{"id":23806,"date":"2010-01-11T15:01:45","date_gmt":"2010-01-11T15:01:45","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23806"},"modified":"2010-01-11T15:01:45","modified_gmt":"2010-01-11T15:01:45","slug":"confecom-o-fato-e-o-relato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23806","title":{"rendered":"Confecom: O fato e o relato"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom) de verdade foi o resultado de uma exaustiva engenharia pol&iacute;tica desencadeada h&aacute; mais de dois anos pelo F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC), imediatamente endossada pelos movimentos sociais que lutam pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o e, num segundo momento, pelas as empresas de comunica&ccedil;&otilde;es e telecomunica&ccedil;&otilde;es do pa&iacute;s. Foram as entidades sociais, junto com Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radio e TV (Abert) e Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Jornais (ANJ) que reivindicaram ao Ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es H&eacute;lio Costa e realiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia. As raz&otilde;es eram diferentes, mas apontavam para um &uacute;nico caminho. Para os movimentos sociais a Confer&ecirc;ncia dava a chance de finalmente atribuir algum sentido p&uacute;blico para um dos sistemas mais concentrados e verticalizados do mundo. Para as empresas, era a chance de se reorganizarem, segundo seus interesses, em fun&ccedil;&atilde;o da inexor&aacute;vel converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica que imprime um novo modelo de neg&oacute;cio.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><br \/>A Abert, ANJ e seus aliados abandonaram a Conferencia depois de instalada, e j&aacute; com boa parte de seu regimento interno discutido e aprovado, com a n&iacute;tida inten&ccedil;&atilde;o de boicot&aacute;-la e deslegitimiz&aacute;-la. O que s&oacute; n&atilde;o ocorreu devido &agrave; enorme participa&ccedil;&atilde;o popular pelo Brasil afora, com mais de duzentas confer&ecirc;ncias municipais, al&eacute;m das estaduais realizadas em todas as unidades da Federa&ccedil;&atilde;o, e a perman&ecirc;ncia do setor empresarial representado pela Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifusores (Abra) e pela Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Telebrasil) .<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Nesta confer&ecirc;ncia real, houve um enorme esfor&ccedil;o democr&aacute;tico. Os movimentos sociais demonstram al&eacute;m de uma toler&acirc;ncia ao extremo, um indiscut&iacute;vel esp&iacute;rito p&uacute;blico. Por outro lado, as empresas que permaneceram conseguiram superar sua avers&atilde;o por este tipo de debate p&uacute;blico e participaram de todo o processo, com propostas qualificadas e dispostas, nos momentos mais dif&iacute;ceis, &agrave; negocia&ccedil;&atilde;o e ao entendimento. A euforia que tomou conta de todos no final, poder p&uacute;blico, empres&aacute;rios e movimentos sociais representava a convic&ccedil;&atilde;o de que est&aacute;vamos fazendo hist&oacute;ria naquele momento. A aprova&ccedil;&atilde;o por unanimidade da cria&ccedil;&atilde;o de um Conselho Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; a prova definitiva que entramos para uma nova era das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&atilde;o, onde as legisla&ccedil;&otilde;es e regula&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&oacute; s&atilde;o compat&iacute;veis com a liberdade de express&atilde;o, como s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es sine qua nom para a realiza&ccedil;&atilde;o desta.