{"id":23733,"date":"2009-12-14T15:39:03","date_gmt":"2009-12-14T15:39:03","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23733"},"modified":"2009-12-14T15:39:03","modified_gmt":"2009-12-14T15:39:03","slug":"pl-29-os-resultados-de-uma-imbricada-tramitacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23733","title":{"rendered":"PL-29: os resultados de uma imbricada tramita\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t    <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">A complicada tramita&ccedil;&atilde;o do Projeto de Lei n&deg; 29, de 2007, na C&acirc;mara dos Deputados, d&aacute; uma boa medida do que pode vir a ser o andamento de um novo marco legal para a radiodifus&atilde;o no Congresso Nacional, quando e se este for proposto. O PL-29, que cria um novo marco legal para a televis&atilde;o por assinatura, n&atilde;o chega a mudar a estrutura do sistema de comunica&ccedil;&otilde;es brasileiro, como faria uma eventual nova lei para a radiodifus&atilde;o &ndash; o que, espera-se, seja o principal resultado da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&otilde;es, a ser realizada entre os dias 14 e 17 de dezembro. Por&eacute;m, o novo marco legal da TV paga mexe com poderosos interesses econ&ocirc;micos e, por isso, teve uma lenta e imbricada tramita&ccedil;&atilde;o nos &uacute;ltimos dois anos e dez meses, que culminou com a aprova&ccedil;&atilde;o do projeto na Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI) da C&acirc;mara, no dia 2 de dezembro. <\/p>\n<p>O PL-29 unifica em um s&oacute; texto as diretrizes legais para a televis&atilde;o paga brasileira, hoje regulamentada por diferentes instrumentos normativos, conforme a tecnologia de distribui&ccedil;&atilde;o: TV a cabo, Servi&ccedil;o de Distribui&ccedil;&atilde;o de Canais Multiponto Multicanal (MMDS), Servi&ccedil;o de Distribui&ccedil;&atilde;o de sinais de Televis&atilde;o e de &Aacute;udio por Assinatura via Sat&eacute;lite (DTH) e Servi&ccedil;o Especial de Televis&atilde;o por Assinatura (TVA). Com o novo marco legal, as regras ser&atilde;o as mesmas para todas as tecnologias, e n&atilde;o haver&aacute; mais restri&ccedil;&otilde;es para a participa&ccedil;&atilde;o de capital estrangeiro e para a participa&ccedil;&atilde;o das concession&aacute;rias de telefonia fixa local (STFC) no mercado de TV a cabo, conforme interpreta&ccedil;&atilde;o consolidada hoje da combina&ccedil;&atilde;o da Lei do Cabo, de 1995, e dos contratos de concess&atilde;o de STFC. <\/p>\n<p>A id&eacute;ia &ndash; contida no PL-29 original, de autoria do deputado Paulo Bornhausen (DEM\/SC), e mantida no substitutivo do deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB\/CE) aprovado na CCTCI &ndash; &eacute; abrir o mercado de TV a cabo, hoje concentrado em mais de 80% nas m&atilde;os de dos grupos Net e Sky, para a participa&ccedil;&atilde;o das concession&aacute;rias de telefonia fixa local, trazendo idealmente mais concorr&ecirc;ncia para o setor. Uma id&eacute;ia pol&ecirc;mica por si s&oacute;, na medida em que os atuais prestadores de servi&ccedil;o de TV por assinatura contabilizam em milh&otilde;es de reais o adiamento da entrada das concession&aacute;rias locais de telefonia fixa no mercado de TV a cabo, ampliando o seu mercado de pacotes de servi&ccedil;os, o chamado triple play (TV, dados e voz), o qual tamb&eacute;m &eacute; almejado pelas teles.