{"id":23709,"date":"2009-12-09T13:42:44","date_gmt":"2009-12-09T13:42:44","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23709"},"modified":"2014-09-07T02:59:10","modified_gmt":"2014-09-07T02:59:10","slug":"helio-costa-contemporiza-problemas-do-setor-das-comunicacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23709","title":{"rendered":"H\u00e9lio Costa contemporiza problemas do setor das comunica\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Exatamente uma semana antes da abertura da 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, que acontece no pr&oacute;ximo dia 14 em Bras&iacute;lia, o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, H&eacute;lio Costa, exp&ocirc;s a sua an&aacute;lise sobre a conjuntura das comunica&ccedil;&otilde;es no pa&iacute;s. Costa participou do programa de entrevistas da TV Cultura, Roda Viva, e falou de praticamente todos os temas sobre os quais o minist&eacute;rio tem sido cobrado publicamente. No geral, as respostas do ministro deixam claro as afinidades de Costa com a pauta do empresariado das comunica&ccedil;&otilde;es<\/p>\n<p>Em alguns casos, o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es fez declara&ccedil;&otilde;es que poderiam ser postas na boca de porta-vozes do setor empresarial. Por exemplo, o ministro classificou como &ldquo;relativamente pequena&rdquo; a quantidade de reclama&ccedil;&otilde;es de usu&aacute;rios de telecomunica&ccedil;&otilde;es quanto &agrave; qualidade dos servi&ccedil;os, tanto de telefonia quanto de internet. &ldquo;Tivemos 16 milh&otilde;es de reclama&ccedil;&otilde;es em 210 milh&otilde;es de linhas. Isso n&atilde;o &eacute; muito&rdquo;, afirmou. Em seguida, defendeu os problemas nas centrais de atendimento ao cliente, alvo da fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os de defesa do consumidor do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, que tem aplicado multas pesadas &agrave;s operadoras de telefonia: &ldquo;As empresas t&ecirc;m mais de 100 mil funcion&aacute;rios em call centers tentando receber as reclama&ccedil;&otilde;es. Mas n&atilde;o podemos querer que as empresas respondam em um minuto uma reclama&ccedil;&atilde;o e, em fun&ccedil;&atilde;o disso, at&eacute; levarem uma multa milion&aacute;ria&rdquo;. Ainda segundo o ministro, este &eacute; um problema mais presente nas operadoras de celular.<\/p>\n<p>O ministro tamb&eacute;m tentou contemporizar problemas recorrentemente denunciados e comprovados ao longo dos anos por pesquisadores e organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil. Declara&ccedil;&otilde;es como a de que ele n&atilde;o consegue achar nos arquivos do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es &ldquo;um pol&iacute;tico que seja integralmente &lsquo;dono&rsquo; de uma r&aacute;dio ou de uma TV&rdquo; e tamb&eacute;m que a Constituinte de 1988 todas as oportunidades para rever os crit&eacute;rios de concess&atilde;o, mas ela n&atilde;o quis discutir a quest&atilde;o da propriedade cruzada, soam at&eacute; estranhas vindas da maior autoridade do principal &oacute;rg&atilde;o regulador do setor.<\/p>\n<p><strong>Dois pesos e duas medidas<\/strong> <\/p>\n<p>Contrariando o que dizem os radiocomunicadores comunit&aacute;rios e tamb&eacute;m <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=21565\">informa&ccedil;&otilde;es do pr&oacute;prio minist&eacute;rio<\/a>  , que apontam a exist&ecirc;ncia de processos de legaliza&ccedil;&atilde;o de emissoras comunit&aacute;rias que h&aacute; dez aguardam por resposta, Costa afirmou que em 180 dias pode-se conseguir uma autoriza&ccedil;&atilde;o para colocar no ar uma r&aacute;dio comunit&aacute;ria. A afirma&ccedil;&atilde;o foi feita quando o ministro expunha as raz&otilde;es pelas quais ele &eacute; contr&aacute;rio &agrave; descriminaliza&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios &ldquo;piratas&quot;. Segundo ele, os grupos que colocam no ar r&aacute;dios sem autoriza&ccedil;&atilde;o agem de m&aacute; f&eacute;, j&aacute; que o prazo para a legaliza&ccedil;&atilde;o seria razo&aacute;vel.