{"id":23446,"date":"2009-10-22T16:19:02","date_gmt":"2009-10-22T16:19:02","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23446"},"modified":"2009-10-22T16:19:02","modified_gmt":"2009-10-22T16:19:02","slug":"e-preciso-reestatizar-a-telefonica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23446","title":{"rendered":"\u201c\u00c9 preciso reestatizar a Telef\u00f4nica\u201d"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Ele n&atilde;o &eacute; petista, socialista, chavista ou adepto de qualquer outro ismo ligado &agrave; esquerda. Ao contr&aacute;rio, foi um dos principais executivos do Brasil em telecomunica&ccedil;&otilde;es, no per&iacute;odo p&oacute;s-privatiza&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Esse &eacute; Virg&iacute;lio Freire, um consultor de 64 anos, que j&aacute; presidiu companhias como a Lucent, subsidi&aacute;ria da AT&amp;T, e a V&eacute;sper, a empresa-espelho na regi&atilde;o de S&atilde;o Paulo. Hoje, ele prega algo que soa quase como uma heresia: a reestatiza&ccedil;&atilde;o do setor, em especial da Telef&ocirc;nica. <\/p>\n<p>E explica: As empresas est&atilde;o mais preocupadas com o lucro do que com a qualidade dos servi&ccedil;os. Ele ainda questiona o investimento de R$ 2 bilh&otilde;es anunciado pela empresa na reformula&ccedil;&atilde;o do Speedy. N&atilde;o est&atilde;o comprando nenhum equipamento, afirma.<\/p>\n<p><strong>Por que o sr. passou a defender a reestatiza&ccedil;&atilde;o das telecomunica&ccedil;&otilde;es?<\/strong><br \/>A quest&atilde;o vai al&eacute;m de ser estatal ou privado. N&atilde;o sou petista ou qualquer outro r&oacute;tulo que queiram me dar. O problema da telefonia no Brasil est&aacute; na concentra&ccedil;&atilde;o de mercado. Hoje, um pequeno grupo de empres&aacute;rios det&eacute;m a maior fatia da telefonia fixa. Isso &eacute; ruim para o Pa&iacute;s e p&eacute;ssimo para o consumidor. Eles est&atilde;o mais preocupados com o lucro do que com a qualidade dos servi&ccedil;os. As decis&otilde;es s&atilde;o sempre tomadas de acordo com os interesses dos s&oacute;cios. A volta do Estado funcionaria como um regulador, assim como ocorre no setor banc&aacute;rio, com o Banco do Brasil e a Caixa.<\/p>\n<p><strong>Seu alvo &eacute; a Telef&ocirc;nica, em S&atilde;o Paulo?<br \/><\/strong>&Eacute; a maior empresa e a que presta o pior servi&ccedil;o. H&aacute; muitos anos &eacute; a l&iacute;der de reclama&ccedil;&otilde;es no Procon. Dentro do contrato de concess&atilde;o, assinado quando a Telesp foi privatizada, h&aacute; cl&aacute;usulas que preveem a retomada da empresa pelo Estado. Ent&atilde;o, o governo pode pedir a empresa de volta. A telefonia, sem d&uacute;vida, precisa voltar para as m&atilde;os do Estado.<\/p>\n<p><strong>Estatizar ao estilo do venezuelano Hugo Ch&aacute;vez?<\/strong><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">N&atilde;o. Sei que a proposta de reestatizar uma empresa soa agressiva, radical. Ningu&eacute;m vai rasgar contrato ou expulsar um grupo privado, como acontece na Venezuela. &Eacute; exatamente o contr&aacute;rio. Trata-se de fazer cumprir o contrato, defender o consumidor e adotar medidas legais cab&iacute;veis em caso de descumprimento das regras. E a reestatiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; a apropria&ccedil;&atilde;o indevida. &Eacute; s&oacute; pagar &agrave; Telef&ocirc;nica o valor que a empresa vale.<\/p>\n<p><strong>A regula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; papel da Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es?<\/strong><br \/>Seria, mas a Anatel n&atilde;o cumpre seu dever. Caberia a ela zelar pelos interesses dos consumidores, mas ela se preocupa mais em atender aos interesses pol&iacute;ticos do governo e agradar a grupos de empres&aacute;rios. &Eacute; um &oacute;rg&atilde;o absolutamente ausente, passivo e negligente na defesa dos consumidores. Algu&eacute;m duvida disso? &Eacute; inoperante, ineficiente e incapaz&#8230; <\/p>\n<p><strong>Mas recentemente a Telef&ocirc;nica foi multada em quase R$ 2 bilh&otilde;es e o Speedy teve sua venda proibida. N&atilde;o foi uma resposta do governo?