{"id":23633,"date":"2009-11-25T14:34:21","date_gmt":"2009-11-25T14:34:21","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23633"},"modified":"2009-11-25T14:34:21","modified_gmt":"2009-11-25T14:34:21","slug":"a-midia-e-um-dos-principais-reprodutores-da-logica-racista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23633","title":{"rendered":"&#8220;A m\u00eddia \u00e9 um dos principais reprodutores da l\u00f3gica racista&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">Formado em Comunica&ccedil;&atilde;o Social pela Universidade Cat&oacute;lica do Salvador (UCSAL) e especialista em Pol&iacute;tica e Estrat&eacute;gia pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Paulo Rog&eacute;rio Nunes &eacute; fundador e diretor-executivo do Instituto M&iacute;dia &Eacute;tnica. O instituto &eacute; uma das primeiras e principais refer&ecirc;ncias da discuss&atilde;o sobre a diversidade &eacute;tnica na m&iacute;dia do Brasil, pa&iacute;s que, como lembra Paulo Rog&eacute;rio, &eacute; composto por uma maioria afro-descendente esquecida pelo &ldquo;mercado&rdquo; e escondida pela m&iacute;dia.<\/p>\n<p>Paulo Rog&eacute;rio &eacute; tamb&eacute;m <em>fellow <\/em>da Ashoka Empreendedores Sociais, tendo seu trabalho reconhecido nacional e internacionalmente como militante do Movimento Negro e na luta pelo Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o. &Eacute; articulador do portal colaborativo www.correionago.com.br, gerenciado pelo Instituto M&iacute;dia &Eacute;tnica.<\/p>\n<p>&Agrave;s v&eacute;speras da 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, Paulo Rog&eacute;rio ajuda a articular o movimento &ldquo;Enegrecer a Confecom&rdquo;, que visa &ldquo;aprofundar a reflex&atilde;o sobre o combate ao racismo na m&iacute;dia&rdquo;. Nesta entrevista, ele enumera diversas medidas que acredita importante serem defendidas pelos movimentos negro e anti-racistas na Confecom, como a cria&ccedil;&atilde;o de um &oacute;rg&atilde;o que fiscalize a diversidade na m&iacute;dia e o estabelecimento de puni&ccedil;&otilde;es mais duras para os ve&iacute;culos que veiculem conte&uacute;do racista ou que desrespeitem a representa&ccedil;&atilde;o da diversidade da popula&ccedil;&atilde;o brasileira. <\/p>\n<p><strong>Atualmente, que avalia&ccedil;&atilde;o o senhor faz acerca da veicula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos racistas ou a viola&ccedil;&atilde;o ao direitos humanos de grupos &eacute;tnicos na TV, r&aacute;dio e imprensa brasileira? Algo melhorou desde a promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 ?<br \/><\/strong>Apesar dos avan&ccedil;os obtidos ap&oacute;s a promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o Cidad&atilde;, a imagem dos afro-brasileiros na m&iacute;dia ainda &eacute;, em geral, estereotipada ou  manchada de sangue. A contribui&ccedil;&atilde;o civilizat&oacute;ria dos africanos para o Brasil &eacute; constantemente negada, em nome de uma hipervaloriza&ccedil;&atilde;o da est&eacute;tica europ&eacute;ia. Ainda hoje, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI, somos representados como minoria &#8211; em um pa&iacute;s que, segundo o Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (Ipea), ter&aacute; maioria negra at&eacute; 2015. Nunca fomos e n&atilde;o seremos minoria no Brasil. Somente nos &uacute;ltimos anos que as ag&ecirc;ncias de publicidade come&ccedil;aram a perceber que existe um p&uacute;blico consumidor negro sub-representado nas campanhas publicit&aacute;rias e que &eacute; tolice n&atilde;o representar a diversidade &eacute;tnico-racial brasileira em seus an&uacute;ncios. Mas, ainda h&aacute; muito que se fazer na publicidade, no cinema e, sobretudo, no jornalismo. Na realidade, al&eacute;m de leis que co&iacute;bam o racismo na m&iacute;dia, precisamos