{"id":23629,"date":"2009-11-24T19:58:26","date_gmt":"2009-11-24T19:58:26","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23629"},"modified":"2009-11-24T19:58:26","modified_gmt":"2009-11-24T19:58:26","slug":"lula-quer-regular-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23629","title":{"rendered":"Lula quer regular internet"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Por determina&ccedil;&atilde;o do presidente Lula, a internet brasileira ter&aacute; um marco civil regulat&oacute;rio a partir do pr&oacute;ximo ano. O projeto, ainda em fase de discuss&atilde;o com a sociedade, deve originar uma legisla&ccedil;&atilde;o que preveja direitos e deveres dos internautas no uso dos meios digitais. A proposta aborta de vez a inten&ccedil;&atilde;o inicial do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a (MJ) de criar uma lei altamente restritiva para a internet.<\/p>\n<p>At&eacute; mar&ccedil;o deste ano, a Secretaria de Assuntos Legislativos do MJ trabalhava a minuta de um projeto que pretendia aumentar o rigor na identifica&ccedil;&atilde;o dos internautas, exigindo dos provedores de acesso dados como o n&uacute;mero do RG e o nome dos pais de quem est&aacute; atr&aacute;s do computador durante toda a navega&ccedil;&atilde;o. Como o Congresso em Foco mostrou em mar&ccedil;o, o objetivo, na &eacute;poca, era coibir a pr&aacute;tica de crimes na rede.<\/p>\n<p>A minuta do MJ foi considerado, na &eacute;poca, um retrocesso em rela&ccedil;&atilde;o ao Projeto de Lei 84\/99, elaborado pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Apelidado de &ldquo;AI 5 digital&rdquo;, a proposta do tucano tem enfrentado uma s&eacute;rie de resist&ecirc;ncias de membros da sociedade civil e at&eacute; mesmo dentro do parlamento. Aprovado no Senado, ele agora tramita na Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Informa&ccedil;&atilde;o (CTCI).<\/p>\n<p>&ldquo;A press&atilde;o popular gerou a demanda espec&iacute;fica do presidente Lula&rdquo;, afirmou o coordenador do projeto, Guilherme Alberto de Almeida, ao Congresso em Foco. Ele conta que a mobiliza&ccedil;&atilde;o contra o projeto de crimes na internet fez o Pal&aacute;cio do Planalto mudar sua vis&atilde;o sobre o tema. A tese de um marco civil era, at&eacute; ent&atilde;o, defendida especialmente por professores do curso de direito da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas (FGV).<\/p>\n<p>&ldquo;Estamos buscando contribui&ccedil;&otilde;es qualificadas&rdquo;, disse o professor de direito da FGV Ronaldo Lemos, &agrave; Ag&ecirc;ncia Estado. Ele explica que o pr&oacute;prio Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a moderar&aacute; a discuss&atilde;o. Podem participar pessoas f&iacute;sicas ou institui&ccedil;&otilde;es, que ter&atilde;o peso igual. &ldquo;Ganha o debate quem melhor expor sua opini&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n<p>Em 26 de junho, Lula j&aacute; havia dado a senha publicamente para a mudan&ccedil;a de rumo da pasta. Ao participar do 10&deg; F&oacute;rum Internacional Software Livre, em Porto Alegre (RS), o presidente afirmou que &ldquo;no governo dele &eacute; proibido proibir&rdquo;. Quando chegou ao local do encontro, Lula foi recebido por participantes do f&oacute;rum com uma faixa pedindo o veto ao substitutivo de Azeredo.<\/p>\n<p>&ldquo;Essa lei que est&aacute; a&iacute;, essa lei que est&aacute; a&iacute;, n&atilde;o visa corrigir abuso de internet. Ela, na verdade, quer fazer censura. O que n&oacute;s precisamos, quem sabe, &eacute; mudar o C&oacute;digo Civil, quem sabe seja mudar qualquer coisa. O que n&oacute;s precisamos &eacute; responsabilizar as pessoas que trabalham com a quest&atilde;o digital, com a internet. &Eacute; responsabilizar, mas n&atilde;o proibir ou condenar&rdquo;, disse Lula no F&oacute;rum.