{"id":23575,"date":"2009-11-16T15:20:50","date_gmt":"2009-11-16T15:20:50","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23575"},"modified":"2009-11-16T15:20:50","modified_gmt":"2009-11-16T15:20:50","slug":"a-velha-midia-e-sua-batalha-ingloria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23575","title":{"rendered":"A velha m\u00eddia e sua batalha ingl\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">A Folha de S&atilde;o Paulo publicou editorial neste domingo criticando &quot;pr&aacute;ticas desleais na internet&quot; que estariam &quot;colocando em risco as bases que permitem o exerc&iacute;cio do jornalismo no pa&iacute;s&quot;. A Folha, no caso, se apresenta como porta-voz deste jornalismo independente. Para o jornalista Luis Nassif, o editorial aponta o objetivo final do processo que explica o comportamento da m&iacute;dia a partir de 2005: &quot;a politiza&ccedil;&atilde;o descabida, as tentativas sucessivas de golpes pol&iacute;ticos, os assassinatos de reputa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticos, ju&iacute;zes, jornalistas&quot;.<br \/><strong><br \/>Reda&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>O jornalista Luis Nassif comenta neste domingo em seu blog o editorial publicado na Folha de S&atilde;o Paulo, que critica &quot;pr&aacute;ticas desleais na internet&quot; que, supostamente, estariam &quot;colocando em risco as bases que permitem o exerc&iacute;cio do jornalismo independente no pa&iacute;s&quot;. A Folha, no caso, se apresenta como porta-voz do &quot;jornalismo independente&quot;. Uma piada, diz Nassif, que questiona:<\/p>\n<p>&quot;Qual o direito de conhecer a verdade que a Folha prop&otilde;e? A ficha falsa de Dilma? Os arreglos com Daniel Dantas? A s&eacute;rie sistem&aacute;tica e di&aacute;ria de mat&eacute;rias falsas, manipuladas, a deslealdade reiterada contra seus pr&oacute;prios jornalistas que n&atilde;o seguiram a cartilha?&quot;<\/p>\n<p>Abaixo o editorial da Folha e, depois, o coment&aacute;rio de Nassif:<\/p>\n<p><strong>O editorial: &quot;Direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o&quot;<\/strong><\/p>\n<p><em>Pr&aacute;ticas desleais na internet colocam em risco as bases que permitem o exerc&iacute;cio do jornalismo independente no pa&iacute;s<\/p>\n<p>DEMOCRACIAS tradicionais aprenderam a defender-se de duas fontes de poder que amea&ccedil;am o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Contra a tend&ecirc;ncia de todo governo de manipular fatos a seu favor, desenvolveram-se mecanismos de controle civil -caso dos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o com independ&ecirc;ncia, financeira e editorial, em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado. Contra o risco de que interesses empresariais cruzados ou monop&oacute;lios bloqueiem o acesso a certas informa&ccedil;&otilde;es, criaram-se dispositivos para limitar o poder de grupos econ&ocirc;micos na m&iacute;dia.<\/p>\n<p>Essas salvaguardas tradicionais se veem desafiadas pelo avan&ccedil;o da internet e da converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica nas comunica&ccedil;&otilde;es -paradoxalmente, pois esse mesmo processo abre um campo novo ao jornalismo.<\/p>\n<p>Apesar da revolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e do advento de plataformas cooperativas, a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do informativo de interesse p&uacute;blico continua, majoritariamente, a cargo de organiza&ccedil;&otilde;es empresariais especializadas. O acesso sistem&aacute;tico a informa&ccedil;&otilde;es exclusivas, relevantes, bem apuradas e editadas sempre implica a atua&ccedil;&atilde;o de grandes equipes de profissionais dedicados apenas a isso. Essas equipes precisam ser remuneradas -ou o elo se rompe.<\/p>\n<p>Quando um servi&ccedil;o de internet que visa ao lucro toma, sem pagar por isso, informa&ccedil;&otilde;es produzidas por empresas jornal&iacute;sticas, as edita e as difunde a seu modo, n&atilde;o s&oacute; fere as leis que resguardam os direitos autorais. Solapa os pilares financeiros que t&ecirc;m sustentado o jornalismo profissional independente.<\/p>\n<p>Quando um pa&iacute;s como o Brasil admite um oligop&oacute;lio irrestrito na banda larga -a via para a qual converge a transmiss&atilde;o de m&uacute;ltiplos conte&uacute;dos, como os de TVs, revistas e jornais-, alimenta um Leviat&atilde; capaz de bloquear ou dificultar a passagem de dados e atores que n&atilde;o lhe sejam convenientes. A tend&ecirc;ncia a discriminar concorrentes se acentua no caso brasileiro, pois os mandarins da banda larga s&atilde;o, eles pr&oacute;prios, produtores de algum conte&uacute;do jornal&iacute;stico.