{"id":23528,"date":"2009-11-06T18:22:02","date_gmt":"2009-11-06T18:22:02","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23528"},"modified":"2009-11-06T18:22:02","modified_gmt":"2009-11-06T18:22:02","slug":"projeto-de-helio-costa-liberaliza-comercio-de-outorgas-de-radio-e-tv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23528","title":{"rendered":"Projeto de H\u00e9lio Costa liberaliza com\u00e9rcio de outorgas de r\u00e1dio e TV"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t    <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><span class=\"padrao\">O projeto de lei do ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, H&eacute;lio Costa, que visa diminuir o controle do Estado sobre as concess&otilde;es de r&aacute;dio e TV do pa&iacute;s pode ser aprovado pelo Senado na pr&oacute;xima semana. A proposta est&aacute; na pauta da pr&oacute;xima reuni&atilde;o da Comiss&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a (CCJ). O projeto foi apresentado por Costa em 2005, quando ainda era senador pelo estado de Minas Gerais, e s&oacute; agora tramita em car&aacute;ter conclusivo. Se aprovado na CCJ, pode ir direto para an&aacute;lise da C&acirc;mara dos Deputados, que ainda n&atilde;o tomou conhecimento da proposta. <\/p>\n<p>A mat&eacute;ria, identificada como PLS 222\/05, prop&otilde;e dar aos concession&aacute;rios de r&aacute;dios com pot&ecirc;ncia de at&eacute; 50KW (a maioria das existentes) e de emissoras de TV que n&atilde;o sejam cabe&ccedil;a-de-rede a possibilidade de venderem suas outorgas sem a necessidade de aprova&ccedil;&atilde;o do Congresso e do Poder Executivo. Exce&ccedil;&atilde;o s&oacute; seria feita &agrave;s empresas que possu&iacute;rem algum acionista estrangeiro.<\/p>\n<p>O projeto conta com o aval da Comiss&atilde;o de Educa&ccedil;&atilde;o do Senado, que o aprovou em 2006, tendo como relator o ent&atilde;o senador Edison Lob&atilde;o (PMDB) atual ministro das Minas e Energia, cuja fam&iacute;lia &eacute; propriet&aacute;ria de r&aacute;dios e TV no Maranh&atilde;o. Nesta quarta-feira (4), o texto entrou na pauta da CCJ, mas n&atilde;o foi votado. A sess&atilde;o da comiss&atilde;o terminou antes de sua aprecia&ccedil;&atilde;o. A proposta est&aacute; sendo analisada pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que fez um pedido de vistas ao projeto no fim do m&ecirc;s de outubro, por orienta&ccedil;&atilde;o de seu partido.<\/p>\n<p>O objetivo do projeto, segundo H&eacute;lio Costa, &eacute; diminuir a burocracia que existe nos casos de transfer&ecirc;ncia de outorgas. &ldquo;Entendemos que, mesmo ap&oacute;s as altera&ccedil;&otilde;es introduzidas pela Lei n&ordm; 10.610, de 2002, os controles estabelecidos sobre a vida societ&aacute;ria das empresas prestadoras de servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o s&atilde;o desnecess&aacute;rios. Mais do que isso, revelam-se prejudiciais &agrave; atividade, pois que inibidores do investimento em servi&ccedil;o de tamanha relev&acirc;ncia social. Ademais, cumpre lembrar que, desde a d&eacute;cada de sessenta, em que o marco jur&iacute;dico do setor foi estabelecido, o n&uacute;mero de emissoras multiplicou-se, tornando excessivamente onerosa, sen&atilde;o mesmo imposs&iacute;vel, ao Estado a execu&ccedil;&atilde;o dessas fun&ccedil;&otilde;es&rdquo;, diz o ent&atilde;o senador, na justificativa da mat&eacute;ria. <\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, H&eacute;lio Costa argumenta que, com tais altera&ccedil;&otilde;es, &ldquo;pretende-se n&atilde;o apenas diminuir o excesso de burocracia que onera especialmente as pequenas emissoras, como tamb&eacute;m favorecer o aumento do fluxo de investimentos na presta&ccedil;&atilde;o desses servi&ccedil;os. Em um tempo em que a converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica imp&otilde;e relevantes desafios &agrave;s empresas de comunica&ccedil;&atilde;o, &eacute; fundamental dot&aacute;-las de capacidade para atrair novos capitais, como forma de preservar servi&ccedil;o de tamanha import&acirc;ncia para nossa sociedade.&rdquo; Segundo sua proposta, as emissoras teriam apenas que comunicar a troca de controle societ&aacute;rio ao Executivo, no prazo de 45 dias a contar do registro da venda na Junta Comercial ou no cart&oacute;rio de pessoa jur&iacute;dica. <\/p>\n<p><strong>Obscuridades <\/strong><\/p>\n<p>O projeto, por&eacute;m, abre a possibilidade de se aumentar a j&aacute; conhecida falta de transpar&ecirc;ncia no setor. O Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social elaborou um parecer sobre a mat&eacute;ria criticando seu teor. Para a entidade, ao desobrigar a maioria absoluta dos radiodifusores de anu&ecirc;ncia pr&eacute;via para mudan&ccedil;as de controle societ&aacute;rio, o projeto d&aacute; espa&ccedil;o para que seja feitas modifica&ccedil;&otilde;es que ferem a legisla&ccedil;&atilde;o