{"id":23577,"date":"2009-11-16T16:15:29","date_gmt":"2009-11-16T16:15:29","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23577"},"modified":"2009-11-16T16:15:29","modified_gmt":"2009-11-16T16:15:29","slug":"desafio-e-manter-dinamica-colaborativa-da-web","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23577","title":{"rendered":"&#8220;Desafio \u00e9 manter din\u00e2mica colaborativa da web&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">[T&iacute;tulo original &quot;Inten&ccedil;&atilde;o &eacute; respeitar a natureza colaborativa da web, diz Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a&quot;]<\/p>\n<p>Regras de responsabilidade civil para provedores e usu&aacute;rios. Medidas para preservar a liberdade de express&atilde;o e a privacidade. Princ&iacute;pios e diretrizes para garantir o bom funcionamento da rede. Essa &eacute;, em linhas gerais, a tem&aacute;tica do processo colaborativo para estruturar o Marco Regulat&oacute;rio Civil da Internet, lan&ccedil;ado no dia 29 de outubro pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a (MJ) em parceria com a Funda&ccedil;&atilde;o Getulio Vargas.<\/p>\n<p>O blog que concentrar&aacute; essa constru&ccedil;&atilde;o coletiva est&aacute; hospedado na p&aacute;gina do F&oacute;rum da Cultura Digital Brasileira, no endere&ccedil;o www.culturadigital.br\/marcocivil. O F&oacute;rum constitui uma rede permanente de formula&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o de consensos por meio da qual atores governamentais, estatais, da sociedade civil e do mercado consolidar&atilde;o diretrizes para uma pol&iacute;tica p&uacute;blica da &aacute;rea. Sua realiza&ccedil;&atilde;o &eacute; propiciada por parceria do Minist&eacute;rio da Cultura com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).<\/p>\n<p>&quot;A op&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a em realizar o processo de formula&ccedil;&atilde;o na rede social do F&oacute;rum sinaliza a sensibiliza&ccedil;&atilde;o do governo para a import&acirc;ncia de buscar novas formas de interlocu&ccedil;&atilde;o com a sociedade&quot;, comenta o gerente de Cultura Digital do MinC, Jos&eacute; Murilo Jr., da Secretaria de Pol&iacute;ticas Culturais. &quot;Fomentar esta reflex&atilde;o ampla se valendo dos modelos de debate e colabora&ccedil;&atilde;o nativos da rede pode viabilizar modelos de coordena&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica descentralizada capazes de criar solu&ccedil;&otilde;es inovadoras para as quest&otilde;es apresentadas pelo s&eacute;culo 21.&quot;<\/p>\n<p>A formula&ccedil;&atilde;o do marco civil se dar&aacute; em duas fases, previstas para durar 45 dias cada. Na primeira, a discuss&atilde;o parte de texto-base produzido pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, e em cada par&aacute;grafo os usu&aacute;rios do portal www.culturadigital.br podem inserir coment&aacute;rios e avaliar os postados por outras pessoas. Na segunda, a metodologia ser&aacute; a mesma, mas o debate ocorrer&aacute; em torno da minuta de anteprojeto de lei.<\/p>\n<p>A discuss&atilde;o, segundo o MJ, n&atilde;o se aprofundar&aacute; em temas que v&ecirc;m sendo discutidos em outros foros ou que extrapolam as quest&otilde;es da Internet, como direitos autorais, crimes virtuais, comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica de massa e telecomunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Existe hoje um descompasso entre o direito e as pr&aacute;ticas estabelecidas na internet, avalia o coordenador do projeto de constru&ccedil;&atilde;o colaborativa, Guilherme Almeida de Almeida, da Secretaria de Assuntos Legislativos do MJ. O objetivo da proposta, explica ele, &eacute; superar a inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica resultante e embasar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, mantendo o car&aacute;ter de espa&ccedil;o de colabora&ccedil;&atilde;o da rede. Confira entrevista em que o coordenador fala sobre a consulta.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><strong>A Internet ainda &eacute; associada, para o bem e para o mal, &agrave; imagem de &quot;terra sem lei&quot;. Essa realidade est&aacute; mudando, n&atilde;o? V&aacute;rias propostas de legisla&ccedil;&atilde;o v&ecirc;m tratando do tema, inclusive a reforma eleitoral, sancionada no fim de setembro&hellip;<\/p>\n<p>Guilherme Almeida de Almeida<\/strong> &ndash; Sim. Sem entrar no m&eacute;rito das decis&otilde;es ou dos projetos recentes, a impress&atilde;o geral &eacute; que a Internet afirma-se cada vez mais como um espa&ccedil;o p&uacute;blico de intera&ccedil;&atilde;o entre indiv&iacute;duos. O que acontece &eacute; que este espa&ccedil;o &eacute; estruturado a partir de uma s&eacute;rie de regras tecnol&oacute;gicas (os protocolos, por exemplo) e de princ&iacute;pios (como a neutralidade, a liberdade de express&atilde;o, o livre acesso, a capacidade de que os indiv&iacute;duos e as organiza&ccedil;&otilde;es inovem criando novas formas de comunica&ccedil;&atilde;o a partir da estrutura j&aacute; existente), e este espa&ccedil;o ampliado permite mais e novas formas de intera&ccedil;&atilde;o. Estas regras e princ&iacute;pios j&aacute; existentes &ndash; a despeito da imagem de &quot;terra sem lei&quot;, ou talvez justamente por causa dela &ndash; nem sempre s&atilde;o compreendidos por aqueles que trabalham com o direito, ou por aqueles respons&aacute;veis por implementar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas.<br \/><strong><br \/>Em que sentido?<\/p>\n<p>G.A.A.<\/strong> &ndash; De certa forma, a Internet &quot;amplifica&quot; a vida real. Tanto a capacidade de comunica&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos quanto os impactos dessa comunica&ccedil;&atilde;o ficam aumentados em compara&ccedil;&atilde;o com nosso contexto off-line. Isso muitas vezes desorienta tanto os legisladores quanto os operadores do direito. O maior risco, na regula&ccedil;&atilde;o da Internet, seria ignorar sua pr&oacute;pria natureza e os princ&iacute;pios que a fizeram ser o que &eacute; hoje. &Eacute; preciso preservar a din&acirc;mica da Internet como espa&ccedil;o de colabora&ccedil;&atilde;o, sob pena de, a m&eacute;dio prazo, anularmos as vantagens que esta nova forma de se comunicar trouxe &agrave; sociedade.<\/p>\n<p><strong>Que pontos devem ser abrangidos pelo marco regulat&oacute;rio civil?<\/p>\n<p>G.A.A.<\/strong> &ndash; A proposta colocada para discuss&atilde;o orienta-se a partir de tr&ecirc;s eixos. O primeiro deles tem por objetivo afirmar os direitos dos indiv&iacute;duos, bem como criar meios para que sejam efetivamente implementados e interpretados a partir desta nova realidade comunicacional. Isso implica, por exemplo, buscar meios legais para proteger o direito dos cidad&atilde;os &agrave; privacidade e &agrave; liberdade de express&atilde;o, assim como reconhecer o direito de acesso &agrave; Internet como evolu&ccedil;&atilde;o natural do direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; pr&oacute;pria liberdade de express&atilde;o.<\/p>\n<p>O segundo eixo tem por foco uma defini&ccedil;&atilde;o clara da responsabilidade dos intermedi&aacute;rios envolvidos nos processos de comunica&ccedil;&atilde;o via Internet. As regras atuais &ndash; de direito civil ou de direito do consumidor, por exemplo &ndash; nem sempre levam em conta a natureza, as regras tecnol&oacute;gicas e os princ&iacute;pios da Internet. Essa lacuna tem levado frequentemente a interpreta&ccedil;&otilde;es contradit&oacute;rias. Uma mesma situa&ccedil;&atilde;o pode levar a decis&otilde;es extremamente divergentes &ndash; um questionamento com rela&ccedil;&atilde;o a uma demanda de direito de imagem pode ser simplesmente ignorado por um juiz, ou pode levar ao fechamento por completo ou ao bloqueio de acesso a um portal, por exemplo. Essa inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica &eacute; nociva para os indiv&iacute;duos, para os empreendedores e para a sociedade como um todo.<br \/><strong><br \/>Que efeitos negativos essa inseguran&ccedil;a pode gerar?<\/p>\n<p>G.A.A.<\/strong> &ndash; Ela desincentiva o potencial de cria&ccedil;&atilde;o, inova&ccedil;&atilde;o, colabora&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o da Internet, na medida em que os atores n&atilde;o t&ecirc;m consci&ecirc;ncia ou previsibilidade sobre as poss&iacute;veis consequ&ecirc;ncias de seus atos. Tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;rio pensar em formas extrajudiciais de solu&ccedil;&atilde;o de conflitos, e da determina&ccedil;&atilde;o de eventuais obriga&ccedil;&otilde;es aos intermedi&aacute;rios para que garantam e sigam os princ&iacute;pios e a natureza da Internet &ndash; como a neutralidade da rede, fundada na n&atilde;o discrimina&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos que nela circulam.<\/p>\n<p>O terceiro eixo busca identificar princ&iacute;pios de converg&ecirc;ncia, ainda que em n&iacute;vel abstrato, para a atua&ccedil;&atilde;o estatal em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Internet. Essa tarefa j&aacute; &eacute; feita, de forma propositiva e consultiva, pelo Comit&ecirc; Gestor da Internet no Brasil. O que pretendemos &eacute; dar for&ccedil;a mais vinculante a estas diretrizes, para que elas possam fundamentar futuras iniciativas de regulamenta&ccedil;&atilde;o e de formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas.<\/p>\n<p><strong>Como a discuss&atilde;o da proposta se relaciona com outras em curso, particularmente o Projeto de Lei (PL) 89 de 2003?<\/p>\n<p>G.A.A.