{"id":23693,"date":"2009-12-07T17:36:26","date_gmt":"2009-12-07T17:36:26","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23693"},"modified":"2014-09-07T02:59:09","modified_gmt":"2014-09-07T02:59:09","slug":"publico-e-convidados-detalham-problemas-e-fazem-sugestoes-a-ebc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23693","title":{"rendered":"P\u00fablico e convidados detalham problemas e fazem sugest\u00f5es \u00e0 EBC"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\" align=\"left\">As contribui&ccedil;&otilde;es da sociedade civil ao semin&aacute;rio &ldquo;Em Constru&ccedil;&atilde;o &#8211; Encontro EBC: di&aacute;logos com a Sociedade&rdquo;, realizado no dia 2 em Bras&iacute;lia, foram o que se pode chamar de ponto alto de um encontro que pretendeu ouvir cr&iacute;ticas e fortalecer seu processo de intera&ccedil;&atilde;o com o p&uacute;blico. As contribui&ccedil;&otilde;es do p&uacute;blico presente e dos convidados da dire&ccedil;&atilde;o da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o foram desde reclama&ccedil;&otilde;es referentes &agrave; baixa qualidade do sinal das emissoras da empresa at&eacute; ao modelo de TV adotado pelo Brasil, que pode por em risco o futuro de uma TV p&uacute;blica aberta generalista, passando por cr&iacute;ticas aos &iacute;ndices de audi&ecirc;ncia e &agrave; falta de inova&ccedil;&atilde;o nos formatos e conte&uacute;dos das emissoras da EBC.<\/p>\n<p>O semin&aacute;rio organizado pela EBC focou, num primeiro momento, as quest&otilde;es relativas ao papel da estatal na constitui&ccedil;&atilde;o de um sistema p&uacute;blico, abrindo espa&ccedil;o para a vis&atilde;o da empresa e a vis&atilde;o da sociedade. A participa&ccedil;&atilde;o dos diretores da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o acabou ensejando uma esp&eacute;cie de balan&ccedil;o dos dois anos de sua exist&ecirc;ncia, mas o semin&aacute;rio tamb&eacute;m se deteve sobre quest&otilde;es espec&iacute;ficas como a opera&ccedil;&atilde;o em rede, o conte&uacute;do e a programa&ccedil;&atilde;o das m&iacute;dias p&uacute;blicas. Para compor as mesas em cada um dos temas, foram convidados representantes de entidades ligadas &agrave;s m&iacute;dias do campo p&uacute;blico, organiza&ccedil;&otilde;es relacionadas ao tema do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria e aos produtores independentes, al&eacute;m de pesquisadores e representantes do Conselho Curador e da Ouvidoria da EBC. Os usu&aacute;rios dos ve&iacute;culos da EBC, al&eacute;m de representados pelo p&uacute;blico presente &ndash; pequeno, considerando-se o ineditismo da iniciativa &ndash;, ganharam espa&ccedil;o na programa&ccedil;&atilde;o oficial com a participa&ccedil;&atilde;o de um &ldquo;ativo telespectador&rdquo; selecionado pela Ouvidoria. <\/p>\n<p>O primeiro a falar no espa&ccedil;o reservado &agrave; &ldquo;vis&atilde;o da sociedade&rdquo; foi o ouvidor da EBC, Laurindo Lalo Leal Filho, que falou das adversidades de se fazer comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica em um cen&aacute;rio bastante centrado nos meios privados. Ele tamb&eacute;m lembrou que, no Brasil, at&eacute; as medi&ccedil;&otilde;es de audi&ecirc;ncia e desempenho das empresas s&atilde;o cada vez menos confi&aacute;veis, e citou o caso da den&uacute;ncia feita pela Record contra as medi&ccedil;&otilde;es do Ibope. J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o aos trabalhos da Ouvidoria, lembrou que est&atilde;o dispon&iacute;veis na p&aacute;gina da EBC relat&oacute;rios bimestrais produzido por ela e que detalha todas as contribui&ccedil;&otilde;es recebidas.<\/p>\n<p>De antem&atilde;o, Lalo ressaltou que h&aacute; um grande n&uacute;mero de elogios &agrave; programa&ccedil;&atilde;o infantil da emissora, mas, em contrapartida, muitas cr&iacute;ticas foram feitas &agrave; mudan&ccedil;a de programa&ccedil;&atilde;o sem aviso pr&eacute;vio na grade da TV Brasil. &ldquo;Se a &aacute;gua ou a luz vai faltar e o gestor souber que &eacute; previs&iacute;vel, ele avisa &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. A mesma coisa deveria ter sido feita com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; programa&ccedil;&atilde;o da TV Brasil. Mudan&ccedil;as na TV p&uacute;blica devem ser avisadas com anteced&ecirc;ncia. &Eacute; um servi&ccedil;o p&uacute;blico, n&atilde;o pode ser diferente&rdquo;, enfatiza Lalo.