{"id":23789,"date":"2010-01-05T17:54:36","date_gmt":"2010-01-05T17:54:36","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23789"},"modified":"2010-01-05T17:54:36","modified_gmt":"2010-01-05T17:54:36","slug":"vitorias-da-confecom-e-proximos-passos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23789","title":{"rendered":"Vit\u00f3rias da Confecom e pr\u00f3ximos passos"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">At&eacute; os mais pessimistas ficaram surpresos com os resultados positivos da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, ocorrida em Bras&iacute;lia de 14 a 17 de dezembro. Com garra, firmeza de princ&iacute;pios e extrema habilidade, os setores sociais que h&aacute; muito lutam contra a ditadura midi&aacute;tica instalada no pa&iacute;s emplacaram in&uacute;meras vit&oacute;rias.<\/p>\n<p>O processo em si j&aacute; tinha sido surpreendente, envolvendo quase 30 mil pessoas em suas etapas preparat&oacute;rias &ndash; a Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas (Fenaj) estima em cerca de 60 mil participantes &ndash;, num esfor&ccedil;o pedag&oacute;gico sem precedentes na hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>Mas a Confecom foi al&eacute;m do saldo pol&iacute;tico. Logo na abertura, ela ainda correu risco de implodir, em fun&ccedil;&atilde;o de mais uma chantagem da bancada empresarial vinculada &agrave;<br \/>Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifusores (Abra) &ndash; que re&uacute;ne a TV Bandeirantes e a RedeTV!. Mas, em um novo gesto de flexibilidade para garantir a participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica deste setor e dar legitimidade ao evento, os obst&aacute;culos foram removidos e os debates de conte&uacute;do contagiaram os 1.684 delegados dos tr&ecirc;s segmentos &ndash; 20% dos poderes p&uacute;blicos, 40% dos movimentos sociais e 40% dos empres&aacute;rios.<\/p>\n<p><strong>672 propostas aprovadas<\/strong><\/p>\n<p>Ap&oacute;s quatro dias de acalorados embates, a 1&ordf; Confecom aprovou 672 propostas &ndash; 601 nos grupos de trabalho e 71 mais pol&ecirc;micas na plen&aacute;ria final. No seu conjunto, elas s&atilde;o bastante avan&ccedil;adas e sinalizam para importantes mudan&ccedil;as nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. Elas servir&atilde;o de baliza para iniciativas do Executivo e para projetos do Legislativo. No seu programa semanal de r&aacute;dio, o presidente Lula se comprometeu em transformar v&aacute;rias propostas em projetos de lei. &ldquo;Vamos trabalhar no Congresso Nacional para que a gente tenha o marco regulat&oacute;rio condizente com as necessidades de democratizar, cada vez mais, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil&rdquo;, prometeu.<\/p>\n<p>Uma das propostas mais marcantes da Confecom &eacute; a que indica a cria&ccedil;&atilde;o do Conselho Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, vinculado ao Poder Executivo e composto de forma tripartite. Ele teria a finalidade de contribuir na regulamenta&ccedil;&atilde;o e regula&ccedil;&atilde;o do setor e contaria, pela primeira vez na hist&oacute;ria do pa&iacute;s, com a participa&ccedil;&atilde;o de representantes dos movimentos sociais. O governo Lula j&aacute; sinalizou que dever&aacute; instituir o &oacute;rg&atilde;o ainda em 2010. Tamb&eacute;m foi aprovada a id&eacute;ia do Conselho Federal de Jornalismo para disciplinar o exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o e barrar a sua desregulamenta&ccedil;&atilde;o. Uma nova lei de imprensa, que elimine a atual libertinagem no setor, passou quase por consenso.<br \/><strong><br \/>Avan&ccedil;os das r&aacute;dios comunit&aacute;rias<\/strong><\/p>\n<p>Outro avan&ccedil;o hist&oacute;rico se deu com a assinatura de uma &ldquo;carta de inten&ccedil;&otilde;es&rdquo; entre representantes do governo e a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias (Abra&ccedil;o), que sinaliza para o fim da odiosa criminaliza&ccedil;&atilde;o do setor. Entre outros pontos, ela indica &ldquo;a cria&ccedil;&atilde;o da subsecretaria de radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria&rdquo;, &ldquo;agiliza&ccedil;&atilde;o na tramita&ccedil;&atilde;o dos processos&rdquo; de outorga, &ldquo;revoga&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o que considera crime a opera&ccedil;&atilde;o de emissoras sem autoriza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, &ldquo;aumento do n&uacute;mero de canais destinados &agrave;s emissoras comunit&aacute;rias&rdquo; e &ldquo;destina&ccedil;&atilde;o de publicidade institucional&rdquo;.<\/p>\n<p>A Confecom ainda aprovou a cria&ccedil;&atilde;o de um programa nacional de banda larga, visando enfrentar a &ldquo;exclus&atilde;o digital&rdquo;; a destina&ccedil;&atilde;o de recursos da publicidade oficial para ve&iacute;culos &ldquo;comunit&aacute;rios e alternativos&rdquo;; maior rigor nas outorgas e concess&otilde;es para redes privadas de r&aacute;dio e TV; redu&ccedil;&atilde;o do capital estrangeiro nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de 30% para 10%; proibi&ccedil;&atilde;o do controle por determinado grupo de mais de 25% da grade de programa&ccedil;&atilde;o em qualquer plataforma; cria&ccedil;&atilde;o de um &ldquo;observat&oacute;rio de m&iacute;dia e direitos humanos&rdquo;, entre outras dezenas de propostas avan&ccedil;adas.