{"id":23549,"date":"2009-11-11T16:56:24","date_gmt":"2009-11-11T16:56:24","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23549"},"modified":"2009-11-11T16:56:24","modified_gmt":"2009-11-11T16:56:24","slug":"apressado-plano-pode-nao-atender-demandas-sociais-para-banda-larga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23549","title":{"rendered":"Apressado, plano pode n\u00e3o atender demandas sociais para banda larga"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><a name=\"lblTexto\" title=\"lblTexto\"><\/a>A pedido do presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, a equipe do governo trabalha contra o rel&oacute;gio para finalizar um Plano Nacional de Banda Larga, que consiga levar para a maioria da popula&ccedil;&atilde;o &ndash; ou toda ela &ndash; o acesso &agrave;  internet de alta velocidade. O prazo estipulado pela Presid&ecirc;ncia para que os minist&eacute;rios envolvidos apresentassem suas propostas terminou hoje (11), mas a reuni&atilde;o com Lula foi remarcada para a pr&oacute;xima semana.<\/p>\n<p>A pressa na iniciativa, por&eacute;m, dificulta a colabora&ccedil;&atilde;o das entidades que lutam pelo direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o no projeto. Muitas delas j&aacute; captaram a import&acirc;ncia da pauta da universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga. Evid&ecirc;ncia disso s&atilde;o os resultados de encontros que est&atilde;o sendo realizados pelo pa&iacute;s como prepara&ccedil;&atilde;o para a 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom). <\/p>\n<p>No entanto, toda essa contribui&ccedil;&atilde;o pode cair no vazio. Mesmo com o adiamento da reuni&atilde;o ministerial, a defini&ccedil;&atilde;o do plano deve acontecer a cerca de um m&ecirc;s da realiza&ccedil;&atilde;o da etapa nacional da Confecom, que acontece entre os dias 14 e 17 de dezembro.<\/p>\n<p>O trabalho est&aacute; sendo feito por uma equipe interministerial, dividida em dois grupos: um para tratar de infra-estrutura e outro para avaliar mudan&ccedil;as no marco regulat&oacute;rio. Os donos das empresas de telefonia tem tido acesso direto ao governo para apresentar suas propostas. Nesta ter&ccedil;a-feira (10), por exemplo, eles estavam reunidos com o ministro H&eacute;lio Costa. <\/p>\n<p>Neste encontro, deveriam apresentar uma sugest&atilde;o sobre fazer do PNBL uma parceria entre governo e setor privado, mas o que surgiu no encontro foram demandas como a desonera&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o e libera&ccedil;&atilde;o de verbas do Fundo de Universaliza&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Fust). A legisla&ccedil;&atilde;o atual diz que o Fust deve ser usado para a universaliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de telefonia fixa &ndash; hoje o &uacute;nico prestado em regime p&uacute;blico e, portanto, sujeito a metas de universaliza&ccedil;&atilde;o &ndash;, mas j&aacute; h&aacute; um projeto sendo discutido no Congresso para liberar investimentos tamb&eacute;m para a internet.<\/p>\n<p>Al&eacute;m das d&uacute;vidas a respeito do conte&uacute;do do plano, a falta de abertura das discuss&otilde;es para a sociedade civil n&atilde;o-empresarial tem instigado cr&iacute;ticas &agrave; metodologia adotada. &ldquo;Se h&aacute; a inten&ccedil;&atilde;o de construir um processo de participa&ccedil;&atilde;o social que tenha impacto na politicas p&uacute;blicas com a Confecom, parece il&oacute;gico construir uma proposta dessa magnitude &agrave;s v&eacute;speras de um processo que deveria propor as diretrizes desse plano. &Eacute; s&oacute; mais uma cereja no bolo que evidencia o qu&atilde;o desvalorizada est&aacute; a confer&ecirc;ncia&rdquo;, opina Diogo Moyses, consultor t&eacute;cnico do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). <\/p>\n<p>Para alguns analistas, a proposta de um plano nacional de banda larga j&aacute; vinha sendo gestada dentro do governo. No entanto, ela ainda n&atilde;o havia sido fechada por diverg&ecirc;ncias internas. &ldquo;O Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es vinha elaborando a proposta, s&oacute; que ela atra&iacute;a as empresas privadas de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Na Casa Civil, seria alavancada pelo setor p&uacute;blico-estatal&rdquo;, situa o coordenador do Laborat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o (LapCom) da Universidade de Bras&iacute;lia, Murilo Cesar Ramos. O acad&ecirc;mico acredita ser dif&iacute;cil acabar com essas diferen&ccedil;as neste pouco tempo que foi dado para