{"id":23375,"date":"2009-09-22T14:30:25","date_gmt":"2009-09-22T14:30:25","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23375"},"modified":"2009-09-22T14:30:25","modified_gmt":"2009-09-22T14:30:25","slug":"banda-larga-como-servico-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23375","title":{"rendered":"Banda larga como servi\u00e7o p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">N&atilde;o &eacute; de hoje que muitos afirmam ser imprescind&iacute;vel a universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; banda larga. Universalizar significa garantir a todos os cidad&atilde;os &#8211; independente das condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas ou localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica &#8211; os recursos necess&aacute;rios para o acesso &agrave; Internet, o que inclui computadores, conex&otilde;es com velocidades decentes e, tamb&eacute;m, o conhecimento necess&aacute;rio para a utiliza&ccedil;&atilde;o do pleno potencial da tecnologia.<\/p>\n<p>O tema voltou &agrave;s capas dos jornais e portais eletr&ocirc;nicos na &uacute;ltima semana. Primeiro, em fun&ccedil;&atilde;o da publica&ccedil;&atilde;o do regulamento para a oferta de Internet pela rede el&eacute;trica. Segundo, porque o presidente Lula determinou aos seus auxiliares a elabora&ccedil;&atilde;o de um plano para ampliar o uso pelos brasileiros da rede mundial de computadores. <\/p>\n<p>S&atilde;o boas not&iacute;cias, mas recomenda-se analisar os fatos com prud&ecirc;ncia. Assim, evitam-se ilus&otilde;es e criam-se condi&ccedil;&otilde;es para melhorar as propostas atualmente em debate. <\/p>\n<p>A oferta de Internet pela rede el&eacute;trica tem um ineg&aacute;vel potencial. Afinal, a capilaridade das redes el&eacute;tricas &eacute; maior do que a das redes das concession&aacute;rias de telecomunica&ccedil;&otilde;es (Oi\/Brasil Telecom, Telef&ocirc;nica e Embratel). Al&eacute;m de maior penetra&ccedil;&atilde;o, o uso da rede el&eacute;trica poderia ser um forte est&iacute;mulo &agrave; competi&ccedil;&atilde;o na presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o, hoje monopolizado pelas concession&aacute;rias de telefonia fixa &#8211; &agrave; exce&ccedil;&atilde;o dos bairros mais ricos dos grandes centros urbanos, onde existe a concorr&ecirc;ncia das operadoras de TV a cabo &#8211; que se aproveitam dessa situa&ccedil;&atilde;o para abusar dos direitos dos consumidores. <\/p>\n<p>A Internet pela rede de energia el&eacute;trica, al&eacute;m de ser tecnicamente complexa em fun&ccedil;&atilde;o das interfer&ecirc;ncias entre os dois tipos de sinal, carece de um desenho regulat&oacute;rio favor&aacute;vel, que fa&ccedil;a com que a explora&ccedil;&atilde;o seja economicamente vi&aacute;vel para quem fornece e acess&iacute;vel para quem consome.  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">At&eacute; agora, esse n&atilde;o parece ser o caso. N&atilde;o &agrave; toa, o pr&oacute;prio governo admite que o uso da rede el&eacute;trica para a oferta de Internet n&atilde;o deve se tornar uma realidade nos pr&oacute;ximos anos. Falta vontade pol&iacute;tica para enfrentar os interesses dos grandes grupos de telecomunica&ccedil;&otilde;es, que n&atilde;o querem nem pensar em novos concorrentes de peso. <\/p>\n<p>J&aacute; o Plano Nacional de Banda Larga, nome dado ao projeto em gesta&ccedil;&atilde;o no governo federal, &eacute; iniciativa das mais importantes, embora muito &#8211; muito mesmo &#8211; tardia. At&eacute; h&aacute; alguns meses, o governo parecia convencido que a massifica&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; Internet poderia ocorrer pelas m&atilde;os do mercado. Mas aconteceu o &oacute;bvio: o acesso cresceu e continua a crescer devagar-devarzinho, com velocidades de conex&atilde;o mais lentas ainda, que na maioria das vezes sequer