{"id":23413,"date":"2009-10-07T17:55:07","date_gmt":"2009-10-07T17:55:07","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23413"},"modified":"2009-10-07T17:55:07","modified_gmt":"2009-10-07T17:55:07","slug":"governos-comecam-aos-poucos-a-usar-ferramentas-da-web-2-0","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23413","title":{"rendered":"Governos come\u00e7am, aos poucos, a usar ferramentas da web 2.0"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Embora seja cada vez mais comum &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos e outros entes estatais usarem os recursos da rede mundial de computadores, as possibilidades de interatividade e instantaneidade criadas pela chamada &ldquo;web 2.0&rdquo; parecem multiplicar o interesse dos cidad&atilde;os em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; presen&ccedil;a do Estado no mundo digital. H&aacute; um m&ecirc;s, a estr&eacute;ia do <em>Blog do Planalto <\/em>foi uma demonstra&ccedil;&atilde;o do grau de curiosidade da popula&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a estes instrumentos. Mal entrou no ar, o site criado pela Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social do governo federal caiu por excesso de conex&otilde;es. Foram registradas 6 mil visitas por minuto.<\/p>\n<p>O epis&oacute;dio mostra que a mudan&ccedil;a gradual nas estrat&eacute;gias de uso governamental da internet gera, ao mesmo tempo, d&uacute;vidas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s inten&ccedil;&otilde;es dos governantes e a expectativa de que estas ferramentas ampliem a transpar&ecirc;ncia e a participa&ccedil;&atilde;o nas decis&otilde;es governamentais. Afinal, a internet e as op&ccedil;&otilde;es da web 2.0 facilitam o acesso &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas? Abrem um canal mais direto de contato com o cidad&atilde;o comum? Incentivam a participa&ccedil;&atilde;o das pessoas na elabora&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas? Tem-se, enfim, um instrumento que serve de retorno sobre a efic&aacute;cia de pol&iacute;ticas governamentais ou a internet &eacute; apenas mais um ve&iacute;culo de propaganda dos governantes? <\/p>\n<p>Para Sivaldo Pereira, doutor em Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), o uso da internet pelo Estado brasileiro n&atilde;o est&aacute; focado na interatividade. &ldquo;Em primeiro plano, os portais t&ecirc;m hoje uma fun&ccedil;&atilde;o muito mais de expor informa&ccedil;&atilde;o do que de interagir com os cidad&atilde;os. Em segundo plano, servem como canais de presta&ccedil;&atilde;o de alguns servi&ccedil;os (como emiss&atilde;o de documentos, cadastros, etc.). Em rar&iacute;ssimos casos h&aacute; o uso de ferramentas como chat, f&oacute;runs de debate online ou vota&ccedil;&atilde;o via internet&rdquo;, avalia Pereira, que estuda como o Estado faz uso da interatividade digital.<\/p>\n<p>O <em>Blog do Planalto<\/em>, por exemplo, n&atilde;o tem espa&ccedil;os para que os internautas deixem seus coment&aacute;rios. A equipe respons&aacute;vel pelo site afirma, na se&ccedil;&atilde;o &ldquo;Sobre o blog&rdquo;, que ele &eacute; um espa&ccedil;o para &ldquo;compartilhar informa&ccedil;&otilde;es sobre o cotidiano da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica&rdquo;. A op&ccedil;&atilde;o por n&atilde;o abrir o site a coment&aacute;rios dos leitores causou tal estranhamento que, apenas tr&ecirc;s dias depois da estr&eacute;ia do site oficial, usu&aacute;rios da internet criaram uma vers&atilde;o alternativa que reproduz o conte&uacute;do do blog com a espa&ccedil;o para interatividade.<\/p>\n<p><strong>Interatividade<\/strong><\/p>\n<p>Como se v&ecirc;, a id&eacute;ia de que a internet deixe de ser utilizada apenas como canal de transmiss&atilde;o de not&iacute;cias do governo para ser tamb&eacute;m um espa&ccedil;o com foco na participa&ccedil;&atilde;o do cidad&atilde;o ainda precisa ser apreendida tanto pelos governos, como pela popula&ccedil;&atilde;o. Experi&ecirc;ncias como a da reformula&ccedil;&atilde;o da Lei Rouanet pelo Minist&eacute;rio da Cultura, que contou com uma consulta via internet aberta ao p&uacute;blico, ainda s&atilde;o consideradas inova&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o regra.