{"id":23601,"date":"2009-11-18T11:05:54","date_gmt":"2009-11-18T11:05:54","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23601"},"modified":"2009-11-18T11:05:54","modified_gmt":"2009-11-18T11:05:54","slug":"controle-social-e-direitos-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23601","title":{"rendered":"Controle social e direitos humanos"},"content":{"rendered":"<p>A realiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom) tem tudo para ser um divisor de &aacute;guas sobre essa coisa fugidia e, poucas vezes tocadas, que &eacute; o controle p&uacute;blico e social da comunica&ccedil;&atilde;o. Este &eacute; o debate essencial, central e inadi&aacute;vel.<\/p>\n<p>H&aacute; tempos queria adjetivar algo como essencial, como central, como inadi&aacute;vel. Essencial porque oferece um novo norte nas rela&ccedil;&otilde;es entre produtores e consumidores de informa&ccedil;&otilde;es, de not&iacute;cias. Central porque evita dispers&atilde;o para outros temas, tamb&eacute;m importantes, mas que sugam as energias da sociedade e s&atilde;o meras distra&ccedil;&otilde;es do que realmente importa. Inadi&aacute;vel porque o Brasil j&aacute; avan&ccedil;ou em muitas &aacute;reas.<\/p>\n<p>Vejamos: a popula&ccedil;&atilde;o de uma Col&ocirc;mbia saiu da pobreza no Brasil para a influente classe m&eacute;dia nos &uacute;ltimos seis anos; o rio S&atilde;o Francisco, n&atilde;o importando seu gigantismo, est&aacute; mudando seu curso para enterrar s&eacute;culos da famigerada ind&uacute;stria da seca (e pen&uacute;ria) a enfermar boa parte do Nordeste brasileiro; o Brasil h&aacute; quatro anos &eacute; auto-suficiente em petr&oacute;leo e descobriu h&aacute; poucos meses reservas de petr&oacute;leo no pr&eacute;-sal em quantidade e valor de mercado jamais imaginados.<\/p>\n<p>A par disso, o Brasil j&aacute; ocupa a quinta posi&ccedil;&atilde;o de maior mercado para carros no mundo e j&aacute; &eacute; percebido no exterior n&atilde;o como o &quot;eterno&quot; pa&iacute;s do futuro a rimar com o verso do Hino Nacional &ndash; j&aacute; t&atilde;o caricaturado &ndash; na famosa estrofe &quot;deitado eternamente em ber&ccedil;o espl&ecirc;ndido&quot;. Sediar a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e os Jogos Ol&iacute;mpicos de 2016, no Rio de Janeiro, aliados &agrave; multiplicidade de cadernos especiais e capas de jornais e revistas influentes mundo afora a gritar em v&aacute;rias l&iacute;nguas que agora &eacute; a vez do Brasil&#8230; virou lugar comum.<\/p>\n<p><strong>C&iacute;rculo virtuoso<\/strong><\/p>\n<p>Mas o que n&atilde;o avan&ccedil;amos &ndash; ou, se o fizemos, foi t&atilde;o timidamente &ndash; concerne ao direito dos brasileiros &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. O acesso &agrave;s not&iacute;cias e &agrave; produ&ccedil;&atilde;o das not&iacute;cias. Por que n&atilde;o? N&atilde;o avan&ccedil;amos, nem residualmente, na defini&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios legais para publicidade oficial, a fim de promover a pluralidade e diversidade de ve&iacute;culos e impedir seu uso pol&iacute;tico tanto por governos quanto por meios de comunica&ccedil;&atilde;o. E temos uma concentra&ccedil;&atilde;o monumental dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o &ndash; jornais, revistas, emissoras de r&aacute;dio e televis&atilde;o, televis&atilde;o a cabo, portais na internet &ndash; nas m&atilde;os uma meia d&uacute;zia de felizes empres&aacute;rios. Se essa meia d&uacute;zia de famosos sobrenomes se reunir em um restaurante de grife poder&iacute;amos dizer que ali estavam reunidos &quot;os donos da m&iacute;dia no Brasil&quot;.<\/p>\n<p>Como os rios correm sempre para o mar e n&atilde;o h&aacute; como deter essa inclina&ccedil;&atilde;o natural do mais alto seguir para o mais baixo, constatamos que menos de 10% das verbas de publicidade oficial s&atilde;o dirigidas a ve&iacute;culos de baixa circula&ccedil;&atilde;o, alternativos e livres. E, mesmo assim, os donos da m&iacute;dia n&atilde;o perdem a oportunidade para demonizar em seus editoriais e nas penas de aluguel mais vetustas os males de o governo fazer suas publica&ccedil;&otilde;es em jornais regionais ou locais, em emissoras de r&aacute;dio paroquiais, em jornais de 3.500 ou 6.000 leitores.<\/p>\n<p>&Eacute; um c&iacute;rculo vicioso que n&atilde;o demonstra qualquer tend&ecirc;ncia a um dia vir a ser um c&iacute;rculo virtuoso. E j&aacute; passa a pautar as novas m&iacute;dias, as digitais, aquelas antenadas com a tecnologia de ponta. Aquelas do futuro, hoje.<\/p>\n<p><strong>Aten&ccedil;&atilde;o da academia<br \/><\/strong><br \/>Menos de uma d&eacute;cada atr&aacute;s, em dezembro de 2000, o Brasil contava com 9,8 milh&otilde;es de usu&aacute;rios ativos na internet &ndash; de acordo com dados da Rede Nacional de Ensino Pesquisa (RNP), citando o Ibope eRatings e o servi&ccedil;o norte-americano Nielsen\/NetRatings &ndash;, dos quais 4,8 milh&otilde;es de usu&aacute;rios ativos (acessaram a internet pelo menos uma vez entre novembro e dezembro daquele ano).