poderiam ser consideradas &quot;banda larga&quot; caso fossem utilizados como refer&ecirc;ncia os padr&otilde;es internacionais. <\/p>\n<p>O mercado, como sempre foi e sempre ser&aacute;, busca instalar-se onde h&aacute; renda. Onde n&atilde;o h&aacute; renda, n&atilde;o existe mercado. E n&atilde;o esque&ccedil;amos que quase 50% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira ainda pertence &agrave;s classes D e E, uma barreira colossal para qualquer servi&ccedil;o com pre&ccedil;os e tarifas definidos livremente pelas empresas, como &eacute; atualmente o caso. <\/p>\n<p>Por isso, o plano em gesta&ccedil;&atilde;o &eacute; uma &oacute;tima not&iacute;cia: a import&acirc;ncia que essa nova forma de relacionamento com o mundo adquire para os diversos aspectos da vida cultural, social e econ&ocirc;mica, tornou a Internet uma ferramenta di&aacute;ria para diferentes tarefas ou fun&ccedil;&otilde;es, do lazer ao trabalho. A n&atilde;o inclus&atilde;o dos cidad&atilde;os nesse novo ambiente virtual reproduzir&aacute; ou aumentar&aacute; a j&aacute; inaceit&aacute;vel desigualdade socioecon&ocirc;mica existente no Brasil. <\/p>\n<p>Assim, &eacute; preciso pensar o acesso &agrave; Internet como uma decorr&ecirc;ncia dos direitos fundamentais &agrave; liberdade de express&atilde;o, &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, &agrave; cultura e &agrave; educa&ccedil;&atilde;o. Universalizar a banda larga &eacute; um imperativo &eacute;tico dos nossos tempos. <\/p>\n<p>Mas, embora seja uma &oacute;tima not&iacute;cia, o desenho inicial do plano &eacute; t&iacute;mido: fontes confi&aacute;veis indicam que a inten&ccedil;&atilde;o &eacute; formar uma infra-estrutura p&uacute;blica a partir das redes das empresas estatais (Petrobr&aacute;s, Furnas, Eletronet, etc) para servir aos &oacute;rg&atilde;os do governo federal e dos governos estaduais e municipais. N&atilde;o &eacute; pouca coisa, mas tamb&eacute;m est&aacute; longe de garantir o acesso universal aos milh&otilde;es de brasileiros que ainda n&atilde;o possuem Internet ou que pagam pre&ccedil;os exorbitantes por velocidades tartarugas de conex&atilde;o. <\/p>\n<p>Corajoso mesmo seria (ou ser&aacute;) a cria&ccedil;&atilde;o de uma empresa p&uacute;blica para ofertar o servi&ccedil;o ao consumidor. <\/p>\n<p>De qualquer forma, em meio &agrave;s discuss&otilde;es para a formata&ccedil;&atilde;o do plano, &eacute; hora da sociedade brasileira reivindicar que o Estado assuma a responsabilidade por garantir acesso residencial &agrave; Internet &#8211; afinal, porque os mais pobres devem usar telecentros ou similares e os mais ricos acessar a Internet em casa? -, classificando a banda larga como um servi&ccedil;o p&uacute;blico essencial, com status semelhante ao da telefonia fixa e aos fornecimentos de &aacute;gua e energia el&eacute;trica. Como servi&ccedil;o p&uacute;blico, podem ser impostas obriga&ccedil;&otilde;es de universaliza&ccedil;&atilde;o, de pre&ccedil;os e tarifas. <\/p>\n<p>Independente de poss&iacute;veis variantes regulat&oacute;rias, uma coisa &eacute; certa: a decis&atilde;o pol&iacute;tica de universalizar o acesso &agrave; banda larga passa por assumi-la como um <em>direito<\/em> dos cidad&atilde;os e, conseq&uuml;entemente, um <em>dever<\/em> do Estado.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">&Eacute; preciso pensar o acesso &agrave; internet como uma decorr&ecirc;ncia dos direitos fundamentais &agrave; liberdade de express&atilde;o, &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, &agrave; cultura e &agrave; educa&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[166],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23375"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23375"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23375\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}