<\/p>\n<p>&ldquo;As ferramentas de interatividade precisam ser implantadas em paralelo com o fomento de uma cultura c&iacute;vica de apropria&ccedil;&atilde;o disso&rdquo;, lembra Sivaldo Pereira. O pesquisador ressalta tamb&eacute;m que &eacute; preciso considerar a dificuldade de acesso &agrave; internet ainda enfrentada pela grande maioria da popula&ccedil;&atilde;o brasileira. &ldquo;Realizar uma democracia via internet com grandes contingentes de cidad&atilde;os que n&atilde;o tem acesso pode refor&ccedil;ar as desigualdades j&aacute; existentes. Isso n&atilde;o quer dizer que &eacute; preciso incluir digitalmente para depois desenvolver ferramentas de interatividade: &eacute; preciso ver a inclus&atilde;o digital e a interatividade como parte de uma pol&iacute;tica de democracia participativa integrada.&rdquo;<\/p>\n<p>As pr&aacute;ticas de interatividade tamb&eacute;m precisam ser uma pol&iacute;tica de Estado e n&atilde;o uma pol&iacute;tica de governo que pode mudar com o humor dos governantes. Para Pereira, a internet definitivamente entrou na estrat&eacute;gia de publicidade governamental, mas isso n&atilde;o significa, necessariamente, que o ambiente digital sirva apenas &agrave; propaganda pol&iacute;tica. &ldquo;Embora haja muita propaganda nos portais, h&aacute; tamb&eacute;m muita informa&ccedil;&atilde;o &uacute;til e muitos dados que podem ajudar a tornar o Estado hoje bem mais transparente do que era h&aacute; 20 anos.&rdquo;<\/p>\n<p>Apesar da exclus&atilde;o digital marcar a realidade brasileira, o crescimento do n&uacute;mero de acessos &agrave; internet e tamb&eacute;m a configura&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os interativos, a exemplo dos blogs, como fontes de informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podem mais ser desprezados pela comunica&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico. Segundo estudo da ag&ecirc;ncia de m&iacute;dia Universal McCann, j&aacute; s&atilde;o 625 milh&otilde;es o n&uacute;mero dos internautas ativos. Destes usu&aacute;rios ativos, 63% t&ecirc;m ou j&aacute; fizeram perfil em sites de relacionamento, 29% afirmam manter blogs na internet e 71% declararam buscar informa&ccedil;&otilde;es em blogs. <\/p>\n<p>Um dos grandes exemplos mundiais no uso dessas ferramentas &eacute; o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. A utiliza&ccedil;&atilde;o do twitter &#8211; uma esp&eacute;cie de blog no qual as pessoas podem postar pequenas not&iacute;cias &#8211; por Obama durante as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais dos EUA acabou por popularizar a ferramenta em todo o mundo. Ao ser eleito presidente, o blog do ent&atilde;o candidato passou a ser o <em>Blog da Casa Branca<\/em>. Essa experi&ecirc;ncia, considerada um caso de sucesso no mundo das estrat&eacute;gias de comunica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, passou a ser adotada em mais pa&iacute;ses e tamb&eacute;m em diferentes esferas de governo, como os governos estaduais e municipais. No Brasil, esse fen&ocirc;meno j&aacute; come&ccedil;a a se desenhar em algumas esferas do poder p&uacute;blico, mas principalmente no Poder Executivo.<\/p>\n<p><strong>Blog da Presid&ecirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p>Curiosamente, a vers&atilde;o brasileira de comunica&ccedil;&atilde;o presidencial recorre, ao mesmo tempo, &agrave; internet 2.0 e &agrave; imprensa tradicional. Al&eacute;m do <em>Blog do Planalto<\/em>, o presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva passou a ter tamb&eacute;m uma coluna semanal em jornais regionais. A op&ccedil;&atilde;o pela cria&ccedil;&atilde;o do blog considerou, especialmente, o fortalecimento da internet como fonte de informa&ccedil;&atilde;o priorit&aacute;ria para uma determinada parcela da popula&ccedil;&atilde;o, principalmente os jovens. <\/p>\n<p>A diversifica&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia de comunica&ccedil;&atilde;o do Planalto, incluindo a internet, deve-se tamb&eacute;m &agrave; cria&ccedil;&atilde;o da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC) e a incorpora&ccedil;&atilde;o dos ve&iacute;culos que antes faziam a comunica&ccedil;&atilde;o do Pal&aacute;cio do Planalto &#8211; como a Radiobras e a Ag&ecirc;ncia Brasil &ndash; em um sistema que se pretende p&uacute;blico e que agora tem a inten&ccedil;&atilde;o de se manter distante do governo.