<\/strong> &ndash; As manifesta&ccedil;&otilde;es da sociedade em rela&ccedil;&atilde;o ao PL 89 demonstraram claramente que a sociedade realmente se importa com este tema, que existe um grande potencial de mobiliza&ccedil;&atilde;o. Mostraram tamb&eacute;m algo &oacute;bvio, mas que estranhamente estava fora do debate: que o direito penal &eacute; uma forma de controle social extrema, a ser usada apenas como &uacute;ltimo recurso. Iniciar o debate ou a regulamenta&ccedil;&atilde;o sobre o tema pelo aspecto criminal, apesar de v&aacute;rias demandas nesse sentido, &eacute; inverter essa l&oacute;gica do ordenamento jur&iacute;dico. A proposta atual &eacute; a de seguir o caminho correto: definir e afirmar, primordialmente, os direitos dos cidad&atilde;os.<\/p>\n<p>Quanto a demais propostas, a inten&ccedil;&atilde;o do projeto &eacute; dialogar com elas. A ideia do marco civil &eacute; justamente construir uma base m&iacute;nima de defini&ccedil;&atilde;o de direitos, responsabilidades e par&acirc;metros para regulamenta&ccedil;&atilde;o da Internet no pa&iacute;s. Temas espec&iacute;ficos, como a publicidade eletr&ocirc;nica, poder&atilde;o usar essas premissas para sua eventual regulamenta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>O Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a parte de experi&ecirc;ncias de outros pa&iacute;ses ao propor essa legisla&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>G.A.A.<\/strong> &ndash; Sem d&uacute;vida. Uma das vantagens em nossa demora para definir normas mais claras a respeito do assunto &eacute; poder aprender com os resultados positivos e negativos de experi&ecirc;ncias internacionais. Um caso exemplar &eacute; o da privacidade. A Uni&atilde;o Europeia, por exemplo, possui j&aacute; h&aacute; um bom tempo diretrizes relativas &agrave; prote&ccedil;&atilde;o de dados pessoais, inclusive em meios eletr&ocirc;nicos. Regulamenta&ccedil;&otilde;es posteriores, como aquelas relativas &agrave; reten&ccedil;&atilde;o de dados de indiv&iacute;duos para fins de investiga&ccedil;&atilde;o criminal, foram colocadas apenas depois, e partindo desse arcabou&ccedil;o pr&eacute;vio de respeito aos direitos individuais.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso estar atento tamb&eacute;m a efeitos perversos de algumas iniciativas estrangeiras. A implementa&ccedil;&atilde;o de mecanismos extrajudiciais ou pr&eacute;-judiciais de solu&ccedil;&atilde;o de conflitos nos Estados Unidos levou, no in&iacute;cio, a algum cerceamento da liberdade de express&atilde;o. Na Fran&ccedil;a, a tentativa de estabelecer uma legisla&ccedil;&atilde;o que punisse com restri&ccedil;&atilde;o de acesso a pessoas que tivessem violado direitos de terceiros vem sendo fortemente questionada, por ferir o direito fundamental ao acesso. Estamos atentos a esses e demais casos na condu&ccedil;&atilde;o de nosso processo.<br \/><strong><br \/>Com a decis&atilde;o de formular o projeto de modo colaborativo, qual &eacute; a expectativa do MJ?<\/p>\n<p>G.A.A.<\/strong> &ndash; Talvez esta seja a maior novidade e o maior desafio com rela&ccedil;&atilde;o a este projeto: respeitando a din&acirc;mica da Internet como espa&ccedil;o de colabora&ccedil;&atilde;o, resolvemos construir o marco civil juntamente com todos aqueles que tenham interesse em participar, numa esp&eacute;cie de consulta p&uacute;blica, num blog criado especialmente para o projeto. Estamos usando outras ferramentas, como o twitter e foros de discuss&atilde;o, para buscar dar maior alcance e densidade ao debate.<\/p>\n<p>Pensamos que esta pode ser uma nova forma de implementar a democracia na pr&aacute;tica, ao gerar canais n&atilde;o s&oacute; de escuta, como tamb&eacute;m de participa&ccedil;&atilde;o e de interfer&ecirc;ncia, abertos a cada cidad&atilde;o. Caso a iniciativa tenha sucesso, a inten&ccedil;&atilde;o &eacute; replic&aacute;-la para novos projetos, de forma cada vez mais aberta e colaborativa. A amplifica&ccedil;&atilde;o trazida pelas novas tecnologias pode significar tamb&eacute;m a amplifica&ccedil;&atilde;o da democracia. Essa &eacute; nossa maior expectativa.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\"> Secretario de Assuntos Legislativos do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a fala sobre Marco Regulat&oacute;rio Civil da Internet<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1154],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23577"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23577"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23577\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23577"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23577"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23577"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}