{"id":23677,"date":"2009-12-02T16:37:29","date_gmt":"2009-12-02T16:37:29","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23677"},"modified":"2009-12-02T16:37:29","modified_gmt":"2009-12-02T16:37:29","slug":"a-agenda-popular-e-democratica-da-confecom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23677","title":{"rendered":"A agenda popular e democr\u00e1tica da Confecom"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">No &uacute;ltimo dia 22, chegou ao fim a maratona de realiza&ccedil;&atilde;o das etapas estaduais da 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom), que envolveu eventos em todas as 27 Unidades da Federa&ccedil;&atilde;o. Como n&atilde;o puderam votar propostas &ndash; limite imposto pela Resolu&ccedil;&atilde;o N&ordm; 8 da Comiss&atilde;o Organizadora Nacional &ndash;, estes eventos ficaram limitados &agrave; elei&ccedil;&atilde;o de delegados. Escolhidos os representantes dos tr&ecirc;s segmentos &agrave; etapa nacional, marcada para os dias 14 a 17 de dezembro em Bras&iacute;lia, as aten&ccedil;&otilde;es voltam-se agora &agrave; discuss&atilde;o sobre o conte&uacute;do das resolu&ccedil;&otilde;es que sair&atilde;o deste evento.<\/p>\n<p>O processo da Confer&ecirc;ncia n&atilde;o foi f&aacute;cil. Desde o seu in&iacute;cio, ele foi limitado e restringido por sucessivos regramentos definidos a partir dos condicionantes e amea&ccedil;as impostos pelo empresariado do setor. Isso resultou num privil&eacute;gio desmedido a este segmento, sustentado n&atilde;o apenas pelo governo federal mas como por parte das entidades da sociedade civil integrantes da Comiss&atilde;o Organizadora Nacional.<\/p>\n<p>A justificativa destas &uacute;ltimas para tal posicionamento se apoiava na avalia&ccedil;&atilde;o que, sem a presen&ccedil;a dos tr&ecirc;s setores, a Confecom corria riscos de n&atilde;o ser realizada ou fracassaria. Em uma conclus&atilde;o nossa a partir deste racioc&iacute;nio, feitas as concess&otilde;es necess&aacute;rias para que a Confecom fosse assegurada, n&atilde;o haveria mais a necessidade de limitar a estrat&eacute;gia de constru&ccedil;&atilde;o de uma agenda democr&aacute;tica e popular para as pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Independente das avalia&ccedil;&otilde;es sobre os caminhos tra&ccedil;ados at&eacute; agora, j&aacute; debatidas exaustivamente pelos v&aacute;rios atores envolvidos no processo, h&aacute; de se refor&ccedil;ar a import&acirc;ncia de uma estrat&eacute;gia no sentido do apontado no par&aacute;grafo anterior. A etapa nacional, depois de um dif&iacute;cil desenrolar, pode colocar a Confecom como ponto de virada na hist&oacute;ria das comunica&ccedil;&otilde;es brasileiras caso consiga aprovar uma agenda democr&aacute;tica e popular para o setor. <\/p>\n<p>O alcance deste objetivo demanda um grande esfor&ccedil;o por parte das entidades da sociedade civil e dos movimentos sociais. Em primeiro lugar, para conseguir consensuar uma plataforma comum a partir do rico conjunto de propostas apresentado por grupos como o F&oacute;rum Nacional pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC), o Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifus&atilde;o Comunit&aacute;ria (Abra&ccedil;o), a Central &Uacute;nica dos Trabalhadores (CUT), o Conselho Federal de Psicologia (CFP), o Partido Comunista do Brasil e a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Canais Comunit&aacute;rios (Abccom), al&eacute;m do movimento negro e de mulheres.