<\/p>\n<p>Al&eacute;m da Presid&ecirc;ncia, tamb&eacute;m os minist&eacute;rios, empresas p&uacute;blicas e autarquias federais desenvolvem outras iniciativas a partir das plataformas digitais. Um exemplo de interatividade, mas tamb&eacute;m de pol&ecirc;mica, foi a cria&ccedil;&atilde;o do <em>Blog Fatos e Dados <\/em>pela Petrobras, em junho. <\/p>\n<p>Alvo das aten&ccedil;&otilde;es da oposi&ccedil;&atilde;o no Congresso Nacional, que pregava a instala&ccedil;&atilde;o de uma Comiss&atilde;o Parlamentar de Inqu&eacute;rito sobre a gest&atilde;o da empresa, a assessoria de comunica&ccedil;&atilde;o da Petrobras optou por fazer um blog para apresentar diretamente &agrave; popula&ccedil;&atilde;o as informa&ccedil;&otilde;es geradas por seus profissionais e evitar edi&ccedil;&otilde;es desfavor&aacute;veis por parte da imprensa. <\/p>\n<p>O blog dividiu opini&otilde;es. Foi considerado por alguns como uma inova&ccedil;&atilde;o, uma pr&aacute;tica democr&aacute;tica, e por outros foi acusado de tentar intimidar jornalistas ao publicar na &iacute;ntegra as entrevistas concedidas por representantes da estatal &agrave; imprensa. Fato &eacute; que o blog atingiu, nos seus primeiros dias de vida, n&uacute;meros que superavam os 20 mil acessos di&aacute;rios e passou a ser mais uma fonte de informa&ccedil;&atilde;o sobre o processo que envolvia a estatal.<\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio da Cultura (Minc), por sua vez, tamb&eacute;m fez uso das ferramentas interativas. O blog criado com intuito de discutir e construir coletivamente o novo projeto da Lei Rouanet ficou no ar por seis meses. Nesse per&iacute;odo, teve 70 mil acessos e a consulta foi considerado um sucesso.<\/p>\n<p><strong>Fraudes<\/strong><\/p>\n<p>Assim como boa parte dos processos que envolvem inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas, a web 2.0 ainda traz uma s&eacute;rie de problemas que, na perspectiva da comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, deixam de ser simples brincadeira e passam a ser fraudes com conseq&uuml;&ecirc;ncias de dif&iacute;cil solu&ccedil;&atilde;o. Como os sites de relacionamento s&atilde;o abertos, bem como a cria&ccedil;&atilde;o de um blog ou de um twitter, multiplicam-se os perfis falsos de pessoas p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>Na p&aacute;gina da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, uma nota alerta para um perfil falso do presidente Lula no twitter. Tamb&eacute;m j&aacute; se identificou pl&aacute;gio do <em>Blog Fatos e Dados<\/em> da Petrobras, e v&aacute;rias outras den&uacute;ncias de perfis falsos s&atilde;o feitas na internet.<\/p>\n<p>Os criadores do twitter, por exemplo, j&aacute; anunciaram que v&atilde;o lan&ccedil;ar uma nova p&aacute;gina inicial que explique melhor para que serve a ferramenta que, segundo Biz Stone, co-fundador do servi&ccedil;o, deve dar not&iacute;cias em tempo real. <\/p>\n<p>Em se tratando de ferramentas utilizadas pelo poder p&uacute;blico, as p&aacute;ginas oficiais, que s&atilde;o mais dificilmente copiadas, podem alojar ou indicar o link correto para os referidos endere&ccedil;os evitando as falsifica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span style=\"background: transparent none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial\"><span style=\"font-style: normal\">Ainda falta investir em interatividade, mas iniciativas governamentais na internet t&ecirc;m potencial para dar mais transpar&ecirc;ncia &agrave; a&ccedil;&atilde;o estatal<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[886],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23413"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23413"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23413\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}