;a &agrave; liberdade de express&atilde;o? <\/p>\n<p><strong>Dej&agrave; vu<\/strong><\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Para quem acompanha esse debate, esse comportamento n&atilde;o &eacute; novidade, embora o tom raivoso e hist&eacute;rico nunca deixe de assustar. Parte dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o aceita nenhum tipo de medida que possa diminuir o poder absoluto exercido hoje por eles. Regras que em outros pa&iacute;ses democr&aacute;ticos s&atilde;o entendidas como condi&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas para o exerc&iacute;cio democr&aacute;tico, aqui s&atilde;o tratadas como amea&ccedil;as &agrave; liberdade de express&atilde;o. A grita esconde, na verdade, a defesa de interesses corporativos, em que a liberdade de imprensa se transforma em liberdade de empresa. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">A liberdade de express&atilde;o defendida por esses setores n&atilde;o &eacute; a liberdade ampla, mas a liberdade de poucas fam&iacute;lias. Contra qualquer medida que ameace esse poderio, lan&ccedil;a-se o discurso da volta da censura, independentemente de n&atilde;o haver em nenhum desses documentos propostas que prevejam a an&aacute;lise pr&eacute;via da programa&ccedil;&atilde;o. Independentemente de esses ve&iacute;culos negarem o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o de seus leitores e omitirem informa&ccedil;&otilde;es e opini&otilde;es relevantes para a compreens&atilde;o aut&ocirc;noma dos fatos, agindo de forma censora. Independentemente de os setores proponentes dessas medidas terem sido justamente aqueles que mais lutaram contra a censura estabelecida pela ditadura militar, da qual boa parte desses ve&iacute;culos foi parceira. <\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Nessa situa&ccedil;&atilde;o, quem deve ficar apreensivo com a rea&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os setores que tem apre&ccedil;o &agrave; democracia. Como lembra um importante estudioso das pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o, foi com este mesmo tom de &ldquo;amea&ccedil;a &agrave; democracia&rdquo; que estes jornais prepararam as condi&ccedil;&otilde;es para o acontecimento que marcaria o 1&ordm; de abril de 1964. De novo, aqui eles n&atilde;o mostram nenhum apego &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e ao verdadeiro significado da democracia. Obviamente n&atilde;o h&aacute; hoje condi&ccedil;&otilde;es objetivas e subjetivas para qualquer golpe de Estado, mas os meios de comunica&ccedil;&atilde;o j&aacute; deixaram claro de que lado est&atilde;o.<\/p>\n<p>    \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap&oacute;s a grita contra a Confecom e o PNDH, ataques agora se voltam contra as propostas da Confer&ecirc;ncia Nacional de Cultura<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[56],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23840"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23840"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23840\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23840"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23840"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23840"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}