{"id":23676,"date":"2009-12-02T15:58:45","date_gmt":"2009-12-02T15:58:45","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23676"},"modified":"2009-12-02T15:58:45","modified_gmt":"2009-12-02T15:58:45","slug":"banda-larga-publica-e-a-pauta-do-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23676","title":{"rendered":"\u201cBanda larga p\u00fablica \u00e9 a pauta do futuro\u201d"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Durante o 11&ordm; Simp&oacute;sio do ObservaNordeste, realizado no Recife de 25 a 27 de novembro, que tratou dentre outras coisas de m&iacute;dia, poder e democracia frente os desafios da 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom), o editor da Revista F&oacute;rum e tamb&eacute;m ativista da comunica&ccedil;&atilde;o livre Renato Rovai concedeu entrevista exclusiva ao <strong>Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o<\/strong>.<\/p>\n<p>Rovai, que como tantos outros atores que encamparam a disputa da comunica&ccedil;&atilde;o como um direito est&aacute; completamente envolvido na realiza&ccedil;&atilde;o da 1&ordf; Confecom, fala sobre o que ele acredita ser os principais desafios para garantir que as pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil trilhem o caminho da democratiza&ccedil;&atilde;o depois dessa confer&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>As v&eacute;speras da realiza&ccedil;&atilde;o do II F&oacute;rum de M&iacute;dia Livre, evento que tamb&eacute;m recebe intensa contribui&ccedil;&atilde;o de Rovai, o jornalista fala das principais bandeiras de luta para os &ldquo;midialivristas&rdquo;, defende a banda larga p&uacute;blica, a internet livre, a taxa&ccedil;&atilde;o da publicidade e a redefini&ccedil;&atilde;o dos crit&eacute;rios de concess&otilde;es. Prop&otilde;e, ainda, repensar a l&oacute;gica e o modelo de neg&oacute;cio que envolve a informa&ccedil;&atilde;o para superar o que ele chama de &ldquo;velha m&iacute;dia&rdquo;. <\/p>\n<p><strong>Voc&ecirc; falou durante a sua exposi&ccedil;&atilde;o no ObservaNordeste de uma velha m&iacute;dia que est&aacute; em crise. Como voc&ecirc; caracteriza essa velha m&iacute;dia e como voc&ecirc; caracteriza essa crise? E quais solu&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis?<br \/><\/strong>Essa velha m&iacute;dia que est&aacute; em crise, ao meu ver, &eacute; a m&iacute;dia que se organiza na l&oacute;gica dos antigos meios de comunica&ccedil;&atilde;o &ndash;  como TV, jornal, revista &ndash;, mas n&atilde;o &eacute; isso que as torna velha m&iacute;dia. O que torna essas m&iacute;dias velhas &eacute; porque elas est&atilde;o fundadas, alicer&ccedil;adas num modelo que para mim est&aacute; em crise, que &eacute; o modelo da l&oacute;gica comercial, das organiza&ccedil;&otilde;es verticais, dos grandes conglomerados, de tratar a informa&ccedil;&atilde;o como mercadoria. Isto &eacute; que torna esses ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o parte de uma velha m&iacute;dia. Existe uma nova m&iacute;dia em constru&ccedil;&atilde;o. Uma m&iacute;dia que tem se revelado muito mais ampla e democr&aacute;tica, que se constr&oacute;i a partir da diversidade, a partir do compartilhamento, na l&oacute;gica da gratuidade, inclusive da solidariedade, da contribui&ccedil;&atilde;o, do di&aacute;logo e da troca. Isso &eacute; o que caracteriza grande m&iacute;dia. Pode at&eacute; haver um protagonista principal, mas n&atilde;o &eacute; esse protagonista principal que o tempo todo pauta o debate. Em muitos momentos, na pr&aacute;tica do bloguismo, um coment&aacute;rio gera uma pauta. No di&aacute;logo, na troca que caracteriza a nova m&iacute;dia, h&aacute; participantes tamb&eacute;m que acabam se tornando blogueiros naquele processo. A nova m&iacute;dia &eacute; uma