{"id":23384,"date":"2009-09-23T17:36:08","date_gmt":"2009-09-23T17:36:08","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23384"},"modified":"2009-09-23T17:36:08","modified_gmt":"2009-09-23T17:36:08","slug":"nova-versao-reacende-disputa-sobre-cotas-e-fomento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23384","title":{"rendered":"Nova vers\u00e3o reacende disputa sobre cotas e fomento"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A mais nova vers&atilde;o do Projeto de Lei 29\/2007, que regula o convergente setor de TV paga, rec&eacute;m aprovada na Comiss&atilde;o de Defesa do Consumidor (CDC) da C&acirc;mara dos Deputados reacendeu as expectativas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de cotas efetivas para a produ&ccedil;&atilde;o nacional e independente. O texto e os destaques aprovados na CDC revisaram os crit&eacute;rios que definem a propor&ccedil;&atilde;o de canais e de programas nacionais nas grades oferecidas pelas operadoras, o que na avalia&ccedil;&atilde;o dos produtores independentes e de analistas do setor significou um avan&ccedil;o em rela&ccedil;&atilde;o ao relat&oacute;rio que vinha sendo discutido na Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI) anteriormente.<\/p>\n<p>Mas na atribulada tramita&ccedil;&atilde;o do PL-29 pela C&acirc;mara, n&atilde;o &eacute; demais imaginar que os ganhos contabilizados na &uacute;ltima aprecia&ccedil;&atilde;o ser&atilde;o novamente revistos. O projeto est&aacute; de volta &agrave; CCTCI, de onde saiu para a CDC sem aprova&ccedil;&atilde;o do relat&oacute;rio do ent&atilde;o deputado Jorge Bittar (PT-RJ), que instituiu as cotas no projeto original do deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC) e, ao longo de v&aacute;rias vers&otilde;es, amenizou as propostas de defesa do conte&uacute;do nacional.<\/p>\n<p>&Eacute; na CCTCI que os interesses dos setores diretamente envolvidos no PL &ndash; as operadoras de TV a cabo, os radiodifusores e as empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es &ndash; devem novamente se manifestar. Sinal disso &eacute; a movimenta&ccedil;&atilde;o dos deputados para evitar que as discuss&otilde;es sobre o projeto sejam abertas &agrave; ampla participa&ccedil;&atilde;o da sociedade. A nova relatoria agora caber&aacute; ao deputado Pedro Henrique Lustosa (PMDB-CE), que prev&ecirc; para o dia 15 de outubro um novo substitutivo para o projeto. O substitutivo dever&aacute; ser discutido por um grupo de trabalho &#8211; composto por deputados e designada pelo presidente da CCTCI, deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO) &ndash; em reuni&otilde;es com os setores envolvidos. Audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas n&atilde;o est&atilde;o previstas. Segundo a assessoria de Lustosa, &ldquo;j&aacute; aconteceram outras audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas e a id&eacute;ia &eacute; agilizar o trabalho&rdquo;.<\/p>\n<p>Uma agenda de discuss&otilde;es j&aacute; foi definida por Lustosa e as pr&oacute;ximas conversas dever&atilde;o considerar o material elaborado pela Consultoria Legislativa da C&acirc;mara. Este, compara as vers&otilde;es do PL que j&aacute; passaram pelas Comiss&otilde;es de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e a de Defesa do Consumidor.<\/p>\n<p>A mais recente delas, sa&iacute;da da CDC, mant&eacute;m quest&otilde;es tratadas como pol&ecirc;micas nos debates anteriores na CCTCI. &Eacute; o caso da gratuidade do ponto extra de TV a cabo e a previs&atilde;o de que as operadoras realizem a venda de canais avulsos. Mas as principais modifica&ccedil;&otilde;es feitas pelos deputados na Comiss&atilde;o de Defesa do Consumidor aumentam tanto o n&uacute;mero de horas de veicula&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria de conte&uacute;do nacional e independente como a abrang&ecirc;ncia das cotas, que teriam de ser cumpridas tamb&eacute;m pelos canais estrangeiros.