{"id":23494,"date":"2009-10-30T18:25:33","date_gmt":"2009-10-30T18:25:33","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23494"},"modified":"2014-09-07T02:58:52","modified_gmt":"2014-09-07T02:58:52","slug":"no-vidigal-antenistas-driblam-as-regras-do-mercado-para-moradores-assistirem-tv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23494","title":{"rendered":"No Vidigal, antenistas driblam as regras do mercado para moradores assistirem TV"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Para que a comunidade do Morro do Vidigal assista televis&atilde;o &eacute; preciso bem mais do que um clique de controle remoto. &Eacute; preciso driblar as condi&ccedil;&otilde;es impostas pela geografia, pelo preconceito do asfalto com a favela e, principalmente, as regras do mercado.<\/p>\n<p>O relato dos moradores da comunidade sobre o surgimento dos servi&ccedil;os de distribui&ccedil;&atilde;o de sinal de televis&atilde;o na comunidade, os chamados antenistas, mostra como as leis do mercado acabam deixando uma parcela importante da popula&ccedil;&atilde;o sem acesso a servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o. E como esta mesma popula&ccedil;&atilde;o, ao se dar conta do processo de exclus&atilde;o, contorna as regras mercadol&oacute;gicas para ter direito &agrave; assistir televis&atilde;o.<\/p>\n<p>A demanda por um servi&ccedil;o de distribui&ccedil;&atilde;o de TV por cabo no Vidigal &eacute; &oacute;bvia. A geografia do morro, cercado de pedras, impede que os sinais de televis&atilde;o aberta cheguem com qualidade &agrave; maioria das casas. Mas contam os moradores do Vidigal que apenas uma operadora j&aacute; chegou a oferecer seus servi&ccedil;os na comunidade. A Net chegou com o seu servi&ccedil;o na favela h&aacute; mais de 20 anos, fez as instala&ccedil;&otilde;es em 10% da regi&atilde;o e, alegando que os custos eram muito altos, retirou-se da comunidade. <\/p>\n<p>Hoje, a Net s&oacute; atende o Vidigal at&eacute; onde h&aacute; &ldquo;os edif&iacute;cios&rdquo;, na rua principal. As vielas e becos ficaram todos sem o sinal. A l&oacute;gica do mercado &eacute; simples: n&atilde;o vale &agrave; pena ter um gasto com t&atilde;o baixo retorno financeiro em &aacute;reas populares.  Poucos moradores t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de bancar a assinatura ao pre&ccedil;o que &eacute; oferecido, quando lhes &eacute; oferecido.<\/p>\n<p>A sa&iacute;da para o problema est&aacute; na oferta feita por alguns moradores que se articularam e estenderam uma rede de cabos para uma &aacute;rea que hoje cobre aproximadamente 80% da comunidade. S&atilde;o os antenistas.<\/p>\n<p>Ao todo, sete antenistas operam no Vidigal. Tr&ecirc;s deles com servi&ccedil;os de canais abertos e outros quatro com os de TV a cabo, cada um cobrindo determinado territ&oacute;rio da comunidade, separados uns dos outros. Devido &agrave; mesma geografia que impede a recep&ccedil;&atilde;o dos sinais de TV aberta, as transmiss&otilde;es dos antenistas s&oacute; funcionam a partir do sinal distribu&iacute;do pela Net. Para os moradores, quem n&atilde;o adquire o receptor com os antenistas, n&atilde;o v&ecirc; televis&atilde;o.<\/p>\n<p>Ronaldo L. da Silva &eacute; um dos antenistas. Ao montar a sua rede, abriu espa&ccedil;o para a distribui&ccedil;&atilde;o do canal de maior sucesso na comunidade, a VDG TV <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=23484\">[saiba mais]<\/a> . Silva &eacute; pintor. H&aacute; seis anos, conseguiu um empr&eacute;stimo e investiu na expans&atilde;o dos cabos pela comunidade. <\/p>\n<p>Conta o antenista que os canais distribu&iacute;dos pela Net foram codificados h&aacute; tr&ecirc;s anos, numa tentativa da operadora de impedir a distribui&ccedil;&atilde;o paralela. Silva tornou-os acess&iacute;veis tomando como base a experi&ecirc;ncia de outras comunidades. Hoje, emprega dez pessoas. Todas trabalham de segunda a s&aacute;bado, com um sal&aacute;rio fixo mais uma comiss&atilde;o proporcional ao trabalho realizado na manuten&ccedil;&atilde;o, atendimento e cobran&ccedil;a das assinaturas.