m&iacute;dia na qual aquela velha l&oacute;gica formal do emissor-receptor est&aacute; condenada a ser esvaziada. N&atilde;o &eacute; que n&atilde;o vai existir pessoas que se destacam. Isso vai existir, mas j&aacute; &eacute; um modelo diferente. Os jornalista considerados grandes comentaristas pol&iacute;ticos ou ent&atilde;o especializados dos chamados jornal&otilde;es, dos ve&iacute;culos tradicionais, essas pessoas n&atilde;o conseguiram, n&atilde;o foi imediatoelas montarem seu bolg e passarem a estarem em portais. Muitos deles sumiram, tentaram marchar nessa &aacute;rea, viram que n&atilde;o tinham condi&ccedil;&otilde;es de faz&ecirc;-lo porque est&atilde;o acostumados com o palanque nos quais eles falam sozinhos.<\/p>\n<p><strong>Qual a sa&iacute;da para esta nova m&iacute;dia superar a velha m&iacute;dia?<\/strong><br \/>A sa&iacute;da &eacute; impedir que a internet ou os novos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o sejam controlado. Isso vale para todas as novas tecnologias &ndash;  o celular, por exemplo, que vai se tornar mais convergente do que o computador &ndash;, mas falo a internet porque ela &eacute; a forma pela qual a informa&ccedil;&atilde;o chega ao celular. Temos que garantir que esse espa&ccedil;o se mantenha plural, que n&atilde;o seja interditado, que n&atilde;o exista controle. Por um lado &eacute; isso, e por outro lado &eacute; garantir que esse acesso chegue &agrave; casa do maior n&uacute;mero de pessoas, na casa de todos os cidad&atilde;os e que eles possam dispor da comunica&ccedil;&atilde;o como disp&otilde;em e tem acesso &agrave; &aacute;gua, &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o, &aacute; sa&uacute;de &ndash; ou como deveriam ter. &Eacute; a&iacute;, eu acho, que se realiza o direito humano &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. No momento em que essa pessoa tem isso ao dispor, n&atilde;o s&oacute; para ser receptor, mas para ser produtor de comunica&ccedil;&atilde;o. Voc&ecirc; vai ter linguagens que nunca tiveram espa&ccedil;o para reverberar podendo ter sua oportunidade. &Eacute; um espa&ccedil;o muito maior, que n&atilde;o tem restri&ccedil;&atilde;o. Da&iacute; vai ter o blog do menino da favela, da cozinheira, da pessoa que trabalha com a constru&ccedil;&atilde;o civil e fazendo suas coisas, mostrando suas est&oacute;rias. De certa forma, a gente j&aacute; v&ecirc; isso no <em>YouTube<\/em>. N&atilde;o necessariamente o v&iacute;deo que est&aacute; na imprensa &eacute; o v&iacute;deo mais acessado do <em>YouTube<\/em>. As vezes &eacute; at&eacute; o contr&aacute;rio: a m&iacute;dia tradicional &eacute; que vai dar destaque a v&iacute;deos que est&atilde;o no <em>YouTube<\/em>. <\/p>\n<p><strong>Ent&atilde;o, nessa l&oacute;gica, voc&ecirc; n&atilde;o veria como problem&aacute;tica, por exemplo, a medida que vem tomando grandes grupos como o News Corp., do magnata Rupert Murdoch, de restringir informa&ccedil;&otilde;es em sites de busca como o Google, medida esta que est&aacute; sendo seguida por outros grupos, inclusive aqui no Brasil&#8230;<\/strong><br \/>Olha, eu posso estar enganado, voc&ecirc; me cobre daqui um ano, mas eu acho que n&atilde;o vai dar em nada. &Eacute; imposs&iacute;vel restringir esse tipo de acesso. Isso me parece uma rea&ccedil;&atilde;o muito semelhante &agrave; rea&ccedil;&atilde;o do mercado fonogr&aacute;fico, que quis impedir a distribui&ccedil;&atilde;o de m&uacute;sicas. Ningu&eacute;m respeita isso. As pessoas pegam e j&aacute; baixam da internet e hoje ningu&eacute;m mais compra CD. T&aacute; uma crise no mercado porque eles trabalham com o direito do autor, que &eacute; uma l&oacute;gica tamb&eacute;m do velho mundo. O que &eacute; mais engra&ccedil;ado &eacute; que voc&ecirc; v&ecirc; gente de esquerda defendendo