{"id":23666,"date":"2009-12-01T12:54:18","date_gmt":"2009-12-01T12:54:18","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23666"},"modified":"2009-12-01T12:54:18","modified_gmt":"2009-12-01T12:54:18","slug":"confecom-pauta-simposio-do-observanordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23666","title":{"rendered":"Confecom pauta simp\u00f3sio do ObservaNordeste"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t    <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\" align=\"left\">&ldquo;M&iacute;dia, pol&iacute;tica e democracia&rdquo; foi o tema do XI Simp&oacute;sio ObservaNordeste realizado no Recife nos &uacute;ltimos dias 25, 26 e 27, pela Funda&ccedil;&atilde;o Joaquim Nabuco, em parceria com os sindicatos dos Jornalistas, dos Radialistas e dos Publicit&aacute;rios de Pernambuco.  O evento, apesar da import&acirc;ncia do tema, teve um p&uacute;blico pequeno durante os tr&ecirc;s dias em que se discutiu as rela&ccedil;&otilde;es midi&aacute;ticas com o poder, bem como seus reflexos para a democracia. <\/p>\n<p>O Observat&oacute;rio Social do Nordeste (ObservaNordeste) &eacute; um f&oacute;rum permanente de acompanhamento, reflex&atilde;o e debates sobre a realidade social da regi&atilde;o nordeste. Apesar de estar voltado para uma regi&atilde;o do pa&iacute;s, segundo os organizadores, o observat&oacute;rio n&atilde;o tem seus debates comprometidos por uma distor&ccedil;&atilde;o &ldquo;regionalista&rdquo; ou estreita. Para tanto, as edi&ccedil;&otilde;es dos simp&oacute;sios contam tamb&eacute;m com participa&ccedil;&atilde;o de professores e pesquisadores de outros lugares do pa&iacute;s, a fim de enriquecer o debate mesmo quando presente a quest&atilde;o regional.<\/p>\n<p>O tema desta edi&ccedil;&atilde;o foi escolhido por conta da convoca&ccedil;&atilde;o da 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o. Foram convidados professores, pesquisadores, gestores de ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o e militantes da democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Estiveram presente, dentre outras personalidades, os professores Ven&iacute;cio Lima (UnB), Laurindo Lalo Leal Filho (USP), Michel Zaidan (UFPE) e Jos&eacute; Emanuel Evangelista (UFRN), os pesquisadores Sivaldo Pereira (Intervozes\/UFBA) e Rubens Figueiredo (Centro de Pesquisa e An&aacute;lise e de Comunica&ccedil;&atilde;o &#8211; CEPAC), al&eacute;m de gestores de ve&iacute;culos de m&iacute;dia como Beto Almeida (TeleSul), Indira Amaral (TV Aperip&ecirc;\/SE) e Luiz Louren&ccedil;o (TVU\/PE) e o editor da Revista F&oacute;rum, Renato Rovai.<\/p>\n<p><strong>Liberdade de Imprensa x Liberdade de Express&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>A abertura do evento foi feita por Ven&iacute;cio Lima com uma confer&ecirc;ncia que colocou em perspectiva a liberdade de express&atilde;o e a liberdade de imprensa. Segundo o pesquisador, uma das mais problem&aacute;ticas quest&otilde;es que envolve este tema &eacute; justamente a privatiza&ccedil;&atilde;o da liberdade de express&atilde;o promovida pelos concession&aacute;rios e propriet&aacute;rios de meios de comunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Os concession&aacute;rios de radiodifus&atilde;o aliados aos propriet&aacute;rios da m&iacute;dia imprensa conseguiram transformar seus interesses privados em &lsquo;liberdade de express&atilde;o&rsquo; e transformar qualquer questionamento a esta constru&ccedil;&atilde;o como recondutora da censura. Dessa forma eles impediram a exist&ecirc;ncia de um debate p&uacute;blico sobre o tema&rdquo;, afirmou Ven&iacute;cio.