{"id":23719,"date":"2009-12-10T17:08:28","date_gmt":"2009-12-10T17:08:28","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23719"},"modified":"2009-12-10T17:08:28","modified_gmt":"2009-12-10T17:08:28","slug":"versao-aprovada-na-cctci-acomoda-demandas-de-varios-setores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23719","title":{"rendered":"Vers\u00e3o aprovada na CCTCI acomoda demandas de v\u00e1rios setores"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t    <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A TV por assinatura brasileira est&aacute; mais perto de ganhar novas regras. Depois de quase tr&ecirc;s anos circulando na C&acirc;mara Federal, o Projeto de Lei n&ordm; 29\/2007 foi aprovado nessa quarta-feira (9) pelo grupo t&eacute;cnico da &aacute;rea, a Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI). Diverg&ecirc;ncias significativas foram resolvidas, como a aplica&ccedil;&atilde;o de cotas para canais brasileiros e independentes nos pacotes. Como nenhum destaque feito por outros parlamentares foi referendado, o substitutivo do deputado Paulo Lustosa (PMDB-CE) segue como a vers&atilde;o mais atual do projeto. Organiza&ccedil;&otilde;es sociais e empresariais do setor gostaram do resultado das discuss&otilde;es. Cada um por motivos diferentes.<\/p>\n<p> O PL-29, de autoria do deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), tinha o objetivo inicial de, &agrave; luz da converg&ecirc;ncia de tecnologias, abrir o mercado de TV por assinatura para as empresas que operam servi&ccedil;os de telefonia, as teles. Com o passar do tempo, seu escopo foi ampliado. Do jeito que foi aprovado, al&eacute;m de permitir a entrada das teles na distribui&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos na TV paga, o projeto tamb&eacute;m fomenta a produ&ccedil;&atilde;o independente e nacional, regula a cadeia de produ&ccedil;&atilde;o definindo as atividades de comunica&ccedil;&atilde;o audiovisual de acesso condicionado (produ&ccedil;&atilde;o, programa&ccedil;&atilde;o, empacotamento e distribui&ccedil;&atilde;o) e cria uma fiscaliza&ccedil;&atilde;o no setor, por meio da Ag&ecirc;ncia Nacional de Cinema (Ancine). <a href=\"http:\/\/www.camara.gov.br\/sileg\/integras\/723861.htm\" target=\"_blank\">Confira a vers&atilde;o aprovada<\/a> .<\/p>\n<p> A justificativa para a motiva&ccedil;&atilde;o original do projeto, a entrada das teles no mercado de TV paga, &eacute; criar competi&ccedil;&atilde;o e, com isso, baixar os pre&ccedil;os das assinaturas aos consumidores e aumentar a cobertura do servi&ccedil;o. Preocupa&ccedil;&atilde;o justific&aacute;vel, j&aacute; que atualmente apenas 7 milh&otilde;es de domic&iacute;lios brasileiros t&ecirc;m o servi&ccedil;o. Por&eacute;m, como boa parte dessas empresas s&atilde;o estrangeiras e o projeto, como j&aacute; dito, acabou regulando tamb&eacute;m a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do, o debate sobre o PL-29 acabou sendo pautado pela preocupa&ccedil;&atilde;o com a desnacionaliza&ccedil;&atilde;o do setor. <\/p>\n<p> O texto aprovado na CCTCI criou limites para atua&ccedil;&atilde;o das teles. Elas n&atilde;o podem, por exemplo, adquirir ou financiar a aquisi&ccedil;&atilde;o de direitos de explora&ccedil;&atilde;o de imagens de eventos de interesse nacional nem contratar talentos art&iacute;sticos nacionais de qualquer natureza, inclusive direitos sobre obras de autores nacionais. Ou seja: empresas operadoras de telefonia n&atilde;o podem atuar na produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do. Tamb&eacute;m est&aacute; presente no PL que um dos princ&iacute;pios da TV por assinatura &eacute; &ldquo;a promo&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua portuguesa e da cultura brasileira&rdquo;.<br \/> <strong><br \/> Incentivos<\/strong><\/p>\n<p> As &uacute;ltimas &ndash; e talvez maiores &ndash; diverg&ecirc;ncias entre os deputados foram resolvidas nessa quarta-feira (9), na sess&atilde;o da CCTCI. Uma delas era referente a cria&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica de cotas para produ&ccedil;&otilde;es brasileiras e independentes nos pacotes. O deputado Paulo Bornhausen foi a principal voz contr&aacute;ria &agrave; medida. &ldquo;O cidad&atilde;o vai pagar a conta sem pedir. Ele vai receber aquilo que n&atilde;o comprou. Isso vai impor um pacote que ele n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es de se livrar&rdquo;, disse ele, que caracterizou a proposta como ideol&oacute;gica. Seus argumentos, por&eacute;m, n&atilde;o foram convincentes e at&eacute; mesmo membros de partidos aliados ao Democratas votaram contra seu destaque.