esses valores que s&atilde;o da orbita do capitalismo. Eles n&atilde;o est&atilde;o se dando conta de que est&atilde;o defendendo o que h&aacute; de mais essencial da din&acirc;mica capitalista, da l&oacute;gica da informa&ccedil;&atilde;o como mercadoria. Se voc&ecirc; quer exigir o cumprimento do direito autoral voc&ecirc; est&aacute; defendendo a l&oacute;gica capitalista da informa&ccedil;&atilde;o como mercadoria. Quando se diz &ldquo;isso aqui n&atilde;o pode ser compartilhado e deve ser vendido&rdquo;, refor&ccedil;a-se tamb&eacute;m essa l&oacute;gica. Eu entendo completamente a l&oacute;gica do Murdoch, ele est&aacute; querendo defender o seu neg&oacute;cio, mas em geral isso n&atilde;o deu certo at&eacute; hoje na internet. Pode at&eacute; dan&ccedil;ar o Google, como dan&ccedil;aram com alguns outros buscadores de m&uacute;sica. Mas o pessoal inventa outros dez no mesmo dia e resolve a quest&atilde;o. Eles v&atilde;o usar outros buscadores que n&atilde;o est&atilde;o impedidos de fazer aquilo e pronto. Eu duvido que d&ecirc; certo. Eles v&atilde;o ter que procurar outra estrat&eacute;gia, porque est&aacute; &oacute;bvio que n&atilde;o &eacute; assim que v&atilde;o resolver esse problema. <\/p>\n<p><strong>Para quem acompanha a &aacute;rea da comunica&ccedil;&atilde;o, est&aacute; posto que a blogosfera trouxe mudan&ccedil;a no acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. Contudo o acesso &agrave; internet ainda &eacute; muito limitado. Mas ser&aacute; que d&aacute; para falar de democracia com essa nova onda da blogosfera tendo a realidade indo pouco mais al&eacute;m da classe m&eacute;dia? <br \/><\/strong>Uma pesquisa recente, fetica em um universo de mais de duas mil pessoas, quase uma pesquisa presidencial, mostra que, ainda sendo pequeno o acesso, os blogs e sites de informa&ccedil;&atilde;o j&aacute; s&atilde;o a segunda maneira que as pessoas usam prioritariamente para se informar. Mesmo com restri&ccedil;&atilde;o ao acesso. Eu n&atilde;o estou dizendo que n&atilde;o &eacute; restrito, mas hoje, por exemplo, a minha m&atilde;e que tem 70 anos fica mais tempo na frente da internet do que da televis&atilde;o. Ela foi conquistada pela possibilidade de trocar. Ela descobriu que na rela&ccedil;&atilde;o com o computador ela n&atilde;o &eacute; s&oacute; passiva. Mesmo no &acirc;mbito das redes sociais&#8230; Tem uma coisa que as pessoas desprezam completamente que a necessidade das pessoas contarem suas est&oacute;rias pessoais. Algumas pessoas acham que tem que proibir o Orkut. Qual o problema de as pessoas estarem no Orkut? As pessoas est&atilde;o no Orkut e est&atilde;o criando suas redes. Para minha m&atilde;e &eacute; importante, por exemplo, falar da hist&oacute;ria da fam&iacute;lia dela e ela fica ali fazendo seu &aacute;lbum de fam&iacute;lia para deixar para o netos. O que tamb&eacute;m era feito um tempo atr&aacute;s, mas sem esse mecanismo das redes sociais, das fotos digitais. Os jovens usam para construir sua rede de relacionamento, para deixar recados, falar de suas vidas, para contar o que aconteceu ontem no barzinho, na festa. At&eacute; as redes sociais tem uma import&acirc;ncia muito grande da necessidade que as pessoas t&ecirc;m e falar sobre elas mesmas.  Se a pessoa &eacute; jovem, depois dos 20, se ela n&atilde;o tem acesso em casa, ela tem no trabalho. Se n&atilde;o tem no trabalho, tem na lanhouse no bairro, na escola, na faculdade. Em algum lugar, ela tem um lugar onde pode acessar informa&ccedil;&atilde;o, fazer seu curr&iacute;culo.<\/p>\n<p><strong>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; internet, a banda larga p&uacute;blica seria a solu&ccedil;&atilde;o?