trabalhar na forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais de comunica&ccedil;&atilde;o que est&atilde;o saindo das faculdades imbu&iacute;dos das premissas racistas que est&atilde;o arraigadas na cultura brasileira. &Eacute; preciso que os cursos de Comunica&ccedil;&atilde;o Social incorporem a quest&atilde;o racial como um debate necess&aacute;rio para a forma&ccedil;&atilde;o de comunic&oacute;logos. Sem essa forma&ccedil;&atilde;o educativa e sem uma legisla&ccedil;&atilde;o que seja incisiva na puni&ccedil;&atilde;o dos crimes de racismo na m&iacute;dia a popula&ccedil;&atilde;o negra do Brasil ainda sofrer&aacute; muitos anos por conta da invisibilidade e dos estere&oacute;tipos.  <\/p>\n<p><strong>Na sua opini&atilde;o, o movimento negro brasileiro tem debatido comunica&ccedil;&atilde;o e m&iacute;dia de forma devida ou ainda estaria pouco atento &agrave; esta dimens&atilde;o ? O que &eacute; preciso fazer para fortalecer este envolvimento?<br \/><\/strong>O Movimento Negro sempre discutiu comunica&ccedil;&atilde;o, pois sabemos que a m&iacute;dia &eacute; um dos principais setores reprodutores da l&oacute;gica racista. Se passarmos algumas horas monitorando os programas de televis&atilde;o, n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil encontrar insinua&ccedil;&otilde;es racistas sutis ou at&eacute; mesmo expl&iacute;citas. A quest&atilde;o &eacute; que a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; tradicionalmente uma &aacute;rea cercada por uma aura de glamour, com seus termos t&eacute;cnicos pouco acess&iacute;veis aos &ldquo;n&atilde;o iniciados&rdquo;. Esse car&aacute;ter herm&eacute;tico e &ldquo;sagrado&rdquo; da comunica&ccedil;&atilde;o afasta os movimentos sociais que terminam delegando aos seus assessores de imprensa (quando possuem) toda a reflex&atilde;o sobre comunica&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido poucos movimentos sociais incorporaram a discuss&atilde;o sobre comunica&ccedil;&atilde;o como uma agenda estrat&eacute;gica para alcan&ccedil;ar seus objetivos pol&iacute;ticos. &Eacute; por isso que o Movimento Negro possui historicamente uma baixa participa&ccedil;&atilde;o nas discuss&otilde;es sobre comunica&ccedil;&atilde;o o que n&atilde;o o difere de outros movimentos sociais. Mas esse quadro est&aacute; mudando, hoje v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es tradicionais do segmento negro est&atilde;o participando das discuss&otilde;es sobre a Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o e recentemente foi criada uma articula&ccedil;&atilde;o chamada &ldquo;Enegrecer a Confecom&rdquo;, com o objetivo de aprofundar a reflex&atilde;o sobre o combate ao racismo na m&iacute;dia. Participam dessa articula&ccedil;&atilde;o sindicatos de jornalistas, por meio de suas comiss&otilde;es por igualdade racial, organiza&ccedil;&otilde;es nacionais, ONGs e profissionais independentes de todo o pa&iacute;s. A id&eacute;ia &eacute; que antes da realiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia em dezembro tenhamos uma plataforma de propostas do movimento negro para serem discutidas e que ap&oacute;s a Confer&ecirc;ncia essa articula&ccedil;&atilde;o continue para monitorar a implementa&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de comunica&ccedil;&atilde;o e criar uma rede de coopera&ccedil;&atilde;o entre as entidades. <\/p>\n<p><strong>O sistema de cotas para grupos &eacute;tnicos historicamente oprimidos (como afro-descendentes) vem sendo adotado em diversas universidades brasileiras. Isso se tornou um s&iacute;mbolo das pol&iacute;ticas afirmativas no Brasil. Passado j&aacute; esta primeira fase, que avalia&ccedil;&atilde;o o senhor faz deste mecanismo, quais seriam hoje os seus efeitos reais?