<\/p>\n<p>Quando autoridades se eximem de aplicar a portais de not&iacute;cias o limite constitucional de 30% de participa&ccedil;&atilde;o de capital estrangeiro, abonam um grave desequil&iacute;brio nas regras de competi&ccedil;&atilde;o. Ve&iacute;culos nacionais, que respeitam a lei, t&ecirc;m de concorrer com conglomerados estrangeiros que acessam fontes colossais e baratas de capital. Tal permissividade amea&ccedil;a o esp&iacute;rito da norma, comum nas grandes democracias do planeta, de proteger a cultura nacional.<\/p>\n<p>Contra esse triplo ass&eacute;dio, produtores de conte&uacute;do jornal&iacute;stico e de entretenimento no Brasil come&ccedil;am a protestar.<\/p>\n<p>Exigem a aplica&ccedil;&atilde;o, na internet, das leis que protegem o direito autoral. Pressionam as autoridades para que, como ocorre nos EUA, regulamentem a banda larga de modo a impedir as pr&aacute;ticas discriminat&oacute;rias e ampliar a competi&ccedil;&atilde;o. Requerem ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico a&ccedil;&atilde;o decisiva para que empresas produtoras de jornalismo e entretenimento na internet se ajustem &agrave; exig&ecirc;ncia, expressa no artigo 222 da Carta, de que 70% do controle do capital esteja com brasileiros.<\/p>\n<p>A Folha se associa ao movimento n&atilde;o apenas no intuito de defender as balizas empresariais do jornalismo independente, apartid&aacute;rio e cr&iacute;tico que postula e pratica. Empunha a bandeira porque est&aacute; em jogo o direito do cidad&atilde;o de conhecer a verdade, de n&atilde;o ser ludibriado por governos ou grupos econ&ocirc;micos que ficaram poderosos demais.<br \/><\/em><br \/><strong>Coment&aacute;rio de Nassif<\/strong><\/p>\n<p>Chega-se, finalmente, ao objetivo final do processo que explica o comportamento da m&iacute;dia a partir de 2005, a politiza&ccedil;&atilde;o descabida, as tentativas sucessivas de golpes pol&iacute;ticos, os assassinatos de reputa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticos, ju&iacute;zes, jornalistas. E para qu&ecirc;? Para se chegar ao embate final com pouqu&iacute;ssimos aliados. Esse acanalhamento do exerc&iacute;cio do jornalismo fez com que a credibilidade da m&iacute;dia atingisse o ponto mais baixo da hist&oacute;ria, viabilizasse outras alternativas no mercado de opini&atilde;o.<\/p>\n<p>Agora, qual a bandeira legitimadora para suas pretens&otilde;es? A de que a m&iacute;dia &eacute; a garantidora da liberdade de informa&ccedil;&atilde;o? Piada.<\/p>\n<p>Esse mesmo &aacute;libi canhestro foi utilizado por Roberto Civita para tentar me convencer a aceitar o acordo com a Veja no final do ano passado. A revista passou todo o ano utilizando o jornalismo de esgoto para os ataques mais s&oacute;rdidos, abjetos, n&atilde;o respeitando sequer fam&iacute;lia. E vinha o enviado especial dele trazendo o recado de que deveria aceitar o acordo em nome da liberdade de imprensa.<\/p>\n<p>Conto apenas o meu caso. Como o meu, teve in&uacute;meros. Em 2005, em entrevista ao Vermelho cunhei a express&atilde;o &ldquo;o suic&iacute;dio da m&iacute;dia&rdquo;, para descrever essa caminhada irrevers&iacute;vel em dire&ccedil;&atilde;o ao fundo do po&ccedil;o. Agora, a m&iacute;dia se posiciona para a grande batalha contra os portais e os grupos externos. Quem acredita nela?<\/p>\n<p>Qual o direito de conhecer a verdade que a Folha prop&otilde;e? A ficha falsa de Dilma? Os arreglos com Daniel Dantas? A s&eacute;rie sistem&aacute;tica e di&aacute;ria de mat&eacute;rias falsas, manipuladas, a deslealdade reiterada contra seus pr&oacute;prios jornalistas que n&atilde;o seguiram a cartilha?<\/p>\n<p>O futuro chegou e bandeiras que, antes, poderiam ser leg&iacute;timas, ou est&atilde;o rotas, pu&iacute;das, desmoralizadas. Haver&aacute; uma grande batalha futura, contra os supergrupos que ir&atilde;o entrar no mercado. Mas dela n&atilde;o participar&aacute; mais a velha m&iacute;dia, que ficar&aacute; restrito ao mundo fict&iacute;cio que ela pr&oacute;prio criou.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Folha de S&atilde;o Paulo publicou editorial neste domingo criticando &quot;pr&aacute;ticas desleais na internet&quot; que estariam &quot;colocando em risco as bases que permitem o exerc&iacute;cio do jornalismo no pa&iacute;s&quot;. A Folha, no caso, se apresenta como porta-voz deste jornalismo independente. 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