<br \/><\/strong>N&atilde;o tenho d&uacute;vida que seria. Hoje, voc&ecirc; tem banda larga em apenas 6% no Brasil. N&atilde;o &eacute; quase nada. Precisa ampliar. As pr&oacute;prias teles (empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es) colocam como um desafio ter 75% das fam&iacute;lias com acesso &agrave; internet at&eacute; 2014. Eles elencam uma s&eacute;rie de necessidades que teriam para executar esse plano. Eles mesmos reconhecem que &eacute; um n&uacute;mero rid&iacute;culo de pessoas no Brasil que t&ecirc;m esse acesso &agrave; internet r&aacute;pida. Sem falar que a banda larga no Brasil n&atilde;o &eacute; banda larga, &eacute; bandinha larga&#8230; Ela tem uma quantidade\/velocidade muito pequena com rela&ccedil;&atilde;o a outros pa&iacute;ses. Acho que tem que garantir que isso seja encarado como um direito para que haja tamb&eacute;m a necessidade de o Estado garantir a essa pessoas a dimens&atilde;o total desses direitos. <\/p>\n<p><strong>O F&oacute;rum de M&iacute;dia Livre est&aacute; para realizar a sua segunda edi&ccedil;&atilde;o no pr&oacute;ximo fim de semana (4 a 6 de dezembro, em Vit&oacute;ria). O que voc&ecirc;s pretendem discutir e quais as principais pautas do FML para defender na Confer&ecirc;ncia?<\/strong><br \/>Tem muitas pautas. Eu tenho muita dificuldade de pensar as coisas assim elencadas, porque cada comunidade, cada espa&ccedil;o tem as suas prioridades. Cada comunidade tem suas especificidades. Eu acredito que a gente tem que criar algumas propostas-chave e eu tenho defendido que seja a banda larga para todos, porque a banda larga para todos serve para a luta de todos, serve ao movimento de g&ecirc;nero, &agrave; quest&atilde;o racial, &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias. J&aacute; dei exemplo de como as r&aacute;dios comunit&aacute;rias podem usar isso para sair do isolamento como, por exemplo, ter um site para todas as r&aacute;dios comunit&aacute;rias do Brasil. Na qual as pessoas possam acessar e conhecer as r&aacute;dios comunit&aacute;rias das suas cidades. Para as TVs comunit&aacute;rias idem. A banda larga define essa dimens&atilde;o do &ldquo;para todos&rdquo;. Acho que &eacute; a &uacute;nica bandeira que deve ser encampada por todos. Acho que ela tem esse potencial. <\/p>\n<p><strong>A multiplica&ccedil;&atilde;o das demandas e das pautas n&atilde;o pode ser um problema?<\/strong><br \/>Com rela&ccedil;&atilde;o a isso, eu acho que o formato do F&oacute;rum Social Mundial &eacute; interessante. Porque todas as pautas s&atilde;o validadas, todas as lutas s&atilde;o validades, todos os processos s&atilde;o validados, mas alguns ganham, naturalmente, protagonismo maior. Se a gente tentar fazer consenso em uma s&oacute; pauta, vai dar um pau danado e n&atilde;o vai se chegar a lugar nenhum. Algumas pautas j&aacute; est&atilde;o tendo protagonismo, como por exemplo, a pauta das concess&otilde;es. Deve-se discutir como que o uso do espa&ccedil;o que &eacute; de todos seja mais p&uacute;blico e menos privado. Quando se fala de regula&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os de concess&otilde;es &eacute; para garantir que esses espa&ccedil;os fa&ccedil;am uma comunica&ccedil;&atilde;o de interesse p&uacute;blico maior. Essa j&aacute; &eacute; uma pauta que tem seu protagonismo. Tem pautas que v&atilde;o ter uma enorme solidariedade das pessoas da sociedade civil, que s&atilde;o as quest&otilde;es relacionadas &agrave;s r&aacute;dios comunit&aacute;rias, por exemplo. Eu costumo dizer que eles s&atilde;o o movimento sem terra da sociedade civil da comunica&ccedil;&atilde;o. Eles que est&atilde;o na ponta, lutando, batalhando e levando porrada. Hoje mesmo <em>(a entrevista foi realizada em 26\/11)<\/em>, o companheiro Jerry das r&aacute;dios comunit&aacute;rias de S&atilde;o Paulo est&aacute; sendo preso e Hortol&acirc;ndia. Tem um movimento na internet para soltar o Jerry. <em>(Jerry Alexandre &eacute; coordenador da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias em S&atilde;o Paulo e foi preso naquele dia com outros comunicadores comunit&aacute;rios pela Pol&iacute;cia Civil, que inclusive n&atilde;o tem prerrogativas para fazer este tipo de a&ccedil;&atilde;o.)