{"id":23438,"date":"2009-10-19T17:20:52","date_gmt":"2009-10-19T17:20:52","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23438"},"modified":"2009-10-19T17:20:52","modified_gmt":"2009-10-19T17:20:52","slug":"interesse-publico-deve-prevalecer-na-regulacao-da-convergencia-tecnologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23438","title":{"rendered":"Interesse p\u00fablico deve prevalecer na regula\u00e7\u00e3o da converg\u00eancia tecnol\u00f3gica"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Regular o processo de converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica no Brasil exige um esfor&ccedil;o duplo: dar conta do passivo gerado por anos de aus&ecirc;ncia de regula&ccedil;&atilde;o e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas na &aacute;rea das comunica&ccedil;&otilde;es ao mesmo tempo em que se estabelecem bases para um cen&aacute;rio futuro favor&aacute;vel &agrave; cidadania. &Eacute; o que se pode concluir das avalia&ccedil;&otilde;es de especialistas em direito do consumidor, membros do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal e pesquisadores da &aacute;rea das comunica&ccedil;&otilde;es apresentadas na mesa-redonda &quot;Desafios Regulat&oacute;rios no cen&aacute;rio de converg&ecirc;ncia das comunica&ccedil;&otilde;es &#8211; Construindo propostas para a 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o&quot;. <\/p>\n<p>Invariavelmente, os participantes fizeram ressalvas ao papel atualmente cumprido pelos &oacute;rg&atilde;os respons&aacute;veis pela regula&ccedil;&atilde;o do setor e, ao buscarem falar de propostas para o futuro convergente, acabaram por criticar a&ccedil;&otilde;es do Estado brasileiro em rela&ccedil;&atilde;o a tecnologias do s&eacute;culo XX, como a telefonia fixa e a radiodifus&atilde;o. O evento foi realizado pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, Centro de Tecnologia e Sociedade da Faculdade de Direito da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas do Rio de Janeiro e o N&uacute;cleo de Pesquisas, Estudos e Forma&ccedil;&atilde;o da Rits no dia 15, em S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p>O balan&ccedil;o negativo da privatiza&ccedil;&atilde;o do setor de telefonia fixa foi feito por Estela Guerrini, do Idec, e o procurador Marcio Schusterschitz, membro do do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal em S&atilde;o Paulo. Para a advogada, n&atilde;o foi cumprida a &ldquo;grande promessa&rdquo; da privatiza&ccedil;&atilde;o do Sistema Telebr&aacute;s de &ldquo;telefones fixos para todos&rdquo;. <\/p>\n<p>J&aacute; Schusterschitz sublinhou a incompatibilidade entre as metas de universaliza&ccedil;&atilde;o da telefonia n&atilde;o alcan&ccedil;adas e a cena tecnol&oacute;gica atual. &ldquo;Talvez o maior m&eacute;rito desse modelo tenha sido o aumento do n&uacute;mero de linhas, mas isso &eacute; muito pouco para [a realidade de] 2009. O que o modelo tem oferecido para o pa&iacute;s e quais os elogios que se pode fazer a ele?&quot;, questionou. O procurador ainda afirmou que a tecnologia abarcada pela atual legisla&ccedil;&atilde;o diz respeito &agrave; telefonia fixa, sendo, portanto, anacr&ocirc;nica e ineficiente diante da realidade.<\/p>\n<p>Para Estela Guerrini, os avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos s&oacute; t&ecirc;m piorado o quadro para os que compartilham o ideal da comunica&ccedil;&atilde;o como um direito do cidad&atilde;o uma vez que n&atilde;o h&aacute; regras que d&ecirc;em conta dos v&aacute;rios tipos de servi&ccedil;os surgidos nos &uacute;ltimos anos, nem sobre como eles podem ser oferecidos aos consumidores. &ldquo;A converg&ecirc;ncia &eacute; boa porque facilita o acesso, e &agrave;s vezes reduz o custo, mas por outro lado existem pr&aacute;ticas ilegais. Uma delas &eacute; que para obter um produto, voc&ecirc; tenha que adquirir outro servi&ccedil;o da empresa, como cabo e internet, ou internet e telefone&rdquo;, comentou a advogada, criticando os &ldquo;combos&rdquo; das operadoras de telefonia e de TV por assinatura.<\/p>\n<p> E por fim, fez cr&iacute;ticas &agrave; Ag&ecirc;ncia Nacional de Telefonia, iniciando o coro : &quot;Anatel tem que sair do estado de conforto em que est&aacute;, como regulador da telefonia fixa. A informa&ccedil;&atilde;o &eacute; um direito fundamental: quando a internet cai, significa a nega&ccedil;&atilde;o desses direitos&quot;.<\/p>\n<p>Carlos Afonso, pesquisador do Nupef, defendeu a desagrega&ccedil;&atilde;o de redes como forma de garantir o acesso aos diversos servi&ccedil;os de telefonia e banda larga. Isso significa separar entre diferentes empresas a explora&ccedil;&atilde;o da infra-estrutura das redes e a oferta dos servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Com isso, haveria o est&iacute;mulo da concorr&ecirc;ncia, uma vez que &agrave;s empresas que s&atilde;o donas das redes f&iacute;sicas se interessariam em vender seus produtos para um n&uacute;mero maior de prestadores de servi&ccedil;o. Hoje, segundo Afonso, ocorre o exato oposto. &ldquo;A Telef&ocirc;nica vai fazer de tudo para impedir que outra empresa ilumine sua linha com banda larga&rdquo;, criticou. <\/p>\n<p>Afonso citou como exemplo o caso de Portugal, cuja qualidade da banda larga seria maior e mais barata por existirem v&aacute;rias empresas que concorrem pelos servi&ccedil;os. &quot;Desde 95 at&eacute; aqui, [o pre&ccedil;o do acesso] a internet subiu vinte vezes mais que a infla&ccedil;&atilde;o. A Anatel deveria regular isso, mas ela sempre legislou do lado da empresa.