<br \/><\/strong>No caso da suspens&atilde;o do Speedy, foi uma decis&atilde;o defasada. A Telef&ocirc;nica vendia um servi&ccedil;o que n&atilde;o funcionava, inst&aacute;vel e de p&eacute;ssima qualidade. No caso da multa, &eacute; uma piada, no m&iacute;nimo. A Anatel divulga multas milion&aacute;rias, mas os valores nunca s&atilde;o cobrados. Ou seja, &eacute; s&oacute; para enganar a opini&atilde;o p&uacute;blica. At&eacute; hoje a Telef&ocirc;nica n&atilde;o pagou um real sequer em multas para a Anatel. &Eacute; por isso que as operadoras n&atilde;o est&atilde;o nem a&iacute; para a Anatel. As empresas devem rir da Anatel quando essas puni&ccedil;&otilde;es s&atilde;o divulgadas. Por mais que o presidente da ag&ecirc;ncia tenha boas inten&ccedil;&otilde;es, o &oacute;rg&atilde;o que ele dirige n&atilde;o funciona.<\/p>\n<p><strong>Logo depois da multa, a Telef&ocirc;nica entregou &agrave; Anatel um plano emergencial de melhoria dos servi&ccedil;os e lan&ccedil;ou um programa de moderniza&ccedil;&atilde;o de mais de R$ 2 bilh&otilde;es. Isso n&atilde;o basta?<br \/><\/strong>Esse plano de investimentos &eacute;, no m&iacute;nimo, propaganda institucional. N&atilde;o existe de fato. Desafio qualquer um a apresentar um pedido de compra de equipamentos feito pela Telef&ocirc;nica. A Associa&ccedil;&atilde;o de Engenharia de Telecomunica&ccedil;&atilde;o entrou em contato com todos os fornecedores no Pa&iacute;s, todos mesmo, de componentes para telecomunica&ccedil;&otilde;es para saber para onde estavam indo os investimentos de R$ 2 bilh&otilde;es anunciados pela Telef&ocirc;nica. Consultaram Alcatel-Lucent, Motorola, Siemens, Nokia, Huawei e todas as outras. Para nossa surpresa, at&eacute; hoje n&atilde;o existe nenhum pedido ou compra de equipamento. Ent&atilde;o, podemos concluir que isso &eacute; uma fal&aacute;cia. <\/p>\n<p><strong>A Telef&ocirc;nica tem capital aberto e &eacute; fiscalizada aqui e na Espanha. Como &eacute; poss&iacute;vel?<br \/><\/strong>Bom, vamos fazer uma an&aacute;lise do balan&ccedil;o divulgado pela Telef&ocirc;nica no ano passado. Da&iacute;, cada um tira a conclus&atilde;o que quiser. A empresa informou que investiu R$ 2,3 bilh&otilde;es em 2008. Desse total, R$ 459 milh&otilde;es foram para desenvolvimento de sistemas, que nada mais &eacute; do que atualiza&ccedil;&atilde;o de softwares, um valor dez vezes maior do que um grande contrato de TI. Totalmente desproporcional. Tamb&eacute;m divulgaram investimento de R$ 471,8 milh&otilde;es em aquisi&ccedil;&atilde;o de equipamentos de assinante. Ou seja, modem para internet e aparelhos telef&ocirc;nicos. O pre&ccedil;o mais alto desses aparelhos &eacute; R$ 100. Se a gente dividir R$ 471,8 por R$ 100, chegamos &agrave; seguinte conclus&atilde;o: a Telef&ocirc;nica comprou 4,7 milh&otilde;es de aparelhos em 12 meses. Muito estranho, n&atilde;o? A empresa possui hoje 13 milh&otilde;es de linhas.<\/p>\n<p><strong>O balan&ccedil;o foi auditado por uma consultoria independente.<\/strong><br \/>Prefiro n&atilde;o comentar sobre a reputa&ccedil;&atilde;o da Ernst&amp;Young. <\/p>\n<p><strong>Como o sr. avalia a telefonia celular? &Eacute; melhor do que a fixa?<\/strong><br \/>N&atilde;o &eacute; monopolista, mas &eacute; muito ruim por falta de pulso firme da Anatel. As empresas est&atilde;o mais preocupadas em remunerar os acionistas do que em investir de forma a prestar um servi&ccedil;o de qualidade &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p><strong>A pr&oacute;pria competi&ccedil;&atilde;o entre as empresas n&atilde;o equaciona esse problema?<\/strong><br \/>Um aspecto interessante sobre esta excessiva competi&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea de celulares &eacute; que, por incr&iacute;vel que pare&ccedil;a, as operadoras n&atilde;o est&atilde;o bem de lucros. A raz&atilde;o &eacute; simples. Elas acham que market share &eacute; quanto do n&uacute;mero de assinantes ou clientes cada uma tem. Na verdade, 80% de todos as linhas celulares no Brasil s&atilde;o pr&eacute;-pagas, que geram por m&ecirc;s uma receita que n&atilde;o chega nem &agrave; metade do que gera um p&oacute;s-pago. Elas se concentram em vender, vender, e os pr&eacute;-pagos quase n&atilde;o fazem liga&ccedil;&otilde;es. S&atilde;o usados para receber, e consequentemente, n&atilde;o geram receita. <\/p>\n<p><strong>A estrat&eacute;gia est&aacute; errada?