{"id":23385,"date":"2009-09-23T22:32:22","date_gmt":"2009-09-23T22:32:22","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23385"},"modified":"2014-09-07T02:58:43","modified_gmt":"2014-09-07T02:58:43","slug":"ley-de-medios-cria-novo-e-avancado-marco-regulatorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23385","title":{"rendered":"&#8216;Ley de Medios&#8217; cria novo e avan\u00e7ado marco regulat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t    <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Um dos principais problemas do sistema de comunica&ccedil;&atilde;o argentino pode come&ccedil;ar a ter uma solu&ccedil;&atilde;o com a proposta de Lei de Servi&ccedil;os de Comunica&ccedil;&atilde;o Audiovisual &#8211; aprovada pela C&acirc;mara dos Deputados daquele pa&iacute;s na &uacute;ltima quinta-feira (17). Al&eacute;m de propor a cria&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os de fiscaliza&ccedil;&atilde;o e controle social da m&iacute;dia, definir limites para a publicidade, instituir a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa de programas e proibir o uso de canais de r&aacute;dio e TV por pol&iacute;ticos e detentores de cargos p&uacute;blicos, entre outras medidas, o objetivo central da chamada &quot;Ley de Medios&quot; &eacute; criar mecanismos para combater a concentra&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>O projeto de lei, que se encontra no Senado argentino, prev&ecirc; a cria&ccedil;&atilde;o de um limite de licen&ccedil;as para explora&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os audiovisuais. Cada empresa passaria a poder usar, no m&aacute;ximo, dez concess&otilde;es em TV aberta ou a cabo. Atualmente, esse limite &eacute; de 24 outorgas. As empresas teriam um ano para se adequar &agrave; norma. Tamb&eacute;m o prazo das licen&ccedil;as seria diminu&iacute;do, de 15 para dez anos.<\/p>\n<p>Outra proposta &ndash; e talvez a mais ousada entre as apresentadas pelo governo argentino &ndash; &eacute; a reparti&ccedil;&atilde;o do espectro destinado ao r&aacute;dio em tr&ecirc;s partes iguais. Uma delas ficaria para uso da iniciativa privada com fins lucrativos, outra para os operadores privados sem fins lucrativos (igrejas, associa&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias, sindicatos, universidades, funda&ccedil;&otilde;es) e a terceira para o Estado.<\/p>\n<p>O projeto tamb&eacute;m imp&otilde;e restri&ccedil;&otilde;es para evitar a concentra&ccedil;&atilde;o dos meios locais, como a impossibilidade de um mesmo concession&aacute;rio operar mais de uma licen&ccedil;a em freq&uuml;&ecirc;ncia de r&aacute;dio AM e mais de duas em FM. Al&eacute;m disso, o processo de concess&atilde;o e renova&ccedil;&atilde;o de outorgas seria mais r&iacute;gido. Institui-se, por exemplo, a necessidade de audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas nos locais de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o das emissoras para avaliar seus desempenhos. <\/p>\n<p>O governo de Cristina Kirchner tamb&eacute;m pretende utilizar a digitaliza&ccedil;&atilde;o das transmiss&otilde;es de radiodifus&atilde;o para ampliar sua reforma do sistema. Como isso possibilita a divis&atilde;o de um mesmo canal em v&aacute;rias programa&ccedil;&otilde;es, a lei prev&ecirc; que seja adotada a multiprograma&ccedil;&atilde;o. &ldquo;A digitaliza&ccedil;&atilde;o deve levar mais atores no mercado, n&atilde;o menos&rdquo;, enfatiza o texto do projeto. <\/p>\n<p>Al&eacute;m desses pontos, tamb&eacute;m se pretende evitar o excesso de conte&uacute;dos estrangeiros nos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o. O texto aprovado pelos deputados prev&ecirc; que no r&aacute;dio, por exemplo, 30% do que for veiculado deve ser de origem argentina. Na TV, a produ&ccedil;&atilde;o nacional deve alcan&ccedil;ar 60% de toda a programa&ccedil;&atilde;o. Isso quando as emissoras estiverem em cidades com mais de 600 mil habitantes.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">&ldquo;Geralmente n&atilde;o &eacute; um problema nos canais de TV aberta, mas na Argentina a televis&atilde;o a cabo &eacute; muito forte. Em muitos lugares, se voc&ecirc; n&atilde;o &eacute; assinante do cabo, n&atilde;o assiste televis&atilde;o. A id&eacute;ia &eacute; gerar condi&ccedil;&otilde;es para cria&ccedil;&atilde;o e fomento da produ&ccedil;&atilde;o nacional, algo que dar&aacute; muito trabalho&rdquo;, avalia o professor e pesquisador da Universidade de Buenos Aires Santiago Marino.