{"id":23517,"date":"2009-11-05T17:44:39","date_gmt":"2009-11-05T17:44:39","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23517"},"modified":"2009-11-05T17:44:39","modified_gmt":"2009-11-05T17:44:39","slug":"compreender-a-diversidade-e-incluir-pessoas-com-deficiencia-e-dever-da-imprensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23517","title":{"rendered":"Compreender a diversidade e incluir pessoas com defici\u00eancia \u00e9 dever da imprensa"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A forma&ccedil;&atilde;o de jornalistas que trabalhem a favor de uma sociedade inclusiva, que respeite os direitos das pessoas com defici&ecirc;ncia, deve estar voltada para nada mais do que reafirmar o princ&iacute;pio intr&iacute;nseco ao trabalho da imprensa de respeitar e promover a diversidade. Participando do semin&aacute;rio &ldquo;Comunica&ccedil;&atilde;o e Exclus&atilde;o&rdquo;, realizando em S&atilde;o Paulo na &uacute;ltima semana de outubro, o professor e jornalista boliviano Jose Luis Aguirre salientou que as informa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o compartilhadas por casualidade, mas por compromisso de servi&ccedil;o a um contexto humano e social. &ldquo;Nossa tarefa n&atilde;o &eacute; acidental, &eacute; medular. &Eacute; da qualidade do compartilhamento [de informa&ccedil;&otilde;es] que fazemos com a comunidade que constru&iacute;mos democracia, oxal&aacute; uma democracia inclusiva com justi&ccedil;a social.&rdquo;<\/p>\n<p>Aguirre &eacute; diretor do Servi&ccedil;o de Capacita&ccedil;&atilde;o em R&aacute;dio e Televis&atilde;o para o Desenvolvimento (Servicio de Capacitaci&oacute;n en Radio y Televisi&oacute;n para El Desarrollo &#8211; Secrad) da Universidad Cat&oacute;lica Boliviana San Pablo. Ao lado de Cl&aacute;udia Werneck, da organiza&ccedil;&atilde;o Escola de Gente, e Carlos Chaparro, professor da Escola de Comunica&ccedil;&otilde;es e Artes da USP, participou de uma mesa-redonda sobre forma&ccedil;&atilde;o profissional e o discurso jornal&iacute;stico sobre as defici&ecirc;ncias. O semin&aacute;rio, organizado pelo SESC-SP e o Instituto MID para a Participa&ccedil;&atilde;o Social das Pessoas com Defici&ecirc;ncia, tratou da rela&ccedil;&atilde;o entre m&iacute;dia e inclus&atilde;o de pessoas com defici&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>&quot;Comunica&ccedil;&atilde;o significa em latim fazer como um. Mas em grego &eacute; fazer como um em comunidade&quot;, lembrou Aguirre, na sua defesa do espa&ccedil;o da comunica&ccedil;&atilde;o humana como espa&ccedil;o de interculturalidade. &ldquo;Eu me comunico com voc&ecirc;s, venho de outra cultura, mas n&atilde;o por isso somos inimigos, somos sujeitos em constru&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua&rdquo;, disse, fazendo um paralelo com as diferen&ccedil;as interpessoais. A possibilidade de compreender a diversidade inclui as pessoas com defici&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>Concordando com Chaparro que a id&eacute;ia de neutralidade para jornalistas &eacute; &ldquo;odiosa&rdquo;, o professor boliviano acredita que n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio formar comunicadores ou jornalistas apenas para que se aproximem casualmente das mulheres, dos ind&iacute;genas, das crian&ccedil;as, pessoas com defici&ecirc;ncia e qualquer diversidade que exista. &ldquo;Do contr&aacute;rio estar&iacute;amos impondo uma tarefa complementar ao trabalho, e n&atilde;o creio que estamos falando de algo complementar&rdquo;, afirmou. Assim, a forma&ccedil;&atilde;o de comunicadores teria que ensinar uma voca&ccedil;&atilde;o de permanente negocia&ccedil;&atilde;o com a diversidade cotidiana.<\/p>\n<p>O professor Carlos Chaparro complementou que o jornalista deve estar sempe ao lado da sociedade e prever que, nas suas mat&eacute;rias, ela sempre seja um part&iacute;cipe do conflito colocado, qualquer que seja o assunto.