<\/p>\n<p>Para Lara Haje, pesquisadora do Laborat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), j&aacute; houve avan&ccedil;os no processo de negocia&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Se a atual cota [exclusiva para veicula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do brasileiro] aprovada pela CDC for mantida na CCTCI &eacute; uma grande vit&oacute;ria pol&iacute;tica e um passo importante para o fortalecimento da ind&uacute;stria audiovisual.&rdquo; J&aacute; os produtores independentes defendem um aumento ainda maior das cotas.<\/p>\n<p><strong>Destaques aprovados<\/strong><\/p>\n<p>Na tramita&ccedil;&atilde;o pela CDC, os deputados aprovaram o relat&oacute;rio do deputado Vital do R&ecirc;go (PMDB-PB) e dois destaques. Um deles definiu que o tempo m&iacute;nimo de veicula&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do nacional ser&aacute; de 3h30 semanais &ndash; meia-hora por dia &ndash; para todos os canais, inclusive os estrangeiros, que n&atilde;o eram citados no substitutivo anterior. Al&eacute;m disso, prev&ecirc; que metade deste conte&uacute;do deve ser de produtoras independentes.<\/p>\n<p>A cota vale para todos os canais com programa&ccedil;&atilde;o ocupada majoritariamente por espa&ccedil;o qualificado, ou seja, composta por filmes, s&eacute;ries e novelas. Nos servi&ccedil;os chamados de cat&aacute;logo (como <em>pay per view <\/em><span style=\"font-style: normal\">ou nas modalidades de <\/span><em>video on demand<\/em>), pelo menos 10% de conte&uacute;do brasileiro deve ser ofertado.<\/p>\n<p>O outro destaque aprovado refere-se justamente &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o qualificado. Ele retira a express&atilde;o &ldquo;restrito&rdquo; antes vinculada ao termo. Assim, fica caracterizado como espa&ccedil;o qualificado o total de programa&ccedil;&atilde;o ou conte&uacute;do audiovisual (no caso dos servi&ccedil;os em cat&aacute;logo), e n&atilde;o apenas o tempo destinado a este tipo de programa no chamado hor&aacute;rio nobre. Ficam de fora do espa&ccedil;o qualificado os programas de debate e de audit&oacute;rio, bem como aqueles de cunho jornal&iacute;stico. A defini&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o qualificado &eacute; importante na defini&ccedil;&atilde;o das cotas para produ&ccedil;&atilde;o independente, porque elas respondem a uma porcentagem do tempo da programa&ccedil;&atilde;o destinado a conte&uacute;dos de alto valor agregado, como filmes ou s&eacute;ries.<\/p>\n<p>Para o produtor e diretor da Associa&ccedil;&atilde;o de Produtoras Brasileiras de Audiovisual (APBA), Rojer Madruga, a quantidade de cotas na programa&ccedil;&atilde;o e nos pacotes de TV paga ainda deve ser rediscutida. &ldquo;Cotas de 3h30 n&atilde;o &eacute; o ideal. &Eacute; necess&aacute;rio, de repente, dobrar este valor, mas saber tamb&eacute;m que h&aacute; um limite. Ningu&eacute;m quer destruir o modelo de mercado&rdquo;, comentou.<\/p>\n<p><strong>Mercado independente<\/strong><\/p>\n<p>J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o ao n&uacute;mero de canais com programa&ccedil;&atilde;o inteiramente nacional, a CDC manteve a op&ccedil;&atilde;o original de pelo menos um canal por pacote. Para serem considerados canais nacionais incentivados, os programadores dever&atilde;o exibir m&iacute;nimo de doze horas di&aacute;rias para produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do audiovisual independente, a ser veiculada no espa&ccedil;o qualificado. Mudan&ccedil;a grande em compara&ccedil;&atilde;o com a proposta de Jorge Bittar que circulava na CCTCI e sugeria um m&iacute;nimo de quatro canais por pacote.<\/p>\n<p>Rojer manifestou desacordo em rela&ccedil;&atilde;o ao texto que agora volta &agrave; CCTCI. &ldquo;A nossa proposta &ndash; que inclusive j&aacute; foi pr&eacute;-acordada com alguns deputados que a acham razo&aacute;vel &ndash; &eacute; de que este n&uacute;mero de canais aumente conforme cres&ccedil;a o pacote&rdquo;, explica. Assim, os chamados pacotes b&aacute;sicos teriam no m&iacute;nimo um canal totalmente nacional e o n&uacute;mero aumentaria, chegando a tr&ecirc;s nos pacotes maiores.