{"id":23543,"date":"2009-11-10T12:24:19","date_gmt":"2009-11-10T12:24:19","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23543"},"modified":"2009-11-10T12:24:19","modified_gmt":"2009-11-10T12:24:19","slug":"internet-se-consolida-como-uma-das-mais-importantes-revolucoes-do-ultimo-seculo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23543","title":{"rendered":"Internet se consolida como uma das mais importantes revolu\u00e7\u00f5es do \u00faltimo s\u00e9culo"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Em 29 de outubro de 1969, um grupo de pesquisadores se reuniu na Universidade da Calif&oacute;rnia (UCLA), em Los Angeles, para enviar uma mensagem a outros cientistas do Instituto de Pesquisa de Stanford, em S&atilde;o Francisco. A ideia era comprovar que duas m&aacute;quinas poderiam se comunicar por meio de uma rede. A mensagem que deveria ser enviada era simples: apenas a palavra &ldquo;log&rdquo;. No entanto, o &uacute;nico texto recebida pelos cientistas foram as letras &ldquo;l&rdquo; e &ldquo;o&rdquo;. Na metade da experi&ecirc;ncia, a conex&atilde;o caiu e impediu que as m&aacute;quinas conclu&iacute;ssem a conversa. O projeto, realizado sem muita ambi&ccedil;&atilde;o e batizado com o codinome Arpanet, &eacute; considerado o embri&atilde;o(1) de uma das maiores inven&ccedil;&otilde;es do &uacute;ltimo s&eacute;culo e que 40 anos depois seria conhecida por gente de todo o mundo como internet.<\/p>\n<p>Leonard Kleinrock, professor de inform&aacute;tica da UCLA e respons&aacute;vel pelo envio da frustrada mensagem que deu in&iacute;cio &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o da rede mundial de computadores, participou na &uacute;ltima semana de um evento em comemora&ccedil;&atilde;o &agrave; ocasi&atilde;o. Em entrevista &agrave; ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias Efe, ele declarou que tinha apenas o objetivo modesto de integrar diferentes m&aacute;quinas por meio de uma rede. &ldquo;Dei-me conta disto (da dimens&atilde;o do projeto) quando apareceu o e-mail. Tratava-se, ent&atilde;o, de uma comunica&ccedil;&atilde;o entre pessoas, n&atilde;o apenas entre m&aacute;quinas&rdquo;, comentou.<\/p>\n<p>E foram justamente essas pessoas que passaram a utilizar em grande escala a web &mdash; principalmente a partir dos anos 1990, quando ela se tornou comercial &mdash; que ajudaram a tornar um emaranhado de computadores interligados numa rede mundial de usu&aacute;rios &aacute;vidos em descobrir o que havia depois das fronteiras regionais. Sites de not&iacute;cias (e, depois, portais de conte&uacute;dos), mensageiros instant&acirc;neos, redes sociais, p&aacute;ginas de games online, servi&ccedil;os governamentais e uma infinidade de outras possibilidades demostraram que a ideia dos pesquisadores norte-americanos era n&atilde;o s&oacute; pr&oacute;spera como fundamental para uma nova sociedade globalizada.<\/p>\n<p>No entanto, a rede s&oacute; conseguiu florescer, durante a &eacute;poca de seu desenvolvimento, por conta da aus&ecirc;ncia de regras no setor. &ldquo;Durante boa parte da hist&oacute;ria da internet, ningu&eacute;m tinha ouvido falar dela. Isso permitiu demonstrar toda a sua funcionalidade&rdquo;, conta Jonathan Zittrain, professor de direito e cofundador do Centro Berkman para a Internet e a Sociedade de Harvard. &ldquo;Hoje existe mais liberdade para que o usu&aacute;rio comum da internet possa jogar, se comunicar e fazer compras, por exemplo&rdquo;, conta o professor, lembrando que o pr&oacute;prio governo norte-americano, que financiou as primeiras pesquisas como parte de um projeto militar, n&atilde;o se envolveu muito com a inven&ccedil;&atilde;o e deixou que os engenheiros promovessem a ideia de uma rede aberta.