&rdquo;<\/p>\n<p>O papel do governo federal na universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga foi um dos temas recorrentes nas interven&ccedil;&otilde;es da plat&eacute;ia. Os participantes mostraram preocupa&ccedil;&atilde;o com o tipo de exig&ecirc;ncia que poder&aacute; ser feita ao governo na Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Direitos e conte&uacute;dos na converg&ecirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p>Tamb&eacute;m da plat&eacute;ia, o procurador da Rep&uacute;blica Luis Costa expressou preocupa&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; privacidade de dados. &ldquo;O que ser&atilde;o feitos com meus dados? Isso vale dinheiro&rdquo;, comentou.<\/p>\n<p>Luiz Moncau, da FGV, apresentou as preocupa&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o ao conflito entre a crescente circula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos na internet e as quest&otilde;es de direito autoral. Ele defendeu a id&eacute;ia de equil&iacute;brio entre conte&uacute;do e acesso p&uacute;blico, ou seja, a defesa de uma internet que seja rica de conte&uacute;do (copy paste) mas que, de alguma forma, o autor tivesse alguma recompensa.<\/p>\n<p>Moncau advertiu que o Brasil est&aacute; longe desse quadro. O pa&iacute;s tende a criminalizar a viola&ccedil;&atilde;o de direitos autorais, para proteger a ind&uacute;stria de entretenimento. O pesquisador alertou sobre projetos de leis em tramita&ccedil;&atilde;o no Congresso que s&atilde;o mais r&iacute;gidos e aumentam as puni&ccedil;&otilde;es aos internautas. O problema em se seguir esta l&oacute;gica &eacute;, segundo Moncau, que ele seria um est&iacute;mulo &agrave; escassez de conte&uacute;do. &ldquo;A internet deixaria de ser internet&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>J&aacute; o professor da Universidade de S&atilde;o Paulo e ouvidor da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC), Laurindo Lalo Leal Filho, lembrou que a circula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos atrav&eacute;s das m&iacute;dias mais convencionais, como o r&aacute;dio e a TV, tamb&eacute;m merecem aten&ccedil;&atilde;o. Lalo criticou igualmente a falta de regula&ccedil;&atilde;o do setor de converg&ecirc;ncia e defendeu &ldquo;uma radiodifus&atilde;o a servi&ccedil;o dos humanos e n&atilde;o do mercado&rdquo;.<\/p>\n<p>Para Lalo, &eacute; preciso haver condi&ccedil;&otilde;es para que a sociedade interfira no conte&uacute;do veiculado pelas m&iacute;dias, ao mesmo tempo em que se controla a distribui&ccedil;&atilde;o dos canais de r&aacute;dio e TV. &quot;Licita&ccedil;&atilde;o, regula&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o tem a ver com censura. Parte da pr&oacute;pria sociedade&quot;. Ele elogiou o fato de a Argentina ter aprovado uma nova lei proibindo que um grupo que fosse dono de um canal na TV aberta, o fosse tamb&eacute;m na TV a cabo. Para o professor, &ldquo;o mercado solto tende sempre &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Contra qualquer proposta de controle social da m&iacute;dia, Walter Ceneviva, da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifusores (Abra) e &uacute;nico representante do setor empresarial no semin&aacute;rio, disse que &quot;para a viabiliza&ccedil;&atilde;o da Confecom, &eacute; de crucial import&acirc;ncia para a evolu&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o haja o controle social do conte&uacute;do, que significa censura e interfer&ecirc;ncia pol&iacute;tica&quot;. Walter afirmou que em nome desse controle, alguns assuntos poderiam ser censurados, como tem feito alguns governantes em nome do povo. Ele n&atilde;o citou nomes. Walter tamb&eacute;m chamou aten&ccedil;&atilde;o para que as propostas da Confecom levassem em conta a situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do pa&iacute;s, para evitar propostas que sejam invi&aacute;veis.<\/p>\n<p>Jo&atilde;o Brant, membro do Intervozes, lembrou da dificuldade que tem sido o processo de constru&ccedil;&atilde;o da Confecom exatamente pela resist&ecirc;ncia de empres&aacute;rios e do governo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; abertura do debate em certos temas. Assim como outros debatedores, denunciou a situa&ccedil;&atilde;o de verdadeira desregula&ccedil;&atilde;o que se encontra hoje o setor de radiofus&atilde;o, e assim como Lalo se manifestou favor&aacute;vel ao controle social. &quot;Hoje h&aacute; todos os tipos de barreiras para se conseguir uma concess&atilde;o na TV aberta. Nem capitalismo de concorr&ecirc;ncia temos, mas sim capitanias heredit&aacute;rias&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Al&eacute;m do diagn&oacute;stico de que a m&iacute;dia no Brasil &eacute; um monop&oacute;lio, Brant defendeu uma regula&ccedil;&atilde;o que garanta que a diversidade brasileira estivesse na TV e que uma futura regula&ccedil;&atilde;o atente ao cumprimento dos direitos humanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Evento realizado em S&atilde;o Paulo mostra que &eacute; preciso lidar com danos causados por anos de desregula&ccedil;&atilde;o do setor de comunica&ccedil;&otilde;es, em especial no processo da Confecom<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[866],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23438"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23438"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23438\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23438"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23438"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23438"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}