<\/p>\n<p><strong>As cotas<\/strong><\/p>\n<p>No entanto, a pol&ecirc;mica do projeto n&atilde;o para por a&iacute;. A partir de demanda dos chamados produtores independentes de conte&uacute;do &#8211; independentes das distribuidoras de conte&uacute;do, esclare&ccedil;a-se -, o deputado Jorge Bittar (PT\/RJ), o primeiro relator do PL-29, ainda em 2007, vislumbrou a possibilidade de inserir neste projeto obriga&ccedil;&otilde;es relativas ao conte&uacute;do divulgado pelas empresas. A l&oacute;gica era abrir o mercado de distribui&ccedil;&atilde;o para qualquer interessado, independente da origem do capital, desde que fossem cumpridas exig&ecirc;ncias de divulga&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do brasileiro e independente. <\/p>\n<p>Embora seja, em certa medida, incoerente o estabelecimento de uma pol&iacute;tica de cotas de conte&uacute;do nacional e independente para o servi&ccedil;o de TV paga, enquanto a TV aberta e gratuita, acess&iacute;vel a quase 100% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, permane&ccedil;a livre de obriga&ccedil;&otilde;es dessa natureza, a id&eacute;ia tem l&oacute;gica pol&iacute;tica. O deputado Jorge Bittar foi de uma sensibilidade pol&iacute;tica &iacute;mpar: estabelecem-se obriga&ccedil;&otilde;es relativas ao conte&uacute;do aos novos competidores, no momento em que estes almejam entrar no mercado e est&atilde;o dispostos a arcar com os custos pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos para isso, e, assim, abre-se caminho para a institui&ccedil;&atilde;o de obriga&ccedil;&otilde;es semelhantes inclusive para a TV aberta e gratuita. Talvez seja este o principal m&eacute;rito do PL 29\/07, sob a &oacute;tica do interesse p&uacute;blico. Nunca &eacute; demais lembrar que o projeto de lei que estabelece cotas de conte&uacute;do independente e regional para a TV aberta, de autoria da ex-deputada Jandira Feghali, tramita desde 1991 no Congresso Nacional, sem que houvesse jamais contexto pol&iacute;tico apropriado para a sua aprova&ccedil;&atilde;o, devido &agrave;s press&otilde;es empresariais contr&aacute;rias &agrave; proposta. <\/p>\n<p>O projeto de Bittar, de institui&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de cotas, foi encampado pelos relatores que o seguiram, com apoio da Ag&ecirc;ncia Nacional de Cinema (Ancine) e das associa&ccedil;&otilde;es de produtores brasileiros independentes. Assim, as cotas de conte&uacute;do nacional e independente constaram nos textos aprovados em todas as comiss&otilde;es de m&eacute;rito que analisaram o PL-29 na C&acirc;mara: na Comiss&atilde;o de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico, Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio (CDEIC); na Comiss&atilde;o de Defesa do Consumidor (CDC); e, por fim, no substitutivo do deputado Paulo Henrique Lustosa na Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia. <\/p>\n<p>Tal qual no substitutivo da CDC, o substitutivo da CCTCI estabelece que, nos canais de conte&uacute;do qualificado, no m&iacute;nimo 3 horas e meia semanais devem ser de conte&uacute;dos brasileiros de espa&ccedil;o qualificado no hor&aacute;rio nobre, sendo que metade da cota deve ser produzida por produtores independentes. Nota-se, por&eacute;m, que a defini&ccedil;&atilde;o do que &eacute; conte&uacute;do brasileiro de espa&ccedil;o qualificado mudou na CCTCI, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; CDC, atendendo &agrave; demanda das Organiza&ccedil;&otilde;es Globo: passam a contar como conte&uacute;do em espa&ccedil;o qualificado n&atilde;o apenas filmes, document&aacute;rios, s&eacute;ries e novelas, como no texto da CDC, mas tamb&eacute;m programas de variedades e programas de audit&oacute;rio que n&atilde;o sejam ancorados por apresentador. <\/p>\n<p>Por outro lado, a cota de canais inteiramente nacionais aumentou. Os substitutivos da CDEIC e da CDC estabeleciam que todos os pacotes ofertados deveriam possuir pelo menos um canal exclusivo de conte&uacute;dos brasileiros. O substitutivo da CCTCI diz que, em todos os pacotes, a cada tr&ecirc;s canais de espa&ccedil;o qualificado, ao menos um deve ser canal brasileiro de espa&ccedil;o qualificado, at&eacute; o limite de 12 canais brasileiros. Desses, pelo menos dois canais devem veicular, no m&iacute;nimo, 12 horas di&aacute;rias de conte&uacute;do produzido por produtora brasileira independente, tr&ecirc;s dos quais no hor&aacute;rio nobre.