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s as palavras do ouvidor, foi a vez de Diocl&eacute;cio Luz, indicado pela Ouvidoria pela sua ativa participa&ccedil;&atilde;o e contribui&ccedil;&atilde;o nos canais de di&aacute;logo, tecer seus coment&aacute;rios &agrave; programa&ccedil;&atilde;o das emissoras da empresa &agrave;s quais ele consegue ter acesso como morador de Sobradinho, cidade sat&eacute;lite de Bras&iacute;lia. Na plat&eacute;ia, cr&iacute;ticas ao sinal da TV Brasil e da R&aacute;dio Nacional j&aacute; haviam sido feitas, inclusive por moradores de Sobradinho. A quest&atilde;o levantada por estes participantes foi de que se nem nas cidades sat&eacute;lites o sinal era bom, qui&ccedil;&aacute; nos lugares mais long&iacute;nquos. <\/p>\n<p>Diocl&eacute;cio, entretanto, iniciou sua contribui&ccedil;&atilde;o falando do potencial das emissoras p&uacute;blicas para fazer um bom jornalismo para o pa&iacute;s. &ldquo;Essa coisa de ser chapa branca, eu acho que j&aacute; foi descartada&rdquo;, comentou, fazendo men&ccedil;&atilde;o &agrave;s cr&iacute;ticas recebidas pela EBC, especialmente por parte de colunistas de ve&iacute;culos da m&iacute;dia comercial. Ao longo de sua fala, Diocl&eacute;cio fez observa&ccedil;&otilde;es a todos os programas da grade da TV Brasil e tamb&eacute;m da R&aacute;dio Nacional. Quanto &agrave; programa&ccedil;&atilde;o desta &uacute;ltima, Diocl&eacute;cio fez quest&atilde;o de &ldquo;informar aos gestores&rdquo; que o Brasil tinha boas m&uacute;sicas modernas e que elas precisavam estar na programa&ccedil;&atilde;o. Aproveitou a oportunidade para falar tamb&eacute;m dos filmes brasileiros, constantemente reprisados pela TV Brasil.<\/p>\n<p>A cr&iacute;tica mais contundente feita pelo convidado foi &agrave; transmiss&atilde;o da missa aos domingos pela manh&atilde;. &ldquo;&Eacute; uma vergonha a EBC aceitar transmitir programas religioso. Se for para transmitir esse tipo de programa&ccedil;&atilde;o, que sejam chamadas tamb&eacute;m outras religi&otilde;es. Se &eacute; para ter um que tenha todos&rdquo;, disse Diocl&eacute;cio. Ele sugeriu tamb&eacute;m que temas pol&ecirc;micos como aborto e transg&ecirc;nicos, para dar exemplo, fossem tratados de forma mais cuidadosa e com a perspectiva mais explicativa aos telespectadores.<\/p>\n<p><strong>Conselho, crian&ccedil;as e linha editorial<\/strong><\/p>\n<p>Ap&oacute;s as contribui&ccedil;&otilde;es de Diocl&eacute;cio, que teve vis&iacute;vel apoio da plat&eacute;ia, Bia Barbosa, representante do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social apresentou as contribui&ccedil;&otilde;es do coletivo &agrave; EBC. Parte destas contribui&ccedil;&otilde;es j&aacute; havia sido apresentada publicamente durante audi&ecirc;ncia p&uacute;blica realizada pelo Conselho Curador da empresa [saiba mais].<\/p>\n<p>Segundo Bia, a linha editorial da empresa tem que ir al&eacute;m da jun&ccedil;&atilde;o de programa&ccedil;&otilde;es compartilhadas e ainda &eacute; preciso avan&ccedil;ar para trazer mais pluralidade e diversidade na programa&ccedil;&atilde;o de todos os ve&iacute;culos. Ela sublinhou, especificamente, da necessidade de se valorizar o recorte de g&ecirc;nero dentro da programa&ccedil;&atilde;o da EBC, ampliando a j&aacute; declarada sensibilidade &agrave; causa das mulheres.<\/p>\n<p>Para o Intervozes, a sociedade deve contribuir de forma mais efetiva com a programa&ccedil;&atilde;o das emissoras da empresa e deve ficar clara a linha editorial para quaisquer cidad&atilde;os ou cidad&atilde;s. Ainda na opini&atilde;o do coletivo, o Conselho Curador deve tamb&eacute;m se preocupar com quest&otilde;es que v&atilde;o al&eacute;m de ajustes na programa&ccedil;&atilde;o e no conte&uacute;do e al&eacute;m da TV Brasil. O financiamento e a gest&atilde;o da EBC devem estar na pauta do Conselho Curador tamb&eacute;m.