{"id":23830,"date":"2010-01-18T17:46:54","date_gmt":"2010-01-18T17:46:54","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23830"},"modified":"2010-01-18T17:46:54","modified_gmt":"2010-01-18T17:46:54","slug":"pirataria-nao-e-crime-e-politica-defende-novo-partido-politico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23830","title":{"rendered":"Pirataria n\u00e3o \u00e9 crime, \u00e9 pol\u00edtica, defende novo partido pol\u00edtico"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Nos anos 80, quando algu&eacute;m copiava uma fita de m&uacute;sica ou gravava a novela das oito no video-cassete pra ver mais tarde, ningu&eacute;m chamava isso de crime; hoje, ao emprestar um tocador de MP3 de um amigo e copiar suas m&uacute;sicas ou baixar da internet algum filme, voc&ecirc; pode ser processado por algumas das maiores empresas do mundo. As leis s&atilde;o as mesmas, mas agora o cen&aacute;rio mudou: gravadoras e distribuidoras est&atilde;o em crise. E um dos culpados pela crise, segundo eles, pode ser facilmente identificado: &eacute; voc&ecirc;.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos anos, processar usu&aacute;rios de internet e fechar sites de compartilhamento de arquivos tem sido a estrat&eacute;gia das maiores empresas do mundo da m&uacute;sica. Paradoxalmente, a criminaliza&ccedil;&atilde;o da troca de arquivos online deu in&iacute;cio a um movimento contr&aacute;rio: a luta pela altera&ccedil;&atilde;o do atual sistema de propriedade intelectual e direito de c&oacute;pia &ndash; o chamado copyright. Assim surge, na Su&eacute;cia, em 2006, o Partido Pirata. De l&aacute; pra c&aacute;, a ideia se espalhou pelo mundo e partidos piratas come&ccedil;aram a se organizar em pelo menos 25 pa&iacute;ses. Entre eles, o Brasil.<\/p>\n<p>&ldquo;Eles criaram um f&oacute;rum internacional, abriram t&oacute;picos por pa&iacute;s, de gente interessada. No segundo semestre de 2006 um grupo come&ccedil;ou a organizar o partido no Brasil. Eu participei desde o come&ccedil;o&rdquo;, explica Jorge, membro do grupo de trabalho de Comunica&ccedil;&atilde;o do Partido Pirata do Brasil, porta-voz de S&atilde;o Paulo, que prefere n&atilde;o usar o sobrenome. &ldquo;No caso do Brasil, em 2007 e 2008 houve uma expans&atilde;o, mas n&atilde;o foi t&atilde;o grande. Em 2009 sim. Os partidos piratas crescem no mundo conforme cresce a repress&atilde;o&rdquo;, diz.<\/p>\n<p>A repress&atilde;o a que Jorge se refere foi o projeto de lei que ficou conhecido como Lei Azeredo, e foi chamado at&eacute; mesmo de AI-5 digital, em refer&ecirc;ncia &agrave; lei que instaurou a ditadura no Brasil. Proposto pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que alegou ser um projeto contra crimes cibern&eacute;ticos, o texto foi atacado em diversas frentes e terminou praticamente enterrado quando o presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva disse, em fevereiro, que vetaria a lei, se fosse aprovada no Congresso, por consider&aacute;-la censura.<\/p>\n<p>&ldquo;O AI-5 digital ajudou o Partido Pirata crescer. Em janeiro fizemos o primeiro encontro presencial, no Campus Party, uma desconfer&ecirc;ncia com umas 35 pessoas. Hoje temos cerca de 1.500 pessoas cadastradas e coletivos em Bras&iacute;lia, S&atilde;o Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife. Estamos pr&oacute;ximos da legaliza&ccedil;&atilde;o. Mas conclu&iacute;mos que, mais importante que legalizar, &eacute; ter um estatuto colaborativo. A ideia n&atilde;o &eacute; ser uma filial do partido sueco, mas um partido com cara brasileira&rdquo;, diz Jorge.<\/p>\n<p>As diferen&ccedil;as entre o Brasil e a Su&eacute;cia n&atilde;o s&atilde;o poucas. O Partido Pirata sueco nasce com apenas tr&ecirc;s pontos em sua plataforma pol&iacute;tica: alterar a lei do copyright para que todo o conhecimento e produ&ccedil;&atilde;o cultural possam ser copiados, se n&atilde;o forem usados para fins comerciais; abolir o sistema de patentes; e respeitar o direito &agrave; privacidade. No Brasil, al&eacute;m dessas bandeiras, existem v&aacute;rias outras. &ldquo;Aqui, batemos muito na transpar&ecirc;ncia&rdquo;, diz o porta-voz do Partido Pirata do Brasil. &ldquo;L&aacute;, at&eacute; o conte&uacute;do dos emails dos parlamentares s&atilde;o p&uacute;blicos. Aqui, lutar pela transpar&ecirc;ncia na pol&iacute;tica ainda &eacute; importante. A quest&atilde;o da inclus&atilde;o digital, banda larga, tamb&eacute;m &eacute; muito importante. Banda larga n&atilde;o &eacute; um problema por l&aacute;. E o uso do software livre e formatos abertos na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Quebrar os monop&oacute;lios. Essa &eacute; a diferen&ccedil;a principal. O resto n&atilde;o &eacute; muito significativo.&rdquo;<\/p>\n<p>Segundo Jorge, o momento do partido agora &eacute; de estrutura&ccedil;&atilde;o da rede brasileira, organizar os coletivos locais em encontros presenciais, n&atilde;o apenas no mundo online. A legaliza&ccedil;&atilde;o do partido ser&aacute; consequencia. Jorge n&atilde;o acha, tamb&eacute;m, que as alian&ccedil;as no Brasil seguir&atilde;o as tend&ecirc;ncias suecas. &ldquo;L&aacute; s&atilde;o aliados do PV, aqui &eacute; dif&iacute;cil que isso aconte&ccedil;a. A gente bate forte na transpar&ecirc;ncia, e os partidos tradicionais n&atilde;o defendem isso. N&atilde;o queremos repetir as mesmas pr&aacute;ticas dos partidos tradicionais.&rdquo;<br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos anos 80, quando algu&eacute;m copiava uma fita de m&uacute;sica ou gravava a novela das oito no video-cassete pra ver mais tarde, ningu&eacute;m chamava isso de crime; hoje, ao emprestar um tocador de MP3 de um amigo e copiar suas m&uacute;sicas ou baixar da internet algum filme, voc&ecirc; pode ser processado por algumas das maiores &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23830\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Pirataria n\u00e3o \u00e9 crime, \u00e9 pol\u00edtica, defende novo partido pol\u00edtico<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1195],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23830"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23830"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23830\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23830"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23830"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23830"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}