<\/p>\n<p>Adicionalmente, pelo menos 1\/3 desses canais brasileiros deve ser programado por programadora brasileira independente &ndash; conceito novo introduzido pelo texto da CCTCI. Ressalta-se, por&eacute;m, que mudan&ccedil;a de &uacute;ltima hora feita pelo relator praticamente anulou a cota para programadoras independentes: este conceito foi alterado, de forma que a programadora independente pode ser controlada por concession&aacute;rias de radiodifus&atilde;o ou coligada a elas. Apenas um canal do pacote dever&aacute; ser programado por programadora n&atilde;o ligada a empresas de radiodifus&atilde;o. E esse dispositivo pode ser eliminado na continua&ccedil;&atilde;o da tramita&ccedil;&atilde;o do projeto, pois conta com forte rejei&ccedil;&atilde;o das emissoras de TV. <\/p>\n<p>Nota-se que todo esse complicado sistema de cotas de conte&uacute;do nacional e independente adquiriu, na CCTCI, prazo de validade: o sistema de cotas deixa de viger 12 anos ap&oacute;s a promulga&ccedil;&atilde;o da lei. A l&oacute;gica &eacute; que, dentro desse prazo, a ind&uacute;stria audiovisual brasileira adquira f&ocirc;lego para galgar espa&ccedil;o de distribui&ccedil;&atilde;o na TV paga brasileira sem a necessidade da pol&iacute;tica de cotas. Trata-se, por&eacute;m, de tempo extremamente ex&iacute;guo ao se levar em conta a maturidade da ind&uacute;stria de audiovisual dos Estados Unidos, por exemplo, com quem os produtores brasileiros t&ecirc;m de competir por espa&ccedil;o de distribui&ccedil;&atilde;o, seja na televis&atilde;o, seja no cinema. Muito mais l&oacute;gico seria que esse prazo fosse estabelecido n&atilde;o em lei, mas sim na regulamenta&ccedil;&atilde;o, de forma que a ag&ecirc;ncia reguladora avaliasse a necessidade ou n&atilde;o da continua&ccedil;&atilde;o do sistema de cotas. Sem a moeda de troca da abertura do mercado de TV a cabo para o capital estrangeiro e para as concession&aacute;rias de telecomunica&ccedil;&otilde;es, dificilmente se pode vislumbrar a aprova&ccedil;&atilde;o, pelo Legislativo brasileiro, de uma nova pol&iacute;tica de cotas de conte&uacute;do nacional e independente para a TV paga, caso esta seja avaliada como necess&aacute;ria, daqui a 12 anos. <\/p>\n<p>Outro ponto a ser ressaltado &eacute; que, na vers&atilde;o do texto aprovado na CCTCI, sumiu a proibi&ccedil;&atilde;o &ndash;  que constava nos substitutivos das comiss&otilde;es de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e de Defesa do Consumidor &ndash; de contratos de exclusividade entre programadoras, empacotadoras e distribuidoras. Os contratos de exclusividade entre os canais da Globosat (programadora) e Net (empacotadora e distribuidora) &eacute; um dos entraves para o mercado brasileiro de TV por assinatura. Todos os canais deveriam ser oferecidos, em igualdade de condi&ccedil;&otilde;es de oferta, para quaisquer distribuidores, de forma a se destravar a cadeia do audiovisual brasileira. <\/p>\n<p>Chegou a ser aventada, durante as discuss&otilde;es do PL-29, a possibilidade de a Ancine regular e fiscalizar a quest&atilde;o, mas, conforme o substitutivo aprovado na comiss&atilde;o de m&eacute;rito, a fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos contratos de exclusividade continua a ser atribui&ccedil;&atilde;o exclusiva do Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o Econ&ocirc;mica (Cade), que pode atuar apenas <em>ex post<\/em>, isso &eacute;, ap&oacute;s provocado. A atua&ccedil;&atilde;o efetiva do Cade sobre esse ponto &eacute; essencial, principalmente a partir do ingresso de novos distribuidores no mercado de TV paga. <\/p>\n<p>No caso do fomento &agrave; produ&ccedil;&atilde;o audiovisual nacional, a atua&ccedil;&atilde;o eficaz da Ancine, a partir da aplica&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios democr&aacute;ticos para a distribui&ccedil;&atilde;o dos recursos, ser&aacute; fundamental. Isso porque o PL 29 prev&ecirc; recursos adicionais para a Condecine (Contribui&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento da Ind&uacute;stria Cinematogr&aacute;fica Nacional) &ndash; em torno de R$ 200 milh&otilde;es anuais &ndash;, mas esses recursos podem ser utilizados por qualquer produtora de conte&uacute;do nacional, inclusive as n&atilde;o independentes. <\/p>\n<p>O substitutivo aprovado na CCTCI apenas estabelece que 30% desse montante dever&atilde;o ser destinados a produtoras estabelecidas nas Regi&otilde;es Norte, Nordeste e Centro-Oeste e que 10% dever&atilde;o ser destinados ao fomento da produ&ccedil;&atilde;o independente veiculada primeiramente nos canais comunit&aacute;rios, universit&aacute;rios e de programadoras brasileiras independentes. Mais recursos para a produ&ccedil;&atilde;o nacional podem, sim, auxiliar o desenvolvimento de uma ind&uacute;stria nacional audiovisual forte, desde que esses sejam distribu&iacute;dos de forma a privilegiar o fortalecimento de produtoras independentes das concession&aacute;rias de radiodifus&atilde;o j&aacute; amplamente estabelecidas no mercado.<\/p>\n<p><strong>A participa&ccedil;&atilde;o das teles no mercado<\/strong><\/p>\n<p>Cabe destacar, ainda, mudan&ccedil;a sutil, mas relevante, que o substitutivo da Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica traz nos dispositivos relativos &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es para as prestadoras de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es produzirem conte&uacute;do. Os substitutivos da CDEIC e CDC determinavam que operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o poderiam deter mais de 30% do capital total e votante de empresas de produ&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o brasileiras. No substitutivo da CCTCI, a restri&ccedil;&atilde;o de capital vale para quaisquer produtoras ou programadoras com sede no Pa&iacute;s. Ou seja, antes, a restri&ccedil;&atilde;o para a participa&ccedil;&atilde;o de teles valia apenas para produtoras e programadoras com 70% de capital nacional. Agora vale para quaisquer produtoras e programadoras com sede no Brasil.<\/p>\n<p>A mudan&ccedil;a no texto ocorreu justamente ap&oacute;s a compra da empresa GVT, a qual conta com uma das mais robustas redes de banda larga do Pa&iacute;s, pelo grupo franc&ecirc;s de comunica&ccedil;&otilde;es Vivendi, que atua n&atilde;o apenas na &aacute;rea de telecomunica&ccedil;&otilde;es como na &aacute;rea de conte&uacute;do. Hoje, a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do no Brasil &eacute; livre, seja por empresas estrangeiras, seja por empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Com o PL-29, as concession&aacute;rias de radiodifus&atilde;o, hoje as maiores produtoras de conte&uacute;do no pa&iacute;s, resguardam-se da competi&ccedil;&atilde;o das teles na &aacute;rea de produ&ccedil;&atilde;o. Coincid&ecirc;ncia ou n&atilde;o, foi apenas ap&oacute;s a compra da GVT pela Vivendi que o PL-29 foi aprovado na CCTCI da C&acirc;mara.<\/p>\n<p>Se a restri&ccedil;&atilde;o de capital de operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es em produtoras e programadoras pode fazer sentido, do ponto de vista da restri&ccedil;&atilde;o de atua&ccedil;&atilde;o da mesma empresa em mais de uma etapa da cadeia do audiovisual (produ&ccedil;&atilde;o, programa&ccedil;&atilde;o, empacotamento, distribui&ccedil;&atilde;o), o mesmo n&atilde;o se pode dizer da proibi&ccedil;&atilde;o que o PL-29 estabelece para empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es contratarem talentos art&iacute;sticos nacionais e direitos sobre obras de autores nacionais e adquirirem direitos de explora&ccedil;&atilde;o de imagens de eventos de interesse nacional. Na tentativa de se resguardar o mercado de produ&ccedil;&atilde;o e o direito de explora&ccedil;&atilde;o sobre determinados eventos nacionais para as empresas de radiodifus&atilde;o, acaba-se por limitar o mercado para os artistas e autores nacionais. <\/p>\n<p>A limita&ccedil;&atilde;o &eacute; desnecess&aacute;ria para evitar o monop&oacute;lio da mesma empresa em v&aacute;rias atividades da cadeia do audiovisual, na medida em que as restri&ccedil;&otilde;es de capital j&aacute; est&atilde;o estabelecidas. Cabe questionar mesmo a constitucionalidade de dispositivo dessa natureza, tendo em vista o princ&iacute;pio constitucional da livre express&atilde;o da atividade intelectual, art&iacute;stica e de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>A tramita&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>S&atilde;o justamente essas restri&ccedil;&otilde;es estabelecidas para o livre mercado de produ&ccedil;&atilde;o no Brasil, hoje, que podem impulsionar uma mais r&aacute;pida tramita&ccedil;&atilde;o do Projeto de Lei n&deg; 29, de 2007, a partir de agora no Congresso Nacional, em um contexto de ingresso, no Pa&iacute;s, da nova empresa francesa de comunica&ccedil;&otilde;es, em seu mais amplo sentido convergente. Vale lembrar que a proposta tramitou por tr&ecirc;s meses na Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica, em um primeiro momento, recebendo em seguida novo despacho; por quase seis meses na Comiss&atilde;o de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio; depois novamente por oito meses na CCTCI, sem chegar a ser votada; e, em seguida, por um ano na Comiss&atilde;o de Defesa do Consumidor. <\/p>\n<p>Em seguida, retornou &agrave; CCTCI, onde foi votada em apenas tr&ecirc;s meses. Para isso, contaram n&atilde;o apenas o novo contexto do mercado, como a habilidade pol&iacute;tica do novo relator, deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB\/CE), e a atua&ccedil;&atilde;o da lideran&ccedil;a do governo, que passou a ser mais ostensiva em rela&ccedil;&atilde;o ao projeto nos &uacute;ltimos meses. <\/p>\n<p>A participa&ccedil;&atilde;o ativa do governo em projetos de lei pol&ecirc;micos no setor de comunica&ccedil;&otilde;es, caracterizado por forte inger&ecirc;ncia patrimonialista no Congresso Nacional, mostra-se essencial para que essas propostas de fato sejam transformadas em lei. <\/p>\n<p>Essa constata&ccedil;&atilde;o torna temer&aacute;ria a declara&ccedil;&atilde;o evasiva do ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, H&eacute;lio Costa, no programa &ldquo;Roda Vida&rdquo;, da TV Cultura, do dia 8 de dezembro, sobre a possibilidade de apresenta&ccedil;&atilde;o de uma nova lei para o setor de radiodifus&atilde;o, ap&oacute;s a Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o. Costa afirmou que o respons&aacute;vel pela mudan&ccedil;as na legisla&ccedil;&atilde;o &eacute; o Congresso Nacional, o qual dificilmente assumiria uma responsabilidade como essa em ano eleitoral. Por&eacute;m, um projeto desta grandeza s&oacute; teria for&ccedil;a se apresentado pelo Poder Executivo. Quando se trata do setor de comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil, um Poder Executivo atuante e corajoso &eacute; essencial para a promo&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;as, inclusive no &acirc;mbito do Legislativo. <\/p>\n<p><em>* Lara Haje &eacute; pesquisadora do Laborat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o (LaPCom) &ndash; UnB e analista da ECCO &ndash; Estudos e Consultoria em Comunica&ccedil;&otilde;es. <\/em><\/span> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Vai-e-vem do projeto &eacute; boa medida do que pode ocorrer com um poss&iacute;vel novo marco regulat&oacute;rio para a radiodifus&atilde;o<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[56],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23733"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23733"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23733\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23733"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23733"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23733"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}