<\/p>\n<p><\/em><strong>Mas o que voc&ecirc; acredita ser poss&iacute;vel ser constru&iacute;do um consenso e sair do papel depois dessa Confecom?<br \/><\/strong>&Eacute; poss&iacute;vel criar uma agenda positiva. Talvez o termo n&atilde;o seja o melhor. Com agenda positiva, eu s&oacute; consigo pensar em algo com a participa&ccedil;&atilde;o de todos os segmentos. O que d&aacute; para &ldquo;colar&rdquo; com esses segmentos que est&atilde;o na mesa? O que d&aacute; para ser consenso e sair como um discurso de todos? Porque o que sair assim o governo vai ser obrigado a encaminhar. Banda larga p&uacute;blica e gratuita n&atilde;o vai dar para ser um consenso, tem que ser uma pauta nossa de resist&ecirc;ncia, de luta. Eu fiz um debate com os empres&aacute;rios em S&atilde;o Paulo, durante a etapa estadual da Confecom l&aacute;, e eles topam a instala&ccedil;&atilde;o e amplia&ccedil;&atilde;o, por exemplo, do Conselho de Comunica&ccedil;&atilde;o Social em todos os n&iacute;veis. Eu acho que isso tem ser um consenso e sair quem sabe como grito de guerra dessa confer&ecirc;ncia. Se &eacute; consenso que o conselho tem que funcionar, o governo deve estar l&aacute; e garantir a instala&ccedil;&atilde;o do conselho para daqui a tr&ecirc;s semanas. Esses empres&aacute;rios que est&atilde;o ai s&atilde;o a favor da quebra do monop&oacute;lio, por exemplo, das tev&ecirc;s pagas, que &eacute; capitaneada pela TV Globo. Eles n&atilde;o v&ecirc;em problema nenhum, ao contr&aacute;rio, v&ecirc;em at&eacute; com bons olhos a quebra do monop&oacute;lio da distribui&ccedil;&atilde;o de peri&oacute;dicos no Brasil por parte da Editora Abril ou a democratiza&ccedil;&atilde;o das verbas da publicidade. Essa foi uma das pautas que a gente colocou na mesa e a Band j&aacute; falou que quer fazer esse debate e as teles s&atilde;o solid&aacute;rias. Voc&ecirc; imagina que voc&ecirc; usa o espa&ccedil;o p&uacute;blico concessionado pelo Estado e pela sociedade para fins comerciais sem pagar nada para a democratiza&ccedil;&atilde;o e diversifica&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es do seu pa&iacute;s! N&atilde;o te parece uma coisa meio estranha? Eu estou tirando proveito de algo que n&atilde;o &eacute; meu, que &eacute; um servi&ccedil;o p&uacute;blico e n&atilde;o estou dando nada em troca. &Eacute; preciso discutir isso tamb&eacute;m. Tem v&aacute;rias formas. Na Alemanha, por exemplo, parece que anualmente voc&ecirc; tem que entregar um planejamento de como o teu canal vai funcionar no ano seguinte para que seja liberada a explora&ccedil;&atilde;o daquele servi&ccedil;o. Isso &eacute; discutido dentro de um conselho e tal. Mas eu sei que nisso, por exemplo, tamb&eacute;m n&atilde;o vai haver consenso. Tem muitas pautas. Eu acho dif&iacute;cil a gente grifar algumas e tentar trabalhar s&oacute; com elas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Editor da Revista F&oacute;rum diz que &#39;velha m&iacute;dia&#39; est&aacute; fadada ao fracasso<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1173],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23676"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23676"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23676\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23676"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23676"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23676"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}