<br \/><strong><br \/>A gritaria dos bar&otilde;es da m&iacute;dia<\/strong><\/p>\n<p>O car&aacute;ter progressista da Confecom &eacute; evidente. Tanto que ela gerou violenta gritaria dos bar&otilde;es da m&iacute;dia que se acovardaram e n&atilde;o participaram da confer&ecirc;ncia, revelando toda a hipocrisia do seu discurso em defesa da &ldquo;liberdade de express&atilde;o e da democracia&rdquo;. A prepotente Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras de R&aacute;dio de Televis&atilde;o (Abert), teleguiada pela TV Globo, considerou o resultado da confer&ecirc;ncia &ldquo;preocupante&rdquo;, &ldquo;um retrocesso&rdquo;. At&eacute; o Jornal Nacional foi acionado pela fam&iacute;lia Marinho para questionar a legitimidade do evento e para atacar suas resolu&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>No mesmo rumo, a decr&eacute;pita Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornais (ANJ), que re&uacute;ne Folha, Estad&atilde;o, O Globo e outros jornal&otilde;es olig&aacute;rquicos, tamb&eacute;m esperneou. Em editorial, o Estad&atilde;o rotulou as propostas de &ldquo;ideologicamente enviesadas que, se transformadas em lei, restringiriam a liberdade de informa&ccedil;&atilde;o e criariam obst&aacute;culos &agrave; a&ccedil;&atilde;o da iniciativa privada no setor, a pretexto de promover o &lsquo;controle p&uacute;blico, social e popular&rsquo; das atividades jornal&iacute;sticas&rdquo;. Para o rancoroso Estad&atilde;o, &ldquo;as ominosas propostas aprovadas pela 1&ordf; Confecom&#8230; expressam a vontade de grupelhos pol&iacute;ticos, corpora&ccedil;&otilde;es profissionais e m&aacute;quinas sindicais azeitadas &agrave; custa de dinheiro p&uacute;blico&rdquo;.<br \/><strong><br \/>Organicidade e press&atilde;o social<\/strong><\/p>\n<p>A rea&ccedil;&atilde;o hidr&oacute;foba das m&aacute;fias empresariais que sabotaram o evento comprova que a press&atilde;o ser&aacute; brutal para impedir que suas resolu&ccedil;&otilde;es sejam aplicadas. Em tom de amea&ccedil;a, t&iacute;pica de um jornal golpista que n&atilde;o tem compromisso com a democracia, o Estad&atilde;o chega a sugerir que o presidente Lula &ldquo;jogue na lata de lixo&rdquo; as propostas aprovadas. Como argumenta Bia Barbosa, integrante do Coletivo Intervozes, a 1&ordf; Confecom representou importante vit&oacute;ria dos movimentos sociais, mas de uma luta que promete ser dura e prolongada. Venceu-se uma batalha, mas n&atilde;o a guerra!<\/p>\n<p>Ser&aacute; necess&aacute;rio refor&ccedil;ar a organicidade da milit&acirc;ncia que luta contra a ditadura midi&aacute;tica e elevar a press&atilde;o social para garantir que as propostas democraticamente aprovadas sejam, de fato e com o tempo, aplicadas &ndash; e n&atilde;o virem letra morta. As comiss&otilde;es pr&oacute;-confer&ecirc;ncia criadas em todos os estados da federa&ccedil;&atilde;o demonstraram capacidade para aglutinar v&aacute;rios setores sociais, tornando-se um espa&ccedil;o de unidade na diversidade e garantindo amplitude ao movimento pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o. O ideal &eacute; que elas sejam mantidas e tenham uma agenda permanente de a&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Pautar a sucess&atilde;o presidencial<\/strong><\/p>\n<p>Outras articula&ccedil;&otilde;es que floresceram neste rico processo da Confecom&ndash; como a dos blogueiros e a dos &ldquo;empres&aacute;rios progressistas&rdquo; da imprensa alternativa &ndash; tamb&eacute;m podem e devem ganhar maior organicidade, somando-se aos movimentos j&aacute; existentes, como o das r&aacute;dios comunit&aacute;rios, F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC), F&oacute;rum de M&iacute;dia Livre e tantos outros. O fortalecimento destas organiza&ccedil;&otilde;es, respeitando-se a pluralidade de seus atores, ser&aacute; decisivo para garantir a aplica&ccedil;&atilde;o das propostas aprovadas &ndash; inclusive a convoca&ccedil;&atilde;o da 2&ordf; Confecom.<\/p>\n<p>Este movimento unit&aacute;rio ter&aacute; papel fundamental na nova realidade criada com a confer&ecirc;ncia de Bras&iacute;lia. Muitas propostas aprovadas n&atilde;o dependem de vota&ccedil;&otilde;es no Legislativo, o que seria uma temeridade num ano eleitoral. O governo Lula pode, de imediato, instituir o Conselho Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o ou adotar medidas para descriminalizar as r&aacute;dios comunit&aacute;rias. Al&eacute;m disso, a batalha da sucess&atilde;o presidencial permite que o tema estrat&eacute;gico da democratiza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o seja pautado para todos os candidatos. Ou seja: h&aacute; muito que fazer no pr&oacute;ximo per&iacute;odo! Organicidade e press&atilde;o social s&atilde;o as palavras-chaves para a nova fase que se abre.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">H&aacute; muito que fazer no pr&oacute;ximo per&iacute;odo! 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