<\/p>\n<p>Pelos debates realizados nas confer&ecirc;ncias estaduais, tal empreitada se mostra vi&aacute;vel. &Eacute; poss&iacute;vel arriscar que h&aacute; possibilidades de acordo em torno de um novo marco regulat&oacute;rio calcado em pontos como: (1) a constitui&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os reguladores abertos &agrave; participa&ccedil;&atilde;o da sociedade, (2) a forte limita&ccedil;&atilde;o da concentra&ccedil;&atilde;o de propriedade dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, (3) a amplia&ccedil;&atilde;o da transpar&ecirc;ncia e da participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o na concess&atilde;o e renova&ccedil;&atilde;o de outorgas, (4) o fortalecimento da m&iacute;dia p&uacute;blica e comunit&aacute;ria, (5) a prote&ccedil;&atilde;o do cont&eacute;udo nacional e a institui&ccedil;&atilde;o de cotas para estimular a produ&ccedil;&atilde;o regional e independente, (6) a democratiza&ccedil;&atilde;o das verbas oficiais de publicidade, (7) a implanta&ccedil;&atilde;o de mecanismos para coibir a representa&ccedil;&atilde;o distorcida e desequilibradas de segmentos minorizados e oprimidos, bem como para ampliar o espa&ccedil;o destes na m&iacute;dia, e (8) a promo&ccedil;&atilde;o, pelo Estado, de uma pol&iacute;tica que assegure o acesso dos brasileiros &agrave; internet em banda larga. <\/p>\n<p>&Eacute; preciso ainda ajustar, entre os diversos atores, as formas concretas que cada uma destas diretrizes assume. H&aacute; ainda id&eacute;ias diversas sobre a composi&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os reguladores, a caracteriza&ccedil;&atilde;o dos sistemas p&uacute;blico, privado e estatal, a compet&ecirc;ncia de munic&iacute;pios para outorgar autoriza&ccedil;&otilde;es de radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria, percentuais e destinat&aacute;rios alternativos da publicidade governamental, fontes de receita para os mecanismos de financiamento e forma da universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; banda larga. Estes desacordos, contudo, se mostram mais pontuais do que estruturais, o que abre caminho para uma extensa e qualificada pauta conjunta. Associa-se ao desafio do processo de s&iacute;ntese program&aacute;tica a necessidade de assegurar posturas de constru&ccedil;&atilde;o coletiva e respeito entre o conjunto deste segmento para que tal empreitada seja bem sucedida.<\/p>\n<p>Indo al&eacute;m dos muros da sociedade civil, faz-se necess&aacute;rio estabelecer uma interlocu&ccedil;&atilde;o com os representantes do poder p&uacute;blico, em especial com o governo federal, cujos delegados ser&atilde;o o &ldquo;fiel da balan&ccedil;a&rdquo;. A tomar pela divulga&ccedil;&atilde;o das propostas do Executivo Federal, h&aacute; brechas importantes para viabilizar tal movimento. Em diversos pontos, as elabora&ccedil;&otilde;es do promotor da Confecom se aproximam desta poss&iacute;vel plataforma comum dos movimentos sociais. <\/p>\n<p>No entanto, para que esta expectativa se concretize, deve haver disposi&ccedil;&atilde;o tanto por parte dos movimentos sociais quanto pelo governo federal para enfrentar as j&aacute; conhecidas resist&ecirc;ncias do setor empresarial, que n&atilde;o abre m&atilde;o dos privil&eacute;gios constitu&iacute;dos ao longo da Ditadura Militar e das duas gest&otilde;es de Fernando Henrique Cardoso. N&atilde;o haver&aacute; democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s sem mexer nas estruturas j&aacute; consolidadas do setor. Ter&atilde;o, a sociedade e os dirigentes do Executivo Federal, a oportunidade de iniciar a realiza&ccedil;&atilde;o de uma das principais tarefas hist&oacute;ricas ainda n&atilde;o assumidas por este governo.<\/p>\n<p><em>* Jonas Valente &eacute; jornalista e integrante do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, entidade que representa na Comiss&atilde;o Organizadora da 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o. Twitter: @jonasvalente<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estrat&eacute;gia agora &eacute; unificar uma plataforma comum &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es e movimentos sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[56],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23677"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23677"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23677\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}