a elabora&ccedil;&atilde;o do plano, cerca de 45 dias entre a primeira e a segunda reuni&atilde;o dos minist&eacute;rios com Lula. Mesmo assim, ele ressalta que a iniciativa do governo merece todo o apoio. <\/p>\n<p><strong>Rede p&uacute;blica<\/strong><\/p>\n<p>Apesar da pouca informa&ccedil;&atilde;o que se tem sobre o PNBL, alguns temas j&aacute; circulam pela m&iacute;dia especializada. Um deles &eacute; a vontade que alguns membros do governo federal teriam em constituir uma rede p&uacute;blica de fibras &oacute;ticas a partir da interliga&ccedil;&atilde;o de algumas redes existentes de empresas do governo, como as da Petrobras, Eletronorte, Furnas e Chesf. De acordo com declara&ccedil;&otilde;es do secret&aacute;rio de Log&iacute;stica e Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio do Planejamento, Rog&eacute;rio Santanna, essa  estrutura federal somaria mais de 31 mil quil&ocirc;metros de cabos, o que atenderia 4.245 munic&iacute;pios (76% do total) em 23 estados mais o Distrito Federal. Uma das propostas aventadas &eacute; que a ger&ecirc;ncia dessa rede seria da Telebras. <\/p>\n<p>&ldquo;A hip&oacute;tese n&atilde;o pode ser desconsiderada. O exemplo maior &eacute; da proposta do governo da Austr&aacute;lia, que mostra claramente que pensar numa rede p&uacute;blica estatal n&atilde;o &eacute; absurdo. Mas ela implica alta responsabilidades&rdquo;, afirma o professor Murilo Ramos. <\/p>\n<p>Opini&atilde;o semelhante tem o secret&aacute;rio executivo do Instituto Nupef (N&uacute;cleo de Pesquisa, Estudos e Forma&ccedil;&atilde;o), Carlos Afonso. &ldquo;A melhor proposta parece ser a que combinar&aacute; redes j&aacute; existentes com lan&ccedil;amento de novas fibras para assegurar pontos de presen&ccedil;a de espinhas dorsais de alta velocidade em todos os munic&iacute;pios brasileiros. A rede operada por uma estatal (no caso, a Telebras) servir&aacute; como agente regulador de pre&ccedil;os na pr&aacute;tica, ao oferecer mais banda por menor pre&ccedil;o que os atualmente praticados pelo &#39;mercado&#39; &ndash; na verdade, o cartel das operadoras privadas&rdquo;, acredita ele. O Nupef &eacute; ligado &agrave; Rede de Informa&ccedil;&atilde;o para o Terceiro Setor (Rits). <\/p>\n<p>O Nupef tamb&eacute;m avalia que a rede p&uacute;blica poderia ser associada a um plano de apoio &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o de redes municipais, em parcerias com prefeituras, entidades e empres&aacute;rios locais. &ldquo;Seria uma forma de &#39;furar&#39; o cerco do cartel das operadoras e provavelmente a &uacute;nica maneira de efetivamente universalizar o acesso de qualidade para toda a popula&ccedil;&atilde;o. Ainda n&atilde;o vimos isso mencionado nas discuss&otilde;es do plano nacional de banda larga&rdquo;, diz Carlos Afonso. <br \/><strong><br \/>Regime p&uacute;blico<\/strong><\/p>\n<p>Uma iniciativa que independe da constru&ccedil;&atilde;o da rede p&uacute;blica &eacute; citada pelos analistas ouvidos pelo Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o como uma das principais maneiras de se massificar o acesso &agrave; banda larga. Trata-se de classificar a internet em alta velocidade como um servi&ccedil;o a ser prestado em regime p&uacute;blico. Hoje, apenas a telefonia fixa &eacute; assim categorizada. A implanta&ccedil;&atilde;o de tal medida levaria ao estabelecimento de metas de universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga, al&eacute;m de obriga&ccedil;&otilde;es referentes a pre&ccedil;os e tarifas. <\/p>\n<p>O coordenador do LapCom Murilo Ramos &eacute; taxativo: &ldquo;S&oacute; vamos ser considerados socialmente justos se [a banda larga] for servi&ccedil;o em regime p&uacute;blico com obriga&ccedil;&otilde;es de universaliza&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n<p>Assim tamb&eacute;m pensa Carlos Afonso, do Nupef. &ldquo;Estamos de acordo com a necessidade de garantir infra-estrutura de alta velocidade para todos os munic&iacute;pios em regime p&uacute;blico. Creio que isso n&atilde;o elimina as muitas possibilidades de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o a partir dessa rede democratizada, por parte de provedores comerciais ou n&atilde;o, provedores de v&aacute;rios tipos, especialmente no n&iacute;vel local.