<\/p>\n<p>A cria&ccedil;&atilde;o das cotas mexeria fortemente com o mercado do audiovisual. As programadoras &ndash; empresas que organizam os pacotes de canais a serem ofertados pelas operadoras &ndash; negociariam os conte&uacute;dos com as produtoras independentes para preencherem os espa&ccedil;os das cotas. Hoje, boa parte desta rela&ccedil;&atilde;o acaba sendo entre empresas do mesmo grupo, mimetizando o modelo de neg&oacute;cios da TV aberta. A GloboSat, por exemplo, oferta um grande n&uacute;mero de canais pr&oacute;prios &ndash; como Multishow, GNT, GloboNews &ndash; cujas produ&ccedil;&otilde;es s&atilde;o em sua grande maioria criadas ou realizadas por ela.<\/p>\n<p><strong>Fomento e Regula&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Os membros da CDC tamb&eacute;m mantiveram a proposta de uso de 10% do Fundo de Fiscaliza&ccedil;&atilde;o das Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Fistel), taxa paga pelos concession&aacute;rios de radiodifus&atilde;o e empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es, para a cria&ccedil;&atilde;o de um fundo de fomento &agrave; produ&ccedil;&atilde;o audiovisual, conforme a reda&ccedil;&atilde;o feita ainda na Comiss&atilde;o de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico, Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio. Este ponto tamb&eacute;m pode ser revisto na CCTCI. <\/p>\n<p>Para Rojer Madruga, deve ficar claro para quem este dinheiro ser&aacute; destinado. O produtor lembra que, em vers&otilde;es anteriores, &ldquo;se falava apenas em destina&ccedil;&atilde;o de verba para empresa brasileira de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, sem ter esclarecimento de que tipo de empresa trata-se. &ldquo;N&atilde;o adianta se ela [a verba] for s&oacute; para as grandes produtoras&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p>Junto ao fomento, deve vir a regula&ccedil;&atilde;o. Marcos Dantas, pesquisador da &aacute;rea de Comunica&ccedil;&atilde;o e professor da PUC-RJ, observa que deve haver uma inst&acirc;ncia que regule o direcionamento das verbas de fomento, a qualidade da programa&ccedil;&atilde;o e o uso das cotas. No texto atual, a Ag&ecirc;ncia Nacional de Cinema (Ancine) &eacute; respons&aacute;vel pelo fomento &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do, fiscaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o e empacotamento (a cria&ccedil;&atilde;o de pacotes de canais). <\/p>\n<p>Por&eacute;m, n&atilde;o est&aacute; claro o papel da ag&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o a pontos que j&aacute; foram considerados em outros substitutivos, especialmente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; regula&ccedil;&atilde;o do mercado, propriamente dito. Por exemplo, n&atilde;o est&aacute; prevista uma inst&acirc;ncia que zele pelo ajustamento de conduta das empresas nos processos de an&aacute;lise da concorr&ecirc;ncia nas atividades de produ&ccedil;&atilde;o, programa&ccedil;&atilde;o e empacotamento. &ldquo;Se for aprovado o trip&eacute; cotas, fomento e regula&ccedil;&atilde;o, o projeto pode alavancar toda uma economia de audiovisual. O campo de comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; estrat&eacute;gico para um pa&iacute;s&rdquo;, disse Rojer Madruga.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mais nova vers&atilde;o do Projeto de Lei 29\/2007, que regula o convergente setor de TV paga, rec&eacute;m aprovada na Comiss&atilde;o de Defesa do Consumidor (CDC) da C&acirc;mara dos Deputados reacendeu as expectativas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de cotas efetivas para a produ&ccedil;&atilde;o nacional e independente. 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