<\/p>\n<p><strong>A web de amanh&atilde;<\/strong><\/p>\n<p>O que, por&eacute;m, os pr&oacute;ximos anos reservam para os mais de 1 bilh&atilde;o de internautas que surfam nas ondas da internet nos quatro cantos do mundo? De acordo com Kleinrock, qualquer progn&oacute;stico para o futuro se parecer&aacute; com um filme de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Para ele, na pr&oacute;xima d&eacute;cada a web sair&aacute; da tela do computador para as paredes de edif&iacute;cios, escrit&oacute;rios e casas, at&eacute; chegar &agrave;s &ldquo;unhas dos dedos ou aos &oacute;culos&rdquo; dos usu&aacute;rios. &ldquo;Tudo estar&aacute; baseado na tecnologia integrada, na nanotecnologia, em pequenos sensores que saber&atilde;o como voc&ecirc; &eacute;, conhecer&atilde;o suas prefer&ecirc;ncias e se adaptar&atilde;o &agrave;s suas necessidades e aos seus gostos&rdquo;, defende. Ap&oacute;s quatro d&eacute;cadas de exist&ecirc;ncia, Kleinrock sustenta que a internet chegou a um ponto sem volta, no qual os conte&uacute;dos superaram a tecnologia como motor que impulsiona o desenvolvimento da rede.<\/p>\n<p>Respons&aacute;vel por coordenar a equipe que efetuou a primeira conex&atilde;o de internet no Brasil, em 1991, entre a Fapesp e a Energy Sciences Network (ESNet), nos Estados Unidos, por meio de uma rede conhecida como Bitnet, Demi Getschko concorda que nos pr&oacute;ximos anos a internet estar&aacute; sempre em nossa volta. &ldquo;Num primeiro momento, a rede come&ccedil;ou como uma conex&atilde;o entre poucos computadores. Depois, com a web, os usu&aacute;rios ajudaram a tornar o que ela &eacute; hoje. O pr&oacute;ximo passo &eacute; o que acreditamos ser a internet das coisas, quando cada dispositivo de nossas casas estar&aacute; conectado&rdquo;, diz. &ldquo;A rede vai controlar a geladeira, o ar-condicionado, a TV, e, com isso, vamos conseguir automatizar muitas coisas em nosso dia a dia&rdquo;, acredita Getschko, que atualmente atua como diretor-presidente do N&uacute;cleo de Informa&ccedil;&atilde;o e Coordena&ccedil;&atilde;o do Ponto BR (Nic.BR).<\/p>\n<p>Para o diretor de desenvolvimento tecnol&oacute;gico da Intel para a Am&eacute;rica latina, Reinaldo Affonso, a rede deve tornear cada atividade de nossa vida. &ldquo;Cada vez mais vamos ver a internet nos nossos bolsos, principalmente com o celular oferecendo conectividade. A web tamb&eacute;m vai para a TV (com o sistema digital), possibilitando ver, de forma simult&acirc;nea, sites, &aacute;lbum de fotos em alta defini&ccedil;&atilde;o, jogos de futebol, classifica&ccedil;&atilde;o do nosso time etc.&rdquo;, acredita. &ldquo;Tamb&eacute;m vamos ver em maior n&uacute;mero a ado&ccedil;&atilde;o de sites em 3D, que v&atilde;o permitir que o usu&aacute;rio interaja com um ambiente amig&aacute;vel&rdquo;, diz. <\/p>\n<p>(<em>Colaborou Tiago Falqueiro<\/em>)<\/p>\n<p><strong>Saiba Mais<\/strong><\/p>\n<p><strong>Longo caminho<\/strong><\/p>\n<p>Para a internet ser o que &eacute; hoje, ela passou por v&aacute;rias revolu&ccedil;&otilde;es. A primeira delas ocorreu na d&eacute;cada de 1970, quando foram criados os protocolos de comunica&ccedil;&atilde;o TCP\/IP, que facilitaram a conex&atilde;o de v&aacute;rias redes. Na d&eacute;cada de 1980, foi inventado um sistema de dire&ccedil;&otilde;es que utilizava sufixos como .com e .org. Somente na d&eacute;cada de 1990, depois que o f&iacute;sico brit&acirc;nico Tim Berners-Lee inventou a web, uma subdivis&atilde;o da internet que facilitaria o uso de recursos de diferentes origens, a internet emergiu como ferramenta de uso comum.