<\/p>\n<p>Ao falar do conselho, Bia n&atilde;o perdeu a oportunidade de cobrar da inst&acirc;ncia um posicionamento dos atuais membros sobre o processo de elei&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;xima gest&atilde;o. &ldquo;O Intervozes sugere que essa elei&ccedil;&atilde;o seja feita de forma direta, com participa&ccedil;&atilde;o de toda sociedade&rdquo;, defendeu. &ldquo;&Eacute; importante frisar que o crit&eacute;rio de notoriedade usado pelo presidente da Rep&uacute;blica para escolha dos membros da sociedade civil no Conselho Curador n&atilde;o deu certo. Seis dos conselheiros indicados deixaram o cargo. Temos que pensar outra maneira que leve em conta o envolvimento da pessoa com a quest&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n<p>As cr&iacute;ticas feitas pela representante do F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC), Roseli Goffman foram com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; discuss&atilde;o da neutralidade na linha editorial. Roseli defende que a EBC adote outro crit&eacute;rio, &ldquo;visto que as pessoas s&atilde;o compostas de subjetividades e a neutralidade n&atilde;o existe&rdquo;. &ldquo;Eu espero que a emissora p&uacute;blica adote outro paradigma&rdquo;, comentou Roseli, que &eacute; membro do Conselho Federal de Psicologia.<\/p>\n<p>Roseli tamb&eacute;m mostrou-se preocupada com a programa&ccedil;&atilde;o infantil, principalmente da TV Brasil. Segundo a psic&oacute;loga, outros modelos devem ser pensados para atrair a aten&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as, principalmente aquelas que est&atilde;o entre 6 e 9 anos que atualmente trocam a telinha pelos jogos de videogame. &ldquo;N&atilde;o podemos perder a oportunidade de fazer com que a programa&ccedil;&atilde;o para a crian&ccedil;a seja atrativa e interativa&rdquo;. <\/p>\n<p>Da Associa&ccedil;&atilde;o de Amigos da TV Brasil, representada por Beto Almeida, vieram sugest&otilde;es de maior cuidado com a linha editorial dos jornais. &ldquo;Hoje vimos a Tereza Cruvinel falar que nem os amigos, nem os inimigos da TV p&uacute;blica sabem os problemas pelos quais eles est&atilde;o passando, e isso &eacute; uma verdade&rdquo;, ponderou. &ldquo;Contudo, quest&otilde;es de cuidado com a linha editorial n&atilde;o depende necessariamente de estrutura e financiamento. Chamar um golpista de presidente em meio a um golpe pelo qual passava Honduras &eacute; um erro de postura. N&atilde;o porque o governo brasileiro teve essa posi&ccedil;&atilde;o, mas porque foi tamb&eacute;m a postura de diversos organismos internacionais&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Conte&uacute;do e programa&ccedil;&atilde;o acirram debate<\/strong><\/p>\n<p>J&aacute; no debate sobre conte&uacute;do e programa&ccedil;&atilde;o, o jornalista e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro Ant&ocirc;nio Brasil, conhecido como cr&iacute;tico ferrenho da TV Brasil, subiu o tom em suas falas. O ex-rep&oacute;rter e cinegrafista da Rede Globo iniciou sua fala expressando a surpresa em ter sido convidado pelos gestores da EBC, pois, segundo Brasil, todo mundo o conhece e sabe as cr&iacute;ticas que ele faz. <\/p>\n<p>Ant&ocirc;nio fez falas contundentes, causando vis&iacute;vel desconforto. Uma delas foi que se &ldquo;faltasse a TV p&uacute;blica ningu&eacute;m sentiria falta, mas que se uma novela sa&iacute;sse do ar todo mundo iria reclamar&rdquo;. A outra provoca&ccedil;&atilde;o do professor foi sobre a audi&ecirc;ncia: &ldquo;A TV comercial &eacute; aquela que a gente atira pedra, mas todo mundo assiste, e a TV p&uacute;blica &eacute; aquela que todo mundo elogia e ningu&eacute;m assiste. Parece uma coisa meio esquizofr&ecirc;nica.