<\/p>\n<p><strong>Negocia&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p>Silva conta que em, um ano, participou de 10 reuni&otilde;es com representantes da Net, uma delas realizada na sede da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) no Rio, para se chegar a um acordo de oferta casada de servi&ccedil;os na comunidade: a operadora ofereceria a programa&ccedil;&atilde;o, enquanto os antenistas cuidariam da distribui&ccedil;&atilde;o por um pre&ccedil;o m&oacute;dico. Hoje, cobram R$ 15 pela assinatura dos servi&ccedil;os. <\/p>\n<p>&ldquo;Nosso interesse &eacute; a TV e n&atilde;o a internet e o telefone. A Net tem capacidade de colocar isso tudo. Ela estaria ganhando uma comiss&atilde;o minha da TV e ganharia tamb&eacute;m com a internet e o telefone. Ent&atilde;o, seria um retorno bem grande pra quem hoje n&atilde;o tem nada, s&oacute; perde&rdquo;, afirmou. Segundo Silva, a Net prop&ocirc;s dobrar a tarifa para R$ 30. Este &eacute; praticamente o pre&ccedil;o do &ldquo;combo&rdquo; popular oferecido pela Net aos moradores dos edif&iacute;cios no p&eacute; do morro. Os antenistas defendem uma tarifa entre R$ 15 e 17. <\/p>\n<p>O acordo com a Net terminaria com a instabilidade a que est&atilde;o submetidos os antenistas, que prestam um servi&ccedil;o necess&aacute;rio na comunidade, mas sem o aval oficial da Net. Em seis anos, Silva perdeu muito dinheiro e equipamentos para a pol&iacute;cia. Ele acredita que a muitos moradores deixariam de assinar o servi&ccedil;o dos antenistas com a regulariza&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Muita gente j&aacute; n&atilde;o est&aacute; pagando em dia o valor atual, mas com a legaliza&ccedil;&atilde;o as pessoas n&atilde;o v&atilde;o ter outra op&ccedil;&atilde;o e, com o tempo, n&atilde;o v&atilde;o querer ficar sem TV&rdquo;, comenta. Segundo ele, mesmo ganhando menos, seria melhor a tranq&uuml;ilidade do servi&ccedil;o legalizado, mas n&atilde;o h&aacute; consenso entre os antenistas do Vidigal. Dos sete prestadores do servi&ccedil;o, s&oacute; tr&ecirc;s est&atilde;o interessados na negocia&ccedil;&atilde;o com a Net, sendo que um deles distribui apenas os sinais de TV aberta.<\/p>\n<p><strong>VDG TV e associa&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;Seu&rdquo; Paiva, marido de Marta Alves, criadora da VDG TV, acha que a legaliza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m facilitaria o trabalho do canal, cuja programa&ccedil;&atilde;o e inteiramente produzida no Vidigal, tem como foco a vida da comunidade e &eacute; distribu&iacute;do hoje pelos antenistas <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=23484\">[saiba mais]<\/a> . Com isso, eles poderiam instituir seu canal de televis&atilde;o juridicamente, o que permitiria viabilizar an&uacute;ncios &ndash; &ldquo;como os das Casas Bahia&rdquo;, comenta seu Paiva &ndash; e concorrer em editais para arrumar algum financiamento. &ldquo;N&oacute;s n&atilde;o estamos roubando material de ningu&eacute;m. &Eacute; uma produ&ccedil;&atilde;o local mesmo&rdquo;, observou, lembrando que alguns servi&ccedil;os de fora poderiam chegar aos mais de 60 mil moradores.<\/p>\n<p>O presidente da Associa&ccedil;&atilde;o de Moradores do Morro do Vidigal, Jos&eacute; Valdir, diz que a &ldquo;Net tinha de regularizar o servi&ccedil;o para todos&rdquo;. &ldquo;Os antenistas fazem um trabalho que &eacute; de necessidade da popula&ccedil;&atilde;o. &Eacute; uma sa&iacute;da que eles encontram&rdquo;, comentou. Na associa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; TV a cabo. O motivo: evitar problemas com a pol&iacute;cia, que volta e meia entra na favela para fazer apreens&otilde;es. &ldquo;Todo o investimento se perde em v&atilde;o&rdquo;, criticou.<\/p>\n<p><strong>*** VEJA TAMB&Eacute;M ***<\/strong><br \/><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=23484\">Com um ano de vida, TV Vidigal &eacute; assistida por 20 mil pessoas<\/a><br \/><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=23503\">Sem cobertura legal, antenistas t&ecirc;m de buscar acordos com operadoras<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para que a comunidade do Morro do Vidigal assista televis&atilde;o &eacute; preciso bem mais do que um clique de controle remoto. &Eacute; preciso driblar as condi&ccedil;&otilde;es impostas pela geografia, pelo preconceito do asfalto com a favela e, principalmente, as regras do mercado. 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