<\/p>\n<p>A propriedade cruzada dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; atacada pelo projeto. Empresas de radiodifus&atilde;o n&atilde;o poder&atilde;o operar distribuidoras de TV a cabo em uma mesma localidade e vice-versa. <\/p>\n<p><strong>Controle Social<\/strong><\/p>\n<p>Uma das grandes for&ccedil;as do projeto &eacute; conseguir articular em um mesmo texto praticamente todas as nuances de um sistema de comunica&ccedil;&atilde;o audiovisual. Isso inclui est&acirc;ncias de promo&ccedil;&atilde;o e fiscaliza&ccedil;&atilde;o da nova regula&ccedil;&atilde;o proposta. Por isso, o projeto prop&otilde;e a cria&ccedil;&atilde;o de alguns organismos novos, voltados especificamente para este fim. Um deles &eacute; uma estrutura designada Autoridade Federal de Servi&ccedil;os de Comunica&ccedil;&atilde;o Audiovisual, encarregada de aplicar a lei. Entre suas fun&ccedil;&otilde;es, est&aacute; a aprova&ccedil;&atilde;o de projetos t&eacute;cnicos das esta&ccedil;&otilde;es de radiodifus&atilde;o junto com a Autoridade de Aplica&ccedil;&atilde;o de Telecomunica&ccedil;&otilde;es. Ela tamb&eacute;m ter&aacute; como responsabilidade aplicar san&ccedil;&otilde;es em caso de viola&ccedil;&atilde;o da lei, sob supervis&atilde;o judicial. <\/p>\n<p>Tamb&eacute;m est&aacute; proposto no texto a cria&ccedil;&atilde;o de uma Defensoria do P&uacute;blico, &oacute;rg&atilde;o voltado a receber den&uacute;ncias e reclama&ccedil;&otilde;es, criar espa&ccedil;os de debate sobre os meios de comunica&ccedil;&atilde;o e representar os interesses do p&uacute;blico e da comunidade, isolada ou conjuntamente, em um recurso administrativo ou judicial.<\/p>\n<p>O projeto tamb&eacute;m d&aacute; conta de reestruturar a comunica&ccedil;&atilde;o estatal. Os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o do Estado deixariam de funcionar isoladamente e seriam aglutinados em torno de uma nova empresa, a Radio y Televisi&oacute;n Argentina Sociedad del Estado. Ela seria dirigida por um conselho de sete membros. <\/p>\n<p><strong>Avalia&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o do professor da Universidade Federal Fluminense D&ecirc;nis de Moraes, o projeto de lei proposto pelo governo argentino &eacute;, ao lado da lei de radiodifus&atilde;o comunit&aacute;ria aprovada no Uruguai, o mais avan&ccedil;ado da Am&eacute;rica Latina. &ldquo;&Eacute; uma interven&ccedil;&atilde;o profunda&rdquo;, afirma ele, que &eacute; autor do rec&eacute;m-lan&ccedil;ado &ldquo;A Batalha da M&iacute;dia&rdquo;, em que analisa as propostas dos governos progressistas latino-americanos referentes &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Moraes destaca duas quest&otilde;es fundamentais para ter se chegado a constru&ccedil;&atilde;o desse projeto. A primeira foi a vontade pol&iacute;tica do governo. Moraes acredita que a presidente compreendeu que a antiga lei que regulava o setor (a Lei 22.285 de 1980) &eacute; anacr&ocirc;nica e beneficia os grandes grupos de m&iacute;dia. &ldquo;&Eacute; uma vontade progressista de enfrentamento aos grupos midi&aacute;ticos. A presidente vai mexer na j&oacute;ia da coroa dessas corpora&ccedil;&otilde;es&rdquo;, avalia o professor, que aproveita para criticar o governo brasileiro pela pouca disposi&ccedil;&atilde;o em lidar com os problemas da nossa m&iacute;dia. <\/p>\n<p>O segundo ponto foi a exist&ecirc;ncia de uma grande mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade argentina que deu suporte &agrave;s propostas contidas no projeto de Lei de Servi&ccedil;os de Comunica&ccedil;&atilde;o Audiovisual. Para o professor, al&eacute;m do campo da comunica&ccedil;&atilde;o, foi fundamental o envolvimento de outros setores, como centrais sindicais, igrejas e associa&ccedil;&otilde;es profissionais. &ldquo;Foi uma coaliz&atilde;o de interesses progressistas. N&atilde;o adianta acreditar que apenas as entidades que lutam pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o v&atilde;o conseguir dobrar o poderio dos grandes grupos de m&iacute;dia&rdquo;, opina. <\/p>\n<p>O projeto foi fortemente influenciado por um grupo de entidades da sociedade civil denominado Coalici&oacute;n por uma Radiodifusi&oacute;n Democr&aacute;tica (Coaliz&atilde;o por uma Radiodifus&atilde;o Democr&aacute;tica). Boa parte das propostas e inclusive as justificativas apresentadas pela Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica est&atilde;o baseadas em documentos da coaliz&atilde;o, em especial &ldquo;21 Puntos B&aacute;sicos por el Derecho a la Comunicaci&oacute;n&rdquo; (21 Pontos B&aacute;sicos pelo Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o).