{"id":23568,"date":"2009-11-12T16:11:21","date_gmt":"2009-11-12T16:11:21","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23568"},"modified":"2009-11-12T16:11:21","modified_gmt":"2009-11-12T16:11:21","slug":"nossa-lei-de-direitos-autorais-nao-da-mais-conta-dos-desafios-da-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23568","title":{"rendered":"&#8220;Nossa lei de direitos autorais n\u00e3o d\u00e1 mais conta dos desafios da internet&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Mesmo com o advento da digitaliza&ccedil;&atilde;o mundial e dos downloads pela Internet, a lei com rela&ccedil;&atilde;o aos direitos autorais no Brasil ainda n&atilde;o se adaptou &agrave; nova realidade. Buscando modificar os impedimentos dessa lei, o licenciamento de obras em Creative Commons possibilita a autoriza&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via de artistas sobre os usos de suas obras. &Eacute; sobre este mecanismo que conversamos com o professor S&eacute;rgio Branco. Em entrevista, por telefone, &agrave; IHU On-Line, Branco fala sobre o funcionamento, os usos, a fun&ccedil;&atilde;o social e os impactos econ&ocirc;micos do Creative Commons. Segundo ele &ldquo;quanto maior o aproveitamento de obras legais por terceiros, maior a possibilidade de cria&ccedil;&atilde;o de obras. Com esta cria&ccedil;&atilde;o, movimenta-se o mercado econ&ocirc;mico tamb&eacute;m por cria&ccedil;&otilde;es novas, ainda que sejam por obras derivadas&rdquo;.<\/p>\n<p>S&eacute;rgio Branco &eacute; professor na Escola de Direito do Rio de Janeiro da FGV e doutorando e mestre em Direito Civil pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).<\/p>\n<p>Confira a entrevista.<br \/><strong><br \/>IHU On-Line &ndash; Como funciona o Creative Commons?<\/p>\n<p>S&eacute;rgio Branco<\/strong> &ndash; Em primeiro lugar, &eacute; importante falar sobre nossa lei de direitos autorais, cuja proposta de mudan&ccedil;as est&aacute; sendo discutida em S&atilde;o Paulo. Nossa lei atual &eacute; extremamente restritiva e pro&iacute;be uma s&eacute;rie de coisas, inclusive pro&iacute;be a c&oacute;pia integral de qualquer obra. Mesmo que eu, por exemplo, como autor de uma m&uacute;sica, queira que as pessoas baixem minha m&uacute;sica pela Internet, a lei s&oacute; permite que os usu&aacute;rios gravem pequenos trechos de cada obra. O Creative Commons serve como um mecanismo de ajuste do impedimento da lei. &Eacute; um licenciamento pelo qual o autor autoriza previamente quais usos podem ser feitos de sua obra pela sociedade. Se eu sou m&uacute;sico e quero licenciar minha obra em Creative Commons, eu crio uma licen&ccedil;a que ir&aacute; permitir, no m&iacute;nimo, que as pessoas possam copiar minha m&uacute;sica na &iacute;ntegra, ao contr&aacute;rio do que prev&ecirc; nossa lei atual.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &ndash; Como funciona hoje a lei dos direitos autorais no Brasil?<\/p>\n<p>S&eacute;rgio Branco<\/strong> &ndash; A lei atual &eacute; de 1998, que aparece quando o mundo j&aacute; est&aacute; se digitalizando. A Internet n&atilde;o tinha ainda a abrang&ecirc;ncia que tem hoje, mas j&aacute; existia, j&aacute; existiam CDs, o mundo j&aacute; era digital. Por&eacute;m, a lei de 1998, ao contr&aacute;rio da lei anterior, de 1973, n&atilde;o permite a c&oacute;pia integral de obras, permite apenas a c&oacute;pia de pequenos trechos. Faz poucas exce&ccedil;&otilde;es para usos educacionais, n&atilde;o faz exce&ccedil;&atilde;o nenhuma para uso por meio de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais, asilos, pres&iacute;dios e escolas p&uacute;blicas. &Eacute; uma lei bastante restritiva. Comparada a outros pa&iacute;ses, e eu j&aacute; analisei as leis de diversos pa&iacute;ses, &eacute; uma das mais restritivas do mundo. E como a lei imp&otilde;e todas essas restri&ccedil;&otilde;es, a sociedade se organizou de modo a buscar um mecanismo que estivesse em conformidade com a lei, mas permitisse um uso mais flex&iacute;vel das obras intelectuais. &Eacute; neste contexto que surge a licen&ccedil;a Creative Commons.