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Na Confecom midi&aacute;tica, a do mundo paralelo, o que ocorreu foi o contr&aacute;rio. Segundo a vers&atilde;o deles, milhares de antidemocratas, depois de se articularem pelo pa&iacute;s, promoveram uma grande e derradeira reuni&atilde;o em Bras&iacute;lia, convocada por um governo com hist&oacute;ria de tentativas autorit&aacute;rias, para selar o fim da liberdade de express&atilde;o no pa&iacute;s. Estes milhares de pequenos Goebbels se empenharam em aprovar uma s&eacute;rie de propostas para inviabilizar a comunica&ccedil;&atilde;o e, principalmente o jornalismo. Mancomunados, o poder p&uacute;blico nacional, mais os movimentos sociais autorit&aacute;rios e os empres&aacute;rios, (sei l&aacute;, corruptos?) teriam constru&iacute;do uma base de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que ir&atilde;o acabar com a democracia existente na comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\"><br \/>&Eacute; engra&ccedil;ada a comunica&ccedil;&atilde;o e o jornalismo neste mundo paralelo do relato sobre o fato. As not&iacute;cias s&atilde;o constru&iacute;das a partir da opini&atilde;o do dono da empresa e de seus representantes sem nenhum aporte de qualquer tipo de fonte, mat&eacute;ria b&aacute;sica do jornalismo. A m&iacute;dia ga&uacute;cha, por exemplo, provinciana a ponto de localizar gaud&eacute;rios at&eacute; em terremotos no Uzbequist&atilde;o, ignorou os quase cem delegados, entre empres&aacute;rios da &aacute;rea, movimentos sociais e poder p&uacute;blico, do Rio Grande do Sul como poss&iacute;veis fontes para construir as mat&eacute;rias onde detectaram o suposto fracasso da Confer&ecirc;ncia. Nem mesmo fazem refer&ecirc;ncia ao homenageado do evento, Daniel Herz, ilustre jornalista ga&uacute;cho aplaudido por todos como refer&ecirc;ncia nacional por sua luta hist&oacute;rica por uma comunica&ccedil;&atilde;o mais democr&aacute;tica.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">As raras not&iacute;cias do mundo paralelo sobre a Confer&ecirc;ncia apenas repetiram uma id&eacute;ia firmada desde a tentativa deste governo de criar uma ag&ecirc;ncia reguladora do audiovisual, a Ancinave em 2006, reafirmada depois durante a tentativa dos jornalistas criarem seu conselho profissional. Nestas duas ocasi&otilde;es, assim como havia acontecido no debate constitucional, os empres&aacute;rios dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o hegem&ocirc;nicos, constru&iacute;ram uma l&oacute;gica inversa afirmando que a tentativa de regular a m&iacute;dia tinha, na verdade, o objetivo de amorda&ccedil;&aacute;-la. Claro, a Hist&oacute;ria que se dane. Ignora-se que esta m&iacute;dia surgiu e cresceu na e com a ditadura, desconhece-se os pap&eacute;is antidemocr&aacute;ticos que exerceu durante a Hist&oacute;ria recente do pa&iacute;s, em epis&oacute;dios como o de Collor de Mello, por exemplo. Ignora-se os jornalistas, radialistas e trabalhadores das comunica&ccedil;&otilde;es que foram presos, torturados e mortos na defesa desta liberdade de express&atilde;o que n&atilde;o &eacute;, em &uacute;ltima an&aacute;lise, dos jornalistas ou dos donos do meios mas sim do cidad&atilde;o, conforme consagrado nas cartas constitucionais de todos os pa&iacute;ses democr&aacute;ticos.<\/p>\n<p><\/span> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Mas, numa esp&eacute;cie de autocomprova&ccedil;&atilde;o, as mat&eacute;rias parciais, ideologizadas ou mal feitas dos grandes jornais, televis&otilde;es e r&aacute;dios apenas demonstram o quanto esta confer&ecirc;ncia era urgente e que, ao ser realizada, come&ccedil;a a inverter uma l&oacute;gica implementada pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o do relato negar ou ocultar o fato.<\/p>\n<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p class=\"western\">* <em>coordenador geral do F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC),&nbsp; vice-presidente da Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e presidente da Federa&ccedil;&atilde;o dos Jornalistas da Am&eacute;rica Latina e Caribe (Fepalc)<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Houve duas Confer&ecirc;ncias Nacionais de Comunica&ccedil;&atilde;o: a da vida real e a do mundo paralelo da grande m&iacute;dia.<\/p>\n<p>    \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[1191],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23806"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23806"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23806\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23806"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23806"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23806"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}