{"id":23463,"date":"2009-10-26T16:21:08","date_gmt":"2009-10-26T16:21:08","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23463"},"modified":"2009-10-26T16:21:08","modified_gmt":"2009-10-26T16:21:08","slug":"por-novos-criterios-para-a-analise-das-concessoes-de-tv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23463","title":{"rendered":"Por novos crit\u00e9rios para a an\u00e1lise das concess\u00f5es de TV"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><em>[T&iacute;tulo original: Acerca dos crit&eacute;rios para as outorgas do espectro eletromagn&eacute;tico]<\/em><\/p>\n<p>Numa tentativa de contribuir para a cria&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios claros que possam pautar o debate sobre as concess&otilde;es e renova&ccedil;&otilde;es dos canais de televis&atilde;o, cujos espectros s&atilde;o p&uacute;blicos, propomos uma reflex&atilde;o sobre a quest&atilde;o dos conte&uacute;dos televisivos, mais precisamente, sobre os dramat&uacute;rgicos ou ficcionais, dentro do atual contexto da CONFECOM, a ser realizada em dezembro deste ano de 2009.<\/p>\n<p>Evidentemente, a quest&atilde;o dos conte&uacute;dos audiovisuais precisa ser, urgentemente, considerada ponto de pauta dessa importante avalia&ccedil;&atilde;o acerca da poss&iacute;vel oportunidade de renova&ccedil;&atilde;o ou concess&atilde;o de um bem p&uacute;blico a uma empresa privada.<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute;, aqui, necessidade de uma longa explica&ccedil;&atilde;o sobre a evidente responsabilidade social de uma empresa de neg&oacute;cios particulares diante de uma concess&atilde;o de direito p&uacute;blico, onde um bem coletivo &eacute; outorgado para explora&ccedil;&atilde;o de lucros privados, o que, sem d&uacute;vida, deve vir acompanhado de exig&ecirc;ncia de retorno e contrapartida de interesse coletivo. Nesse sentido, n&atilde;o s&oacute; quest&otilde;es administrativas e jur&iacute;dicas devem ser analisadas e julgadas, mas, tamb&eacute;m, a quest&atilde;o que chamamos hoje de conte&uacute;do, dentro da terminologia adotada pela &aacute;rea do audiovisual. Isso, claro, porque &eacute; nesse espa&ccedil;o de natureza cultural que se justifica e se realiza a oferta da contrapartida mais interessante para o p&uacute;blico que &eacute; usu&aacute;rio e receptor dos processos de comunica&ccedil;&atilde;o que da&iacute; decorrem.<\/p>\n<p>Abrimos, aqui, espa&ccedil;o para um amplo debate cultural, importante hoje para o pa&iacute;s que se desenvolve economicamente a passos largos, mudando nossa hist&oacute;ria de subdesenvolvimento e depend&ecirc;ncia. Qual a cultura que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o comerciais est&atilde;o oferecendo e mais claramente falando: impondo aos telespectadores, receptores passivos? Quest&atilde;o de mensagem dentro do processo comunicativo, onde a interatividade possibilitar&aacute; a troca alterando significativamente o quadro atual? No momento, vale levantar quest&otilde;es fundamentais para que a democracia se exer&ccedil;a verdadeiramente, j&aacute; que os emissores, criadores dos conte&uacute;dos, s&atilde;o respons&aacute;veis pela transmiss&atilde;o de padr&otilde;es culturais que nem sempre s&atilde;o apresentados como reflexos culturais pr&eacute;-existentes, mas como sugest&otilde;es, par&acirc;metros e paradigmas moduladores da face cultural e antropol&oacute;gica do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Uma emissora privada tem realmente o direito de impor, propor, decidir sozinha o conte&uacute;do, a voz, a ess&ecirc;ncia, o fundamento, o teor, a forma, o desenho, a alma de nossa cultura, nossa express&atilde;o antropol&oacute;gica, como se aquilo fosse a verdade absoluta da nossa express&atilde;o coletiva, profunda, aut&ecirc;ntica, hist&oacute;rica, democr&aacute;tica, popular?