&rdquo; N&atilde;o h&aacute; nenhum sinal, por&eacute;m, que indique disposi&ccedil;&atilde;o do governo em concretizar a reivindica&ccedil;&atilde;o dos analistas. <br \/><strong><br \/>Isen&ccedil;&atilde;o fiscal<\/strong><\/p>\n<p>Surge tamb&eacute;m nas discuss&otilde;es uma possibilidade de massificar o acesso por meio de isen&ccedil;&otilde;es fiscais oferecidas &agrave;s atuais empresas provedoras de internet. Para elas, poderia ser uma forma interessante de levar suas redes a locais onde hoje n&atilde;o o fazem por falta de retorno financeiro. &Eacute; o que recentemente fez o governador de S&atilde;o Paulo, Jos&eacute; Serra, por meio da isen&ccedil;&atilde;o do Imposto sobre Circula&ccedil;&atilde;o de Mercadoria e Servi&ccedil;os (ICMS). A proposta paulista pretende oferecer uma velocidade de 200kbps por R$ 29,80. A redu&ccedil;&atilde;o dos impostos &eacute; uma das principais bandeiras das teles. <\/p>\n<p>A medida aplicada em S&atilde;o Paulo, por&eacute;m, n&atilde;o pode servir de refer&ecirc;ncia nacional. Pelo menos &eacute; a opini&atilde;o do secret&aacute;rio executivo do Nupef. &ldquo;A desculpa do imposto &eacute; uma mentira deslavada: o<br \/>pre&ccedil;o da banda pseudolarga e pseudopopular oferecida pela Telef&ocirc;nica com desconto de imposto em S&atilde;o Paulo (R$30 por 200 kb\/s, ou 0,2 Mb\/s) &eacute; 65 vezes mais alto que o pre&ccedil;o por Mb\/s oferecido pela mesma empresa em Londres, por exemplo&rdquo;, relata Carlos Afonso. &ldquo;N&atilde;o h&aacute; imposto que justifique tal absurdo de pre&ccedil;o com a p&eacute;ssima qualidade praticada pelas operadoras. Isso sem falar que s&oacute; garantem 10% da banda.&rdquo;<\/p>\n<p>A Telef&ocirc;nica deveria come&ccedil;ar a vender a alardeada banda larga popular esta semana, mas n&atilde;o o fez. Segundo o notici&aacute;rio especializado <em>Teletime News<\/em>, quem procura informa&ccedil;&otilde;es sobre a compra do servi&ccedil;o recebe como resposta que a empresa ainda vai &ldquo;concluir em breve as atividades adicionais necess&aacute;rias para a comercializa&ccedil;&atilde;o do produto&rdquo;.<\/p>\n<p>Institui&ccedil;&otilde;es ligadas aos direitos do consumidor denunciam que a Telef&ocirc;nica estaria promovendo a venda casada de produtos, o que &eacute; vedado pelo C&oacute;digo de Defesa do Consumidor. Isso porque a empresa quer vender a banda larga popular apenas para quem for assinante do seu servi&ccedil;o de telefonia fixa. &ldquo;Que fam&iacute;lia de menores recursos pode pagar R$70 para ter essa banda miser&aacute;vel em casa? S&atilde;o R$40 da assinatura b&aacute;sica de telefonia mais R$30 da banda pseudolarga Speedy, que deveria chamar-se Slowly&rdquo;, critica Carlos Afonso, do Nupef.<br \/><strong><br \/>Avalia&ccedil;&atilde;o das teles<\/strong><\/p>\n<p>Para o representante do Idec, Diogo Moyses, a falta de participa&ccedil;&atilde;o popular na constru&ccedil;&atilde;o do plano pode fazer com que ele n&atilde;o leve em considera&ccedil;&atilde;o as necessidades da sociedade. &ldquo;Muitos locais ainda n&atilde;o t&ecirc;m o servi&ccedil;o dispon&iacute;vel. A imensa maioria do pa&iacute;s vive dependente do monop&oacute;lio (Oi e Telef&ocirc;nica). Os pre&ccedil;os s&atilde;o alt&iacute;ssimos e a qualidade do servi&ccedil;o &eacute; prec&aacute;ria, com problemas de cobran&ccedil;as indevidas, cl&aacute;usulas abusivas nos contratos, publicidade enganosa, servi&ccedil;o contratado e n&atilde;o oferecido e sinal de baixa qualidade&rdquo;, resume o consultor, sobre algumas quest&otilde;es que, segundo ele, devem ser consideradas na elabora&ccedil;&atilde;o do Plano Nacional de Banda Larga.  <\/p>\n<p>Embora tenham sido cogitadas na m&iacute;dia maneiras diferentes de se universalizar a banda larga, os analistas defendem que, em todas elas, deve ser considerada a presen&ccedil;a do Estado na regulamenta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o. &ldquo;Do modo que est&aacute; hoje, com o avan&ccedil;o do setor privado, vamos levar d&eacute;cadas para um acesso massificado da banda larga. N&atilde;o h&aacute; como fugir de uma interven&ccedil;&atilde;o estatal forte nesse momento&rdquo;, enfatiza Murilo Ramos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pressa do governo impede participa&ccedil;&atilde;o da sociedade no Plano Nacional de Banda Larga; projeto pode ser fechado a um m&ecirc;s da Confecom<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1123],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23549"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23549"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23549\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23549"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23549"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23549"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}