<br \/><strong><br \/>Revolu&ccedil;&otilde;es<\/strong><br \/><strong><br \/>Com&eacute;rcio online<\/strong><\/p>\n<p>A rede mundial de computadores vem reinventando o modo de comercializa&ccedil;&atilde;o de produtos e servi&ccedil;os. De acordo com a consultoria de pesquisas de mercado e-bit, o Brasil deve fechar 2009 com um total de 17 milh&otilde;es de consumidores online, alcan&ccedil;ando um faturamento de R$ 10,6 bilh&otilde;es &mdash; crescimento de 30% em rela&ccedil;&atilde;o a 2008.<\/p>\n<p><strong>Comunica&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>A internet vem decretando a aposentadoria de meios de comunica&ccedil;&atilde;o como telefone e fax. Cada vez mais pessoas e empresas utilizam ferramentas como e-mail, bate-papo instant&acirc;neo e servi&ccedil;os de voz sobre IP (VoIP) para se comunicar, trocar arquivos e documentos e realizar reuni&otilde;es e videoconfer&ecirc;ncia. A rede diminuiu dist&acirc;ncias e acabou com fronteiras.<\/p>\n<p><strong>Publicidade<\/strong><\/p>\n<p>Com mais de 1 bilh&atilde;o acessando regularmente a internet, v&aacute;rias empresas do mercado (de cl&iacute;nicas de fertilidade a montadoras de autom&oacute;veis) est&atilde;o querendo ser vistas na web. De acordo com uma pesquisa feita por consultorias do setor, os gastos com publicidade online na Gr&atilde;-Bretanha no primeiro semestre deste ano, por exemplo, j&aacute; superam os da TV, atingindo 1,752 bilh&atilde;o de libras (R$ 5 bilh&otilde;es).<br \/><strong><br \/>Redes de amigos<\/strong><\/p>\n<p>A internet tamb&eacute;m trouxe mudan&ccedil;as de h&aacute;bitos e costumes. As novas gera&ccedil;&otilde;es, por exemplo, se acostumaram a se reunir com amigos em sites de redes sociais. Segundo um relat&oacute;rio da Nielsen Online, 80% dos internautas brasileiros visitaram redes de relacionamento e blogs ao longo de 2008. Ali&aacute;s, esse tipo de site &eacute; o que mais cresce em visita&ccedil;&atilde;o na web e fica atr&aacute;s apenas de p&aacute;ginas de busca, portais e software para PCs.<\/p>\n<p><strong>Gratuidade<\/strong><\/p>\n<p>Com um volume cada vez maior de usu&aacute;rios, as empresas desenvolvedoras de servi&ccedil;os e softwares come&ccedil;aram a buscar outra forma de levantar receitas com seus produtos &mdash; principalmente por meio de an&uacute;ncios pagos &mdash; sem ter que onerar seus clientes. Com isso, uma s&eacute;rie de servi&ccedil;os na internet, que antes eram pagos, passaram a ser oferecidos gratuitamente. E essa corrente tende a crescer nos pr&oacute;ximos anos.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 29 de outubro de 1969, um grupo de pesquisadores se reuniu na Universidade da Calif&oacute;rnia (UCLA), em Los Angeles, para enviar uma mensagem a outros cientistas do Instituto de Pesquisa de Stanford, em S&atilde;o Francisco. A ideia era comprovar que duas m&aacute;quinas poderiam se comunicar por meio de uma rede. 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