<\/p>\n<p> Ficaram, portanto, institu&iacute;das algumas formas de cotas. Nos canais de espa&ccedil;o qualificado (aqueles que exibem majoritariamente filmes, seriados, programas de audit&oacute;rio e teledramaturgia em hor&aacute;rio nobre), no m&iacute;nimo tr&ecirc;s horas e trinta minutos semanais dos conte&uacute;dos veiculados no hor&aacute;rio nobre dever&atilde;o ser brasileiros e integrar o espa&ccedil;o qualificado. A metade desta programa&ccedil;&atilde;o brasileira dever&aacute; ser produzida por produtora independente.<\/p>\n<p> Al&eacute;m disso, diz o texto do projeto, em todos os pacotes ofertados ao assinante, a cada tr&ecirc;s canais de espa&ccedil;o qualificado existentes, ao menos um dever&aacute; ser canal brasileiro configurado nessa mesma categoria. E dos canais brasileiros de espa&ccedil;o qualificado a serem veiculados nos pacotes, ao menos dois canais dever&atilde;o veicular, no m&iacute;nimo, 12 horas di&aacute;rias de conte&uacute;do audiovisual brasileiro produzido por produtora brasileira independente, tr&ecirc;s das quais em hor&aacute;rio nobre.<\/p>\n<p> Com o intuito de complementar as cotas, ficou aprovado que parte dos recursos do Fundo de Fiscaliza&ccedil;&atilde;o das Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Fistel) dever&aacute; ser investido no aumento da produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do nacional. Hoje, grande parte da receita do Fistel &eacute; usada para super&aacute;vit prim&aacute;rio. A proposta aprovada na CCTCI institui que parte da arrecada&ccedil;&atilde;o do Fistel ser&aacute; destinada para a Contribui&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento da Ind&uacute;stria Cinematogr&aacute;fica (Condecine), que j&aacute; existe.<\/p>\n<p> O texto aprovado tamb&eacute;m prop&otilde;e uma distribui&ccedil;&atilde;o regional da Condecine: no m&iacute;nimo, 30% do total de recursos dever&aacute; ser destinado &agrave; produtoras brasileiras das regi&otilde;es Norte, Nordeste e Centro-Oeste e no m&iacute;nimo, 10% dever&aacute; ser destinado ao fomento da produ&ccedil;&atilde;o audiovisual independente veiculado primeiramente em canais comunit&aacute;rios, universit&aacute;rios e de programadoras independentes. De acordo com levantamento feito pela assessoria parlamentar da C&acirc;mara em 2007, essa quantia total chegaria pr&oacute;ximo de R$ 340 milh&otilde;es ao ano. Apenas o deputado Paulo Bornhausen votou contra a proposta. <\/p>\n<p> A Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Produtoras Independentes (ABPI-TV) comemorou o texto que saiu da CCTCI. &ldquo;A regulamenta&ccedil;&atilde;o de um hor&aacute;rio para a produ&ccedil;&atilde;o independente nacional j&aacute; existe h&aacute; mais de 20 anos em praticamente todos os pa&iacute;ses da Europa e da Am&eacute;rica do Norte. As maiores produ&ccedil;&otilde;es mundiais foram realizadas por meio de produtoras independentes&rdquo;, disse a entidade, por meio de nota. <\/p>\n<p> Com um pouco menos de entusiasmo, Roger Madruga, diretor da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Produtores de Audiovisual (ABPA), tamb&eacute;m acredita que o projeto tem seus m&eacute;ritos. &ldquo;&Eacute; o que &eacute; mais poss&iacute;vel para viabilizar essa mudan&ccedil;a de paradigma na televis&atilde;o por assinatura, especialmente para a produ&ccedil;&atilde;o independente, que vai ter um espa&ccedil;o que at&eacute; hoje n&atilde;o tinha garantido. Acho que o PL tem um posicionamento na quest&atilde;o do trip&eacute; fomento, cota e regula&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o foi o ideal, mas foi o poss&iacute;vel&rdquo;, avalia. <\/p>\n<p> <strong>Canais p&uacute;blicos<\/strong><\/p>\n<p> Outro conflito que s&oacute; terminou na &uacute;ltima sess&atilde;o da CCTCI foi em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; obrigatoriedade das operadoras de TV por assinatura distribu&iacute;rem os canais do &ldquo;campo p&uacute;blico&rdquo;, o chamado must carry. O deputado Sandes Jr. (PP-GO) prop&ocirc;s que as empresas fossem ressarcidas por isso, por meio de abatimento de seus impostos de renda. A vota&ccedil;&atilde;o ficou empatada e o destaque s&oacute; n&atilde;o foi aprovado porque o relator do substitutivo, Paulo Lustosa, teve o direito de decidir a quest&atilde;o. &ldquo;N&oacute;s estamos regulando uma autoriza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Gera custos, mas &eacute; justo para a sociedade cobrar delas [operadoras]&rdquo;, defendeu o parlamentar. <\/p>\n<p> Sendo assim, as prestadoras de servi&ccedil;o de acesso condicionado &ndash; ou seja, as empresas que distribuem o servi&ccedil;o de TV por