<\/strong><br \/>O sistema de cotas &eacute; apenas um bra&ccedil;o do que chamamos &ldquo;A&ccedil;&otilde;es Afirmativas&rdquo;. Apesar de tanta pol&ecirc;mica, o que mais interessa ao movimento negro e aos segmentos anti-racistas n&atilde;o &eacute; somente o acesso de jovens negros nas universidade, mas a perman&ecirc;ncia destes, a garantia que ter&atilde;o uma boa forma&ccedil;&atilde;o e, sobretudo, o acesso destes ao mercado de trabalho e\/ou p&oacute;s gradua&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, &eacute; preciso entender que ainda estamos lutando para garantir a primeira fase dessa batalha, o que significa que a sociedade brasileira &eacute; mais conservadora do que imagin&aacute;vamos. N&atilde;o &eacute; por acaso que grandes emissoras de TV, revistas de grandes circula&ccedil;&atilde;o e sites de prest&iacute;gio d&atilde;o tanto espa&ccedil;o para pretensos acad&ecirc;micos condenarem o sistema de cotas, e por conseq&uuml;&ecirc;ncia, toda e qualquer a&ccedil;&atilde;o reparat&oacute;ria para a popula&ccedil;&atilde;o afro-brasileira. J&aacute; foi provado que o sistema de cotas tem n&atilde;o somente o efeito pr&aacute;tico de garantir a eq&uuml;idade no processo seletivo do vestibular, mas que possui um efeito psicol&oacute;gico na vida de muitos jovens negros que acreditavam ser imposs&iacute;vel entrar nas universidades p&uacute;blicas sem ao menos tentar. Al&eacute;m disso, o acesso de afro-brasileiro ao ensino superior tem contribu&iacute;do para melhor diversificar o leque de produ&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas, pois estes jovens trazem a perspectivas de suas comunidades para a sala de aula, e por conseq&uuml;&ecirc;ncia, trazem novos olhares para a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica nacional. Por fim, podemos dizer que, assim como o enfrentamento ao grande latif&uacute;ndio midi&aacute;tico do Brasil, a quest&atilde;o da inclus&atilde;o dos negros nas universidades &eacute; um desafio muito grande que precisa ser enfrentado, a despeito da rea&ccedil;&atilde;o conservadores dos que querem a manuten&ccedil;&atilde;o do status quo e da supremacia da branquitude. <\/p>\n<p><strong>O senhor acredita que &eacute; necess&aacute;rio estabelecer cotas na programa&ccedil;&atilde;o do r&aacute;dio e da TV voltadas especificamente para veicular conte&uacute;do sobre as diversas culturas e etnias como os afro-descendentes ou povos ind&iacute;genas nativos ? Como garantir que essa diversidade seja constante na programa&ccedil;&atilde;o radiof&ocirc;nica e audiovisual?<br \/><\/strong>O Estatuto da Igualdade Racial &ndash; que tramita h&aacute; aproximadamente dez anos no Congresso Nacional &ndash; possu&iacute;a um cap&iacute;tulo de comunica&ccedil;&atilde;o, no qual exigia uma quantidade n&atilde;o inferior a 25% de atores negros nas produ&ccedil;&otilde;es audiovisuais. Infelizmente, assim como o cap&iacute;tulo que trata das terras quilombolas e o que prop&otilde;e a&ccedil;&otilde;es afirmativas na educa&ccedil;&atilde;o, a quest&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o foi retirada por press&atilde;o dos segmentos conservadores. Essa foi uma grande perda para o Movimento Negro no Brasil. Apesar disso, sabemos que, mesmo com a legisla&ccedil;&atilde;o coibindo a invisibilidade dos negros da m&iacute;dia, na pr&aacute;tica precisamos, com urg&ecirc;ncia, de discuss&atilde;o com os produtores de m&iacute;dia no sentido de convenc&ecirc;-los a mudarem pr&aacute;tica e valores. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel que nem mesmo a TV p&uacute;blica, conforme pesquisa do doutor Joel Zito Ara&uacute;jo, incorpore a quest&atilde;o da diversidade &eacute;tnico-racial como um valor. Os n&uacute;meros mostram que cerca de 90% dos apresentadores e jornalistas das TVs p&uacute;blicas s&atilde;o brancos. Espero que a Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o possa refletir sobre essa nega&ccedil;&atilde;o de nossa identidade e busque se espelhar em modelos j&aacute; adotados por outras sociedades multirraciais, como &eacute; o caso do Canad&aacute;, que possui uma ag&ecirc;ncia que monitora  a diversidade dos ve&iacute;culos; a &Aacute;frica do Sul que, depois do apartheid, entende a eq&uuml;idade racial como um princ&iacute;pio; e os Estados Unidos, que j&aacute; tem uma longa tradi&ccedil;&atilde;o de promover a igualdade racial na m&iacute;dia. Esses s&atilde;o modelos dispon&iacute;veis que precisam ser estudados. O mundo espera do Brasil uma resposta hist&oacute;rica no que diz respeito &agrave; inclus&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o negra. Todos os pa&iacute;ses que acabei de citar, por exemplo, j&aacute; elegeram chefes de estado negros, at&eacute; mesmo a &Aacute;frica do Sul que teve um regime considerado o mais racista do mundo.  O que estamos esperando?<\/p>\n<p><strong>Em muitos pa&iacute;ses onde existem sistemas p&uacute;blicos de comunica&ccedil;&atilde;o, h&aacute; canais especificamente voltados para veicula&ccedil;&atilde;o de programa&ccedil;&atilde;o de diferentes etnias ou culturas que constituem suas popula&ccedil;&otilde;es, como &eacute; o caso da Austr&aacute;lia (com a SBS). O senhor acha ben&eacute;fica a exist&ecirc;ncia desses canais espec&iacute;ficos ou acredita que tal especificidade &eacute; ruim por colocar tais culturas num patamar separado ?<br \/><\/strong>Seja qual for o modelo que adotemos, caso a eq&uuml;idade racial e de g&ecirc;nero se configure como um princ&iacute;pio inviol&aacute;vel estaremos no caminho certo. Penso que canais espec&iacute;ficos para grupos sociais e &eacute;tnico-raciais s&atilde;o importantes, pois concentram vozes que est&atilde;o na mesma sintonia. Gosto da id&eacute;ia de termos uma concess&atilde;o de TV para o Movimento Negro, como espero que tenhamos um canal espec&iacute;fico para o movimento LGBTT. N&atilde;o penso que um canal voltado para discutir as especificidades dos afro-brasileiros n&atilde;o ir&aacute; colocar a cultura negra em um patamar diferenciado, pois com a nova conjuntura de converg&ecirc;ncia de m&iacute;dias e a pr&oacute;pria TV Digital, a segmenta&ccedil;&atilde;o ser&aacute; quase uma imposi&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, o que pode ampliar o n&uacute;mero de vozes no debate p&uacute;blico. Por&eacute;m, mais que tudo, penso ser muito importante que nosso novo marco regulat&oacute;rio possa punir, inclusive com perda da concess&atilde;o, ve&iacute;culos que promovam o racismo em sua programa&ccedil;&atilde;o e que n&atilde;o possuam o n&uacute;mero de negros condizente com a realidade racial do pa&iacute;s. Al&eacute;m disso, n&atilde;o podemos pensar em igualdade racial na m&iacute;dia sem ter em mente que isso implica em repensar as pol&iacute;ticas de recursos humanos dessas empresas. Qual o motivo do jornalismo ser a profiss&atilde;o no Brasil com o menor n&uacute;mero de negros, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estat&iacute;stica (IBGE)? Portanto, penso que devemos ter um &oacute;rg&atilde;o fiscalizador da diversidade na m&iacute;dia como existe em alguns pa&iacute;ses. <\/p>\n<p><strong>Diante da 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, que acontecer&aacute; de 14 a 17 de dezembro neste ano em Bras&iacute;lia, o Instituto de M&iacute;dia &Eacute;tica tem propostas a apresentar? Poderia nos fazer uma s&iacute;ntese ou nos indicar as principais diretrizes para a rela&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel entre etnias, multiculturalismo e meios de comunica&ccedil;&atilde;o?