<\/p>\n<p>Ainda segundo o professor da UnB, sequer as universidades de comunica&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m nos seus curr&iacute;culos disciplinas voltadas para a tem&aacute;tica. Assim, pouco debatidos, os conceitos s&atilde;o facilmente assimilados da forma como s&atilde;o passados pela grande imprensa, ou seja, quase como sin&ocirc;nimos.<\/p>\n<p>Publicados h&aacute; poucos dias, os ac&oacute;rd&atilde;os de duas recentes decis&otilde;es do Supremo Tribunal Federal &ndash; uma sobre a derrubada total da Lei de Imprensa e a outra que torna legal o exerc&iacute;cio profissional do jornalismo sem ser necess&aacute;rio o diploma de forma&ccedil;&atilde;o superior &ndash; trazem, segundo Ven&iacute;cio, uma compreens&atilde;o totalmente distorcida da rela&ccedil;&atilde;o entre liberdade de express&atilde;o e liberdade de impress&atilde;o. <\/p>\n<p>Liberdade de imprensa e liberdade de express&atilde;o s&atilde;o duas coisas bem diferentes e que n&atilde;o podem nem devem ser confundidas, por mais que a grande imprensa tente fazer isso cotidianamente. A primeira &eacute; concedida a empresas e a segunda refere-se a um direito individual, um direito humano. Para haver de fato uma liberdade de express&atilde;o, esta deve ser garantida universalmente aos indiv&iacute;duos. J&aacute; a liberdade de imprensa, na forma como foi estruturada no Brasil, funciona como liberdade de empresa: tem sido usada para defender a vis&atilde;o dos donos dos ve&iacute;culos de m&iacute;dia e n&atilde;o necessariamente abarca a institui&ccedil;&atilde;o imprensa. <\/p>\n<p>Contrariando grande parte das teorias, mesmo as teorias liberais do &ldquo;livre fluxo das id&eacute;ias&rdquo;, o Supremo Tribunal Federal colocou nos referidos ac&oacute;rd&atilde;os a liberdade de imprensa como sendo superior &agrave; liberdade de express&atilde;o, o que para Ven&iacute;cio Lima representa uma vers&atilde;o equivocada do que significa garantir esses direitos.<\/p>\n<p><strong>M&iacute;dia e Poder Pol&iacute;tico<\/strong><\/p>\n<p>No dia seguinte, o debate foi dedicado ao tema &ldquo;M&iacute;dia e Poder Pol&iacute;tico&rdquo;. Laurindo Lalo Leal Filho, um dos expositores da mesa, lembrou que desde meados da d&eacute;cada de 70 a comunica&ccedil;&atilde;o adquiriu a l&oacute;gica de mercadoria e essa &eacute; a t&ocirc;nica que se tem at&eacute; hoje. Refor&ccedil;ou ainda que, no Brasil, com a redemocratiza&ccedil;&atilde;o e com a ascens&atilde;o do neoliberalismo, a id&eacute;ia da censura como algo ligado &agrave; ditadura legitimou a retirada do Estado das pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Elegeram o mercado como definidor das escolhas para as pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, denuncia.   <\/p>\n<p>A sa&iacute;da, para Lalo, est&aacute; na discuss&atilde;o de um novo marco regulat&oacute;rio. Estes debates devem ter como exemplo as mudan&ccedil;as nas pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o em curso na Am&eacute;rica Latina, que podem ser total ou parcialmente aplicadas no Brasil. Como exemplo o professor sugere um estudo da chamada &ldquo;Ley de Medios&rdquo; da Argentina, que revisa o marco legal dos servi&ccedil;os audiovisuais naquele pa&iacute;s, ou a Lei de Responsabilidade Social do R&aacute;dio e da TV (Resort) da Venezuela.