<\/p>\n<p>A escassez e o alto custo de linhas telef&ocirc;nicas fixas limitavam o acesso dos internautas. Atualmente o pa&iacute;s conta com 62,3 milh&otilde;es de internautas segundo o Ibope Nielsen Online. Os brasileiros representam 5% do total de internautas do planeta, que j&aacute; tem 1,6 bilh&atilde;o de pessoas conectadas. O pa&iacute;s supera o total de usu&aacute;rios de internet de todo o restante da Am&eacute;rica Latina somados. Os n&uacute;meros s&atilde;o da consultoria Everis, que, em parceria com a IESE Business School, da Universidade de Navarra, e com base em estat&iacute;sticas da Uni&atilde;o Internacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es, avaliou 44 pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>Neste sentido a Confer&ecirc;ncia de Comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; muito bem-vinda. Da&iacute; sua necessidade. &Eacute; preciso destravar o debate antes mesmo de ter sido iniciado. Os movimentos sociais precisam ser vistos como interlocutores dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o como meros coadjuvantes, mas sim como protagonistas que na verdade s&atilde;o &ndash; afinal, o maior tesouro de uma na&ccedil;&atilde;o &eacute; o seu povo, j&aacute; afirmava o pensador Shoghi Effendi, em 1955. Considero importante dar voz &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil que defendem os direitos humanos.<\/p>\n<p>A Confer&ecirc;ncia de Comunica&ccedil;&atilde;o poderia tamb&eacute;m promover a conscientiza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o sobre a relev&acirc;ncia de incluir a cobertura dos temas afetos aos direitos humanos em sua atividade jornal&iacute;stica regular, bem como a capacita&ccedil;&atilde;o dos profissionais que atuam nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o para promover uma cultura de direitos humanos. Com certeza o assunto n&atilde;o pode ficar respaldado apenas na a&ccedil;&atilde;o governamental via sua Secretaria Especial dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p>N&atilde;o me chamem de lun&aacute;tico por defender que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o considerem a tem&aacute;tica dos direitos humanos para ocupar toda uma editoria. Assim como &eacute; comum termos editorias espec&iacute;ficas para economia, pol&iacute;tica, esportes, cultura, comportamento, internacional etc., h&aacute; que se promover parcerias no formato p&uacute;blico-privadas visando a cria&ccedil;&atilde;o e a consolida&ccedil;&atilde;o de cursos sobre o papel da m&iacute;dia e a sua forma de pautar quest&otilde;es atinentes aos direitos humanos no cotidiano dos brasileiros. E o mesmo precisa ser feito para levar a discuss&atilde;o para os meios acad&ecirc;micos. As rela&ccedil;&otilde;es entre direitos humanos e meios de comunica&ccedil;&atilde;o est&atilde;o a exigir que a academia pense uma disciplina espec&iacute;fica para isso em seus cursos de Comunica&ccedil;&atilde;o Social.<br \/><strong><br \/>Mundo a desvendar<br \/><\/strong><br \/>Quando penso em direitos humanos n&atilde;o penso em utopias. Posso at&eacute; ter a cabe&ccedil;a nas nuvens, mas quero os p&eacute;s bem fincados no ch&atilde;o. S&atilde;o Thomas Morus que me perdoe. Isso me faz refletir que precisamos criar diferentes espa&ccedil;os para que o cidad&atilde;o possa denunciar ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o que violam os direitos humanos ou que induzam &agrave; sua viola&ccedil;&atilde;o, refor&ccedil;ando estere&oacute;tipos racistas, preconceitos de classe, cor, g&ecirc;nero, intoler&acirc;ncia e fanatismo religioso.<\/p>\n<p>Na agenda da Confecom poderia constar artigos tamb&eacute;m de primeira necessidade como ferramentas que mensurem qu&atilde;o comprometidos com os direitos fundamentais da pessoa humana est&atilde;o os meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Para sentir o ch&atilde;o duro da realidade somente mexendo nos bolsos dos donos da m&iacute;dia. Que tal propor que a Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica (Secom) considere a inclus&atilde;o de novo crit&eacute;rio quando da aprova&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o respons&aacute;veis pela comunica&ccedil;&atilde;o institucional do governo?<\/p>\n<p>A novidade seria criar mecanismos para mensurar o engajamento dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o que venham a participar de licita&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas na promo&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o dos direitos humanos, bem como na den&uacute;ncia de atos e fatos que denunciem os direitos estipulados na Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p>H&aacute; todo um mundo a desvendar e a democratizar na seara da comunica&ccedil;&atilde;o. E h&aacute; que se avan&ccedil;ar. &Eacute; a&iacute; que veremos se chegou, realmente, a vez do Brasil.<br \/><em><br \/>P.S.: Na quinta-feira (19\/11), &agrave;s 9h, no Plen&aacute;rio 9 da C&acirc;mara dos Deputados, falarei na Confer&ecirc;ncia Livre de Comunica&ccedil;&atilde;o sobre o tema &quot;Desafios e possibilidades para a Comunica&ccedil;&atilde;o&quot;, a convite da Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da C&acirc;mara.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Controle p&uacute;blico e social da comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; o debate essencial, central e inadi&aacute;vel<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23601"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23601"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23601\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23601"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23601"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23601"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}