do setor, especialmente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o da propriedade dos meios, criando fatos consumados dif&iacute;ceis de reverter. <\/p>\n<p>Outra cr&iacute;tica do Intervozes refere-se a um artigo do projeto que prop&otilde;e acabar com o tempo m&iacute;nimo para que o concession&aacute;rio possa fazer uma transfer&ecirc;ncia de outorga. Essa modifica&ccedil;&atilde;o, segundo o coletivo, pode facilitar a transforma&ccedil;&atilde;o de concess&otilde;es em mercadorias. &ldquo;Se j&aacute; &eacute; question&aacute;vel a possibilidade hoje prevista de transfer&ecirc;ncia direta da outorga ap&oacute;s cinco anos, que d&aacute; grande lucro &agrave;s empresas por meio da venda de um bem p&uacute;blico (o uso do espa&ccedil;o no espectro eletromagn&eacute;tico), &eacute; absolutamente inaceit&aacute;vel que uma empresa se proponha a prestar um servi&ccedil;o p&uacute;blico e repasse essa obriga&ccedil;&atilde;o antes de completados cinco anos da outorga&rdquo;, diz o parecer do grupo. <\/p>\n<p>Para os atuais concession&aacute;rios que agiram ilegalmente, transferindo suas outorgas para terceiros sem anu&ecirc;ncia do Executivo e Legislativo, H&eacute;lio Costa prop&otilde;e a regulariza&ccedil;&atilde;o de suas situa&ccedil;&otilde;es, a partir da aprova&ccedil;&atilde;o de seu projeto. O Intervozes classificou como injustific&aacute;vel tal medida, pois se configura em uma esp&eacute;cie de anistia &agrave;s ilegalidades cometidas pelas empresas.<\/p>\n<p>&ldquo;Dizer que a notifica&ccedil;&atilde;o de propriedade &eacute; inibidora do investimento significa dizer que a transpar&ecirc;ncia &eacute; inibidora dos investimentos. Em outras palavras, que os investimentos s&atilde;o mais incentivados quanto mais obscuras as altera&ccedil;&otilde;es societ&aacute;rias&rdquo;, arremata o Intervozes a respeito do esp&iacute;rito geral do projeto de H&eacute;lio Costa. <\/p>\n<p><strong>Outras conseq&uuml;&ecirc;ncias<\/strong><\/p>\n<p>Quem tamb&eacute;m acompanha a tramita&ccedil;&atilde;o do projeto &eacute; o Minist&eacute;rio da Cultura. Uma das preocupa&ccedil;&otilde;es do &oacute;rg&atilde;o &eacute; a dificuldade que pode ser gerada para se identificar uma produtora ou uma obra audiovisual independente. Hoje uma das formas de se aferir tal quest&atilde;o &eacute; observando se uma produtora tem em seu quadro societ&aacute;rio a participa&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria de uma empresa de radiodifus&atilde;o. <\/p>\n<p>Al&eacute;m desta quest&atilde;o, a falta de controle do Estado sobre a venda de outorgas pode tamb&eacute;m aumentar o n&uacute;mero de emissoras nas m&atilde;os de parlamentares, o que &eacute; vedado pela Constitui&ccedil;&atilde;o, mas desrespeitado na pr&aacute;tica. Essa foi uma das raz&otilde;es que fez o senador Pedro Simon (PMDB-RS) adiantar, por meio de sua assessoria, seu voto contr&aacute;rio ao projeto de H&eacute;lio Costa. <\/p>\n<p>Simon foi o autor de um parecer, em 2007, que prop&otilde;e a n&atilde;o aprova&ccedil;&atilde;o de pedidos de renova&ccedil;&atilde;o de concess&otilde;es de emissoras que tenham parlamentares em seu quadro societ&aacute;rio. A proposta do senador foi aprovada na CCJ e encontra-se na Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Inova&ccedil;&atilde;o, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica do Senado desde maio deste ano, sob a relatoria de C&iacute;cero Lucena (PSDB-PB)<\/p>\n<p><strong>Transfer&ecirc;ncias<\/strong><\/p>\n<p>Um decreto de 1963 (n&ordm; 52.795) permite que um concession&aacute;rio transfira uma outorga a uma outra<\/span> entidade, desde que o fa&ccedil;a com pr&eacute;via autoriza&ccedil;&atilde;o do Governo Federal e ap&oacute;s os primeiros cinco anos da explora&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o. <\/p>\n<p>Este tipo de transfer&ecirc;ncia, que no caso das emissoras comerciais se constitui em uma venda da outorga, movimenta um lucrativo mercado, exatamente pelo fato de o investimento na licita&ccedil;&atilde;o para a obten&ccedil;&atilde;o da licen&ccedil;a representar um custo baixo e o retorno com a venda ser consideravelmente alto. Apesar de ser legal, a transfer&ecirc;ncia &eacute; criticada, pois permite a comercializa&ccedil;&atilde;o do uso de um bem que pertence ao conjunto da popula&ccedil;&atilde;o: o espectro de radiofreq&uuml;&ecirc;ncias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O projeto de lei do ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, H&eacute;lio Costa, que visa diminuir o controle do Estado sobre as concess&otilde;es de r&aacute;dio e TV do pa&iacute;s pode ser aprovado pelo Senado na pr&oacute;xima semana. A proposta est&aacute; na pauta da pr&oacute;xima reuni&atilde;o da Comiss&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a (CCJ). 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