<\/p>\n<p>Para divulgar a &ldquo;lei dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, o governo argentino criou uma p&aacute;gina na internet. Com o sugestivo nome &ldquo;Hablemos todos&rdquo; &#8211; ou &ldquo;Falemos todos&rdquo;.<\/p>\n<hr \/>\n<h3>SAIBA MAIS<\/h3>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><em>Outros pontos importantes do projeto:<\/em><\/p>\n<p>&#8211; A proposta apresentada pela Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica tem inspira&ccedil;&atilde;o em leis da Fran&ccedil;a, It&aacute;lia, Inglaterra, Canad&aacute; e Estados Unidos, al&eacute;m das propostas feitas pela  Coalici&oacute;n por uma Radiodifusi&oacute;n Democr&aacute;tica.<\/p>\n<p>&#8211; O texto fala em servi&ccedil;os audiovisuais porque regula o sistema independente da plataforma em que os diferentes servi&ccedil;os s&atilde;o operados (pelo ar, atrav&eacute;s do cabo, via sat&eacute;lite, em tecnologia anal&oacute;gica ou digital). O projeto deixa de lado o conceito de radiodifus&atilde;o. &ldquo;Conte&uacute;dos audiovisuais id&ecirc;nticos ou similares devem ser regulados pelo mesmo marco regulat&oacute;rio, independente da tecnologia de transmiss&atilde;o&rdquo;, diz o texto.<\/p>\n<p>&#8211; Prop&otilde;e criar pol&iacute;ticas para garantir que bibliotecas, museus e arquivos possam oferecer o conte&uacute;do dispon&iacute;vel nos diferentes servi&ccedil;os de distribui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&#8211; Das 22h at&eacute; &agrave; meia-noite, a programa&ccedil;&atilde;o das TVs deve estar voltada para maiores de 13 anos. Desse hor&aacute;rio at&eacute; as 6h, podem ser exibidos conte&uacute;dos classificados como para pessoas com mais de 18 anos.<\/p>\n<p>&#8211; Ser&aacute; elaborada uma lista anual de eventos de interesse geral, para o qual o &ldquo;exerc&iacute;cio dos direitos exclusivos devem ser justos e n&atilde;o discriminat&oacute;rios&rdquo;. Isso vai permitir, por exemplo, que competi&ccedil;&otilde;es esportivas sejam transmitidas em canal aberto, o que n&atilde;o ocorre at&eacute; hoje porque os direitos de transmiss&atilde;o s&atilde;o exclusivos de operadoras de TV a cabo.<\/p>\n<p>&#8211; A publicidade dirigida &agrave;s crian&ccedil;as n&atilde;o deve incitar a compra de produtos. Ali&aacute;s, o limite para toda a publicidade em uma programa&ccedil;&atilde;o qualquer n&atilde;o deve ultrapassar o m&aacute;ximo de 12 minutos por hora, o que equivale a 20% do tempo di&aacute;rio de um canal. <\/p>\n<p>&#8211; O projeto reserva uma freq&uuml;&ecirc;ncia na TV aberta para a Universidade Nacional.<\/p>\n<hr \/>\n<h3>VEJA TAMB&Eacute;M:<\/h3>\n<address><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=23373\">Argentina &#8211; Deputados aprovam nova lei sobre servi&ccedil;os audiovisuais<\/a><\/address>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Proposta apresentada pela Presid&ecirc;ncia e aprovada na C&acirc;mara incorpora propostas da sociedade para quebrar oligop&oacute;lio e implantar controle social da m&iacute;dia<br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[2],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23385"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23385"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23385\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28043,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23385\/revisions\/28043"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23385"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23385"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23385"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}