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &ndash; Como o Creative Commons muda essa l&oacute;gica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>S&eacute;rgio Branco<\/strong> &ndash; Uma vez que o autor tem maior autonomia para dispor de sua obra, ele poder&aacute;, dentro do exerc&iacute;cio livre de seu direito como autor, determinar que usos poder&atilde;o ser feitos com a mesma. Ele que ir&aacute; dizer se a sociedade pode usar a obra com ou sem fins lucrativos, se poder&atilde;o somente copi&aacute;-la, se poder&atilde;o modific&aacute;-la e criar outras derivadas. Eu posso compor um tipo de m&uacute;sica e autorizar que as pessoas modifiquem a letra, a melodia, transformem minha m&uacute;sica em outra. No mundo em que vivemos hoje, do remix, do reaproveitamento de obras, o Creative Commons se presta muito bem para esta finalidade, uma vez que, por meio da licen&ccedil;a, permite que as pessoas legalmente possam usar de uma obra com os fins determinados por seu autor.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &ndash; Como funciona a cria&ccedil;&atilde;o de uma licen&ccedil;a Creative Commons? Como s&atilde;o as classifica&ccedil;&otilde;es dessas licen&ccedil;as?<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/>S&eacute;rgio Branco<\/strong> &ndash; Acho que o Creative Commons &eacute; extremamente simples de se entender. O site mostra o que &eacute; preciso fazer para criar a licen&ccedil;a, que &eacute; simplesmente responder a duas perguntas: se voc&ecirc; permite que se fa&ccedil;a uso econ&ocirc;mico de sua obra e se permite que sejam criadas obras derivadas a partir dela. Uma vez que voc&ecirc; responda a essas duas perguntas principais, o pr&oacute;prio site gera uma licen&ccedil;a que &eacute; absurdamente autoexplicativa, ela indica para a sociedade o que os usu&aacute;rios podem fazer com sua obra independentemente de uma nova autoriza&ccedil;&atilde;o do autor. Essa licen&ccedil;a pode ser colocada em meios f&iacute;sicos. Eu mesmo lancei dois livros j&aacute; licenciados em Creative Commons e a licen&ccedil;a est&aacute; impressa no pr&oacute;prio livro, de modo que para o usu&aacute;rio &eacute; bastante simples, s&oacute; abre o livro e v&ecirc; de que forma ele est&aacute; licenciado e de que forma ele pode se valer daquela obra. Para o autor &eacute; simples tamb&eacute;m, &eacute; s&oacute; criar a licen&ccedil;a, que tanto pode estar em um meio f&iacute;sico como pode ser colocada nos sites, no licenciamento de m&uacute;sica ou textos e fotos de um site. Surgem as licen&ccedil;as a partir da combina&ccedil;&atilde;o dada &agrave;s duas perguntas do site. Haver&aacute; uma s&eacute;rie de licen&ccedil;as que surgem a partir da combina&ccedil;&atilde;o das respostas, quer o autor tenha autorizado o uso comercial ou n&atilde;o, quer ele autorize obras derivadas ou n&atilde;o. &Eacute; uma an&aacute;lise combinat&oacute;ria das respostas poss&iacute;veis, por isso surgem licen&ccedil;as diferentes, mas elas nada mais s&atilde;o do que o respeito &agrave; manifesta&ccedil;&atilde;o de vontade do autor quando ele determina quais usos podem ser dados &agrave;quela obra licenciada em Creative Commons.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &ndash; Qual setor hoje &eacute; o que mais usa o Creative Commons?