{"id":23815,"date":"2010-01-13T17:15:14","date_gmt":"2010-01-13T17:15:14","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23815"},"modified":"2010-01-13T17:15:14","modified_gmt":"2010-01-13T17:15:14","slug":"nem-concorrencia-nem-submissao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23815","title":{"rendered":"Nem concorr\u00eancia nem submiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">A televis&atilde;o p&uacute;blica, diga-se com clareza, ainda n&atilde;o existe no Brasil. Emissoras independentes do mercado e dos governos de plant&atilde;o, mantidas e controladas pela sociedade, s&atilde;o, por enquanto, sonhos, promessas ou, na melhor das hip&oacute;teses, projetos em constru&ccedil;&atilde;o. Obra que vem se erguendo aos poucos, de v&aacute;rias formas. Essa heterogeneidade pode ser virtude, mas d&aacute; margem a incompreens&otilde;es, que conv&eacute;m aclarar.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">A TV Cultura e a TV Brasil, as duas maiores emissoras oriundas de um modelo educativo-estatal em transi&ccedil;&atilde;o para o modelo cultural-p&uacute;blico, padecem no momento com um desses mal-entendidos. Numa l&oacute;gica de telenovela, coment&aacute;rios de formadores de opini&atilde;o e reportagens de imprensa t&ecirc;m colocado a emissora paulista no papel de &quot;vil&atilde;&quot;, ao cobrar de outras esta&ccedil;&otilde;es pelo direito de retransmitirem seus programas, enquanto a TV Brasil desempenha o papel de &quot;boazinha&quot;, por oferecer &quot;de gra&ccedil;a&quot; toda a sua programa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">H&aacute; dois anos, o Senado aprovou a cria&ccedil;&atilde;o da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o, a quem cabe criar a Rede Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica. Seus recursos, assegurados pelo Or&ccedil;amento da Uni&atilde;o, permitem sustentar a oferta graciosa de conte&uacute;dos e at&eacute; o financiamento da moderniza&ccedil;&atilde;o ou projetos de produ&ccedil;&atilde;o das afiliadas.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">J&aacute; a TV Cultura surgiu h&aacute; 40 anos, para oferecer aos contribuintes paulistas (que a financiam) educa&ccedil;&atilde;o, cultura, informa&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica para o exerc&iacute;cio da cidadania, sob a fiscaliza&ccedil;&atilde;o de um Conselho Curador, democr&aacute;tico e plural. Depois de alcan&ccedil;ar todo o estado de S&atilde;o Paulo, passou a disponibilizar seu conte&uacute;do pelo sat&eacute;lite, cobrindo todo o pa&iacute;s. E, por anos a fio, ofereceu a outras emissoras toda a sua programa&ccedil;&atilde;o &ndash; sem &ocirc;nus para elas, mas tamb&eacute;m sem qualquer contrapartida para si.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">O surgimento da EBC imp&ocirc;s uma mudan&ccedil;a de rumo nessa pol&iacute;tica. A atitude paternalista vem sendo substitu&iacute;da por acordos pontuais e flex&iacute;veis com emissoras educativas ou comerciais, em pacotes ajustados &agrave;s necessidades de cada uma, sem interesse, obriga&ccedil;&atilde;o ou &ocirc;nus da Cultura em ser &quot;cabe&ccedil;a de rede&quot;.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Se o estado de S&atilde;o Paulo investe mais de R$ 80 milh&otilde;es\/ano, com esfor&ccedil;o, para produzir ou comprar os programas exibidos por sua TV p&uacute;blica, por que outros estados, interessados nesses programas, devem receb&ecirc;-los graciosamente? Por que n&atilde;o ajudam a custe&aacute;-los, na medida de suas possibilidades?<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><br \/><strong>Contrato de retransmiss&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Recentemente, a Rede Minas adquiriu um pacote anual de dez programas da TV Cultura pelo valor mensal equivalente ao custo de produ&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico epis&oacute;dio de um desses produtos. Negocia&ccedil;&otilde;es semelhantes acontecem com as TVs Educativas do Rio Grande do Sul e do Paran&aacute;, a TV Brasil Central (GO) e outras emissoras.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">A TV Cultura n&atilde;o integra a rede liderada pela TV Brasil, mas rejeita a condi&ccedil;&atilde;o de concorrente. Tanto que, na cidade de S&atilde;o Paulo, os transmissores da TV Brasil est&atilde;o sediados na torre da Cultura, por um acordo em que ningu&eacute;m saiu perdendo.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Quatro de nossos melhores programas &ndash; Roda Viva, Viola Minha Viola, Cocoric&oacute; e Vila S&eacute;samo &ndash; s&atilde;o exibidos h&aacute; quase dois anos pela emissora federal e afiliadas, com base num contrato de retransmiss&atilde;o que aporta recursos importantes para sua pr&oacute;pria manuten&ccedil;&atilde;o e aperfei&ccedil;oamento. Outros programas est&atilde;o sendo negociados e j&aacute; h&aacute; co-produ&ccedil;&otilde;es em andamento. O primeiro &eacute; Almanaque Brasil, em pr&eacute;-produ&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><strong>Governo vs. oposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o interessa a ningu&eacute;m<\/strong><\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Em 2007, quando a TV Brasil come&ccedil;ou a operar, as emissoras que hoje integram sua rede exibiam uma programa&ccedil;&atilde;o composta majoritariamente por produtos oferecidos pela TV Cultura (49%) e pela TVE do Rio (31%), cabendo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o local os 20% restantes. Hoje, 68% da programa&ccedil;&atilde;o exibida nas mesmas emissoras s&atilde;o gerados pela TV Brasil, 14% pela TV Cultura e 18% s&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o local. Os dados s&atilde;o de setembro de 2009, os mais recentes dispon&iacute;veis.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Sem subordina&ccedil;&atilde;o nem concorr&ecirc;ncia, a TV Cultura continua aberta &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o com todas as emissoras p&uacute;blicas brasileiras, como j&aacute; faz com suas cong&ecirc;neres de Angola, Argentina, Cabo Verde, Col&ocirc;mbia, Coreia do Sul, Costa Rica, Chile, Equador, Espanha, Gr&atilde;-Bretanha, Guin&eacute;-Bissau, Macau, M&eacute;xico, Mo&ccedil;ambique, Panam&aacute;, Peru, Porto Rico, Portugal, S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe, Timor Leste, Uruguai e Venezuela -em muitos casos, por meio de programas idealizados pelo Minist&eacute;rio da Cultura.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Transpor a l&oacute;gica partid&aacute;ria, governo versus oposi&ccedil;&atilde;o, para o campo da TV p&uacute;blica n&atilde;o interessa a ningu&eacute;m. A partidariza&ccedil;&atilde;o desse campo certamente n&atilde;o ajuda a lavr&aacute;-lo melhor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por anos, a TV Cultura de S&atilde;o Paulo ofereceu seu conte&uacute;do sem &ocirc;nus a outras emissoras. Com a EBC, mudou-se a pol&iacute;tica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[616],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23815"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23815"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23815\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23815"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23815"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23815"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}