{"id":23727,"date":"2009-12-11T17:44:42","date_gmt":"2009-12-11T17:44:42","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23727"},"modified":"2009-12-11T17:44:42","modified_gmt":"2009-12-11T17:44:42","slug":"stf-rejeita-recurso-e-censura-ao-estado-continua-em-vigor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23727","title":{"rendered":"STF rejeita recurso e censura ao &#8216;Estado&#8217; continua em vigor"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">O Supremo Tribunal Federal (STF), por 6 votos a 3, arquivou ontem [10\/12] a reclama&ccedil;&atilde;o em que os advogados do Estado pediam o fim da proibi&ccedil;&atilde;o ao jornal de publicar reportagens sobre a Opera&ccedil;&atilde;o Boi Barrica, que investigou o empres&aacute;rio Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, Jos&eacute; Sarney (PMDB-AP). Com isso, fica mantida a censura imposta no fim de julho pelo desembargador D&aacute;cio Vieira, do Tribunal de Justi&ccedil;a do Distrito Federal e Territ&oacute;rios (TJ-DF). A morda&ccedil;a ao Estado, que vai recorrer, j&aacute; soma 133 dias.<\/p>\n<p>A maioria dos ministros &ndash; numa decis&atilde;o que discutiu aspectos t&eacute;cnicos e n&atilde;o o m&eacute;rito &ndash; n&atilde;o concordou com a tese defendida pelos advogados do jornal, de que a censura desrespeita a decis&atilde;o do pr&oacute;prio Supremo que derrubou a Lei de Imprensa e consagrou o pleno direito &agrave; liberdade de express&atilde;o. Naquela decis&atilde;o, tomada em abril deste ano, h&aacute; refer&ecirc;ncia expl&iacute;cita contra a censura imposta pelos Poderes estatais, como o Judici&aacute;rio.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o h&aacute; liberdade de imprensa pela metade ou sob as tenazes da censura pr&eacute;via, inclusive a procedente do Poder Judici&aacute;rio&quot;, diz o texto publicado no Di&aacute;rio da Justi&ccedil;a. A Lei de Imprensa que vigorou at&eacute; o julgamento de abril era um documento legal do tempo do regime militar (1964-1985).<\/p>\n<p><strong>Intercepta&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de ter decidido dessa forma neste ano, ontem [10\/12] a maioria dos ministros do STF afirmou que o resultado do julgamento sobre a Lei de Imprensa n&atilde;o poderia ser aplicado ao caso do Estado. De acordo com a ala do Supremo vencedora no julgamento de ontem, a decis&atilde;o judicial do TJ-DF de censurar o jornal baseou-se na Constitui&ccedil;&atilde;o e na legisla&ccedil;&atilde;o que trata de intercepta&ccedil;&otilde;es telef&ocirc;nicas. Portanto, n&atilde;o haveria refer&ecirc;ncia &agrave; Lei de Imprensa e ao julgamento de abril do STF. Por esse entendimento, n&atilde;o caberia reclama&ccedil;&atilde;o ao Supremo por suposto desrespeito &agrave; decis&atilde;o da corte.<\/p>\n<p>Reclama&ccedil;&atilde;o &eacute; um recurso usado quando uma decis&atilde;o do STF &eacute; descumprida por um magistrado ou outro tribunal. No caso, entra-se no Supremo com uma reclama&ccedil;&atilde;o para fazer valer a decis&atilde;o que a corte tomou sobre o tema. <\/p>\n<p>O voto vencedor do julgamento foi dado pelo vice-presidente do STF e relator do caso, ministro Cezar Peluso, que arquivou sem discuss&atilde;o do m&eacute;rito a a&ccedil;&atilde;o apresentada pelo Estado. &quot;A decis&atilde;o ora impugnada n&atilde;o tangencia sequer aspectos da Lei de Imprensa&quot;, afirmou Cezar Peluso durante o julgamento.<\/p>\n<p>Votaram com Peluso os ministros Eros Graus, Jos&eacute; Antonio Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Ricardo Lewandowski.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de concordar com a argumenta&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnico-jur&iacute;dica de Peluso, o presidente do STF, Gilmar Mendes, disse que a honra e a intimidade, citados por D&aacute;cio Vieira para impor a censura ao jornal, t&ecirc;m de ser preservadas. &quot;Se &eacute; inviol&aacute;vel a honra e a intimidade, &eacute; preciso que isso tenha alguma consequ&ecirc;ncia. Esses valores s&atilde;o inviol&aacute;veis. E o que &eacute; inviol&aacute;vel n&atilde;o &eacute; para ser violado&quot;, afirmou.<\/p>\n<p><strong>&quot;Vis&otilde;es autorit&aacute;rias&quot;<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro ministro a votar pela derrubada da morda&ccedil;a imposta ao Estado, Carlos Ayres Britto lembrou que ao declarar o fim da Lei de Imprensa, em abril, o tribunal levou em conta dispositivos da Constitui&ccedil;&atilde;o que vedam a censura pr&eacute;via &agrave; m&iacute;dia, &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es e &agrave;s publica&ccedil;&otilde;es. A ministra C&aacute;rmen L&uacute;cia e o decano do STF, Celso de Mello, acompanharam Ayres Britto.<\/p>\n<p>Para Celso de Mello, &eacute; profundamente grave e preocupante que ainda remanes&ccedil;am no aparelho de Estado &quot;vis&otilde;es autorit&aacute;rias&quot; que buscam justificar a pr&aacute;tica da censura a publica&ccedil;&otilde;es em geral. Ele lembrou que no dia 13 ser&atilde;o rememorados os 41 anos da data em que o marechal Artur da Costa e Silva, segundo presidente do regime militar, imp&ocirc;s ao Pa&iacute;s o Ato Institucional n&ordm; 5, o AI-5. &quot;O passado deve ser respeitado pela corte, pelos magistrados e pelos tribunais&quot;, afirmou Celso de Mello. &quot;O poder geral de cautela &eacute; o novo nome da censura em nosso pa&iacute;s.&quot;<\/p>\n<p><strong>Alternativas<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com ministros do STF, o jornal ainda pode questionar a censura por meio de outros instrumentos que n&atilde;o sejam a reclama&ccedil;&atilde;o. Um dos ministros afirmou que a solu&ccedil;&atilde;o do caso, seguindo esse caminho, certamente vai demorar.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Supremo Tribunal Federal (STF), por 6 votos a 3, arquivou ontem [10\/12] a reclama&ccedil;&atilde;o em que os advogados do Estado pediam o fim da proibi&ccedil;&atilde;o ao jornal de publicar reportagens sobre a Opera&ccedil;&atilde;o Boi Barrica, que investigou o empres&aacute;rio Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, Jos&eacute; Sarney (PMDB-AP). 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