<\/p>\n<p>J&aacute; com rela&ccedil;&atilde;o ao projeto de lei de sua autoria que prop&otilde;e que as concess&otilde;es de r&aacute;dios com pot&ecirc;ncia de at&eacute; 50 KW e as de emissoras de TV que n&atilde;o s&atilde;o cabe&ccedil;as de rede possam ser repassadas a terceiros ou ter sua composi&ccedil;&atilde;o acion&aacute;ria modificada sem autoriza&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via do Poder Executivo e do Congresso, desde que n&atilde;o possuam acionista estrangeiro (PLS 222\/05), Costa falou que a proposta que fez, h&aacute; cinco anos, quando chegou ao Congresso, tinha por objetivo justamente resolver a quest&atilde;o da demora nos procedimentos no Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es &ndash; demora que, antes, ele havia negado existir na legaliza&ccedil;&atilde;o das emissoras comunit&aacute;rias. &ldquo;Tinha 40 mil processos para serem analisados. A sugest&atilde;o veio da&iacute;, para simplificar os procedimentos&quot;.<\/p>\n<p><strong>PNBL<\/strong><\/p>\n<p>Sobre a interioriza&ccedil;&atilde;o das telecomunica&ccedil;&otilde;es, respondendo a perguntas dos telespectadores, Costa afirmou que, at&eacute; o final deste ano, todos os munic&iacute;pios brasileiros dever&atilde;o ter cobertura de telefonia celular de segunda gera&ccedil;&atilde;o. O ministro reconheceu que os servi&ccedil;os tanto de telefonia como de acesso &agrave; internet ainda s&atilde;o muito caros. <\/p>\n<p>De novo, ao falar sobre os pre&ccedil;os, Costa escorregou para a posi&ccedil;&atilde;o de porta-voz dos empres&aacute;rios, dizendo que a quest&atilde;o tem de ser resolvida com desonera&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria. S&oacute; que, para o ministro, o problema &eacute; dos estados, que cobram ICMS muito alto.<\/p>\n<p>J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; internet, Costa disse que espera que o Plano Nacional de Banda Larga resolva a quest&atilde;o dos pre&ccedil;os. At&eacute; agora, a proposta defendida pelo Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es junto &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s propostas que est&atilde;o sendo feitas pelo Minist&eacute;rio do Planejamento, caminha justamente na linha proposta pelo empresariado, de desonera&ccedil;&atilde;o fiscal e investimento p&uacute;blico para garantir a expans&atilde;o das redes privadas.<\/p>\n<p>Ainda sobre o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), o ministro declarou que governo n&atilde;o tem a pretens&atilde;o de ser a &uacute;ltima milha na banda larga, ou seja, que ele n&atilde;o ser&aacute; prestador na ponta do servi&ccedil;o. &ldquo;Mas o governo quer garantir que as pequenas comunidades n&atilde;o fiquem desprovidas de banda larga. Os pequenos provedores, as empresas locais ser&atilde;o chamadas para participar&quot;, afirmou Costa. <\/p>\n<p>A declara&ccedil;&atilde;o do ministro tenta enviesar o debate sobre a formata&ccedil;&atilde;o do plano, j&aacute; que, na semana passada, o presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva declarou que n&atilde;o tem informa&ccedil;&otilde;es suficientes sobre as duas propostas de PNBL que existem dentro do governo e que, portanto, s&oacute; posteriormente se posicionaria sobre o assunto. <\/p>\n<p><strong>Confecom<\/strong><\/p>\n<p>Como n&atilde;o poderia deixar de ser, a Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom) foi uma das pautas recorrentes da entrevista. J&aacute; de in&iacute;cio, Costa lamentou mais uma vez publicamente o fato de a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras de R&aacute;dio e TV (Abert) e a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de TVs por Assinatura (ABTA), dentre outras representantes do setor empresarial, terem deixado a Comiss&atilde;o Organizadora da Confer&ecirc;ncia. Contudo, refor&ccedil;ou que isso n&atilde;o trouxe preju&iacute;zo &agrave; Confecom, pois a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifusores (Abra) conseguiu representar o setor em todo o pa&iacute;s, bem como a Telebrasil, cumpriu com esse papel tamb&eacute;m com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>O ministro pontuou ainda que a Abra &ndash; que re&uacute;ne os grupos Bandeirantes e RedeTV! &ndash; representa um segmento empresarial t&atilde;o importante quanto a Abert (Globo e Record), e que esta, por sua vez, perdeu a oportunidade de participar. &ldquo;Nada podemos fazer quando oferecemos a uma entidade a oportunidade de participar e ela n&atilde;o quer participar. Foi o que aconteceu com a Abert e com a ABTA&rdquo;, disse. <\/p>\n<p>Ao falar sobre a sa&iacute;da da ABTA, Costa deixou transparecer o que o minist&eacute;rio aposta como a t&ocirc;nica da Confecom: um ambiente de negocia&ccedil;&atilde;o sobre algumas quest&otilde;es importantes para o setor privado.  &ldquo;A ABTA talvez [tenha sa&iacute;do] porque soubesse que estar&iacute;amos votando o PL-29 antes da Confecom. Talvez por isso ela tenha tido mais tranq&uuml;ilidade, porque o novo marco regulat&oacute;rio para o setor de TV por assinatura deve ser votado antes da Confecom&rdquo;, disse o ministro.<\/p>\n<p>Sobre um dos pontos mais pol&ecirc;micos das discuss&otilde;es esperadas para a Confecom, que &eacute; o controle social dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, Costa fez coro com os interesses empresariais e falou que esta era &ldquo;uma das discuss&otilde;es mais temerosas&rdquo; que surgiram ao longo do processo de convoca&ccedil;&atilde;o da confer&ecirc;ncia. Para o Ministro, &eacute; preciso evitar qualquer mudan&ccedil;a nas comunica&ccedil;&otilde;es brasileiras que leve a qualquer procedimento parecido com o de outros pa&iacute;ses da Am&eacute;rica do Sul. Segundo ele, existem setores dentro do Congresso que querem controle social da m&iacute;dia, e at&eacute; provocam essa discuss&atilde;o, fazem projetos de lei, mas para Confecom, Costa acredita em um certo &ldquo;acordo de cavalheiros&rdquo; entre as partes, na hora do voto &#8211; com 40% de votos dos empres&aacute;rios, 40% de votos das entidades sociais e 20% de votos do Poder P&uacute;blico &#8211; vai garantir que n&atilde;o seja discutido o controle social da m&iacute;dia. &ldquo;Pelo menos do ponto de vista do governo, n&atilde;o vamos levantar essa quest&atilde;o&rdquo;, garante o ministro.<\/p>\n<p>Ainda sobre as propostas que o Governo Federal defender&aacute; na Confecom, o ministro foi categ&oacute;rico ao dizer que as propostas apresentadas no site da confer&ecirc;ncia e saudada por parte da sociedade civil n&atilde;o empresarial, n&atilde;o representam as propostas do governo como um todo, mas apenas de setores do governo. Ou seja, novamente, como na discuss&atilde;o do Plano Nacional de Banda Larga, o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es deixa claro que n&atilde;o assume pautas nem propostas vindas de outros minist&eacute;rios e que possam interferir nos rumos da concerta&ccedil;&atilde;o entre o &oacute;rg&atilde;o e o empresariado.<\/p>\n<p>H&eacute;lio Costa falou ainda que espera da confer&ecirc;ncia resolu&ccedil;&otilde;es sobre a subloca&ccedil;&atilde;o da grade de programa&ccedil;&atilde;o das emissoras, o que, para ele, vem acontecendo muito com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; conte&uacute;dos religiosos. Costa admitiu que &eacute; uma quest&atilde;o delicada e informou que o minist&eacute;rio est&aacute; tentando coibir os excessos &ldquo;com multas quase di&aacute;rias&rdquo;. O ministro, entretanto, afirmou que n&atilde;o considera a subloca&ccedil;&atilde;o das programa&ccedil;&otilde;es &ndash; mesmo entendendo que as emissoras t&ecirc;m obrigatoriedade de cumprir com uma grade de programa&ccedil;&atilde;o &ndash; uma infra&ccedil;&atilde;o grave a ponto de acarretar na perda da concess&atilde;o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No programa Roda Viva, ministro diz que problemas nos servi&ccedil;os de telefonia &#39;s&atilde;o poucos&#39; e que n&atilde;o h&aacute; pol&iacute;ticos donos de emissoras de r&aacute;dio e TV<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1181],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23709"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23709"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23709\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28069,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23709\/revisions\/28069"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23709"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23709"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23709"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}