<\/strong> <br \/>Estamos sistematizando e estudando uma s&eacute;rie de propostas elaboradas pelo Movimento Negro em f&oacute;runs, encontros e at&eacute; mesmo em outras confer&ecirc;ncias como a de Juventude e Igualdade Racial, nessa &uacute;ltima, por exemplo, criamos, em 2005, um Grupo de Trabalho que tinha como principal bandeira a necessidade da realiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o. Em geral nossas propostas s&atilde;o relacionadas ao fim da invisibilidade dos negros na m&iacute;dia, a cria&ccedil;&atilde;o de mecanismos para punir o racismo nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e a necessidade da apropria&ccedil;&atilde;o das tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o pela comunidade negra tendo como meta o fim do apartheid digital. A articula&ccedil;&atilde;o &ldquo;Enegrecer a Confecom&rdquo;  realizar&aacute; alguns encontros antes da  Confer&ecirc;ncia com objetivo de criar uma plataforma comum de propostas dos v&aacute;rios grupos e segmentos do Movimento Negro. N&oacute;s do Instituto M&iacute;dia &Eacute;tnica j&aacute; apresentamos algumas na Etapa baiana da Confecom. Em geral queremos a incorpora&ccedil;&atilde;o da diversidade &eacute;tnico racial em todas as pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o seja na produ&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o ou regula&ccedil;&atilde;o dos meios.<\/p>\n<p><strong>O senhor <\/strong><strong>foi eleito na etapa baiana da Confecom e estar&aacute; em Bras&iacute;lia como delegado pelo seu estado. No plano regional e nacional,o senhro acredita que esta primeira Confecom pode de fato mudar a comunica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s? Ou ter&aacute; efeitos limitados? Que saldo poderemos esperar ao fim deste processo?<\/strong><br \/>Estamos diante de um momento realmente hist&oacute;rico. N&oacute;s que militamos no Movimento pela Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o sonhamos h&aacute; anos por esse tipo de conjuntura, na qual de norte a sul do pa&iacute;s existem mobiliza&ccedil;&otilde;es em torno do tema. Isso por si s&oacute; j&aacute; seria um resultado positivo do processo das confer&ecirc;ncias estaduais. &Eacute; claro que isso &eacute; pouco, pois esperamos que a Confer&ecirc;ncia de Comunica&ccedil;&atilde;o possa dar as diretrizes pol&iacute;ticas para a comunica&ccedil;&atilde;o brasileira. &Eacute; claro que sabemos que existem limita&ccedil;&otilde;es objetivas, como o fato dessa mobiliza&ccedil;&atilde;o acontecer quando as primeiras luzes do governo come&ccedil;am a ser apagados e que n&atilde;o h&aacute; garantia, ao que parece, de que as propostas sejam implementadas. Mas creio que o efeito dessa discuss&atilde;o dentro dos movimentos sociais, ONGs, partidos pol&iacute;ticos e demais grupos de interesse possam gerar uma atmosfera de cobran&ccedil;a e mobiliza&ccedil;&atilde;o continuada. Al&eacute;m disso, creio que ser&aacute; dif&iacute;cil para os candidatos no pr&oacute;ximo ano n&atilde;o tocarem nas resolu&ccedil;&otilde;es que ser&atilde;o aprovadas na Confer&ecirc;ncia, o que significa que a discuss&atilde;o sobre comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ser&aacute; mais um tabu. Mas para que tudo aconte&ccedil;a, ser&aacute; necess&aacute;rio muita articula&ccedil;&atilde;o dos movimentos sociais e uma entendimento melhor sobre a conjuntura pol&iacute;tica na qual estamos inseridos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fundador do Instituto M&iacute;dia &Eacute;tnica defende &oacute;rg&atilde;o fiscalizador da diversidade na m&iacute;dia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[363,1155],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23633"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23633"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23633\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}