{"id":23493,"date":"2009-10-30T17:27:21","date_gmt":"2009-10-30T17:27:21","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23493"},"modified":"2009-10-30T17:27:21","modified_gmt":"2009-10-30T17:27:21","slug":"fiscalizacao-flagra-escravos-em-escavacoes-para-rede-da-claro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23493","title":{"rendered":"Fiscaliza\u00e7\u00e3o flagra escravos em escava\u00e7\u00f5es para rede da Claro"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Ap&oacute;s a den&uacute;ncia de quatro&nbsp;pessoas que n&atilde;o suportaram as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, a Superintend&ecirc;ncia Regional do Trabalho e Emprego do Esp&iacute;rito Santo (SRTE\/ES) libertou&nbsp;17 v&iacute;timas de trabalho an&aacute;logo&nbsp;&agrave; escravid&atilde;o, em Vit&oacute;ria (ES). Elas escavavam canaletas para&nbsp;acomodar cabos &oacute;ticos da operadora de telefonia celular Claro. A fiscaliza&ccedil;&atilde;o, que foi acompanhada pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho (MPT),&nbsp;se deu&nbsp;em 15 de outubro.<\/p>\n<p>As v&iacute;timas foram aliciadas no Norte do Rio de Janeiro no final de setembro, a pedido da subempreiteira Dell Constru&ccedil;&otilde;es, que por sua vez foi contratada pela multinacional Relacom Servi&ccedil;os de Engenharia e Telecomunica&ccedil;&atilde;o. Essa &uacute;ltima prestava servi&ccedil;os&nbsp;&agrave; Claro. O &quot;gato&quot; &#8211; intermedi&aacute;rio na contrata&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o-de-obra &#8211; prometeu aos trabalhadores bom sal&aacute;rio e ainda disse que havia a possibilidade de&nbsp;posterior contrata&ccedil;&atilde;o pela empresa. &quot;Por se tratar de uma empresa conhecida, os empregados se iludiram com a chance de serem efetivados&quot;, relata Alcimar Candeias, auditor fiscal do trabalho da SRTE\/ES que coordenou a a&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Os trabalhadores entregaram suas Carteiras de Trabalho e Previd&ecirc;ncia Social (CTPS) ao &quot;gato&quot;. Os documentos, por&eacute;m,&nbsp;ficaram no Rio de Janeiro. A legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista determina que o empregador informe ao Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego (MTE) no munic&iacute;pio de origem do&nbsp;trabalhador, por meio das Superintend&ecirc;ncias, Ger&ecirc;ncias ou Ag&ecirc;ncias, e emita a Certid&atilde;o Declarat&oacute;ria (antiga Certid&atilde;o Liberat&oacute;ria) antes da viagem.<\/p>\n<p>A subempreiteira Dell Constru&ccedil;&otilde;es alugou uma esp&eacute;cie de galp&atilde;o para alojar os empregados, no bairro Cobil&acirc;ndia, em Vila Velha (ES).&nbsp;Eles dormiam em colchonetes no ch&atilde;o. Havia somente um banheiro para todos. N&atilde;o tinham itens de higiene pessoal e nem podiam compr&aacute;-los porque n&atilde;o receberam nenhum pagamento at&eacute; o dia da fiscaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Os trabalhadores improvisaram uma cozinha no local&nbsp;e a esposa do &quot;gato&quot; preparava as refei&ccedil;&otilde;es, que eram cobradas. O empregador n&atilde;o fornecia &aacute;gua pot&aacute;vel, nem equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o individual (EPIs).<\/p>\n<p>Nos primeiros dias de trabalho, as v&iacute;timas caminhavam cerca de 3 km para chegar at&eacute; o local da escava&ccedil;&atilde;o, na Rodovia Carlos Lindenberg. &quot;Com a reclama&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores por causa do longo trajeto, a empresa alugou uma ca&ccedil;amba. Achando que estavam resolvendo uma situa&ccedil;&atilde;o, na verdade estavam colocando em risco a vida dos empregados&quot;, conta Alcimar. <\/p>\n<p>A jornada de trabalho se iniciava &agrave;s 6h da manh&atilde; e se estendia at&eacute; &agrave;s 18h, inclusive nos finais de semana. &quot;Normalmente quando o empregado sai de seu munic&iacute;pio para trabalhar, at&eacute; por estar longe da fam&iacute;lia, ele j&aacute; trabalha muito. Quando ele recebe por produ&ccedil;&atilde;o, trabalha at&eacute; a exaust&atilde;o mesmo. Com esses trabalhadores n&atilde;o era diferente&quot;, opina o auditor fiscal. <\/p>\n<p>O acordo inicial proposto pela empresa era pagar R$ 7 por metro escavado. Desse valor,&nbsp;R$ 2 ficariam com o &quot;gato&quot;. E para piorar, o empregador achou que a produ&ccedil;&atilde;o estava baixa e diminuiu R$ 2 do valor prometido: se recebessem, os empregados ficariam s&oacute; com R$ 3 por metro escavado. <\/p>\n<p>Ap&oacute;s a fiscaliza&ccedil;&atilde;o, os trabalhadores libertados foram transferidos para um hotel, onde permaneceram at&eacute; quarta-feira (21), quando receberam as verbas da rescis&atilde;o do contrato de trabalho. A subempreiteira Dell Constru&ccedil;&atilde;o, do Rio de Janeiro, arcou com os pagamentos. A Claro &eacute; controlada por empresas do mexicano Carlos Slim, dono de uma das maiores fortunas do mundo.<\/p>\n<p>A Relacom informou, por meio da assessoria de imprensa, &quot;que j&aacute; est&aacute; em contato direto com o Minist&eacute;rio do Trabalho do Estado do Esp&iacute;rito Santo para prestar os esclarecimentos necess&aacute;rios. As acusa&ccedil;&otilde;es feitas referem-se a uma empresa subcontratada e tomar&aacute; as medidas que forem necess&aacute;rias no conclus&atilde;o do processo&quot;. A assessoria de imprensa da Claro informou que a empresa &quot; j&aacute; tomou provid&ecirc;ncias internas para o referido caso&quot;. A <em>Rep&oacute;rter Brasil<\/em> n&atilde;o conseguiu contato com&nbsp;a Dell Constru&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap&oacute;s a den&uacute;ncia de quatro&nbsp;pessoas que n&atilde;o suportaram as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, a Superintend&ecirc;ncia Regional do Trabalho e Emprego do Esp&iacute;rito Santo (SRTE\/ES) libertou&nbsp;17 v&iacute;timas de trabalho an&aacute;logo&nbsp;&agrave; escravid&atilde;o, em Vit&oacute;ria (ES). Elas escavavam canaletas para&nbsp;acomodar cabos &oacute;ticos da operadora de telefonia celular Claro. 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