<br \/><\/strong><br \/><strong>S&eacute;rgio Branco<\/strong> &ndash; Eu n&atilde;o saberia dizer exatamente qual setor, mas vejo muito uso em m&uacute;sica e em sites. A Internet tem essa natureza de dar muita visibilidade a obras, e, ao mesmo tempo, um controle menor sobre o que a outra pessoa vai ou n&atilde;o poder fazer. Quando se coloca a pr&oacute;pria obra na Internet, e o autor pode fazer isso, &eacute; muito dif&iacute;cil ter um controle. O Creative Commons vem apenas para legitimar aquilo que as pessoas geralmente fazem, que &eacute; copiar as obras que est&atilde;o dispon&iacute;veis na Internet, quer a lei permita ou n&atilde;o. Por meio do Creative Commons, legaliza-se um uso que as pessoas fariam de qualquer jeito, por isso para a Internet &eacute; t&atilde;o importante. Se voc&ecirc; licencia um site com Creative Commons, autorizado o uso comercial ou n&atilde;o, obras derivadas ou n&atilde;o, de qualquer forma, voc&ecirc; permite que as pessoas possam, no m&iacute;nimo, copiar o conte&uacute;do do site. &Eacute; importante dizer que at&eacute; na licen&ccedil;a que permite apenas copiar o uso, e n&atilde;o permite qualquer utiliza&ccedil;&atilde;o na obra, &eacute; indispens&aacute;vel dizer a origem. Se voc&ecirc; tem um site onde coloca seus textos e outra pessoa os copia, essa pessoa, por meio de uma licen&ccedil;a Creative Commmons, est&aacute; obrigada a indicar o site de onde tirou o texto ou seu autor.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para a Internet, isso &eacute; extremamente &uacute;til, e tenho visto muitos sites usando licen&ccedil;a Creative Commons.<br \/><strong><br \/>IHU On-Line &ndash; E que setores ainda podem utiliz&aacute;-lo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>S&eacute;rgio Branco<\/strong> &ndash; Qualquer obra proteg&iacute;vel por direito autoral pode ser licenciada em Creative Commons. O mais dif&iacute;cil hoje em dia s&atilde;o filmes. As obras audiovisuais t&ecirc;m tradicionalmente usado menos as licen&ccedil;as Creative Commons, acho que por conta dos custos que s&atilde;o mais elevados e pela produ&ccedil;&atilde;o mais escassa. N&atilde;o &eacute; muito comum haver essas licen&ccedil;as, sobretudo de longas metragens. Mas nada impede que filmes venham a ter licen&ccedil;as Creative Commons. A licen&ccedil;a pode ser utilizada para absolutamente qualquer obra que possa ser protegida por direito autoral.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &ndash; Podemos dizer que o Creative Commons, da forma como est&aacute; se desenvolvendo e sendo utilizado, gera uma cultura da economia do conhecimento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>S&eacute;rgio Branco<\/strong> &ndash; Sem d&uacute;vida. Vivemos hoje em uma expans&atilde;o gigantesca do conhecimento, e o Creative Commons estimula as pessoas a licenciarem suas obras e a legalizar aquilo que a sociedade vem fazendo &agrave; margem da lei: a c&oacute;pia integral de obras sem autoriza&ccedil;&atilde;o do autor. A licen&ccedil;a permite a difus&atilde;o do conhecimento de um modo legal, permite o uso de obras em institui&ccedil;&otilde;es de ensino e ONGs, tem um papel social extremamente relevante a cumprir.<br \/><strong><br \/>IHU On-Line &ndash; Qual &eacute; o impacto econ&ocirc;mico que teremos com a flexibiliza&ccedil;&atilde;o dos direitos autorais?<\/strong><br \/><strong><br \/>S&eacute;rgio Branco<\/strong> &ndash; O impacto econ&ocirc;mico pode ser medido de diversas formas, mas, quanto maior o aproveitamento de obras legais por terceiros, se tem maior possibilidade de cria&ccedil;&atilde;o de obras. Com esta cria&ccedil;&atilde;o, movimenta-se o mercado econ&ocirc;mico tamb&eacute;m por cria&ccedil;&otilde;es novas, ainda que sejam por obras derivadas. Obras em dom&iacute;nio p&uacute;blico s&atilde;o extremamente relevantes do ponto de vista econ&ocirc;mico porque, embora n&atilde;o se tenha a obriga&ccedil;&atilde;o de pagar direitos autorais para utiliz&aacute;-las, como pe&ccedil;as de Shakespeare, ou m&uacute;sicas de compositores cl&aacute;ssicos, como Chopin e Mozart, gera uma grande movimenta&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica com o reaproveitamento, com a modifica&ccedil;&atilde;o e a cria&ccedil;&atilde;o de novas obras a partir de uma dessas.