<\/strong><br \/>&Eacute; uma estrat&eacute;gia suicida. Se eu fosse presidente de uma operadora de celular, iria concentrar esfor&ccedil;os em vender a quem gera receita, os p&oacute;s-pagos. Iria criar novos servi&ccedil;os. Iria paparicar meu cliente <\/p>\n<p><strong>Isso custa caro.<\/strong><br \/>J&aacute; notou como a publicidade de todas as operadoras de celular &eacute; igual? E, sem sentido, do tipo voc&ecirc;s sem limites. Um slogan vazio. Se eu dirigisse uma operadora de celular, criaria um excelente atendimento ao cliente, sem terceirizar. <\/p>\n<p><strong>A terceiriza&ccedil;&atilde;o &eacute; um problema?<\/strong><br \/>Terceirizar qualquer fun&ccedil;&atilde;o de contato com o cliente &eacute; suic&iacute;dio. Voc&ecirc; j&aacute; notou que nenhuma empresa a&eacute;rea terceiriza aeromo&ccedil;as? <\/p>\n<p><strong>A Telesp, onde o sr. j&aacute; foi diretor, e a V&eacute;sper n&atilde;o tinham atendimento bom.<\/strong><br \/>Muito melhor do que o atendimento de hoje. Foi com essa filosofia que criei a V&eacute;sper. <\/p>\n<p><strong>Ent&atilde;o, por que a empresa n&atilde;o deu certo?<\/strong><br \/>Porque os acionistas brigaram. A Bell Canad&aacute;, principal acionista, resolveu sair do Brasil e parar de investir na V&eacute;sper. Assim, cortou mais de US$ 2 bilh&otilde;es de investimentos. <\/p>\n<p><strong>Na maioria dos pa&iacute;ses, o Estado n&atilde;o compete no setor de telefonia e as coisas funcionam bem. O que acontece l&aacute;?<br \/><\/strong>Como se v&ecirc;, n&atilde;o h&aacute; como escapar do papel fiscalizador e protetor do consumidor que o Estado deve assumir. Na p&aacute;tria do capitalismo, os Estados Unidos, tudo o que disse at&eacute; agora &eacute; executado com compet&ecirc;ncia pela Anatel deles, o Federal Communications Commision, que &eacute; todo ocupado por profissionais que t&ecirc;m anos de experi&ecirc;ncia. O FCC foi o modelo para a Anatel, mas nossa ag&ecirc;ncia desde o in&iacute;cio foi uma caricatura, n&atilde;o uma c&oacute;pia benfeita.<\/p>\n<p><strong>Apesar das falhas, a Anatel tem tentado mudar. Concorda?<\/strong><br \/>A ag&ecirc;ncia n&atilde;o sabe trabalhar. Vou dar um exemplo simples de como a Anatel funciona de forma burra. A fim de promover a competi&ccedil;&atilde;o, a ag&ecirc;ncia inventou uma coisa que existe em nenhum outro pa&iacute;s do mundo. Inventou a discagem da operadora de longa dist&acirc;ncia a cada chamada. Isso nos for&ccedil;a a discar 13 d&iacute;gitos a cada chamada interurbana. Gastou-se uma fortuna para adaptar as centrais para isso, quando bastava ter copiado o que os Estados Unidos fazem. L&aacute;, voc&ecirc; faz assinatura com uma operadora de longa dist&acirc;ncia e pronto.<\/p>\n<p><strong>Isso pode ser mudado, n&atilde;o?<\/strong><br \/>A Anatel n&atilde;o entende de satisfa&ccedil;&atilde;o do cliente. No caso dos Estados Unidos, a competi&ccedil;&atilde;o &eacute; at&eacute; mais eficaz porque a operadora de longa dist&acirc;ncia que voc&ecirc; contratou n&atilde;o quer perd&ecirc;-lo <\/p>\n<p>Afinal, qual a solu&ccedil;&atilde;o para o setor de telefonia no Brasil?<br \/>Ca&iacute;mos de novo na atua&ccedil;&atilde;o do Estado, da Anatel, que deveria ter gente capaz de avaliar as operadoras por dentro. <\/p>\n<p>Quem garante que a estatiza&ccedil;&atilde;o ser&aacute; o fim dos problemas?<br \/>N&atilde;o h&aacute; garantias, mas &eacute; a alternativa mais sensata. <\/p>\n<p>Sua ofensiva contra a Telef&ocirc;nica n&atilde;o prejudica seu futuro profissional?<br \/>N&atilde;o me preocupo com isso. Hoje sou consultor de empresas internacionais de telefonia. Meu ganha-p&atilde;o n&atilde;o est&aacute; no Brasil. Por isso, tenho independ&ecirc;ncia para falar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ex-presidente da Lucent e da V&eacute;sper diz que teles n&atilde;o se preocupam com a qualidade dos servi&ccedil;os<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1130,1129],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23446"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23446"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23446\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23446"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23446"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23446"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}