{"id":23703,"date":"2009-12-08T13:48:26","date_gmt":"2009-12-08T13:48:26","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23703"},"modified":"2009-12-08T13:48:26","modified_gmt":"2009-12-08T13:48:26","slug":"quem-assiste-gosta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23703","title":{"rendered":"Quem assiste gosta!"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Gosto do primeiro s&aacute;bado do m&ecirc;s. &Eacute; quando escrevo este artigo para o Correio Braziliense, reencontrando leitores e interlocutores, comentando ora os temas da agenda social, ora o meu tema preferido: as comunica&ccedil;&otilde;es no contexto planet&aacute;rio e a situa&ccedil;&atilde;o delas no Brasil. Abordo hoje dois aspectos: os dois anos de implanta&ccedil;&atilde;o da TV P&uacute;blica e a Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, que acontece entre os dias 14 e 17 pr&oacute;ximos.<\/p>\n<p>A Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC) foi criada em outubro de 2007 e, logo depois, em 2 de dezembro, entrava no ar a TV Brasil, a nossa TV P&uacute;blica que devia ter sido criada h&aacute; 50 anos, como as da Europa. Mas preferimos copiar os EUA e nossa televis&atilde;o j&aacute; nasceu comercial e reinou sozinha pelas d&eacute;cadas seguintes. Claro que a TV comercial tem sido exitosa no Brasil, dentro de sua natureza. Mas a seu lado deve existir a TV Publica, da sociedade e n&atilde;o do governo, para oferecer o que a l&oacute;gica programa&ccedil;&atilde;o-audi&ecirc;ncia-publicidade-lucro n&atilde;o permite &agrave; TV comercial. &Eacute; isso que vem fazendo a TV Brasil. E quem assiste, gosta, constatou pesquisa do Instituto Datafolha: 80% dos que assistem aprovam a programa&ccedil;&atilde;o. Quem n&atilde;o assiste, joga pedras.<\/p>\n<p>Falemos dos portadores de defici&ecirc;ncias &mdash; sensorial, f&iacute;sica ou intelectual. S&atilde;o quase 20 milh&otilde;es de brasileiros. Na TV Brasil temos o Jornal Visual, um notici&aacute;rio exclusivo para os que n&atilde;o ouvem. Temos o Programa Especial, que discute com os pr&oacute;prios deficientes, fam&iacute;lias e especialistas as formas de conv&iacute;vio, as novidades m&eacute;dicas e o enfrentamento do preconceito. Temos o Assim Vivemos, bel&iacute;ssimos document&aacute;rios sobre experi&ecirc;ncias de supera&ccedil;&atilde;o. O tema aparece em outros programas. H&aacute; alguns dias Papo de M&atilde;e &mdash; programa em que Maria Kotscho e Renata Manreza tratam da cria&ccedil;&atilde;o de filhos &mdash; discutiu com profundidade e propriedade o tema da s&iacute;ndrome de Down. Ainda est&atilde;o chegando e-mails de pais agradecidos.<\/p>\n<p>Vamos a outros temas. S&oacute; na TV Brasil h&aacute; um programa semanal de musica erudita. Um elitismo? Seria, se n&atilde;o houvesse na mesma grade uma vasta oferta de programas musicais, valorizando todos os g&ecirc;neros populares. Samba na Gamboa, com Diogo Nogueira, &eacute; um sucesso que tem atra&iacute;do os mais jovens, distanciados do g&ecirc;nero musical que melhor expressa nossa s&iacute;ntese cultural. Temos ainda o Segue o Som, a Bossa Sempre Nova, o Clube do Choro, gravado em Bras&iacute;lia, o Som na Rural, feito no Nordeste, entre outros t&iacute;tulos.<\/p>\n<p>Em todo o mundo, a TV Publica define como sua miss&atilde;o contribuir para a forma&ccedil;&atilde;o do cidad&atilde;o. Mas o cidad&atilde;o come&ccedil;a a ser formado na inf&acirc;ncia. Por isso a TV Brasil oferece seis horas di&aacute;rias de programa&ccedil;&atilde;o infantil da melhor qualidade. Alguns programas internacionais (sim, valorizamos o nacional sem ignorar o que h&aacute; de bom l&aacute; fora), que s&oacute; passam na TV por assinatura, s&atilde;o oferecidas aos sem-cabo na TV P&uacute;blica. Poko e Sua Turma e Barney, por exemplo. Mas h&aacute; brasilidade tamb&eacute;m: O Menino Maluquinho e A Turma do Perer&ecirc;, produ&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias, o Castelo R&aacute;-Tim-Bum ou Vila S&eacute;samo, da TV Cultura.<\/p>\n<p>Jornalismo todas as TVs oferecem, dizem os cr&iacute;ticos. Onde est&aacute; a diferen&ccedil;a na TV P&uacute;blica? Primeiro, pela inclus&atilde;o, na pauta, de temas que n&atilde;o frequentam a agenda ditada pela m&iacute;dia comercial. Depois, pela oferta de not&iacute;cias em todos os estados do Brasil, enviadas pelas emissoras educativas e universit&aacute;rias associadas. O Brasil n&atilde;o se resume aos esc&acirc;ndalos pol&iacute;ticos, &agrave;s decis&otilde;es pol&iacute;tico-governamentais de Bras&iacute;lia, ao notici&aacute;rio econ&ocirc;mico que emana sobretudo de S&atilde;o Paulo ou da ind&uacute;stria cultural que tem o Rio como capital. Os canais p&uacute;blicos devem expressar o Brasil vasto em profundo, no jornalismo e na programa&ccedil;&atilde;o cultural\/educativa. Eu daria outros exemplos, mas o espa&ccedil;o do artigo acabou.<\/p>\n<p>No dia 2, evocando os dois anos da TV Brasil, a EBC realizou semin&aacute;rio para dialogar com a sociedade sobre esses dois anos de implanta&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m da participa&ccedil;&atilde;o presencial, bastante representativa, foi grande a participa&ccedil;&atilde;o pela Internet, a partir de outros estados. Cr&iacute;ticos, apoiadores e mesmo curiosos puderam discutir a implanta&ccedil;&atilde;o do sistema p&uacute;blico de comunica&ccedil;&atilde;o (r&aacute;dio, TV e web). N&atilde;o h&aacute; mist&eacute;rio. Ele &eacute; atributo das democracias e, por isso, foi previsto pelos constituintes de 1988. Cr&iacute;ticos muito duros foram convidados e aparecer, surpresos pelo convite. Isso &eacute; novo, exige maturidade.<\/p>\n<p>Por fim, a confer&ecirc;ncia. O mundo, por v&aacute;rias raz&otilde;es, entre elas a revolu&ccedil;&atilde;o nas comunica&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o &eacute; o mesmo em que nascemos. N&atilde;o &eacute; sequer o de 10 anos atr&aacute;s. A regula&ccedil;&atilde;o do sistema brasileiro de comunica&ccedil;&otilde;es foi superada por essa revolu&ccedil;&atilde;o. Precisa ser passada a limpo pela Confecom, que come&ccedil;a no dia 14. Demoniz&aacute;-la, como fazem alguns, &eacute; compactuar com a situa&ccedil;&atilde;o atual, divorciada da nova realidade.<\/p>\n<p>*<\/span><em>Presidente da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Segundo pesquisa do Instituto Datafolha: 80% dos que assistem aprovam a programa&ccedil;&atilde;o da TV Brasil<br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[68],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23703"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23703"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23703\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23703"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23703"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23703"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}