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &ndash; Como o senhor v&ecirc; as iniciativas paralelas ao Creative Commons?<\/strong><\/p>\n<p><strong>S&eacute;rgio Branco<\/strong> &ndash; A nossa lei de direitos autorais n&atilde;o d&aacute; mais conta dos desafios que a Internet imp&otilde;e, porque, hoje em dia, o mais comum &eacute; que muitas pessoas baixem obras, copiem e modifiquem, independentemente das proibi&ccedil;&otilde;es legais. Os artistas v&ecirc;m buscando novos modelos de neg&oacute;cios. Temos um problema hoje que se divide em dois: um problema legal e de modelo de neg&oacute;cio. O problema legal, temos que resolv&ecirc;-lo modificando a lei, e &eacute; nesse sentido que o Minc est&aacute; promovendo semin&aacute;rios, consultas e debates p&uacute;blicos, para tentar ajustar e modificar a lei e torn&aacute;-la mais em conformidade com as novas tecnologias e com o que a sociedade vem fazendo. Mas temos tamb&eacute;m um problema de modelo de neg&oacute;cios, que &eacute; tentar ajustar a forma de ganhar dinheiro com obras intelectuais ao tempo em que vivemos, e n&atilde;o se aproveitar de obras intelectuais para ganhar dinheiro com modelos de neg&oacute;cios dos anos 1970 ou 1980, que n&atilde;o existem mais porque o suporte, a tecnologia e o acesso s&atilde;o outros. Nos anos 1980, o direito autoral s&oacute; interessava para quem tinha uma gravadora, uma editora, e hoje interessa a todo mundo, pois todos t&ecirc;m acesso a obras pela Internet, todos modificam, criam, remixam e disponibilizam. Ent&atilde;o, a forma de remunera&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m tem que ser repensado, n&atilde;o basta repensar s&oacute; a lei. Por isso, iniciativas como do Radiohead (que disponibilizou em seu site suas m&uacute;sicas para serem baixadas) s&atilde;o louv&aacute;veis, pois &eacute; uma busca por um novo modelo de neg&oacute;cio, sabendo que o anterior j&aacute; n&atilde;o funciona mais.<\/p>\n<p>Uma coisa importante &eacute; que n&atilde;o existe uma incompatibilidade entre o licenciamento gratuito das obras, o que o Creative Commons promove, de modo geral, e o fato de que o autor n&atilde;o vai ganhar dinheiro. Esta busca por novos modelos de neg&oacute;cio gera tamb&eacute;m novas formas de remunera&ccedil;&atilde;o. H&aacute; casos de autores, sobretudo de m&uacute;sica, que licenciaram suas obras em Creative Commons e, ainda assim, ganham bastante dinheiro com outras formas, como shows, por exemplo. O BNeg&atilde;o, que integrava o grupo Planet Hemp, &eacute; um exemplo disso. Ele licenciou todas suas m&uacute;sicas em Creative Commons e tem vivido a partir de shows na Europa etc. Ent&atilde;o n&atilde;o h&aacute; uma incompatibilidade entre as obras estarem gratuitamente dispon&iacute;veis na Internet e o fato de o autor ganhar dinheiro com elas. Isto &eacute; poss&iacute;vel. S&oacute; deve ser pensada uma forma de acontecer, e a&iacute; cada caso &eacute; diferente, mas h&aacute; v&aacute;rios casos de sucesso. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;Professor da FGV diz que o Creative Commons tem um papel social extremamente relevante a cumprir<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1152],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23568"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23568"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23568\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23568"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23568"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23568"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}