assinatura, em qualquer suporte &ndash; dever&atilde;o disponibilizar em seus pacotes, sem custos adicionais para os consumidores, os canais da C&acirc;mara, do Senado, do Supremo Tribunal Federal, do Poder Executivo (dois), Educativo, Comunit&aacute;rio, da Cidadania, do legislativo local e universit&aacute;rio. <\/p>\n<p> <strong>Avalia&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p> O diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel, fez quest&atilde;o de elogiar o trabalho dos deputados pelo PL-29. Ele acredita que o projeto aponta para um futuro onde o servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o audiovisual de acesso condicionado poder&aacute; se universalizar, chegando a popula&ccedil;&atilde;o com pre&ccedil;os mais baixos, com qualidade melhor e privilegiando o conte&uacute;do e as empresas nacionais. &ldquo;O pa&iacute;s que tem um projeto de na&ccedil;&atilde;o, que deseja ter um futuro no cen&aacute;rio internacional precisa ser necessariamente um grande centro produtor de obras audiovisuais e cinematogr&aacute;ficas&rdquo;, afirmou Rangel. <\/p>\n<p> Embora tivesse sido contra a implanta&ccedil;&atilde;o das cotas, a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras de R&aacute;dio e Televis&atilde;o (Abert) n&atilde;o demonstrou reprova&ccedil;&atilde;o total ao projeto. A entidade considerou positiva para seus associados, por exemplo, a manuten&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do nas m&atilde;os de empresas brasileiras. A Abert tamb&eacute;m considerou positiva a possibilidade criada pelo texto de que as empresas de radiodifus&atilde;o atuem como programadores independentes, ou seja, que canais criados por estas empresas possam contar dentro das cotas de canais nacionais.<\/p>\n<p> A Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Programadores de TV por Assinatura (ABPTA), por sua vez, foi a &uacute;nica entidade a ser incisiva na demonstra&ccedil;&atilde;o de insatisfa&ccedil;&atilde;o com o PL-29.  A ABPTA ainda sustenta o site (www.liberdadenatv.com.br) contra, principalmente, a pol&iacute;tica de cotas que foi aprovada pelos deputados da CCTCI e criado quando o projeto come&ccedil;ou a tramitar com as propostas de incentivo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o nacional e independente. Ela justifica sua posi&ccedil;&atilde;o &ldquo;por defender a liberdade do consumidor de poder escolher que tipo de programa&ccedil;&atilde;o deseja adquirir&rdquo;. E ainda afirma que as medidas previstas no PL-29 s&atilde;o uma imposi&ccedil;&atilde;o com objetivo de reserva de mercado que poder&aacute; aumentar o valor mensal da assinatura. <\/p>\n<p> As diferentes avalia&ccedil;&otilde;es das associa&ccedil;&otilde;es empresariais, do campo social e do Poder P&uacute;blico mostram que o projeto conseguiu, pelo menos em parte, atender v&aacute;rias demandas espec&iacute;ficas. De certa forma, muitos consideram que ele est&aacute; melhor do que o texto original proposto por Bornhausen. &Eacute; o que pensa o professor de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Rio de Janeiro Marcos Dantas. Embora acredite, por exemplo, que o tempo destinado paras as cotas (3h30) seja pequeno, defende que o projeto conduzido por Lustosa avan&ccedil;a ao identificar os elementos da cadeia produtiva e trazer a Ancine para dentro do setor audiovisual em sentido ampliado e n&atilde;o mais apenas o cinema. &ldquo;&Eacute; importante assumir uma pol&iacute;tica de regulamenta&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m para o conte&uacute;do&rdquo;, destaca.<\/p>\n<p> O projeto ainda precisa passar pela Comiss&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a da C&acirc;mara. Depois de aprovado na CCJ, ele ainda ir&aacute; ser discutido pelos senadores. Se houver um acordo entre os partidos, ele pode ter sua tramita&ccedil;&atilde;o acelerada. Se isso n&atilde;o acontecer e ele for alterado no Senado, a C&acirc;mara ter&aacute; que analis&aacute;-lo novamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto que sai da comiss&atilde;o prev&ecirc; cotas para produ&ccedil;&atilde;o nacional e independente e permite que teles atuem na distribui&ccedil;&atilde;o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[556],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23719"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23719"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23719\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23719"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23719"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23719"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}