<\/p>\n<p>J&aacute; o editor da Revista F&oacute;rum, Renato Rovai, aposta as fichas em  mudan&ccedil;as nas pol&iacute;ticas relativas &agrave;s novas tecnologias, incentivando novas m&iacute;dias. Para o tamb&eacute;m blogueiro Rovai, a palavra de ordem da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; &ldquo;Banda Larga P&uacute;blica e garantia de acesso &agrave; internet ao maior n&uacute;mero de pessoas, com neutralidade de rede&rdquo;. <\/p>\n<p>O blogueiro acredita que a &ldquo;velha m&iacute;dia&rdquo;, que ele diz ser toda aquela ligada a antiga l&oacute;gica de produ&ccedil;&atilde;o verticalizada e fechada do r&aacute;dio, da TV e dos jornais e revistas, est&aacute; fadada ao fracasso. A nova m&iacute;dia, pautada pela horizontalidade, pelo compartilhamento e pelo livre acesso, ser&aacute; a forma de comunica&ccedil;&atilde;o do futuro e as leis devem se preocupar com isso. <\/p>\n<p>Rovai deu exemplos de articula&ccedil;&otilde;es que aconteceram quase que exclusivamente pela internet como o 1&ordm; F&oacute;rum Social Mundial de Porto Alegre e a revolu&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena de Chiapas no M&eacute;xico em 1994, ainda no in&iacute;cio da rede. Com n&uacute;meros de uma recente pesquisa, Rovai lembrou que a internet &eacute; atualmente uma das principais fontes de informa&ccedil;&atilde;o do brasileiro e j&aacute; &eacute; a mais confi&aacute;vel.<\/p>\n<p>Sem discordar na ess&ecirc;ncia com Rovai com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s novas m&iacute;dias, Lalo acredita, contudo, que &eacute; imposs&iacute;vel discutir a era digital sem equalizar o d&eacute;ficit que existe com rela&ccedil;&atilde;o as pol&iacute;ticas de radiodifus&atilde;o, que como bem lembra o professor da USP, &eacute; normatizada por uma lei de 1962 que &ldquo;n&atilde;o legisla mais praticamente nada&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Experi&ecirc;ncias e desafios<\/strong> <\/p>\n<p>As demais mesas trataram de experi&ecirc;ncias de m&iacute;dia e suas interfaces com as rela&ccedil;&otilde;es de poder. A primeira delas foi dirigida &agrave;s quest&otilde;es relativas &agrave;s televis&otilde;es do campo p&uacute;blico, exposta por gestores como Beto Almeida, da TeleSul, Indira Amaral, da TV Aperip&ecirc;, educativa de Sergipe e Luiz Louren&ccedil;o, da TV Universit&aacute;ria de Pernambuco e pelo pesquisador Sivaldo Pereira, um dos autores do livro <a href=\"http:\/\/www.intervozes.org.br\/publicacoes\/livros\/sistemas-publicos-de-comunicacao-no-mundo-a-experiencia-de-doze-paises-e-o-caso-brasileiro-1\/\" target=\"_blank\">&ldquo;Sistemas P&uacute;blicos de Comunica&ccedil;&atilde;o no Mundo&rdquo;<\/a> , lan&ccedil;ado pelo Intervozes &#8211; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o no meio do ano.<\/p>\n<p>Ao final, a discuss&atilde;o foi sobre as experi&ecirc;ncias das etapas estaduais da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, tentando fazer um panorama das propostas que estar&atilde;o em Bras&iacute;lia nos pr&oacute;ximos dias 14 a 17 de dezembro. A mesa composta pela Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas, Intervozes e Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Radialistas fez um apanhado sobre as perspectivas e desafios para a Confecom.<\/p>\n<p>Todo o evento foi transmitido ao vivo pela internet e ter&aacute; uma vers&atilde;o editada dispon&iacute;vel para download na p&aacute;gina da <a href=\"http:\/\/www.fundaj.com.br\" target=\"_blank\">Funda&ccedil;&atilde;o Joaquim Nabuco<\/a> .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tema &#39;M&iacute;dia, pol&iacute;tica e democracia&#39; foi definido pelos organizadores dos debates em fun&ccedil;&atilde;o da realiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[981],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23666"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23666"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23666\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23666"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23666"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23666"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}