&rdquo;<\/p>\n<p>Da plat&eacute;ia, antigos gestores e defensores do sistema p&uacute;blico como o Jorge da Cunha Lima, membro do Conselho da Funda&ccedil;&atilde;o Padre Anchieta\/TV Cultura de S&atilde;o Paulo, e Orlando Guilhon, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o das  R&aacute;dios P&uacute;blicas do Brasil (Arpub) e superintendente de R&aacute;dios da EBC, questionaram as coloca&ccedil;&otilde;es de Ant&ocirc;nio. Ambos recha&ccedil;aram o crit&eacute;rio da audi&ecirc;ncia, que, segundo os gestores, n&atilde;o podem servir para a TV p&uacute;blica. <\/p>\n<p>Tet&ecirc; Moraes, da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Cineasta (ABRACI), que estava na mesa, tamb&eacute;m rebateu a compara&ccedil;&atilde;o da audi&ecirc;ncia das emissoras p&uacute;blicas com a das comerciais. &ldquo;N&atilde;o d&aacute; para comparar a capilaridade da audi&ecirc;ncia que a Globo tem, por exemplo, com a de uma TV em constru&ccedil;&atilde;o&rdquo;, pondera a cineasta, que defendeu que a constru&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico n&atilde;o se constr&oacute;i da noite para o dia e que a TV comercial tem o p&uacute;blico que tem porque foi a op&ccedil;&atilde;o ao longo de muitos anos.<\/p>\n<p>Jorge da Cunha Lima por sua vez defendeu que &ldquo;os gostos n&atilde;o v&ecirc;m da demanda e sim das ofertas&rdquo; e que, portanto, ainda &eacute; muito cedo para falar de uma pouca audi&ecirc;ncia. Entretanto, Cunha Lima tamb&eacute;m criticou a mediocridade da TV p&uacute;blica, que ele considerou como &ldquo;espantosa&rdquo;. <\/p>\n<p>Das contribui&ccedil;&otilde;es de Ant&ocirc;nio Brasil &#8211; que questionou ainda um poss&iacute;vel manique&iacute;smo entre &ldquo;os que defendem a TV p&uacute;blica que por ser p&uacute;blica &eacute; consq&uuml;entemente boa e os que defendem a TV comercial que, sendo assim, &eacute; conseq&uuml;entemente ruim&rdquo; -, a mais bem recebida pelos presentes foi a de que n&atilde;o tem havido inova&ccedil;&atilde;o e ousadia da TV p&uacute;blica. &ldquo;A emissora p&uacute;blica faz tudo menos inovar e isso era justamente o que ela teria condi&ccedil;&otilde;es de fazer por n&atilde;o depender da audi&ecirc;ncia&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Os desafios incluem a inova&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>A discuss&atilde;o da inova&ccedil;&atilde;o no conte&uacute;do sugere tamb&eacute;m uma discuss&atilde;o sobre a inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica que bate &agrave;s portas dos sistemas de comunica&ccedil;&atilde;o no mundo, comerciais ou p&uacute;blicos. Contudo, as m&iacute;dias consideradas p&uacute;blicas no Brasil sofrem mais por terem passado um longo per&iacute;odo de poucos investimentos, seja em pessoal ou em tecnologia. <\/p>\n<p>Para Gabriel Priolli, jornalista e especialista em TV p&uacute;blica, &ldquo;a m&iacute;dia p&uacute;blica, de modo geral, ainda est&aacute; no s&eacute;culo XX, quando n&atilde;o, ainda estamos no s&eacute;culo XIX. Estamos debatendo m&iacute;dias que em sua maioria s&atilde;o unidirecionadas, sem interatividade e por isso estamos perdendo at&eacute; a audi&ecirc;ncia infantil&rdquo;, questiona. <\/p>\n<p>Ainda em sua fala, Ant&ocirc;nio Brasil afirmou que a &ldquo;televis&atilde;o generalista aberta pode ser coisa do passado em um futuro relativamente breve&rdquo;. O professor da Universidade de Bras&iacute;lia e tamb&eacute;m Coordenador do Laborat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o (Lapcom), Murilo C&eacute;sar Ramos, tamb&eacute;m refletiu sobre esta quest&atilde;o do modelo da m&iacute;dia brasileira, ao qual deve estar subordinado todo o debate sobre a EBC.<\/p>\n<p>Ramos lembra que os Estado Unidos j&aacute; passa por uma crise muito grande no modelo de televis&atilde;o generalista. Como o Brasil herdou o modelo americano de comunica&ccedil;&atilde;o, centrado em um sistema predominantemente comercial, &eacute; capaz que esta crise tamb&eacute;m aqui chegue. &ldquo;H&aacute; uma tend&ecirc;ncia de segmenta&ccedil;&atilde;o e da&iacute; voc&ecirc; come&ccedil;a a ver o fim desse modelo generalista. Pode-se dizer que a Band, por exemplo, j&aacute; &eacute; quase uma tev&ecirc; segmentada&rdquo;, comenta Ramos.<\/p>\n<p>Contrariando esse modelo e, portanto, admitindo a comunica&ccedil;&atilde;o diferentemente de um mercado ao sabor das audi&ecirc;ncias, Ramos coloca que o modelo da televis&atilde;o aberta generalista, ao contr&aacute;rio, n&atilde;o &eacute; o paradigma na Europa, onde prevalece o conceito da Radiodifus&atilde;o de Servi&ccedil;o P&uacute;blico. &ldquo;O futuro da TV aberta vai depender da pol&iacute;tica pensada para TV p&uacute;blica nesse espa&ccedil;o. Um pa&iacute;s como o Brasil pode prescindir de uma TV generalista?