<\/p>\n<p>Questionado por uma estudante de jornalismo sobre como ela e outros jornalistas em forma&ccedil;&atilde;o poderiam contornar a aus&ecirc;ncia da educa&ccedil;&atilde;o inclusiva no seu curr&iacute;culo escolar, Aguirre afirmou que as pessoas tem a obriga&ccedil;&atilde;o de se formarem apesar dos professores e institui&ccedil;&otilde;es, pois existem limites e mediocridades. &ldquo;A melhor escola &eacute; a que trabalhemos em n&oacute;s mesmos. Ningu&eacute;m vai ensinar em uma classe a ser sens&iacute;vel, tolerante&rdquo;, comentou.<\/p>\n<p>O grupo do qual Aguirre faz parte elaborou documentos e folhetos explicativos sobre comunica&ccedil;&atilde;o inclusiva. A distribui&ccedil;&atilde;o desse material entre jornalistas t&ecirc;m o objetivo de sensibiliz&aacute;-los e ajud&aacute;-los em d&uacute;vidas b&aacute;sicas, por exemplo, como entrevistar uma pessoa com defici&ecirc;ncia f&iacute;sica. Alguns exemplares foram distribu&iacute;dos no semin&aacute;rio, mas as institui&ccedil;&otilde;es e faculdades brasileiras poderiam tomar iniciativa semelhante.<\/p>\n<p><strong>Educa&ccedil;&atilde;o com as diferen&ccedil;as<\/strong><\/p>\n<p>Diretora da organiza&ccedil;&atilde;o Escola de Gente &ndash; Comunica&ccedil;&atilde;o e Inclus&atilde;o, Cl&aacute;udia Werneck aprendeu a ser jornalista depois que se especializou em pessoas com defici&ecirc;ncias. Quando come&ccedil;ou a trabalhar com esse segmento devido a um acontecimento pessoal, seus colegas achavam que ela havia &ldquo;abandonado&rdquo; o jornalismo. Para ela, era justamente o contr&aacute;rio. &ldquo;Nesse processo de grande sofrimento, as pessoas acham natural voc&ecirc; ser especializada em carros, comida doce ou salgada, corrida de cavalo. Mas voc&ecirc; ser especializada em um conceito sobre o qual as pessoas evitam falar sobre, &eacute; uma atividade muito dif&iacute;cil&rdquo;, confessou.<\/p>\n<p>Cl&aacute;udia compartilhou seu descontentamento com o trabalho atual da imprensa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pessoas com defici&ecirc;ncia. Para ela, as mat&eacute;rias s&atilde;o as mesmas desde o come&ccedil;o da d&eacute;cada de 90 e deixa-se de comentar de forma mais aprofundada e cr&iacute;tica a situa&ccedil;&atilde;o desta parcela da popula&ccedil;&atilde;o. &ldquo;As not&iacute;cias de defici&ecirc;ncia s&atilde;o rid&iacute;culas. S&atilde;o as mesmas de 92, 93. Por exemplo: qualquer crian&ccedil;a tem que estar na escola regular pela legisla&ccedil;&atilde;o do Brasil. Mas as mat&eacute;rias de educa&ccedil;&atilde;o inclusiva mostram a m&atilde;e que escolheu a escola especial e a m&atilde;e que escolheu a educa&ccedil;&atilde;o inclusiva, s&oacute; isso.&rdquo; A jornalista acredita que as mat&eacute;rias n&atilde;o falam de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, do descumprimento de legisla&ccedil;&atilde;o e at&eacute; da economia de um ponto de vista das pessoas com defici&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Para melhorar a qualidade das mat&eacute;rias, Cl&aacute;udia afirmou que &eacute; necess&aacute;rio que exista pluralidade de fontes. &ldquo;&Eacute; preciso buscar fontes inimagin&aacute;veis, perturbadoras, para que se gere reflex&atilde;o. Trabalhar com as fontes, com o confronto a partir do entendimento de que esse tema exige respeito. Afinal, tratamos de viola&ccedil;&otilde;es aos direitos humanos.&rdquo;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Forma&ccedil;&atilde;o de comunicadores deve voltar-se para a voca&ccedil;&atilde;o de permanente negocia&ccedil;&atilde;o com a diversidade cotidiana, dizem especialistas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1146],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23517"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23517"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23517\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23517"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23517"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23517"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}