<\/p>\n<p>Em 29 de outubro, o MJ lan&ccedil;ou um blog para come&ccedil;ar a discuss&atilde;o sobre o tema. O debate ocorre tanto virtualmente, pela rede de computadores, quanto em reuni&otilde;es em diversas cidades. Na &uacute;ltima sexta-feira (20), por exemplo, parlamentares, professores e membros do Minist&eacute;rio P&uacute;blico discutiram a elabora&ccedil;&atilde;o da nova legisla&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Na consulta em S&atilde;o Paulo, estava toda a comunidade. Representantes dos minist&eacute;rios da Cultura e da Justi&ccedil;a discutiram os direitos do cidad&atilde;o na internet&rdquo;, afirmou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que participou do evento.<br \/><strong><br \/>Pol&ecirc;micas<\/strong><\/p>\n<p>Dois temas, at&eacute; agora, t&ecirc;m monopolizado o debate. A guarda dos logs &ndash; registros de entrada e sa&iacute;da dos usu&aacute;rios na rede &ndash;&nbsp; e o direito &agrave; privacidade s&atilde;o as quest&otilde;es mais sens&iacute;veis e que devem exigir muita conversa e negocia&ccedil;&atilde;o entre as partes. &ldquo;Nesse momento, queremos mais ouvir do que escrever&rdquo;, disse Guilherme Almeida.<\/p>\n<p>No projeto que tramita na C&acirc;mara e na proposta abortada pelo minist&eacute;rio, provedores seriam obrigados a guardar todos os registros de conex&atilde;o de seus usu&aacute;rios &ndash; h&oacute;r&aacute;rio de log on e log off &ndash; em seus arquivos. A do MJ ia al&eacute;m. Para combater pr&aacute;ticas criminosas na internet, a proposta era aumentar a vigil&acirc;ncia sobre os internautas.<\/p>\n<p>O coordenador do projeto adianta que a inten&ccedil;&atilde;o &eacute; enviar o texto ao Congresso at&eacute; mar&ccedil;o do ano que vem. Apesar de afirmar que a discuss&atilde;o vai ditar os prazos, trabalha com 17 de dezembro para encerrar a primeira fase de debates. Com o recesso de fim de ano, a ideia &eacute; elaborar uma minuta e coloca-la no blog para discuss&atilde;o em janeiro. Feitas novas sugest&otilde;es, a&iacute; sim ele estaria pronto para o debate final pelos parlamentares.<\/p>\n<p>Mas, enquanto o projeto n&atilde;o &eacute; enviado ao Congresso, o PL de Azeredo continua tramitando. Para o deputado Paulo Teixeira, &ldquo;ele j&aacute; caducou&rdquo;. &ldquo;Ele perdeu o timming pelo n&uacute;mero de mat&eacute;rias que ele quis incorporar. Acabou perdendo a for&ccedil;a&rdquo;, opinou.<\/p>\n<p>Mas ele adianta que pelo menos quatro artigos devem ser aproveitados por ele e pelo deputado Julio Semeghini (PSDB-SP), relator da mat&eacute;ria na CTCI. Entre eles, o roubo de senhas e a invas&atilde;o e destrui&ccedil;&atilde;o de redes internas. O que restou do projeto deve virar um projeto &agrave; parte.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, o governo ainda n&atilde;o decidiu como vai enviar o texto do marco civil para aprecia&ccedil;&atilde;o dos parlamentares. Existe a possibilidade de ser um projeto de lei do Executivo. Ou, at&eacute; mesmo, de a autoria ser compartilhada por Teixeira e Semeghini. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por determina&ccedil;&atilde;o do presidente Lula, a internet brasileira ter&aacute; um marco civil regulat&oacute;rio a partir do pr&oacute;ximo ano. O projeto, ainda em fase de discuss&atilde;o com a sociedade, deve originar uma legisla&ccedil;&atilde;o que preveja direitos e deveres dos internautas no uso dos meios digitais. 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