<\/p>\n<p>Abordando a quest&atilde;o dramat&uacute;rgica propriamente dita, relembro Brecht, para quem a dramaturgia &eacute; um dos instrumentos mais fortes de intera&ccedil;&atilde;o, modifica&ccedil;&atilde;o, atua&ccedil;&atilde;o, transmiss&atilde;o de id&eacute;ias, mobiliza&ccedil;&atilde;o, enfim, poderoso processo de despertar do senso critico, transformando cada um em sujeito da transforma&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica ou manipulando catarticamente e reduzindo em objetos passivos seres mergulhados em fortes emo&ccedil;&otilde;es capazes de reduzir capacidades de avalia&ccedil;&atilde;o l&uacute;cida dos conte&uacute;dos apresentados. <\/p>\n<p>O que faz hoje nossas dramaturgias televisivas, ou seja: nossas telenovelas, acompanhadas com paix&atilde;o diariamente pelo p&uacute;blico? Qual a proposta dos emissores de poderosos conte&uacute;dos culturais capazes de modificar e n&atilde;o somente reproduzir costumes, no sentido de express&atilde;o cultural de um povo? Nossa cultura &eacute; mesmo e t&atilde;o somente aquela que est&aacute; estampada nas pequenas e &agrave;s vezes grandes telas dentro das casas brasileiras? Ser&atilde;o espelhos? Ser&atilde;o proposi&ccedil;&otilde;es, sugest&otilde;es? Que efeitos produzem socialmente? Quais padr&otilde;es e propostas apresentam? Que cultura &eacute; essa?<\/p>\n<p>Alguns diriam: querem tirar nossas liberdades. Por&eacute;m, a liberdade de cada um termina quando come&ccedil;a a do outro. E agora, come&ccedil;a a era das liberdades populares. Tem o povo o direito de dizer n&atilde;o a um conte&uacute;do? Estar&atilde;o as TVs comerciais invadindo direitos democr&aacute;ticos dentro das casas ao colocarem, nas telas, dramaturgias que, na verdade, n&atilde;o estariam expressando a cultura dos que assistem ou n&atilde;o estariam propondo uma cultura de interesse p&uacute;blico? Todos n&oacute;s queremos mesmo a atual teledramaturgia veiculada como express&atilde;o m&aacute;xima de um universo de celebridades dentro do qual cada cidad&atilde;o &eacute; obrigado a se posicionar como manda um r&iacute;gido c&oacute;digo cultural, com valores, vis&atilde;o de mundo, verdades e onde nada &eacute; por acaso, desproposital, ing&ecirc;nuo ou sem inten&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Vamos, sim, discutir se o conte&uacute;do ficcional veiculado como padr&atilde;o cultural &eacute; mesmo de interesse p&uacute;blico. Ao menos o p&uacute;blico tem o direito de opinar se quer ou n&atilde;o outorgar seu espectro para uma empresa privada colocar suas hist&oacute;rias, seus folhetins, suas fic&ccedil;&otilde;es como se fossem os &uacute;nicos poss&iacute;veis. Vamos contar nossas hist&oacute;rias e propor um folhetim verdadeiramente popular para que nossa express&atilde;o ficcional m&aacute;xima e democr&aacute;tica invada tamb&eacute;m as telas e as casas em todos os recantos deste vasto mundo, nossa cultura. Vamos nos apropriar de nossa antropologia, como um <em>gestus<\/em> brechtiano.<\/p>\n<p>Quanto aos crit&eacute;rios, como ponto de pauta para a CONFECOM, sugiro uma comiss&atilde;o formada por: diretores de cinema, televis&atilde;o e teatro, dramaturgos, professores de literatura, educadores, psic&oacute;logos e antrop&oacute;logos, para que se abra um verdadeiro debate sobre a quest&atilde;o dos conte&uacute;dos audiovisuais ficcionais como ponto fundamental de pauta para avalia&ccedil;&atilde;o sobre outorgas e renova&ccedil;&otilde;es dos nossos espectros eletromagn&eacute;ticos p&uacute;blicos, relembrando que j&aacute; est&aacute; presente na nossa Constitui&ccedil;&atilde;o a recomenda&ccedil;&atilde;o de que sejam observados crit&eacute;rios educativos e culturais, dentro da &aacute;rea da Comunica&ccedil;&atilde;o. A CONFECOM deve ter como objetivo estruturar melhor esse item constitucional.<\/p>\n<p>Finalmente, ent&atilde;o, vale ressaltar que somente a realiza&ccedil;&atilde;o da CONFER&Ecirc;NCIA NACIONAL DE COMUNICA&Ccedil;&Atilde;O poder&aacute; criar um marco regulat&oacute;rio capaz de definitivamente estabelecer novos paradigmas para nossa cultura.<\/p>\n<p>* Heloisa Toledo Machado &eacute; professora do Curso de Cinema e da P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia da Arte, da Universidade Federal Fluminense (UFF).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N&atilde;o s&oacute; quest&otilde;es administrativas e jur&iacute;dicas devem ser analisadas e julgadas, mas, tamb&eacute;m, a quest&atilde;o que chamamos hoje de conte&uacute;do.  <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[56],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23463"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23463"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23463\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23463"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23463"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23463"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}