{"id":23682,"date":"2009-12-03T17:59:45","date_gmt":"2009-12-03T17:59:45","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23682"},"modified":"2009-12-03T17:59:45","modified_gmt":"2009-12-03T17:59:45","slug":"educacao-pelos-meios-de-comunicacao-forma-pessoas-altivas-e-mais-livres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23682","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o forma pessoas altivas e mais livres"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">Desde 1995, grupos de alunos de Escolas P&uacute;blicas Municipais de Vargem Grande Paulista, Sorocaba e Piedade, t&ecirc;m a oportunidade de se educar utilizando como ferramenta os meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Esta experi&ecirc;ncia &eacute; narrada pela coordenadora dos projetos R&aacute;dio-Escola e V&iacute;deo Escola, Gr&aacute;cia Lopes, no livro &quot;Educa&ccedil;&atilde;o pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o ou Produ&ccedil;&atilde;o coletiva de comunica&ccedil;&atilde;o, na perspectiva da educomunica&ccedil;&atilde;o&quot;. Lan&ccedil;ado em novembro, o livro &eacute; resultado da tese de doutorado de Gr&aacute;cia, que reflete sobre os 14 anos das iniciativas em educomunica&ccedil;&atilde;o nas escolas do interior paulista. <\/p>\n<p>Desde 2000, as crian&ccedil;as constroem coletivamente programas comunit&aacute;rios de r&aacute;dio e v&iacute;deo, com not&iacute;cias e assuntos de interesses locais sem que exista professor ou aluno, mas pessoas que se convocam pra fazer a tarefa, segundo as palavras da professora Gr&aacute;cia. Nestes processos de autoria, a capacidade de cria&ccedil;&atilde;o tem mais espa&ccedil;o, pois as pessoas &quot;conseguem entrar em contato consigo mesmas&quot;.<\/p>\n<p>Pouco tempo depois da estr&eacute;ia do primeiro grupo, Gr&aacute;cia percebeu alguns fen&ocirc;menos interessantes que diferenciavam aquelas crian&ccedil;as das demais, como a perda da inibi&ccedil;&atilde;o para falar em p&uacute;blico, seja qual fosse a composi&ccedil;&atilde;o da plat&eacute;ia e sobre qualquer assunto. As crian&ccedil;as que passaram pelos projetos, diz a professora, s&atilde;o mais altivas e seguras, por conhecerem seus direitos.<\/p>\n<p>Os projetos de r&aacute;dio e v&iacute;deo, autogeridos pelas crian&ccedil;as, as ensinam a se responsabilizar pelo que dizem e as deixam livres para que elas possam dizer mais. Nos programas de entrevistas, elas aprendem a questionar o que querem saber e n&atilde;o imitar perguntas &oacute;bvias e repetitivas &#8211; e o conhecimento, como ressalta Gr&aacute;cia, vem da d&uacute;vida. <\/p>\n<p>J&aacute; as experi&ecirc;ncias com v&iacute;deo t&ecirc;m efeitos sobre a auto-estima e promovem a autonomia. Ao verem a pr&oacute;pria imagem, as crian&ccedil;as mudam a postura para o que querem parecer, perdem a vergonha do corpo, sem ningu&eacute;m que lhes diga como devem se portar. Gr&aacute;cia diz que isso &eacute; uma conquista, pois o que se aprende, em geral, &eacute; ter vergonha do pr&oacute;prio corpo, sempre comparado aos das celebridades e aos modelos propagados pela m&iacute;dia.<\/p>\n<p><strong>Educa&ccedil;&atilde;o libert&aacute;ria<\/strong><\/p>\n<p>O tipo de educa&ccedil;&atilde;o evocada pelos projetos &eacute; a pedagogia libert&aacute;ria. Esta, segundo Gr&aacute;cia, &quot;leva ao fortalecimento da individualidade, que s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel com os outros&rdquo;. &ldquo;Individualismo &eacute; ego&iacute;smo. O grupo n&atilde;o anula o indiv&iacute;duo, e o indiv&iacute;duo se faz no grupo&rdquo;, reflete a educadora.<\/p>\n<p>A escolha da comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria n&atilde;o oficial tem um prop&oacute;sito: se diferenciar da m&iacute;dia comercial, &quot;que transforma a todos em consumidores&quot;. Esta comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o visa tirar partido em benef&iacute;cio de uma elite, n&atilde;o &eacute; lucrativa, &eacute; uma comunica&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o precisa pedir licen&ccedil;a para existir. &ldquo;Quem define os rumos &eacute; a pr&oacute;pria comunidade, n&atilde;o o governo, a diretora. Ningu&eacute;m al&eacute;m do pr&oacute;prio grupo.&rdquo;<\/p>\n<p>Por tudo isso, a proposta de educomunica&ccedil;&atilde;o incomoda porque o sistema n&atilde;o ag&uuml;enta pessoas aut&ocirc;nomas. Segundo Gr&aacute;cia, j&aacute; houve experi&ecirc;ncias de educa&ccedil;&atilde;o libert&aacute;ria no Brasil, &ldquo;mas n&atilde;o restaram nem os pr&eacute;dios, pois para o sistema &eacute; necess&aacute;rio uma educa&ccedil;&atilde;o que nos ensina a obedecer, acatar, consentir&rdquo;. &ldquo;No primeiro dia de aula da educa&ccedil;&atilde;o formal aprendemos a fazer fila, olhar a nuca e seguir mansamente para o matadouro&rdquo;, lembrou a professora. Mesmo que incomode, eles n&atilde;o pretendem parar.<\/p>\n<p>Os educomunicadores n&atilde;o se definem como categoria profissional, por acharem que n&atilde;o s&oacute; especialistas tem direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. Lutam pela populariza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, que por princ&iacute;pio educomunicador deve ser feita por todo tipo de gente, mesmo analfabetas. O aprendizado com os meios de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; pronto, &eacute; um processo a longo prazo como todo processo de educa&ccedil;&atilde;o. &ldquo;E talvez por isso &eacute; t&atilde;o apaixonante&rdquo;, diz Gr&aacute;cia, emocionada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro relata os 14 anos de projetos de produ&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dio e v&iacute;deo em escolas do interior de S&atilde;o Paulo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[909],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23682"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23682"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23682\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23682"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23682"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23682"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}