&rdquo;, compra Ramos.<\/p>\n<p><strong>Novas pol&iacute;ticas e marco regulat&oacute;rio para comunica&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Para pensar uma nova normatiza&ccedil;&atilde;o para comunica&ccedil;&atilde;o, que se faz urgente diante de tantas inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas e, como tamb&eacute;m pontuou Ramos, da oportunidade da 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se pode deixar de incluir nas discuss&otilde;es o conceito de Radiodifus&atilde;o de Servi&ccedil;o P&uacute;blico. &ldquo;Na nova normatiza&ccedil;&atilde;o esse conceito tem que ser tratado com muito carinho. Eu entendo, por exemplo, que o 223 [Artigo 223 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal que trata sobre a complementaridade dos sistemas privado, p&uacute;blico e estatal de comunica&ccedil;&atilde;o] &eacute; uma armadilha. Mesmo a TV comercial, ela deve ser de servi&ccedil;o p&uacute;blico. Devemos colocar um elemento central nesse debate que &eacute; o de Radiodifus&atilde;o de Servi&ccedil;o P&uacute;blico, que &eacute; fundamental n&atilde;o s&oacute; para as [emissoras] p&uacute;blicas como para as comerciais&rdquo;, conclui Ramos.<\/p>\n<p>A necessidade de novas pol&iacute;ticas para as comunica&ccedil;&otilde;es &#8211; al&eacute;m do novo marco regulat&oacute;rio, que j&aacute; est&aacute; em andamento com a pr&oacute;pria cria&ccedil;&atilde;o da EBC &#8211; tamb&eacute;m foi assunto recorrente durante o semin&aacute;rio. O clamor por novas pol&iacute;ticas deixou claro tamb&eacute;m a necessidade de interface entre setores como comunica&ccedil;&atilde;o e cultura, por exemplo.<\/p>\n<p>A cineasta Tet&ecirc; Morais aproveitou para defender uma pol&iacute;tica de promo&ccedil;&atilde;o do audiovisual baseada no modelo europeu, no qual &eacute; comum co-produ&ccedil;&otilde;es das empresas p&uacute;blicas com produtores independentes. Para a representante da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Cineastas, deve haver pol&iacute;ticas mais incisivas de fomento &agrave; produ&ccedil;&atilde;o independente bem como a produ&ccedil;&atilde;o parceria entre cineastas a televis&atilde;o p&uacute;blica. <\/p>\n<p>Vale lembrar que na pr&oacute;xima semana, de 14 a 17, acontece em Bras&iacute;lia a 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o e mais uma vez quest&otilde;es relacionadas ao Sistema P&uacute;blico de Comunica&ccedil;&atilde;o brasileiro, bem como &agrave;s pol&iacute;ticas para setor ser&atilde;o debatidas. Desta vez, com um p&uacute;blico de mais de duas mil pessoas, das quais 1.684 s&atilde;o delegados representantes de todos os estados brasileiros.  <\/p>\n<p><span class=\"padrao\"><strong>VEJA TAMB&Eacute;M:<\/strong><br \/> <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=23691\">Semin&aacute;rio da EBC marca abertura do di&aacute;logo com a sociedade<\/a> <br \/><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=23692\"> Para diretores da EBC, at&eacute; agora tarefa foi &#39;arrumar a casa&#39;<\/a> <\/p>\n<p> <\/span> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da qualidade do sinal das emissoras &agrave;s quest&otilde;es do modelo de gest&atilde;o, muitos foram os temas trazidos ao debate no semin&aacute;rio &quot;Di&aacute;logos com a sociedade&quot;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[832],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23693"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23693"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23693\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28067,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23693\/revisions\/28067"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23693"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23693"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23693"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}